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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a12img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>DUAS TESES SOBRE O TRABALHO NO CAPITALISMO</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Marcelo Weishaupt Proni</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"> <font size=5><b>O</b></font> prop&oacute;sito deste artigo    &eacute; contribuir para as discuss&otilde;es sobre a profunda transforma&ccedil;&atilde;o    do mundo do trabalho nos pa&iacute;ses economicamente mais avan&ccedil;ados    ao longo dos s&eacute;culos XIX e XX. Certamente, trata-se de um assunto muito    vasto e complexo, que n&atilde;o pode ser examinado exaustivamente em poucas    p&aacute;ginas, uma vez que remete a temas pol&ecirc;micos, tais como: a trajet&oacute;ria    da classe oper&aacute;ria, o funcionamento do mercado de trabalho num regime    liberal, a evolu&ccedil;&atilde;o da estrutura ocupacional, a expans&atilde;o    e crise do movimento sindical, os impactos da inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica    e da reorganiza&ccedil;&atilde;o produtiva, a necessidade de regulamenta&ccedil;&atilde;o    do padr&atilde;o de emprego, o papel das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de    emprego e de redistribui&ccedil;&atilde;o de renda. Em raz&atilde;o disso, optou-se    por fazer pondera&ccedil;&otilde;es em torno de duas teses recorrentes na literatura    especializada. Embora n&atilde;o seja poss&iacute;vel dar voz aos diferentes    int&eacute;rpretes que contribu&iacute;ram para os debates acad&ecirc;micos    sobre essas teses, nem esgotar as considera&ccedil;&otilde;es pertinentes sobre    as mesmas, espera-se que o artigo colabore para o entendimento de quest&otilde;es    centrais relativas ao estudo do trabalho no campo da hist&oacute;ria econ&ocirc;mica.</font></P>     <p><font size="3">O texto est&aacute; dividido em duas se&ccedil;&otilde;es, cada    uma destinada a examinar uma tese. A id&eacute;ia b&aacute;sica que fundamenta    a primeira se&ccedil;&atilde;o &eacute; que o trabalho foi se metamorfoseando    com a evolu&ccedil;&atilde;o recente do capitalismo, desde a Revolu&ccedil;&atilde;o    Industrial at&eacute; a "era da globaliza&ccedil;&atilde;o", sendo importante    ter em mente certos aspectos cruciais, como as implica&ccedil;&otilde;es da    transi&ccedil;&atilde;o da etapa concorrencial para a etapa monopolista, assim    como os limites da regula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica dos mercados em cada    per&iacute;odo. Mas, para entender a constru&ccedil;&atilde;o de novos significados    e representa&ccedil;&otilde;es sociais para o trabalho, assim como sua centralidade    na organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade capitalista e na defini&ccedil;&atilde;o    da quest&atilde;o social, &eacute; essencial conhecer o contexto hist&oacute;rico    – ou, pelo menos, as condi&ccedil;&otilde;es sociais, pol&iacute;ticas e culturais    predominantes em cada &eacute;poca. Na segunda se&ccedil;&atilde;o, a an&aacute;lise    se foca na mudan&ccedil;a da classe trabalhadora &agrave; medida que avan&ccedil;a    o capitalismo e que novas circunst&acirc;ncias pol&iacute;ticas e culturais    v&atilde;o remodelando as sociedades mais desenvolvidas do Ocidente. O desafio    est&aacute; em compreender os elementos respons&aacute;veis pela maior ou menor    coes&atilde;o dos trabalhadores e sua exist&ecirc;ncia enquanto classe.</font></P>     <p><font size="3"><b>PRIMEIRA TESE:</b> <i>O mundo do trabalho tem sua configura&ccedil;&atilde;o    e sua din&acirc;mica alteradas &agrave; medida que avan&ccedil;a o capitalismo    e modifica-se a ordem social.