<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252006000400023</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cenas do trabalho na tela]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Amorim]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ricardo]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Mackenzie  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Mackenzie Núcleo de Estudos em Qualidade de Vida ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Unicamp Instituto de Economia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<volume>58</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>45</fpage>
<lpage>47</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252006000400023&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252006000400023&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252006000400023&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a12img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>CENAS DO TRABALHO NA TELA</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Ricardo Amorim</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"> <b><font size=5>S</font></b>air, ver um bom filme... Observar    a vida que passa na tela... Esses poderiam ser pensamentos de algu&eacute;m    que gosta de cinema e decide sobre qual filme assistir&aacute; hoje. Talvez    pense tamb&eacute;m em relaxar, distrair-se do cotidiano, das press&otilde;es,    do trabalho rotineiro e cansativo. Desde que o homem moderno separou o trabalho    das demais esferas da vida, em mundos excludentes, conseguir momentos de fuga    se afiguram como um o&aacute;sis em meio a um deserto de aborrecimento, cotidianos    repetitivos e necessidade de autocontrole. </font></P>     <p><font size="3">Realmente, ent&atilde;o, n&atilde;o faria sentido ir a um cinema    e procurar l&aacute; mais uma mostra do cotidiano, mais exemplos de hor&aacute;rios    massacrantes, metas opressivas e do medo de perder o emprego. L&aacute;, dentro    de uma sala escura, a sensa&ccedil;&atilde;o de fugir a realidade, de viver    por uma hora e meia outra vida — cheia de aventuras, cores e amores — &eacute;    uma ilus&atilde;o t&atilde;o perfeita hoje, realizada com tal esmero t&eacute;cnico,    que poucos deixariam de acreditar que aquele filme &eacute; um leg&iacute;timo    instrumento de divers&atilde;o, sem maiores pretens&otilde;es.</font></P>     <p><font size="3">Essa m&aacute;gica s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel porque    o cinema possui duas caracter&iacute;sticas que fazem dele uma inigual&aacute;vel    "f&aacute;brica de sonhos": primeiro, as imagens apresentadas nas telas t&ecirc;m    forte poder de sedu&ccedil;&atilde;o sobre os sentidos e velocidade t&atilde;o    vertiginosa que a plat&eacute;ia, incapaz de solicitar uma pausa, torna-se ref&eacute;m    da "verdade" apresentada. Em outras palavras, o espectador de cinema, enquanto    assiste a um filme, tem uma forte <i>impress&atilde;o de que a cena mostrada    &eacute; uma realidade</i>. Cria-se uma ilus&atilde;o t&atilde;o perfeita aos    sentidos e numa velocidade de informa&ccedil;&otilde;es t&atilde;o formid&aacute;vel    que qualquer questionamento instant&acirc;neo torna-se virtualmente imposs&iacute;vel.    O que fica &eacute; a <i>impress&atilde;o de realidade</i>. Segundo, essa tremenda    capacidade de ilus&atilde;o do cinema &eacute; enormemente facilitada pela linguagem    dominante constru&iacute;da ao longo dos pouco mais de cem anos dessa arte.    Exce&ccedil;&atilde;o feita aos cineastas que contestam o <i>main-stream</i>,    esta linguagem conta est&oacute;rias onde o narrador passa despercebido, onde    as trocas de c&acirc;mera, de &acirc;ngulos, de planos amplos para restritos,    de personagem para personagem, s&atilde;o suaves, quase naturais, colocando    sobre o espectador a impress&atilde;o de que essas seriam as cenas olhadas por    quem curiosamente observa o acontecimento. </font></P>     <p><font size="3">Contudo, essas t&eacute;cnicas "inocentes" em favor da divers&atilde;o    s&atilde;o apenas uma parte pequena do papel da ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica.    