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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a12img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>O TRABALHO EM TR&Ecirc;S TEMPOS</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Marcio Pochmann</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"> <b><font size=5>D</font></b>e maneira geral, a perspectiva    do trabalho traz consigo uma vis&atilde;o pouco otimista. N&atilde;o h&aacute;    d&uacute;vidas que existem justificativas para isso, embora seja justamente    nos momentos hist&oacute;ricos de maior instabilidade no capitalismo, que surgem    as oportunidades de transforma&ccedil;&atilde;o do trabalho. </font></P>     <p><font size="3">Por conta disso, apresentam-se, a seguir, tr&ecirc;s tempos    distintos e poss&iacute;veis para o trabalho que se est&aacute; consolidando    no mundo. A partir da&iacute;, pode-se considerar melhor as oportunidades e    os limites do trabalho do futuro.</font></P>     <p><font size="3"><b>NOVIDADES DO TRABALHO DO FUTURO</b> Frente ao consider&aacute;vel    avan&ccedil;o do que se reconhece cada dia mais por sociedade p&oacute;s-industrial,    acumulam-se novas e importantes perspectivas acerca do trabalho do futuro n&atilde;o    t&atilde;o distante, muito mais como d&uacute;vidas que necessariamente certezas.    Um bloco dessas novidades pode ser descrito brevemente a seguir, objetivando    lan&ccedil;ar algumas luzes sobre as possibilidades de escolhas pol&iacute;ticas,    sociais e econ&ocirc;micas a cada pa&iacute;s, que podem ou n&atilde;o resultar    na transforma&ccedil;&atilde;o profunda do atual mundo do trabalho.</font></P>     <p><font size="3">Em primeiro lugar, cabe mencionar a fant&aacute;stica amplia&ccedil;&atilde;o    da expectativa m&eacute;dia de vida. H&aacute; mais de cem anos, ainda durante    o predom&iacute;nio da sociedade agr&aacute;ria, a esperan&ccedil;a de vida    ao nascer n&atilde;o superava, por exemplo, os 40 anos de idade. </font></P>     <p><font size="3">Ao longo do s&eacute;culo XX, com o apogeu da sociedade industrial,    a longevidade da vida humana praticamente dobrou para os 80 anos de idade, em    m&eacute;dia. Na sociedade p&oacute;s-industrial, os mais de 100 anos de esperan&ccedil;a    de vida ao nascer n&atilde;o mais parecem distantes.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A partir disso, adicionam-se ainda mais tr&ecirc;s significativas    novidades no trabalho do futuro. Uma primeira relaciona o comprometimento do    trabalho com o ciclo da vida humana. Na sociedade agr&aacute;ria, o trabalho    era exercido a partir dos 5 a 6 anos de idade para se prolongar at&eacute; praticamente    a morte, com jornadas de trabalho extremamente longas (14 a 16 horas por dia)    e sem descanso, f&eacute;rias, aposentadorias e pens&otilde;es. </font></P>     <p><font size="3">Para algu&eacute;m que conseguisse chegar aos 40 anos de idade,    tendo come&ccedil;ado a trabalhar aos 6 anos, por exemplo, o tempo comprometido    somente com as atividades laborais absorvia cerca de 75% de toda a vida. Em    s&iacute;ntese, viver, naquela &eacute;poca, era fundamentalmente trabalhar.</font></P>     <p><font size="3">Na sociedade industrial, o ingresso no mercado laboral foi postergado    para 14 ou 16 anos de idade, garantindo aos ocupados, a partir da&iacute;, o    acesso ao descanso semanal, f&eacute;rias, pens&otilde;es e aposentadorias provenientes    da regula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica do trabalho. Com isso, algu&eacute;m    que ingressava no mercado de trabalho aos 15 anos de idade e permanecia ativo    at&eacute; os 60 anos, teria absorvido, por exemplo, cerca de 50% do tempo de    sua vida com o exerc&iacute;cio do trabalho heter&ocirc;nomo. Nesse sentido,    viver j&aacute; n&atilde;o seria mais somente trabalhar. </font></P>     <p><font size="3">Para a nova sociedade p&oacute;s-industrial, a inser&ccedil;&atilde;o    no mercado de trabalho est&aacute; sendo gradualmente postergada ainda mais,    possivelmente para ap&oacute;s a conclus&atilde;o do ensino superior, com idade    acima dos 23 anos de idade, bem como sincronizada com a sa&iacute;da do mercado    de trabalho a partir dos 70 anos. Frente a isso, o trabalho heter&ocirc;nomo    deve corresponder a n&atilde;o mais do que 25% do tempo da vida humana. A parte    restante da vida n&atilde;o se constituir&aacute;, necessariamente, em tempo    livre, pois deve corresponder aos deslocamentos espaciais e aos compromissos    burocr&aacute;ticos exigidos pela nova organiza&ccedil;&atilde;o social.