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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="CENTER"><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a12img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><font size=5><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></P>     <P ALIGN="CENTER"><font size=5><b>VIS&Otilde;ES DO TRABALHO</b></font></P>     <P ALIGN="CENTER"><font size="3"><b>Marcio Pochmann</b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>O</b></font> <font size="3">trabalho tem sido visto, s&eacute;culo    ap&oacute;s s&eacute;culo, como atividade inalien&aacute;vel do ser humano.    Desde a antiga Gr&eacute;cia, que o trabalho apresentava uma dupla vis&atilde;o.    De um lado, a vis&atilde;o sublime, associada &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o    emancipat&oacute;ria e criativa da sociedade humana. De outro, a vis&atilde;o    pejorativa, relacionada &agrave; busca fundamental da sobreviv&ecirc;ncia.</font></P>     <p><font size="3">Paradoxalmente, quando o mundo que emerge neste come&ccedil;o    de s&eacute;culo encontra-se mais produtivo e com escala de riqueza muito acima    da necessidade humana global, parece prevalecer justamente a vis&atilde;o pejorativa    do trabalho. Sabe-se, contudo, que a evolu&ccedil;&atilde;o das sociedades tem    permitido ao homem libertar-se gradualmente do trabalho vinculado t&atilde;o    somente a estrita obriga&ccedil;&atilde;o da sobreviv&ecirc;ncia. </font></P>     <p><font size="3">Nas antigas sociedades agr&aacute;rias, o trabalho voltava-se    ao financiamento da sobreviv&ecirc;ncia do ser humano, da fase infantil ao envelhecimento    final. Em grande medida, a popula&ccedil;&atilde;o era prisioneira do trabalho    pela sobreviv&ecirc;ncia. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Somente com a transi&ccedil;&atilde;o para a sociedade urbana    e industrial &eacute; que surgiram modalidades emancipat&oacute;rias da condi&ccedil;&atilde;o    de trabalho pela sobreviv&ecirc;ncia a que estavam condenadas as classes trabalhadoras.    Por meio da proibi&ccedil;&atilde;o do trabalho infantil e adolescente e da    libera&ccedil;&atilde;o do idoso pela aposentadoria e pens&atilde;o, houve avan&ccedil;os    no sentido menos pejorativo do trabalho.</font></P>     <p><font size="3">Mas isso dependeu fundamentalmente das a&ccedil;&otilde;es voltadas    &agrave; montagem de fundos p&uacute;blicos capazes de viabilizar o financiamento    da inatividade de crian&ccedil;as, adolescentes e idosos atrav&eacute;s de uma    garantia generalizada de servi&ccedil;os (sa&uacute;de, transporte e educa&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blicas), bens (alimenta&ccedil;&atilde;o, saneamento e moradia) e renda    (bolsa e subs&iacute;dios), sempre que necess&aacute;rios para eleva&ccedil;&atilde;o    do padr&atilde;o de bem estar social. </font></P>     <p><font size="3">Nas tr&ecirc;s &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a emerg&ecirc;ncia    da sociedade p&oacute;s-industrial abriu uma nova perspectiva de al&iacute;vio    &agrave; vis&atilde;o pejorativa do trabalho como obriga&ccedil;&atilde;o pela    sobreviv&ecirc;ncia. A crescente posterga&ccedil;&atilde;o do ingresso dos jovens    no mercado de trabalho e a maior redu&ccedil;&atilde;o no tempo do trabalho    dos adultos, em combina&ccedil;&atilde;o com a maior &ecirc;nfase do ciclo educacional    e forma&ccedil;&atilde;o profissional, representam novas possibilidades de vis&otilde;es    sublimes do trabalho no mundo.</font></P>     <p><font size="3">No Brasil, por&eacute;m, a vis&atilde;o predominante permanece    ainda prisioneira do passado. A presen&ccedil;a de crian&ccedil;as, adolescente    e idosos no mercado de trabalho, bem como a elevada jornada, revelam o anacronismo    da vis&atilde;o nacional sobre o trabalho, fortemente centrado na luta pela    sobreviv&ecirc;ncia, sobretudo da popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda.</font></P>     <p><font size="3">Dentro desse quadro brasileiro e mundial &eacute; que a tem&aacute;tica    do trabalho procurou ser analisada de modo interdisciplinar neste N&uacute;cleo    Tem&aacute;tico. Para isso, tomou-se a iniciativa de reunir um importante conjunto    de analistas e equipes de pesquisa de v&aacute;rias &aacute;reas e universidades    do pa&iacute;s, numa vis&atilde;o mais ampla poss&iacute;vel da complexa atualidade    dessa tem&aacute;tica.</font></P>     <p><font size="3">Inicialmente, Marcelo Proni apresenta uma vis&atilde;o hist&oacute;rica    das transforma&ccedil;&otilde;es do trabalho humano sob o predom&iacute;nio    do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista. De maneira dial&eacute;tica,    o trabalho tem sido transformado pelo capital na mesma medida em que tem se    metamorfoseado durante os &uacute;ltimos tr&ecirc;s s&eacute;culos. </font></P>     <p><font size="3">Mesmo se transformando, o trabalho permanece central na vida    humana, conforme Wolfgang Leo Maar exp&otilde;e em seu artigo. </font></P>     <p><font size="3">N&atilde;o sem motivo, a din&acirc;mica capitalista termina    por revelar novas possibilidades. Mas para que as possibilidades t&eacute;cnicas    de estabelecimento de um novo padr&atilde;o sublime do trabalho de fato aconte&ccedil;am    torna-se fundamental a a&ccedil;&atilde;o intensa e renovada da pol&iacute;tica    e da reorganiza&ccedil;&atilde;o em novas bases da sociedade humana, como argumento    em meu artigo.</font></P>     <p><font size="3">Isso porque o trabalho e o seu tempo comprometido pelo homem    tem repercutido inequivocamente na vida humana. Na vis&atilde;o de Sadi Dal    Rosso, a jornada do trabalho ganha dimens&atilde;o reveladora do potencial pejorativo    e sublime do tema.</font></P>     <p><font size="3">Da mesma forma, o trabalho tem possibilidades distintas no uso    e remunera&ccedil;&atilde;o. Justamente por isso, a desigualdade na renda se    estabelece, segundo a vis&atilde;o de Alexandre Gori. No caso brasileiro, a    estabilidade na reparti&ccedil;&atilde;o desigual da renda subverte, inclusive,    avan&ccedil;os civilizadores que o capitalismo foi capaz de apresentar em outras    na&ccedil;&otilde;es. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Para Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Gediel, o cooperativismo representa    uma outra forma de organiza&ccedil;&atilde;o do uso e remunera&ccedil;&atilde;o    da m&atilde;o-de-obra, alternativa &agrave; competi&ccedil;&atilde;o que ocorre.    E n&atilde;o por acaso, as rela&ccedil;&otilde;es do trabalho no Brasil terminam    encontrando especificidades bem reveladas por Carlos Henrique Horn. Com a ociosidade    alargada da m&atilde;o-de-obra, o desequil&iacute;brio estrutural nas rela&ccedil;&otilde;es    entre o capital e o trabalho n&atilde;o s&atilde;o amenizadas.</font></P>     <p><font size="3">Seja pela vis&atilde;o de g&ecirc;nero no uso e remunera&ccedil;&atilde;o    do trabalho, conforme perfeitamente diagnosticado por La&iacute;s Abramo, seja    pela vis&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o, argumenta&ccedil;&atilde;o    desenvolvida em artigo conjunto de Cl&aacute;udio Salm e Azuete Foga&ccedil;a,    a desigualdade marca profunda e complexamente a sociedade brasileira. Nesse    quadro, o papel da previd&ecirc;ncia social &eacute; bem assinalado por Guilherme    Delgado. O complexo mundo do trabalho tem sido muito bem capturado pelos diretores,    atores e cinegrafistas de plant&atilde;o. Ricardo Amorim, enfim, analisa uma    s&eacute;rie de excelentes filmes que procuram trazer para as grandes massas,    mensagens e impress&otilde;es fecundas sobre o trabalho e a sua natureza de    manifesta&ccedil;&atilde;o humana. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Marcio Pochmann</b> &eacute; professor e pesquisador do    Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade    Estadual de Campinas(Unicamp).</i></font></P>      ]]></body>
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