Em cada filme, na verdade, de acordo com a narrativa, a impress&atilde;o de    realidade infiltra na cabe&ccedil;a do espectador sensa&ccedil;&otilde;es a    favor ou contra determinados comportamentos, grupos e id&eacute;ias que facilmente    tornam-se posi&ccedil;&otilde;es acerca desses mesmos comportamentos, grupos    e id&eacute;ias. Em outras palavras, busca-se imprimir, mesmo involuntariamente,    valores e &eacute;ticas sobre os assistentes de cinema a cada nova sess&atilde;o.    </font></P>     <p><font size="3">Todavia, mais importante do que descobrir essa pot&ecirc;ncia    da imagem projetada, &eacute; perceber que valores e &eacute;ticas s&atilde;o    esses transmitidos todos os dias em todas as partes do mundo. Para tanto, &eacute;    preciso lembrar que o cinemat&oacute;grafo nasceu no momento em que a burguesia    consolidou-se como grupo social dominante, por&eacute;m sem que, ainda, seu    dom&iacute;nio cultural, est&eacute;tico e ideol&oacute;gico fosse hegem&ocirc;nico.    Para que isso acontecesse, o desenvolvimento dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o    de massa foi fundamental. S&oacute; quando a ideologia burguesa passou a ser    partilhada pelas pessoas comuns e o dom&iacute;nio burgu&ecirc;s p&ocirc;de    prescindir do uso constante da viol&ecirc;ncia, sua hegemonia completou-se.    E o cinema tem papel de destaque nesse processo.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Desde que os EUA organizaram a linguagem moderna do cinema,    esta baseou-se no contar est&oacute;rias de her&oacute;is individuais, mocinhas    fr&aacute;geis e outros v&aacute;rios preconceitos que refor&ccedil;aram os    valores ascendentes daquele grupo. A quest&atilde;o &eacute; que o cinema n&atilde;o    nasceu apenas como uma manifesta&ccedil;&atilde;o cultural e sim como um neg&oacute;cio    at&eacute; transformar-se em uma poderosa ind&uacute;stria e, como tal, sempre    buscou rentabilidade em seus investimentos. Logo, seus filmes precisavam agradar    ao espectador, levando-o as salas de exibi&ccedil;&atilde;o. Desde ent&atilde;o    — e ainda mais hoje numa cultura p&oacute;s-moderna e, assim, fragmentada, individualista    e pouco cr&iacute;tica — o sucesso veio de est&oacute;rias de her&oacute;is,    f&aacute;ceis, bem contadas, com belos efeitos especiais e, de prefer&ecirc;ncia,    capazes de fornecer uma fuga da realidade cotidiana. Filmes, portanto, que refor&ccedil;aram    e refor&ccedil;am mais a cultura fragmentada, acr&iacute;tica e de valores &eacute;ticos    burgueses.</font></P>     <p><font size="3">Mas dentre todos esses temas de valoriza&ccedil;&atilde;o do    indiv&iacute;duo, um espinhoso precisou ser tratado pelo cinema: o trabalho.    Seria perigoso abord&aacute;-lo de maneira clara e objetiva, pois traria a baila    assuntos como explora&ccedil;&atilde;o, pobreza e desemprego. Ent&atilde;o qual    foi a sa&iacute;da? Dois foram os caminhos adotados. O primeiro, glorifica o    trabalho em sua forma abstrata, traduzido em esfor&ccedil;o, disciplina e dedica&ccedil;&atilde;o    que gera produtos capazes de trazer a riqueza &agrave; luz. N&atilde;o analisa    o trabalho em si, por&eacute;m faz uso dele como apologia. De outra forma, n&atilde;o    discute o dia-a-dia dos homens e mulheres em sua faina cotidiana, apenas enobrece    o esfor&ccedil;o, a disciplina e louva o indiv&iacute;duo que o executa. Esse    her&oacute;i individual cai como uma luva a tem&aacute;tica f&aacute;cil do    cinema tradicional: esconde o asfixiante dia-a-dia, permite a inclus&atilde;o    de estorietas paralelas de aventura e amor, fornece a fuga da realidade e, por    fim, coloca em meios tons os conflitos t&iacute;picos da sociedade de classes.    O segundo, procura penetrar as reais formas de trabalho e, mesmo utilizado a    linguagem dominante do cinema, esfor&ccedil;a-se para mostrar que o dia-a-dia    &eacute; desgastante e as rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre o    trabalho e o capital s&atilde;o, na verdade, rela&ccedil;&otilde;es de poder    e este se concentra nas m&atilde;os dos donos das f&aacute;bricas, dos navios    e das finan&ccedil;as.