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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a01img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>V</b></font><font size="3">ivemos um momento delicado na    hist&oacute;ria do planeta. E n&atilde;o por raz&otilde;es c&oacute;smicas,    cosmol&oacute;gicas, astron&ocirc;micas ou mesmo astrol&oacute;gicas. N&atilde;o    por raz&otilde;es naturais, pois, mas por raz&otilde;es culturais, quer dizer,    por motiva&ccedil;&otilde;es sociais, pol&iacute;ticas, religiosas e que tais.</font></P>     <p><font size="3">Enumerar os graves problemas que o homem hoje enfrenta, em diferentes    circunst&acirc;ncias, mas com a mesma, intensa e indeslind&aacute;vel presen&ccedil;a,    &eacute; fazer desfilar uma lista intermin&aacute;vel de alegorias do mal, da    dor e do sofrimento. </font></P>     <p><font size="3">Entre essas alegorias do padecimento humano nas sociedades contempor&acirc;neas    est&aacute;, qual uma locomotiva da crueldade do progresso, a do desemprego,    a da falta de trabalho, a da aus&ecirc;ncia de perspectiva para o exerc&iacute;cio    de uma profiss&atilde;o, a da falta de ocupa&ccedil;&atilde;o e, consequentemente,    a da nega&ccedil;&atilde;o da identidade pessoal por falta total do espelho    no qual se reproduz a imagem social de nossas semelhan&ccedil;as e de nossas    diferen&ccedil;as. Estamos no ponto de nos percebermos feitos ou s&oacute; de    semelhan&ccedil;as – o que produz, como significado, o ru&iacute;do ensurdecedor    do sil&ecirc;ncio absoluto –, ou de puras diferen&ccedil;as – o que gera o sil&ecirc;ncio    alucinante do alarido cont&iacute;nuo.</font></P>     <p><font size="3">Globalizam-se as condi&ccedil;&otilde;es de reprodu&ccedil;&atilde;o    do capital financeiro ao pre&ccedil;o de sacrif&iacute;cios regionais – chamados    emergentes – nunca antes conhecidos.</font></P>     <p><font size="3">Da&iacute; o risco de que as popula&ccedil;&otilde;es possam    vir a dissociar a democracia dos benef&iacute;cios do bem-estar social gerado    pelo desenvolvimento da economia. O que &eacute; ruim para os indiv&iacute;duos,    p&eacute;ssimo para a sociedade e pior ainda para os futuros da qualidade de    vida do homem e do meio ambiente no planeta. </font></P>     <p><font size="3">Uma das virtudes apregoadas da democracia &eacute; a visibilidade    de suas formas de decis&atilde;o, de representa&ccedil;&atilde;o e de participa&ccedil;&atilde;o    das sociedades na formula&ccedil;&atilde;o dos destinos de seus repousos e de    suas transforma&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <p><font size="3">A hipocrisia democr&aacute;tica que s&oacute; ponha ao alcance    das popula&ccedil;&otilde;es os simulacros de seus benef&iacute;cios sem, contudo,    permitir-lhes o acesso real ao conforto material de suas liberdades ideol&oacute;gicas    e/ou virtuais corre o risco de gerar, na percep&ccedil;&atilde;o de seus atores    e usu&aacute;rios, uma contradi&ccedil;&atilde;o perversa entre liberdade e    bem-estar social.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Nesse momento, a hipocrisia subsumir&aacute; a sinceridade,    e o v&iacute;cio, n&atilde;o tendo mais tributo a pagar a quem quer que seja,    confundir&aacute; a virtude com uma inconveni&ecirc;ncia passageira a ser contornada    para o pleno triunfo dos finalismos que tudo justificam.</font></P>     <p><font size="3">Passa-se, assim, do equil&iacute;brio &eacute;tico constru&iacute;do    entre o v&iacute;cio e a virtude para a plena vig&ecirc;ncia do cinismo de resultados    competitivos, acirrando os individualismos a ponto de amea&ccedil;ar a consist&ecirc;ncia    dos elos que sustentam o contrato social que oferece condi&ccedil;&otilde;es    de vida ao homem e que &eacute; raz&atilde;o de ser de sua vida em sociedade.    </font></P>     <p><font size="3">A quest&atilde;o do trabalho, do emprego, da ocupa&ccedil;&atilde;o,    da mobilidade social &eacute; grave no mundo contempor&acirc;neo e mais grave    ainda em pa&iacute;ses como o Brasil, pois aponta para a necessidade de medidas    pol&iacute;ticas urgentes dos governos, das entidades e das institui&ccedil;&otilde;es    nacionais e internacionais, que alterem a rota de colis&atilde;o em que as nossas    sociedades foram postas pelo primado do capital especulativo e pouco produtivo,    n&atilde;o s&oacute; do ponto de vista econ&ocirc;mico, mas sobretudo do ponto    de vista social, pol&iacute;tico e cultural. </font></P>     <p><font size="3">&Eacute; ao <B>Trabalho</B> que se dedica o n&uacute;cleo tem&aacute;tico    deste n&uacute;mero da revista, sob a coordena&ccedil;&atilde;o do professor    Marcio Pochmann, reunindo importantes pesquisadores e estudiosos do assunto    no pa&iacute;s.</font></P>     <p><font size="3">Fic&ccedil;&atilde;o, poesia, reportagens, not&iacute;cias e    informa&ccedil;&otilde;es fazem, como sempre, as margens din&acirc;micas dos    fluxos tem&aacute;ticos que correm no intervalo entre <I>Ci&ecirc;ncia e Cultura</I>.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3">C<SMALL>ARLOS</small> V<SMALL>OGT</small>    <BR>   <i>Editor chefe, outubro de 2006</i></font></P>      ]]></body>

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