</i></font></P>     <p><font size="3">H&aacute; duas rela&ccedil;&otilde;es sociais b&aacute;sicas    que s&atilde;o constitutivas do capitalismo: a domina&ccedil;&atilde;o exercida    pelo capital sobre o trabalho, que define uma rela&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o,    e a disputa entre fra&ccedil;&otilde;es do capital pelo controle dos mercados,    que estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o de concorr&ecirc;ncia. &Eacute; com    base na compreens&atilde;o da din&acirc;mica envolvida em cada uma dessas rela&ccedil;&otilde;es    que se pode compreender como o processo de acumula&ccedil;&atilde;o de capital    reproduz de forma ampliada as estruturas econ&ocirc;micas e promove a introdu&ccedil;&atilde;o    de inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas e organizacionais que transformam,    ao longo do tempo, a pr&oacute;pria sociedade (1).</font></P>     <p><font size="3">Sem d&uacute;vida, o capitalismo se mostrou extremamente din&acirc;mico    a partir da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, que redefiniu a rela&ccedil;&atilde;o    capital x trabalho e alterou por completo as condi&ccedil;&otilde;es da concorr&ecirc;ncia    intercapitalista (2). &Agrave; medida que emerge um padr&atilde;o de acumula&ccedil;&atilde;o    de capital mais vigoroso, centrado na expans&atilde;o industrial, observa-se    a forma&ccedil;&atilde;o de um novo mundo do trabalho, marcado pela presen&ccedil;a    de novos atores (em especial, o operariado) e pela ado&ccedil;&atilde;o de novas    regras (em particular, a libera&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Desta perspectiva mais abstrata, &eacute; evidente que o entendimento    dos fatores respons&aacute;veis pela estrutura&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a    do mundo do trabalho deve ser buscado nas formas de explora&ccedil;&atilde;o    do trabalho assalariado e nas estrat&eacute;gias de concorr&ecirc;ncia adotadas    pelas grandes empresas. Contudo, limitar a an&aacute;lise a esses fatores resultaria    num entendimento bastante restrito e claramente insuficiente. Como avan&ccedil;ar,    ent&atilde;o, em dire&ccedil;&atilde;o a uma explica&ccedil;&atilde;o satisfat&oacute;ria?</font></P>     <p><font size="3">Antes de tudo, &eacute; importante esclarecer que o termo "mundo    do trabalho" n&atilde;o deve evocar a id&eacute;ia de um universo fechado em    si, aut&ocirc;nomo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s demais esferas da vida    social. Pelo contr&aacute;rio, refere-se a um conjunto de situa&ccedil;&otilde;es    e intera&ccedil;&otilde;es que s&oacute; podem ser examinadas &agrave; luz de    um quadro social mais amplo, no qual devem ser contemplados, por exemplo, a    evolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gica e os embates pol&iacute;tico-ideol&oacute;gicos.    No caso da reflex&atilde;o aqui proposta, a utiliza&ccedil;&atilde;o do termo    tem o prop&oacute;sito de delimitar um campo de estudo, no qual se pode dar    prioridade para a an&aacute;lise de alguns temas recorrentes, como a estrutura&ccedil;&atilde;o    e o funcionamento do mercado de trabalho, o movimento oper&aacute;rio e a a&ccedil;&atilde;o    sindical, ou o conte&uacute;do e o car&aacute;ter conflituoso das rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho, entre outros (3).</font></P>     <p><font size="3">Para entender a metamorfose do mundo do trabalho no longo s&eacute;culo    XIX (que vai de 1789 a 1914) &eacute; preciso, em primeiro lugar, compreender    as mudan&ccedil;as ocorridas no padr&atilde;o de acumula&ccedil;&atilde;o de    capital – por exemplo, a transi&ccedil;&atilde;o da etapa concorrencial para    a etapa monopolista trouxe consigo o taylorismo e depois o fordismo, al&eacute;m    de ter sido acompanhada de uma modifica&ccedil;&atilde;o da estrutura ocupacional    por ramos de atividade. Mas, tamb&eacute;m &eacute; fundamental examinar a ruptura    com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ordem social do antigo regime, na qual a    desigualdade e o privil&eacute;gio s&atilde;o naturalizados, entender a constitui&ccedil;&atilde;o    de uma ordem social burguesa, na qual impera o ide&aacute;rio liberal, assim    como apontar as rea&ccedil;&otilde;es contra esse ide&aacute;rio, o surgimento    de um novo sindicalismo e as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas embrion&aacute;rias    de prote&ccedil;&atilde;o social que v&atilde;o aparecendo.