</font></P>     <p><font size="3">Um bom exemplo de filme do primeiro grupo &eacute; o &oacute;timo    <i>Sindicato de ladr&otilde;es</i> (EUA, 1954). Nele h&aacute; um her&oacute;i,    interpretado por Marlon Brando, que vence, depois de v&aacute;rios conflitos    e do surgimento do amor, uma m&aacute;fia que havia se apoderado do sindicato    dos portu&aacute;rios. A rela&ccedil;&atilde;o capital-trabalho e a explora&ccedil;&atilde;o    da m&atilde;o-de-obra n&atilde;o aparecem. O capitalista vem ao final personificado    em um armador de apar&ecirc;ncia s&eacute;ria, alheio aos conflitos que se desenrolavam    entre os pr&oacute;prios trabalhadores. Pode-se afirmar que este cinema esconde    as raz&otilde;es e a l&oacute;gica das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, mistificando    as rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o. Ou seja, por meio de imagens    e mensagens refor&ccedil;a os valores de sucesso individual atrav&eacute;s do    trabalho e do car&aacute;ter bem adaptado do bom homem.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a23img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">No segundo caminho aparece o cl&aacute;ssico <i>Tempos modernos</i>    (EUA, 1936) de Charlie Chaplin. Este filme, ainda mudo e em preto e branco,    foca problemas ainda pouco abordados no cinema de ent&atilde;o: a explora&ccedil;&atilde;o    do trabalho, as linhas de montagem e suas consequ&ecirc;ncias sobre os oper&aacute;rios,    a fraqueza destes frente &agrave; m&aacute;quina, o tratamento dispensado pelo    capitalista ao trabalhador e a precariedade material vivida pela popula&ccedil;&atilde;o    mais pobre. Sua forma po&eacute;tica de apresentar o problema, no entanto, emociona    as plat&eacute;ias h&aacute; d&eacute;cadas, indo al&eacute;m da c&oacute;lera    e do panfleto, e apontando para a igualdade real entre poderosos e desvalidos.    O filme &eacute;, sem d&uacute;vida, um dos pontos mais altos da hist&oacute;ria    do cinema mundial. </font></P>     <p><font size="3">Contudo, exce&ccedil;&atilde;o feita a Chaplin, muito poucos    filmes dessa linha alcan&ccedil;aram amplas plat&eacute;ias e foram capazes    de emergir do mar de lixo comercial hollywoodiano que inunda as salas de cinema.    N&atilde;o por acaso, quase todos v&ecirc;m da Europa, alguns da &Aacute;sia    e mesmo outros da Am&eacute;rica Latina. Veja-se, por exemplo, o emocionante    <i>Daens – Um grito de justi&ccedil;a</i> (B&eacute;lgica, 1992). O filme narra    a transforma&ccedil;&atilde;o de um padre cat&oacute;lico que, chegado a uma    cidade industrial belga do s&eacute;culo XIX, choca-se com o grau de pobreza    e explora&ccedil;&atilde;o a que s&atilde;o submetidos os oper&aacute;rios da    regi&atilde;o. Sua luta para vencer a explora&ccedil;&atilde;o, a cumplicidade    da igreja para com os industriais e a pr&oacute;pria apatia e ignor&acirc;ncia    pol&iacute;tica dos trabalhadores d&atilde;o o rumo da est&oacute;ria. Aqui,    n&atilde;o s&oacute; as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho s&atilde;o postas    a nu, mas tamb&eacute;m as trocas de interesse e poder entre os grupos dominantes    aparecem vivamente para indigna&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico.</font></P>     <p><font size="3">Outro filme primoroso, mas sem o impacto de um Warner ou MGM,    &eacute; <i>Ladr&otilde;es de bicicleta</i> (It&aacute;lia, 1949) de Vittorio    de Sica. A pel&iacute;cula retrata os problemas causados pelo desemprego e pobreza    sobre uma fam&iacute;lia pobre na cidade de Roma no p&oacute;s-guerra. O pai,    que finalmente consegue um emprego de colador de cartazes, v&ecirc; seu instrumento    de trabalho, uma bicicleta, ser roubada. A partir disso, buscando ter de volta    sua bicicleta, o desespero leva-o a ser pilhado roubando outra. O mesmo ocorre    com outro cl&aacute;ssico: <i>A greve</i> (URSS, 1925) de Sergei Eisenstein,    o mesmo diretor de <i>O encoura&ccedil;ado Potenkin</i>. Este, mais panflet&aacute;rio    do que os anteriores, mostra a for&ccedil;a bruta policial sendo exercida sobre    trabalhadores da R&uacute;ssia czarista. Entre suas cenas mais fortes est&aacute;    o momento em que policiais atiram sobre oper&aacute;rios que buscam refugiar-se    em v&atilde;o. Em ambos, o pouco valor do homem na sociedade moderna espanta    ao ser figurado na tela grande.</font></P>     <p><font size="3">As causas do pequeno alcance desses bons filmes, no entanto,    n&atilde;o podem ser creditadas apenas ao estranhamento do p&uacute;blico frente    a filmes mais complexos, cr&iacute;ticos e esteticamente menos convencionais.    