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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a09img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">BIOF&Aacute;RMACOS</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a09linek.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Empresa &eacute; acusada de usar crian&ccedil;as peruanas    como cobaias</b></font></P>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Os resultados foram anunciados como uma vit&oacute;ria da biotecnologia    voltada para a produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos a partir de plantas (<i>biopharming</i>,    na express&atilde;o em ingl&ecirc;s). Mas se tornou rapidamente mais um exemplo    de pr&aacute;ticas question&aacute;veis adotadas pela ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica    a ser esgrimida pelos cr&iacute;ticos da transgenia. A Ventria Bioscience, empresa    de pesquisa em biofarmac&ecirc;uticos localizada na Calif&oacute;rnia (EUA),    anunciou, no in&iacute;cio de julho, resultados tidos como promissores sobre    o uso de Lactivia e Lysomin (marcas registradas da empresa para vers&otilde;es    transg&ecirc;nicas das prote&iacute;nas naturais humanas lactoferrina e lisozima,    contidas no leite materno) no combate &agrave; diarr&eacute;ia em rec&eacute;m-nascidos.</font></P>     <p><font size="3">O novo medicamento, obtido a partir de arroz geneticamente modificado,    foi testado em um grupo de 140 crian&ccedil;as peruanas, com idade variando    entre 5 e 33 meses e sofrendo de diarr&eacute;ia severa. Esses pacientes, que    deram entrada no Instituto Especializado de Salud del Ni&ntilde;o, em Lima,    foram divididos em tr&ecirc;s grupos: um recebeu um soro de reidrata&ccedil;&atilde;o    oral a base de arroz geneticamente modificado, outro um soro de reidrata&ccedil;&atilde;o    oral a base de arroz e o &uacute;ltimo um soro de reidrata&ccedil;&atilde;o    oral a base de glicose. De acordo com a Ventria, o grupo que recebeu o preparado    com lactoferrina e lisozima obtidos a partir de arroz geneticamente modificado    levou, em m&eacute;dia, 3,67 dias para se recuperar, enquanto que as crian&ccedil;as    dos outros dois grupos levaram, em m&eacute;dia 5,21 dias. A empresa divulgou    os dados dos grupos que levaram mais tempo para se recuperar agrupados, n&atilde;o    sendo poss&iacute;vel diferenci&aacute;-los.</font></P>     <p><font size="3">O questionamento surgiu, por&eacute;m, pelo modo como foi conduzida    a pesquisa. Herberth Cuba, membro da Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica    Peruana, entrou com processo judicial contra a m&eacute;dica respons&aacute;vel    pelos experimentos, Nelly Zavaleta, do Instituto de Investigaci&oacute;n Nutricional,    sob a acusa&ccedil;&atilde;o de colocar em risco as crian&ccedil;as que serviram    ao experimento, pois "foram usadas prote&iacute;nas transg&ecirc;nicas n&atilde;o    aprovadas por nenhum pa&iacute;s, nem mesmo pelos Estados Unidos". Ele afirma    que o Peru foi escolhido para o experimento pois &eacute; um pa&iacute;s pobre    cujas leis existentes contra a experimenta&ccedil;&atilde;o em crian&ccedil;as    dificilmente s&atilde;o aplicadas. Nelly Zavaleta refuta a acusa&ccedil;&atilde;o,    argumentando ter seguido a regulamenta&ccedil;&atilde;o existente.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em declara&ccedil;&atilde;o ao jornal mexicano <i>La Jornada</i>,    o pediatra norte-americano Jim Diamond acrescenta outras acusa&ccedil;&otilde;es    ao caso. Em sua opini&atilde;o, &eacute; surpreendente que uma parte das crian&ccedil;as    tenha recebido tratamento com soro oral &agrave; base de glicose, pois h&aacute;    ampla literatura m&eacute;dica indicando que o tratamento com soro &agrave;    base de arroz tradicional &eacute; muito mais eficiente. Isso indicaria que    foi utilizado um m&eacute;todo sabidamente menos eficaz com o prop&oacute;sito    de melhorar os resultados comparativos para o soro da empresa em quest&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">A Ventria informa que escolheu o Peru para realizar seus testes    por ser a diarr&eacute;ia um grande problema no pa&iacute;s.</font></P>     <p><font size="3"><b>POL&Ecirc;MICO PLANTIO</b> Para plantar o seu arroz transg&ecirc;nico,    a Ventria j&aacute; vinha enfrentando oposi&ccedil;&atilde;o em seu pr&oacute;prio    pa&iacute;s. Entre mar&ccedil;o e abril do ano passado ela travou uma disputa    com a Anheuser-Busch, empresa que produz a cerveja Budweiser. A briga come&ccedil;ou    quando a Ventria anunciou a inten&ccedil;&atilde;o de plantar 200 acres de seu    arroz transg&ecirc;nico no estado do Missouri, nos EUA. Ap&oacute;s intensa    press&atilde;o dos agricultores da regi&atilde;o e de gigantes como a Anheuser-Busch    e a Grocery Manufacturers of America – associa&ccedil;&atilde;o de lojas de    varejo que representa US$ 500 bilh&otilde;es de faturamento anual – a empresa    de biotecnologia desistiu do Missouri. A Anheuser-Busch, ent&atilde;o, retirou    sua amea&ccedil;a de boicote ao arroz vindo daquele estado.</font></P>     <p><font size="3">A Ventria, ent&atilde;o direcionou seus esfor&ccedil;os para    outro estado, a Carolina do Norte. Conseguiu permiss&atilde;o legal do Minist&eacute;rio    da Agricultura dos EUA (o USDA, na sigla em ingl&ecirc;s) para a planta&ccedil;&atilde;o    de 270 acres (aproximadamente mil km2) de seu arroz capaz de produzir lactoferrina    e lisozima. Cada grama dessas prote&iacute;nas chega a custar US$ 30 mil. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i><b>Rafael Evangelista</b></i></font></P>      ]]></body>
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