</font></P>     <p><font size="3">De modo an&aacute;logo, para entender a metamorfose do mundo    do trabalho no breve s&eacute;culo XX (que vai de 1914 a 1991) &eacute; necess&aacute;rio,    inicialmente, compreender as mudan&ccedil;as decorrentes do colapso do liberalismo    econ&ocirc;mico na d&eacute;cada de 1930, assim como a expans&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica dos mercados ap&oacute;s a Segunda Grande Guerra. Mas, tamb&eacute;m    &eacute; imprescind&iacute;vel considerar o abandono do liberalismo pol&iacute;tico    e o avan&ccedil;o das pr&aacute;ticas democr&aacute;ticas, assim como as tens&otilde;es    ideol&oacute;gicas associadas &agrave; guerra fria, sem o que &eacute; dif&iacute;cil    examinar o compromisso com o pleno emprego e a centralidade do trabalho para    o exerc&iacute;cio da cidadania, ou outros aspectos que conferem especial singularidade    aos "anos de ouro" nas sociedades capitalistas mais ricas do Ocidente (4).</font></P>     <p><font size="3">Certamente, as converg&ecirc;ncias nas tend&ecirc;ncias verificadas    no mundo do trabalho nos pa&iacute;ses de capitalismo mais desenvolvido n&atilde;o    apagam as especificidades nacionais. Por isso mesmo, h&aacute; historiadores    que preferem usar o termo no plural: mundos do trabalho (5). Al&eacute;m disso,    no plural se refor&ccedil;a a id&eacute;ia de descontinuidade entre dois per&iacute;odos    distantes no tempo.</font></P>     <p><font size="3">De qualquer forma, a reflex&atilde;o aqui proposta pretende    apenas insistir no fato de que as principais tend&ecirc;ncias freq&uuml;entemente    apontadas em estudos conhecidos estabelecem uma problem&aacute;tica que &eacute;    comum &agrave;s grandes pot&ecirc;ncias ocidentais (6), em especial Inglaterra,    Fran&ccedil;a, Alemanha e Estados Unidos. Por exemplo, pode-se pensar a redu&ccedil;&atilde;o    do peso da ocupa&ccedil;&atilde;o na agricultura e o crescimento do emprego    industrial como um fen&ocirc;meno generalizado entre os pa&iacute;ses mais ricos,    at&eacute; meados do s&eacute;culo passado, tend&ecirc;ncia posteriormente substitu&iacute;da    pela expans&atilde;o do setor terci&aacute;rio. A mudan&ccedil;a qualitativa    do movimento sindical e a maior participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos    trabalhadores tamb&eacute;m s&atilde;o fen&ocirc;menos que se repetem, assim    como a crise recente do sindicalismo se manifesta em todas as na&ccedil;&otilde;es    desenvolvidas, ainda que com intensidades distintas. O mesmo pode ser dito quanto    aos impactos da introdu&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas    e de novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o sobre    o emprego e os sal&aacute;rios, ou em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ado&ccedil;&atilde;o    de regulamenta&ccedil;&atilde;o social das rela&ccedil;&otilde;es de emprego.</font></P>     <p><font size="3">As mudan&ccedil;as verificadas no mundo do trabalho nas grandes    pot&ecirc;ncias ocidentais t&ecirc;m servido como refer&ecirc;ncia para reflex&otilde;es    em outras na&ccedil;&otilde;es e em outros cen&aacute;rios. Tamb&eacute;m no    capitalismo oriental ou nos pa&iacute;ses em desenvolvimento da Am&eacute;rica    Latina, as altera&ccedil;&otilde;es no modo como a produ&ccedil;&atilde;o &eacute;    organizada s&atilde;o acompanhadas, historicamente, pela constru&ccedil;&atilde;o    de novos significados e representa&ccedil;&otilde;es sociais para o trabalho    (7). </font></P>     <p><font size="3">Voltando &agrave; formula&ccedil;&atilde;o da tese, fica em    aberto uma quest&atilde;o ainda mais complexa: qual a rela&ccedil;&atilde;o    entre os desdobramentos do capitalismo em suas diferentes etapas e as modifica&ccedil;&otilde;es    ocorridas na ordem social vigente?</font></P>     <p><font size="3"><b>SEGUNDA TESE:</b> <i>A classe trabalhadora se transformou    de maneira radical ao longo dos &uacute;ltimos duzentos anos, mas n&atilde;o    superou sua fragmenta&ccedil;&atilde;o interna.</i></font></P>     <p><font size="3">A Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, que se processou na Inglaterra    nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XVIII e nas primeiras do    s&eacute;culo XIX, resultou numa completa transfigura&ccedil;&atilde;o do mundo    do trabalho. Nas f&aacute;bricas, a m&aacute;quina substituiu trabalhadores    especializados e permitiu a contrata&ccedil;&atilde;o de mulheres e crian&ccedil;as.    