Destarte, a cada novo <i>blockbuster</i>, aciona-se, por meio de bilh&otilde;es    de d&oacute;lares, uma rede poderosa de propaganda e distribui&ccedil;&atilde;o    que seduz a curiosidade de todos. E &eacute; l&oacute;gico que os filmes do    segundo grupo n&atilde;o t&ecirc;m qualquer chance de concorrer por salas e    p&uacute;blico.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Aqui, no Brasil, nada disso poderia passar em brancas nuvens.    Os filmes nacionais tamb&eacute;m abordaram o tema, contudo, a quest&atilde;o    trabalho &eacute; assunto muito mais vis&iacute;vel em document&aacute;rios    do que em filmes contadores de est&oacute;rias. Ver, por exemplo, a s&eacute;rie    de mostras anuais <i>&Eacute; tudo verdade</i>. Nesse g&ecirc;nero, o assunto    trabalho aparece geralmente embaralhado sob temas mais centrais como a pobreza    e a precariedade das condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o    mais carente. Um bom representante &eacute; o filme <i>Fala tu</i> (Brasil,    2004) que reconstr&oacute;i o drama de <i>rappers</i> pobres da periferia buscando    uma vida melhor e sem muita chance para isso. Enquanto sonham, suas vidas s&atilde;o    moldadas pelo trabalho penoso e mal remunerado.</font></P>     <p><font size="3">Dentre os filmes narrativos brasileiros sobre o trabalho, o    mais divertido talvez seja o <i>Dom&eacute;sticas</i> (Brasil, 2002). Nele s&atilde;o    retratadas as desventuras de empregadas dom&eacute;sticas e suas contratantes.    Fica expl&iacute;cito l&aacute; o preconceito, o trabalho pesado sem reconhecimento    e tamb&eacute;m os sonhos desse grupo de trabalhadores. J&aacute; na categoria    drama, <i>Eles n&atilde;o usam black-tie</i> (Brasil, 1981) de Leon Hirszman,    aponta para o operariado que come&ccedil;a a se organizar e os problemas que    envolvem uma luta por melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho em meio a    um regime pol&iacute;tico fechado. As quest&otilde;es individuais funcionam    aqui como pe&ccedil;as de um brinquedo de armar, sempre apontando para o conjunto    dos trabalhadores e suas mazelas. </font></P>     <p><font size="3">Em todos esses casos, percebe-se que a realidade &eacute; revista    de acordo com o cineasta. Mais importante do que o trabalho em si e as rela&ccedil;&otilde;es    que se estabelecem a partir dele s&atilde;o, no cinema, as conex&otilde;es que    o diretor estabelece entre fatos, pessoas e sentimentos, formando um discurso    cujo significado &eacute; jamais isento. Todavia, ainda mais grave do que isso,    &eacute; que o sucesso ou a fragilidade desse discurso n&atilde;o ser&aacute;    julgado pela qualidade de sua argumenta&ccedil;&atilde;o ou a profundidade da    an&aacute;lise, mas sim pela capacidade de entreter e, se pode afirmar, distanciar    as mentes dos problemas centrais da sociedade moderna. Assim, quando o tema    &eacute; trabalho, algo t&atilde;o basilar na vida das pessoas, o dilema entre    esconder a quest&atilde;o ou abord&aacute;-la de frente est&aacute; relacionada    a op&ccedil;&otilde;es claras: esconder o mundo atr&aacute;s da fantasia e do    <i>glamour</i> de poucos ou debater para reformar o mundo. Parece n&atilde;o    haver meias tintas: ou se procura viver o "bom- mocismo" cooptado e tolo, pois    num pa&iacute;s como o Brasil os problemas sociais n&atilde;o permitem que sejam    ignorados, ou enfrenta-se a realidade, a vida como ela &eacute;. E, &eacute;    &oacute;bvio, n&atilde;o h&aacute; solu&ccedil;&otilde;es ou caminhos se n&atilde;o    se reconhece o problema. Mas ainda assim e por isso mesmo, a op&ccedil;&atilde;o    tamb&eacute;m &eacute; sua, senhor espectador.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Ricardo Luiz Chagas Amorim</b> &eacute; economista e cin&eacute;filo.    Professor da Universidade Mackenzie, realiza pesquisas junto ao N&uacute;cleo    de Estudos em Qualidade de Vida (NEQV/Mackenzie). &Eacute; doutorando em teoria    econ&ocirc;mica pelo Instituto de Economia da Unicamp.</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA SUGERIDA</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Bernardet, J-C. <i>O que &eacute; cinema</i>. S&atilde;o Paulo:    Brasiliense, 2006.