</font></P>     <p><font size="3">A segunda novidade proveniente da maior longevidade da vida    decorre da concentra&ccedil;&atilde;o do trabalho no setor terci&aacute;rio,    que poder&aacute; representar cerca de 90% do total das ocupa&ccedil;&otilde;es.    Nesse sentido, o terci&aacute;rio tende n&atilde;o apenas a assumir uma posi&ccedil;&atilde;o    predominante tal como representou a agropecu&aacute;ria at&eacute; o s&eacute;culo    XIX, com a ind&uacute;stria respondendo por n&atilde;o mais de 10% do emprego    total, como passar a exigir, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o    e de representa&ccedil;&atilde;o dos interesses num mundo do trabalho muito    heterog&ecirc;neo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a ind&uacute;stria emprega    atualmente apenas 13% do total dos ocupados, com a agropecu&aacute;ria respondendo    por menos de 5% do total da ocupa&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">A terceira novidade a ser ressaltada decorre da profunda altera&ccedil;&atilde;o    na rela&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o com o exerc&iacute;cio do    trabalho. At&eacute; o s&eacute;culo XIX, o ensino era somente para uma elite.    No s&eacute;culo XX, o acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o foi generalizado    amplamente pela sociedade industrial, passando a atender diretamente &agrave;s    faixas et&aacute;rias mais precoces como requisito de prepara&ccedil;&atilde;o    para o trabalho. Na sociedade p&oacute;s-industrial, a educa&ccedil;&atilde;o    tende a acompanhar continuamente o longo ciclo da vida humana, n&atilde;o somente    como elemento de ingresso e continuidade no exerc&iacute;cio do trabalho heter&ocirc;nomo,    mas tamb&eacute;m como condi&ccedil;&atilde;o de cidadania ampliada.</font></P>     <p><font size="3">Por fim, mais duas outras novidades do trabalho. Uma delas encontra-se    associada &agrave; crescente luta entre fundo p&uacute;blico – &uacute;nico    que pode sustentar as novidades do trabalho na sociedade p&oacute;s-industrial    – e capital virtual, conforme j&aacute; enunciado pelo presidente Bush no seu    discurso de posse (a revolu&ccedil;&atilde;o da propriedade que altere a titularidade    da riqueza no futuro). </font></P>     <p><font size="3">A outra novidade refere-se &agrave; nova Divis&atilde;o Internacional    do Trabalho, em que as na&ccedil;&otilde;es portadoras do futuro e geradoras    de postos de trabalho de concep&ccedil;&atilde;o, com maior qualidade e remunera&ccedil;&atilde;o,    s&atilde;o aquelas que ampliam os investimentos em tecnologia e em bens e servi&ccedil;os    de maior valor agregado. Os demais pa&iacute;ses tendem a se conformar com as    disputas pelo menor custo de produ&ccedil;&atilde;o na feira mundial do trabalho    prec&aacute;rio e de execu&ccedil;&atilde;o, protagonizando a volta ao passado,    com elevadas jornadas de trabalho, reduzida remunera&ccedil;&atilde;o e forte    instabilidade contratual. </font></P>     <p><font size="3">Essa situa&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; real em v&aacute;rios    pa&iacute;ses, inclusive no Brasil. Num mundo repleto de novidades, algumas    na&ccedil;&otilde;es voltam a expressar a velha forma de inser&ccedil;&atilde;o    perif&eacute;rica que submete o trabalho ao piso do por&atilde;o, enquanto as    elites continuam a apreciar a valoriza&ccedil;&atilde;o financeira de sua riqueza.    