O aumento da jornada di&aacute;ria de trabalho possibilitou intensificar a explora&ccedil;&atilde;o    da m&atilde;o-de-obra, cujos baixos sal&aacute;rios mal correspondiam ao necess&aacute;rio    para pagar a alimenta&ccedil;&atilde;o e o aluguel, ao passo que o ambiente    insalubre e o elevado risco de acidentes degradaram ainda mais as condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho e de vida (8).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A expans&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o industrial significou    a transforma&ccedil;&atilde;o da Inglaterra no pa&iacute;s mais rico do Ocidente,    mas implicou na concentra&ccedil;&atilde;o de um contingente imenso de trabalhadores    pobres. A convers&atilde;o econ&ocirc;mica do campo, por sua vez, jogou nas    cidades levas de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de extrema vulnerabilidade.    Portanto, o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o urbana e o r&aacute;pido    progresso material foram acompanhados tanto pelo surgimento de novos h&aacute;bitos    sociais como pela explos&atilde;o da chamada "quest&atilde;o social" (9).</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a13img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">&Eacute; nessa conjuntura hist&oacute;rica que come&ccedil;a    a se formar a classe oper&aacute;ria inglesa. Seja pela identidade coletiva    produzida pela forma de organizar a produ&ccedil;&atilde;o nas f&aacute;bricas,    seja pela identifica&ccedil;&atilde;o gerada pelas mesmas condi&ccedil;&otilde;es    prec&aacute;rias de vida, ou ainda por compartilhar costumes, valores morais,    cren&ccedil;as religiosas, vis&otilde;es de mundo em grande medida similares,    o fato &eacute; que, por volta de 1820, j&aacute; estavam bem delineadas certas    caracter&iacute;sticas econ&ocirc;micas, sociais e culturais da classe trabalhadora    inglesa (10).</font></P>     <p><font size="3">Em outras na&ccedil;&otilde;es, como a Fran&ccedil;a, a Alemanha    e os EUA, onde o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o veio posteriormente,    a forma&ccedil;&atilde;o de uma classe oper&aacute;ria levou mais tempo. De    qualquer modo, em meados do s&eacute;culo XIX, Marx (11) j&aacute; identificava    uma "lei geral da acumula&ccedil;&atilde;o de capital", segundo a qual a reprodu&ccedil;&atilde;o    ampliada do sistema econ&ocirc;mico devia ser garantida pela exist&ecirc;ncia    do "ex&eacute;rcito industrial de reserva", fundamental para o livre funcionamento    do mercado de trabalho. Dessa forma, conforme avan&ccedil;ava a industrializa&ccedil;&atilde;o,    ia se completando a subordina&ccedil;&atilde;o efetiva do trabalho ao capital.    E mais: embora ao descrever a popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora inglesa ele    mesmo apontasse uma grande diversidade entre seus v&aacute;rios segmentos, afirmava    haver uma tend&ecirc;ncia clara de crescimento do operariado, o qual tinha a    tarefa hist&oacute;rica de difundir a consci&ecirc;ncia de classe e liderar    a luta pela emancipa&ccedil;&atilde;o do proletariado.</font></P>     <p><font size="3">Com a Segunda Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial e a concentra&ccedil;&atilde;o    de capital inerente &agrave; etapa monopolista do capitalismo, a classe trabalhadora    foi ganhando novas fei&ccedil;&otilde;es, ao passo que melhores condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho eram obtidas por uma elite oper&aacute;ria. A redu&ccedil;&atilde;o    da jornada de trabalho, o aumento no poder de compra dos sal&aacute;rios, as    novas alternativas de transporte e de lazer popular, tudo isto foi configurando    uma nova "cultura oper&aacute;ria" (12). O novo sindicalismo emergente passou    a adotar estrat&eacute;gias de luta mais eficazes e a perseguir uma maior participa&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica. Ainda assim, as desigualdades sociais produzidas pelo capitalismo    e as diferen&ccedil;as ideol&oacute;gicas (inclusive aquelas alimentadas pela    religi&atilde;o e pelo nacionalismo de Estado) continuavam a fracionar a classe    trabalhadora nos pa&iacute;ses mais desenvolvidos.