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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a04img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">CSI TUPINIQUIM</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n1/lineblk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Institutos de per&iacute;cia usam biologia molecular na investiga&ccedil;&atilde;o    policial </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">No seriado norte-americano <i>CSI</i>, sigla para Crime Scene    Investigation, uma equipe de peritos usa e abusa da ci&ecirc;ncia e da tecnologia    para desvendar crimes que acontecem em Las Vegas, Miami ou Nova York, dependendo    da vers&atilde;o da s&eacute;rie. Nos epis&oacute;dios, cuja estrutura de busca    do criminoso lembra o cl&aacute;ssico Sherlock Holmes, coisas simples como um    fio de cabelo ou restos de cigarro, a at&eacute; o cheiro de um perfume na cena    do crime, s&atilde;o evid&ecirc;ncias que comp&otilde;em a investiga&ccedil;&atilde;o.    Confrontadas em um banco de dados de DNA ou via equipamentos high tech de &uacute;ltima    gera&ccedil;&atilde;o, ajudam na identifica&ccedil;&atilde;o dos criminosos.    Longe da fic&ccedil;&atilde;o, a resolu&ccedil;&atilde;o de casos criminais    por meio da biologia molecular &eacute; um dos ramos atuais da gen&eacute;tica    forense, que se popularizou, inicialmente, pela investiga&ccedil;&atilde;o de    paternidade biol&oacute;gica ou outros v&iacute;nculos gen&eacute;ticos por    meio dos exames de DNA.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os m&eacute;todos laboratoriais empregados nas an&aacute;lises    criminais s&atilde;o os mesmos usados nos exames de investiga&ccedil;&atilde;o    de paternidade. Ambos utilizam os princ&iacute;pios t&eacute;cnicos e acad&ecirc;micos    da gen&eacute;tica de popula&ccedil;&otilde;es humanas. No Brasil existem hoje    v&aacute;rios grupos de excel&ecirc;ncia trabalhando na &aacute;rea, a maioria    deles ligados a universidades. Isto significa, segundo o pesquisador Sidney    dos Santos, da Universidade Federal do Par&aacute; (Ufpa), que muitos laborat&oacute;rios    brasileiros t&ecirc;m capacidade instalada para trabalhar com gen&eacute;tica    forense. No entanto, poucos se t&ecirc;m dedicado a desenvolver pesquisa b&aacute;sica    na &aacute;rea. </font></p>     <p><font size="3"><b>MARCADOR GEN&Eacute;TICO</b> Uma das pesquisas conduzidas    por Santos na Ufpa &eacute; o desenvolvimento de um conjunto de marcadores gen&eacute;ticos    de ancestralidade ind&iacute;gena, africana e europ&eacute;ia capaz de identificar    e quantificar a mistura inter&eacute;tnica individual. "Isto significa    que &eacute; poss&iacute;vel quantificar a propor&ccedil;&atilde;o de genes    dessas origens em cada indiv&iacute;duo analisado", explica Santos. A proposta    inicial de Santos era usar os marcadores em estudos de associa&ccedil;&otilde;es    entre doen&ccedil;as gen&eacute;ticas e muta&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas.    "Entretanto, sabemos que a possibilidade de estimar a mistura inter&eacute;tnica    individual pode ser um coadjuvante no processo de investiga&ccedil;&atilde;o    criminal, quando se tem uma evid&ecirc;ncia biol&oacute;gica do suspeito",    afirma o pesquisador. "Ainda trabalhamos no n&iacute;vel de conjecturas;    h&aacute; um longo caminho entre disponibilizar a metodologia e resolver as    implica&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas que este tipo de a&ccedil;&atilde;o    pode exigir", considera Santos.