As escolhas de hoje asfaltam, inexoravelmente, o caminho de amanh&atilde;.</font></P>     <p><font size="3"><b>OBST&Aacute;CULOS &Agrave; DEMOCRATIZA&Ccedil;&Atilde;O DOS    SABERES DO TRABALHO</b> A nova sociedade p&oacute;s-industrial tamb&eacute;m    tem sido identificada com a do conhecimento. Inegavelmente, o acesso &agrave;s    informa&ccedil;&otilde;es parece maior, mas n&atilde;o necessariamente mais    democr&aacute;tico. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Nos dias de hoje, o acesso &agrave; produ&ccedil;&atilde;o do    conhecimento, bem como aos chamados bem culturais (m&uacute;sica, filmes, literatura,    entre outras), se v&ecirc; diante de uma in&eacute;dita possibilidade hist&oacute;rica,    por decorr&ecirc;ncia dos constantes avan&ccedil;os da internet e da prolifera&ccedil;&atilde;o    de softwares livres. Isso representa uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o    inimagin&aacute;vel na propriedade intelectual e comercial, que afeta diretamente    grandes interesses econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos.</font></P>     <p><font size="3">N&atilde;o sem motivo, os termos – pouco declarados – de uma    guerra quase surda entre a velha forma de apropria&ccedil;&atilde;o privada    de produ&ccedil;&atilde;o cultural e do conhecimento e as novas formas livres    est&atilde;o em curso no mundo, tendo o Brasil ocupado um certo espa&ccedil;o    privilegiado, seja pela expressiva comercializa&ccedil;&atilde;o de cd’s piratas    e da interven&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea dos <i>hackers</i>, seja pela    a&ccedil;&atilde;o organizada de v&aacute;rias esferas dos governos (municipal,    estadual e federal) de utiliza&ccedil;&atilde;o dos softwares livres e da prolifera&ccedil;&atilde;o    de telecentros que disponibilizam a linguagem e os produtos da inform&aacute;tica,    especialmente a internet.</font></P>     <p><font size="3">Mesmo que o Brasil n&atilde;o disponha, at&eacute; o momento,    de uma pol&iacute;tica industrial, todos sabem que sem a resolu&ccedil;&atilde;o    do tema da propriedade intelectual e das patentes, dificilmente pa&iacute;ses    n&atilde;o produtores de tecnologia poder&atilde;o al&ccedil;ar uma melhor posi&ccedil;&atilde;o    na nova Divis&atilde;o Internacional do Trabalho. Seu entendimento &eacute;    essencial para entender as possibilidades que o pa&iacute;s possui para deixar    a condi&ccedil;&atilde;o de economia especializada na produ&ccedil;&atilde;o    e exporta&ccedil;&atilde;o de bens prim&aacute;rios, de baixo valor agregado    e conte&uacute;do tecnol&oacute;gico.</font></P>     <p><font size="3">Em certa medida e guardada a devida propor&ccedil;&atilde;o,    assiste-se hoje ao curso de uma tentativa organizada de ruptura &agrave; apropria&ccedil;&atilde;o    monop&oacute;lica do conhecimento, talvez somente compar&aacute;vel ao que aconteceu    durante a Idade M&eacute;dia. Naquela &eacute;poca, por exemplo, os monast&eacute;rios    funcionavam como verdadeiras ilhas do conhecimento existente. </font></P>     <p><font size="3">Eram verdadeiros monop&oacute;lios dos saberes at&eacute; ent&atilde;o    existentes, com os escribas dominando o alfabeto e controlando privadamente    as escrituras. O sistema operativo da produ&ccedil;&atilde;o de tecnologia utilizada    e a forma&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra especializada eram propriedades    n&atilde;o disponibilizadas livremente ao conjunto da popula&ccedil;&atilde;o.    </font></P>     <p><font size="3">Com toda essa centraliza&ccedil;&atilde;o do sistema operativo,    os monast&eacute;rios eram centros de riqueza e fartura que se contrapunham    &agrave; escassez e pobreza do conjunto da popula&ccedil;&atilde;o. O livro    <i>O nome da rosa</i>, de Humberto Eco, &eacute; bem emblem&aacute;tico do que    representou, num certo momento hist&oacute;rico, o poder econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico    concentrado pela apropria&ccedil;&atilde;o n&atilde;o p&uacute;blica do conhecimento.