</font></P>     <p><font size="3">A crise de 1929 e a grande depress&atilde;o dos anos 1930 afetaram    os segmentos mais fr&aacute;geis da economia e deixaram desempregada ou subempregada    uma grande parcela dos trabalhadores, seja no campo ou nas cidades. Sintomaticamente,    foi apenas ap&oacute;s o colapso da ordem liberal, nesse momento, e a reconstru&ccedil;&atilde;o    das institui&ccedil;&otilde;es sociais, nos anos 1940, que a classe trabalhadora    alcan&ccedil;ou um grau de unidade maior, na Europa. A coes&atilde;o de interesses    e a maior homogeneidade social foram em grande medida possibilitados pelo compromisso    t&aacute;cito com a manuten&ccedil;&atilde;o do pleno emprego e pela conquista    de rela&ccedil;&otilde;es de trabalho mais democr&aacute;ticas (13). Ainda que    nos EUA a situa&ccedil;&atilde;o fosse distinta, em raz&atilde;o de diferen&ccedil;as    regionais internas e da pr&oacute;pria hist&oacute;ria singular do pa&iacute;s,    a in&eacute;dita prosperidade do p&oacute;s-guerra tamb&eacute;m propiciou &agrave;    classe trabalhadora maior seguran&ccedil;a e bem-estar social.</font></P>     <p><font size="3">Deve-se enfatizar que o Estado passava a intervir na economia    para regular a rela&ccedil;&atilde;o capital x trabalho e reduzir a desigualdade    social (em especial, com pol&iacute;ticas de redistribui&ccedil;&atilde;o da    renda e gastos sociais que ajudavam a garantir o pleno emprego). Mas, a interven&ccedil;&atilde;o    estatal tamb&eacute;m procurava criar as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias    para um desenvolvimento capitalista confi&aacute;vel (14).</font></P>     <p><font size="3">A melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida e a maior participa&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica foram alcan&ccedil;adas pela classe trabalhadora justamente    no per&iacute;odo dos anos de ouro do capitalismo, ou seja, no momento em que    as taxas de crescimento da riqueza e da produtividade estavam muito acima das    m&eacute;dias hist&oacute;ricas. Por sua vez, o acesso ao cr&eacute;dito barato    permitiu ao conjunto da popula&ccedil;&atilde;o usufruir um novo padr&atilde;o    de consumo e um novo estilo de vida.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">N&atilde;o se pode esquecer, ao descrever essa nova conjuntura    hist&oacute;rica, o aparecimento da nova classe m&eacute;dia, na qual se destacam    os trabalhadores assalariados de colarinho branco, em geral ocupados em atividades    administrativas ou em uma gama crescente de servi&ccedil;os. E essa mudan&ccedil;a    alterou, inclusive, a pr&oacute;pria composi&ccedil;&atilde;o do movimento sindical    e seus objetivos estrat&eacute;gicos. N&atilde;o fazia mais sentido falar em    revolu&ccedil;&atilde;o, ou negar a propriedade privada (15).</font></P>     <p><font size="3">As formas de pensar, os valores culturais e pr&aacute;ticas    pol&iacute;ticas dos trabalhadores, nos pa&iacute;ses mais ricos, tinham se    transformado radicalmente. Mas, isto n&atilde;o quer dizer que eles haviam deixado    de ser combativos ou estavam plenamente satisfeitos com o modo de produ&ccedil;&atilde;o    capitalista. De qualquer modo, a classe trabalhadora que participou dos movimentos    de contesta&ccedil;&atilde;o, em 1968, na Europa, era muito diferente daquela    a que Marx havia se referido (16).</font></P>     <p><font size="3">A partir de meados dos anos 1970, o cen&aacute;rio econ&ocirc;mico    internacional come&ccedil;a a mudar. Na d&eacute;cada de 1980, em meio &agrave;    Terceira Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial e ao avan&ccedil;o da globaliza&ccedil;&atilde;o    produtiva e financeira, o ide&aacute;rio neoliberal come&ccedil;a a se impor,    inclusive por for&ccedil;a das a&ccedil;&otilde;es hegem&ocirc;nicas norte-americanas.    