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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>VIAJANTES</b></font></P>     <P><font size="4"><b><SMALL>MISS&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA DE BRASILEIROS NO    S&Eacute;CULO</small> XIX</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n4/a29img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Nos s&eacute;culos XVIII e XIX o Brasil recebeu dezenas de viajantes    estrangeiros que cruzavam o pa&iacute;s em busca do conhecimento das terras    e povos do Novo Mundo. A quase totalidade do material recolhido, invariavelmente,    voltava para institui&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses de origem das miss&otilde;es    cient&iacute;ficas. Poucos sabem, entretanto, que o governo imperial, desejoso    de estabelecer as bases de uma ci&ecirc;ncia nacional, incumbiu um grupo de    estudiosos brasileiros de viajar fazendo coletas, exames e experimenta&ccedil;&otilde;es,    trabalho, at&eacute; ent&atilde;o, realizado apenas por miss&otilde;es estrangeiras.    Estava criada, assim, no ano de 1856, a Comiss&atilde;o Cient&iacute;fica de    Explora&ccedil;&atilde;o. Primeiro destino: Cear&aacute;, onde permaneceu entre    1859 e 1861. Este ano, a editora do Museu do Cear&aacute; lan&ccedil;ou a primeira    de uma s&eacute;rie de publica&ccedil;&otilde;es comentadas, de documentos relativos    &agrave; primeira expedi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira. Trata-se    do livro <i>Os ziguezagues do dr. Capanema</i>, da soci&oacute;loga Maria Sylvia    Porto Alegre, da Universidade Federal do Cear&aacute;. </font></P>     <p><font size="3">No per&iacute;odo de setembro de 1860 a junho de 1862, Guilherme    Schuch de Capanema, o Bar&atilde;o de Capanema, publicou no <i>Di&aacute;rio    do Rio de Janeiro</i> uma s&eacute;rie de 32 artigos, quase cr&ocirc;nicas,    sob o pseud&ocirc;nimo de Manoel Francisco de Carvalho, contando suas andan&ccedil;as    no Cear&aacute;. Maria Sylvia comenta que, por meio da s&aacute;tira, de uso    corrente no jornalismo da &eacute;poca, o narrador registra flagrantes da vida    brasileira em meados do s&eacute;culo XIX, entremeando temas de ci&ecirc;ncia,    costumes e da vida p&uacute;blica. Capanema era o chefe da se&ccedil;&atilde;o    de geologia, com forma&ccedil;&atilde;o em engenharia e f&iacute;sica, e seu    encontro com a ci&ecirc;ncia aconteceu muito cedo. O pai, o mineralogista Roque    Schuch, chegou ao Brasil como integrante da Miss&atilde;o Austr&iacute;aca,    comitiva de cientistas que acompanhou a vinda da princesa Leopoldina de Habsburgo    ao Brasil para casar-se com D. Pedro I.</font></P>     <p><font size="3">A descri&ccedil;&atilde;o da viagem de Capanema distancia-se    dos tradicionais relatos de viagem do s&eacute;culo XIX. Suas anota&ccedil;&otilde;es    falam de pol&iacute;tica, economia, da vida cultural, dos costumes, de religi&atilde;o.    Este aspecto enriquece e elimina qualquer tra&ccedil;o de monotonia durante    a leitura. Num estilo que Maria Syvia chama de joco-s&eacute;rio, o Bar&atilde;o    critica fazendo gra&ccedil;a ou fala de coisas s&eacute;rias brincando. O uso    do codinome d&aacute; maior liberdade ao autor que ora assume o lugar o cientista    neutro, ora assume o engajamento pol&iacute;tico. </font></P>     <p><font size="3"><b>ZIGUEZAGUE HIST&Oacute;RICO</b> O livro    est&aacute; dividido em tr&ecirc;s cap&iacute;tulos. O primeiro traz uma pequena    biografia de Capanema, nome que batizava a serra onde ele passou a inf&acirc;ncia    e adolesc&ecirc;ncia. Ele adotou o nome por causa da dificuldade dos brasileiros    em pronunciar seu sobrenome alem&atilde;o. No segundo cap&iacute;tulo, &eacute;    a autora que faz um ziguezague pelos escritos deixados por ele. As interpreta&ccedil;&otilde;es    e coment&aacute;rios da soci&oacute;loga facilitam o entendimento de como eram    as pr&aacute;ticas culturais, a pol&iacute;tica e o, ainda incipiente, fazer    cient&iacute;fico no Brasil oitocentista. O terceiro cap&iacute;tulo reproduz    na &iacute;ntegra os originais dos documentos deixados pelo Bar&atilde;o, com    a op&ccedil;&atilde;o, entretanto, de usar a ortografia em vigor no Brasil hoje.    Al&eacute;m desse cuidado, uma longa lista de notas ajuda a esclarecer nomes    de lugares, pessoas e acontecimentos para que n&atilde;o perca nada na leitura.    Chama a aten&ccedil;&atilde;o o bel&iacute;ssimo projeto gr&aacute;fico que    resulta num livro ricamente ilustrado com imagens e documentos do s&eacute;culo    XIX, capturados em livros de viajantes e peri&oacute;dicos da &eacute;poca.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></font></P>      ]]></body>
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