</font></p>     <p><font size="3">Uma vers&atilde;o brasileira do <i>CSI</i> pode ser encontrada    no Instituto de Pesquisa e Per&iacute;cias em Gen&eacute;tica Forense da pol&iacute;cia    civil carioca, que trabalha em conjunto com a Universidade Federal do Rio de    Janeiro (UFRJ). O Instituto recebe desde amostras de material de investiga&ccedil;&otilde;es    criminais, como parentes que v&atilde;o doar sangue e, &eacute; claro, os pr&oacute;prios    suspeitos, para coleta de material gen&eacute;tico a ser confrontado com as    evid&ecirc;ncias. O laborat&oacute;rio do Instituto analisa o DNA retirado de    evid&ecirc;ncias como roupa com sangue ou s&ecirc;men; sangue coletado de armas    ou de ve&iacute;culos envolvidos em crimes; sangue revelado por luminol em roupas,    estofamentos ou outros revestimentos; esfrega&ccedil;os oral, vaginal ou anal    de v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia sexual; amostras encontradas em corpos    carbonizados ou em ossadas. "Todo este material &eacute; preparado para    se obter um ‘perfil gen&eacute;tico’ que ser&aacute; comparado com parentes,    caso se deseje identificar o doador da amostra questionada, ou com o suspeito,    caso se deseje identificar o criminoso", explica Rodrigo Soares de Moura,    especialista em gen&eacute;tica forense da UFRJ e coordenador do Laborat&oacute;rio    de DNA da pol&iacute;cia carioca. </font></p>     <p><font size="3"><b>GERAR PROVAS CONTRA SI MESMO</b> Todo exame de DNA &eacute;    comparativo. Hoje os institutos de per&iacute;cia trabalham com casos fechados,    comparando o DNA do suspeito com o das evid&ecirc;ncias criminais. Nos casos    negativos n&atilde;o h&aacute; possibilidade de comparar o DNA dos locais de    crime com o de potenciais agressores. O que fazer, portanto, quando n&atilde;o    h&aacute; suspeito? Nesse caso uma ferramenta &uacute;til seria um banco de    DNA criminal, semelhante ao do seriado americano. O banco &eacute; um conjunto    de tipos diferentes de DNA, os chamados marcadores gen&eacute;ticos. Ele funciona,    na verdade, como um banco de impress&otilde;es digitais. "Se pud&eacute;ssemos    contar com um banco de DNA ter&iacute;amos uma ferramenta poderosa contra a    impunidade, notadamente em homic&iacute;dios, crimes sexuais e na identifica&ccedil;&atilde;o    de pessoas mortas ou desaparecidas", diz Paulo Roberto Fagundes, coordenador    de projetos especiais da Secretaria Nacional de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica.</font></p>     <p><font size="3">Um banco de dados de DNA poderia esclarecer crimes sem suspeitos    de forma r&aacute;pida e objetiva. Entretanto, para ser usado em ju&iacute;zo,    o doador teria que autorizar a an&aacute;lise de seu perfil gen&eacute;tico.    No Brasil uma pessoa acusada de um crime n&atilde;o &eacute; obrigada a fornecer    amostra para que seu DNA seja analisado e comparado com o DNA obtido de cena    de crimes. "Ningu&eacute;m &eacute; obrigado a gerar prova contra si mesmo.    Para construir um banco de DNA criminal ter&iacute;amos que mudar a Constitui&ccedil;&atilde;o    brasileira", explica Moura. Outro uso para o banco de marcadores gen&eacute;ticos    seria na identifica&ccedil;&atilde;o de corpos. "O material gen&eacute;tico    das ossadas &eacute; preparado, analisado e alimentaria um banco de DNA. Quando    se analisa parentes de desaparecidos, pode-se encontrar, por confronto gen&eacute;tico    direto, a pessoa desaparecida", explica. </font></p>     <p><font size="3">V&aacute;rios pa&iacute;ses t&ecirc;m banco de dados de DNA    criminal: EUA, Inglaterra, Canad&aacute;, Alemanha, Fran&ccedil;a, Austr&aacute;lia,    Nova Zel&acirc;ndia. "A quest&atilde;o &eacute; que tipo de crime est&aacute;    sujeito a incluir a pessoa no banco. Na Inglaterra, por exemplo, at&eacute;    em crimes leves se prev&ecirc; inclus&atilde;o legal do DNA do agressor no banco",    conta Fagundes. Em todos os pa&iacute;ses onde se implantou um banco de DNA,    existiu uma discuss&atilde;o jur&iacute;dica precedente. No Brasil, essa discuss&atilde;o    est&aacute;, hoje, no &acirc;mbito do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="right"><FONT SIZE="3"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></FONT></p>      ]]></body>
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