</font></P>     <p><font size="3">Em outros termos, o uso n&atilde;o democr&aacute;tico do conhecimento    e da informa&ccedil;&atilde;o representou a composi&ccedil;&atilde;o e a pr&aacute;tica    do exerc&iacute;cio do poder econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico vigente na &eacute;poca.    Somente com o aparecimento dos Estados nacionais e a prolifera&ccedil;&atilde;o    das organiza&ccedil;&otilde;es populares &eacute; que se tornou vi&aacute;vel    o abandono da escrita e do conhecimento situado no est&aacute;gio privado e    comercial da apropria&ccedil;&atilde;o e uso dos saberes. </font></P>     <p><font size="3">Um dos componentes estrat&eacute;gicos do avan&ccedil;o da democracia    de massa em pleno s&eacute;culo XX passou fundamentalmente pela constitui&ccedil;&atilde;o    de uma nova forma de disponibiliza&ccedil;&atilde;o do conhecimento. De um lado,    houve uma certa socializa&ccedil;&atilde;o do conhecimento b&aacute;sico por    interm&eacute;dio das escolas p&uacute;blicas, que contaram n&atilde;o apenas    com financiamento p&uacute;blico, mas com diversos softwares produzidos na organiza&ccedil;&atilde;o    e sistematiza&ccedil;&atilde;o dos saberes viabilizados por pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas nacionais, entre elas as industriais.</font></P>     <p><font size="3">De outro lado, a regula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica das    economias nacionais a partir do segundo p&oacute;s-guerra possibilitou o contingenciamento    da concorr&ecirc;ncia oligop&oacute;lica entre os grandes grupos econ&ocirc;micos    na produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o tecnol&oacute;gica. Nesse sentido,    a mercantiliza&ccedil;&atilde;o dos saberes e dos chamados bens culturais se    generalizou, tendo muitas vezes a moeda como condi&ccedil;&atilde;o de acesso.    </font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a15img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A democratiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento e a socializa&ccedil;&atilde;o    dos saberes est&atilde;o em jogo. Sua viabiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel,    por&eacute;m depende fundamentalmente da resolu&ccedil;&atilde;o dos seus obst&aacute;culos    pendentes aos interesses econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos associados &agrave;s    velhas formas de produ&ccedil;&atilde;o e controle do s&eacute;culo passado.</font></P>     <p><font size="3"><b>ENTRAVES AO MUNDO DO TRABALHO NA ECONOMIA GLOBAL</b> Crescem    as insatisfa&ccedil;&otilde;es frente &agrave;s possibilidades de exerc&iacute;cio    do trabalho na atual etapa da economia global. Assiste-se, de um lado, &agrave;    amplia&ccedil;&atilde;o do descolamento entre a eleva&ccedil;&atilde;o dos ganhos    de produtividade e o estancamento do padr&atilde;o geral de vida da popula&ccedil;&atilde;o    e, de outro, ao maior com&eacute;rcio internacional assentado no acirramento    da competi&ccedil;&atilde;o intercapitalista que generaliza o rebaixamento das    condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. </font></P>     <p><font size="3">Mais do que as variadas den&uacute;ncias a respeito das distintas    a&ccedil;&otilde;es empresariais, que se viabilizam com a deslocaliza&ccedil;&atilde;o    e o est&iacute;mulo dos fluxos migrat&oacute;rios e se orientam como medidas    cl&aacute;ssicas na redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios e na piora das    condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, ganharam corpo tamb&eacute;m as vis&otilde;es    de resist&ecirc;ncia e de reorganiza&ccedil;&atilde;o de lutas em torno da sociedade    civil. Prevaleceu, todavia, a percep&ccedil;&atilde;o acerca de certa fragilidade    que se tem instaura-se no conjunto dos atores do mundo do trabalho diante da    aus&ecirc;ncia de perspectiva imediata