</font><!-- ref --><p><font size="3">Amorim, R.. "Coment&aacute;rios sobre a racionalidade no capitalismo    contempor&acirc;neo". S&atilde;o Paulo: FCECA/Mackenzie, 2006. 22p. (Texto para    discuss&atilde;o 01/B06 – no prelo).</font><!-- ref --><p><font size="3">M&eacute;szaros, I. <i>O poder da ideologia</i>. S&atilde;o    Paulo: Boitempo Editorial, 2004.</font><!-- ref --><p><font size="3">Canetti, E.. <i>Massa e poder</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia    das Letras, 1995.</font><!-- ref --><p><font size="3">Sartre, J.-P. <i>Em defesa dos intelectuais</i>. S&atilde;o    Paulo: Editora &Aacute;tica, 1994.</font><p>&nbsp;</p>     <P><font size="3"><b>CINEMATOGRAFIA SUGERIDA</b></font></P>     <p><font size="3"><i>Comer, beber e viver</i> (<i>Yinshi nan nu</i>) – G&ecirc;nero:    drama; Dire&ccedil;&atilde;o: Ang Lee; Pa&iacute;s: Taiwan; Ano: 1994; Dura&ccedil;&atilde;o:    123 min.</font></P>     <p><font size="3"><i>Daens – um grito de justi&ccedil;a</i> (<i>Daens</i>) – G&ecirc;nero:    drama; Dire&ccedil;&atilde;o: Stijn Coninx; Pa&iacute;s: B&eacute;lgica; Ano:    1992; Dura&ccedil;&atilde;o: 132 min. </font></P>     <p><font size="3"><i>Dom&eacute;sticas – o filme</i> – G&ecirc;nero: com&eacute;dia;    Dire&ccedil;&atilde;o: Fernando Meirelles e Nando Olival; Pa&iacute;s: Brasil;    Ano: 2002; Dura&ccedil;&atilde;o: 90 min. </font></P>     <p><font size="3"><i>Dan&ccedil;ando no escuro</i> (<i>Dancer in the dark</i>)    – G&ecirc;nero: drama; Dire&ccedil;&atilde;o: Lars Von Trier; Pa&iacute;s: Fran&ccedil;a;    Ano: 2000; Dura&ccedil;&atilde;o: 139 min. </font></P>     <p><font size="3"><i>Eles n&atilde;o usam black-tie</i> – G&ecirc;nero: drama;    Dire&ccedil;&atilde;o: Leon Hirszman; Pa&iacute;s: Brasil; Ano: 1981; Dura&ccedil;&atilde;o:    134 min.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><i>Fala tu – G&ecirc;nero</i>: document&aacute;rio; Dire&ccedil;&atilde;o:    Guilherme Coelho; Pa&iacute;s: Brasil; Ano: 2004; Dura&ccedil;&atilde;o: 74    min.</font></P>     <p><font size="3"><i>Garotas do ABC</i> – G&ecirc;nero: drama; Dire&ccedil;&atilde;o:    Carlos Reichenbach; Pa&iacute;s: Brasil; Ano: 2004; Dura&ccedil;&atilde;o: 124    min. </font></P>     <p><font size="3"><i>A greve</i> – G&ecirc;nero: drama; Dire&ccedil;&atilde;o:    Sergei Eisenstein; Pa&iacute;s: URSS; Ano: 1925; Dura&ccedil;&atilde;o: 82 min.    </font></P>     <p><font size="3"><i>Ladr&otilde;es de bicicleta</i> ( <i>Ladri di biciclette</i>)    – G&ecirc;nero: drama; Dire&ccedil;&atilde;o: Vittorio di Sica; Pa&iacute;s:    It&aacute;lia; Ano: 1948; Dura&ccedil;&atilde;o: 90 min. </font></P>     <p><font size="3"><i>Sindicato de ladr&otilde;es</i> (<i>On the waterfront</i>)    – G&ecirc;nero: drama; Dire&ccedil;&atilde;o: Elia Kazan; Pa&iacute;s: EUA;    Ano: 1954; Dura&ccedil;&atilde;o: 108 min.</font></P>     <P><font size="3"><i>Tempos modernos</i> (<i>Modern times</i>) – G&ecirc;nero:    com&eacute;dia; Dire&ccedil;&atilde;o: Charlie Chaplin; Pa&iacute;s: EUA; Ano:    1936; Dura&ccedil;&atilde;o: 87 min. </font></P>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bernardet]]></surname>
<given-names><![CDATA[J-C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O que é cinema]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brasiliense]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Amorim]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Comentários sobre a racionalidade no capitalismo contemporâneo]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[FCECA/Mackenzie]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mészaros]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O poder da ideologia]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Boitempo Editorial]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Canetti]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Massa e poder]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Companhia das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sartre]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.-P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Em defesa dos intelectuais]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Ática]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