A queda do Muro de Berlim e a dissolu&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica    marcam o fim de uma era. Neste momento, em que a liberaliza&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica atinge em cheio os mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o do    mercado de trabalho, as sucessivas derrotas para os sindicatos e para a classe    trabalhadora em geral, nos pa&iacute;ses mais desenvolvidos, colocam em quest&atilde;o    as bases sobre as quais se ergueram as sociedades europ&eacute;ias, que serviam    de modelo de desenvolvimento econ&ocirc;mico com bem-estar social (17).</font></P>     <p><font size="3">Nesta conjuntura hist&oacute;rica desfavor&aacute;vel, uma pergunta    tem atormentado os representantes do movimento sindical: diante da fragmenta&ccedil;&atilde;o    social observada atualmente, o que fazer para que os trabalhadores possam agir    como "classe"?</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Marcelo Weishaupt Proni</b> &eacute; economista, professor    do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Cesit.</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BILBIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Mazzucchelli, F. <i>A contradi&ccedil;&atilde;o em processo:    o capitalismo e suas crises</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 1985.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Barbosa de Oliveira, C. A. de. <i>Processo de industrializa&ccedil;&atilde;o:    do capitalismo origin&aacute;rio ao atrasado</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. Unesp;    Campinas: Unicamp/IE, 2003.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Barbosa de Oliveira, C. A.; Mattoso, J. <i>et. alli. O mundo    do trabalho: crise e mudan&ccedil;a no final do s&eacute;culo</i>. S&atilde;o    Paulo: Scritta, 1994.</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Pochmann, M. <i>Pol&iacute;ticas do trabalho e de garantia    de renda no capitalismo em mudan&ccedil;a</i>. S&atilde;o Paulo: LTr, 1995.</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Hobsbawm, E. <i>Mundos do trabalho: novos estudos sobre hist&oacute;ria    oper&aacute;ria</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.</font><!-- ref --><p><font size="3">6. Mattoso, J. E. L. <i>A desordem do trabalho</i>. S&atilde;o    Paulo: Scritta, 1995.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Hobsbawm, E. <i>Mundos do trabalho: novos estudos sobre hist&oacute;ria    oper&aacute;ria</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Hobsbawm E. J. <i>A era das revolu&ccedil;&otilde;es</i>:    Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.</font><!-- ref --><p><font size="3">9. Castel, R. <i>As metamorfoses da quest&atilde;o social</i>.    Petr&oacute;polis, RJ: Vozes, 1998.</font><!-- ref --><p><font size="3">10. Thompson, E. P. <i>A forma&ccedil;&atilde;o da classe oper&aacute;ria    inglesa</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.</font><!-- ref --><p><font size="3">11. Marx, K. <i>O capital: cr&iacute;tica da economia pol&iacute;tica</i>.    S&atilde;o Paulo: Nova Cultural, 1985, v.1, Livro 1, cap. XXIII. (Os Economistas).</font><!-- ref --><p><font size="3">12. Hobsbawm, E. <i>Mundos do trabalho: novos estudos sobre    hist&oacute;ria oper&aacute;ria</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.</font><!-- ref --><p><font size="3">13. Castel, R. <i>As metamorfoses da quest&atilde;o social</i>.    Petr&oacute;polis, RJ: Vozes, 1998.</font><!-- ref --><p><font size="3">14. Myrdal, G. <i>O Estado do futuro: o planejamento econ&ocirc;mico    nos estados de bem-estar e suas implica&ccedil;&otilde;es internacionais</i>.    Rio de Janeiro: Zahar, 1962.</font><!-- ref --><p><font size="3">15. Bihr A. <i>Da grande noite &agrave; alternativa: o movimento    oper&aacute;rio europeu em crise</i>. Perdizes, SP: Boitempo, 1998.</font><!-- ref --><p><font size="3">16. Gorz, A. <i>Metamorfoses do trabalho: cr&iacute;tica da    raz&atilde;o econ&ocirc;mica</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume, 2003.</font><!-- ref --><p><font size="3">17. Antunes, R. <i>Os sentidos do trabalho</i>. S&atilde;o Paulo:    Boitempo, 2002.</font> ]]></body><back>
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