para uma converg&ecirc;ncia pol&iacute;tica    aglutinadora. </font></P>     <p><font size="3">O diagn&oacute;stico praticamente comum acerca do mal estar    social que decorre de um capitalismo globalizado ainda n&atilde;o parece ter    sido o suficiente para levar a constitui&ccedil;&atilde;o de uma nova maioria    pol&iacute;tica, capaz de apontar para o caminho do amplo avan&ccedil;o social,    muito mais al&eacute;m da simples nega&ccedil;&atilde;o do atual curso do projeto    econ&ocirc;mico neoliberal de domina&ccedil;&atilde;o mundial. Esse tende a    ser um dos principais entraves ao desenlace de um novo mundo poss&iacute;vel    para o trabalho.</font></P>     <p><font size="3">Enquanto perdurar o desenvolvimento de uma nova Divis&atilde;o    Internacional do Trabalho polarizado justamente entre os pa&iacute;ses capitalistas    centrais em torno do avan&ccedil;o das inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas,    demandantes do trabalho de concep&ccedil;&atilde;o, mais qualificada e melhor    remunerada, haver&aacute; atra&ccedil;&atilde;o de fluxos migrat&oacute;rios.    De um lado, o fluxo das migra&ccedil;&otilde;es humanas prov&eacute;m dos pa&iacute;ses    com m&atilde;o-de-obra de alta qualifica&ccedil;&atilde;o e sem expectativa    de gera&ccedil;&atilde;o de postos e trabalho, o que se constitui a fuga de    c&eacute;rebros qualificados nos pa&iacute;ses n&atilde;o desenvolvidos. Esse    parece ser o caso do Brasil, com a emigra&ccedil;&atilde;o anual estimada em    cerca de 150 mil jovens formados e que buscam em outras na&ccedil;&otilde;es    as possibilidades que n&atilde;o encontram ap&oacute;s a forma&ccedil;&atilde;o    universit&aacute;ria. </font></P>     <p><font size="3">De outro lado, h&aacute; uma press&atilde;o migrat&oacute;ria    de pessoas com baixa qualifica&ccedil;&atilde;o proveniente de pa&iacute;ses    pobres, praticamente exclu&iacute;dos da economia global. Na regi&atilde;o do    Mediterr&acirc;neo isso &eacute; especialmente constatado, nas rela&ccedil;&otilde;es    entre Espanha e Marrocos, It&aacute;lia e L&iacute;bia, entre outros,</font></P>     <p><font size="3">Da mesma forma, deslocam-se para as na&ccedil;&otilde;es com    grande excedente de m&atilde;o-de-obra as empresas oriundas dos pa&iacute;ses    desenvolvidos, atra&iacute;das cada vez mais pela inova&ccedil;&atilde;o das    novas t&eacute;cnicas de gest&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o que permite    operar com empregados de menor custo. Assim, os grupos industriais e cada vez    mais os de servi&ccedil;os, como <i>call center</i>, por exemplo, transferem    plantas empresariais para pa&iacute;ses que praticam os menores custos do trabalho.</font></P>     <p><font size="3">Por conta disso, a empresa que se desloca deixa no antigo pa&iacute;s    uma grande leva de desempregos estruturais. Esses se tornam parte da demografia    descartada pelo avan&ccedil;o da competi&ccedil;&atilde;o intercapitalista desregulada,    mesmo tendo elevada qualifica&ccedil;&atilde;o escolar ou profissional. Os postos    de trabalho restantes terminam servindo de base como uma esp&eacute;cie de chantagem    a ser adotada crescentemente pelos patr&otilde;es visando diminuir custos laborais    nos momentos de renova&ccedil;&atilde;o dos contratos coletivos de trabalho.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em s&iacute;ntese, os tempos distintos e poss&iacute;veis para    o trabalho do futuro refletem o curso das decis&otilde;es tomadas pelos capitalistas,    governos e trabalhadores. Inegavelmente, o homem continua fazendo hist&oacute;ria,    determinando possibilidades e limites para a sociedade do trabalho no mundo.    </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Marcio Pochmann</b> &eacute; professor do Instituto de    Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho    (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</i></font></P>      ]]></body>
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