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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">FITOTER&Aacute;PICOS</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n1/lineblk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Plantas medicinais s&atilde;o pouco exploradas pelos dentistas    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O ru&iacute;do da broca e o cheiro de eugenol, feito do &oacute;leo    do cravo-da-&iacute;ndia, e &oacute;xido de zinco identifica um lugar onde a    fitoterapia parece destoar. No entanto, mesmo que esse tema seja pouco discutido    fora do meio acad&ecirc;mico, os produtos naturais est&atilde;o cada vez mais    presentes nos consult&oacute;rios odontol&oacute;gicos, afirma o pesquisador    da Universidade Federal da Para&iacute;ba (UFPB) e um dos l&iacute;deres do    Grupo de Estudos de Fitoterapia Aplicada &agrave; Odontologia (Gefao), F&aacute;bio    Correia Sampaio. "O mais paradoxal &eacute; que os cirurgi&otilde;es-dentistas    fazem uso de produtos naturais sem ter muita consci&ecirc;ncia disso",    acrescenta. Segundo ele, crescem as pesquisas com fitoter&aacute;picos, impulsionadas    pela demanda de produtos e profissionais nessa &aacute;rea.</font></p>     <p><font size="3">A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) estima    que as vendas totais de ervas medicinais alcan&ccedil;aram a cifra de US$ 400    milh&otilde;es no Brasil em 2001. Sampaio considera que "categorizar um    produto como sendo de origem vegetal tem, hoje, um forte apelo mercadol&oacute;gico".    Para o professor da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual    de Campinas (Unicamp), Francisco Carlos Groppo, embora a tend&ecirc;ncia de    crescimento exista, o uso e a receita de fitomedicamentos nos consult&oacute;rios    odontol&oacute;gicos ainda esbarra na falta de divulga&ccedil;&atilde;o do assunto    entre dentistas. Sampaio refor&ccedil;a essa id&eacute;ia com uma pesquisa,    realizada pela professora Rinalda Oliveira da UFPB, a qual concluiu que os profissionais    da &aacute;rea da sa&uacute;de (m&eacute;dicos, dentistas e farmac&ecirc;uticos)    e pacientes faziam pouco uso das plantas medicinais por falta de conhecimento.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a06img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Outro entrave para que os dentistas ampliem o uso de fitomedicamentos    &eacute; a falta de comprova&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da efic&aacute;cia    e seguran&ccedil;a desses compostos. "Pelo c&oacute;digo de &eacute;tica    profissional n&atilde;o podemos optar por tratamentos sem comprova&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica definitiva o que derruba muitos produtos fitoter&aacute;picos    em rela&ccedil;&atilde;o aos sint&eacute;ticos qu&iacute;micos, por exemplo",    explica Sampaio. Em um artigo publicado no <i>Jornal Brasileiro de Fitomedicina</i>,    em 2004, Groppo e sua equipe constataram que, na odontologia, existe n&uacute;mero    significativo de trabalhos dedicados a subst&acirc;ncias naturais, "mas    s&atilde;o poucas as publica&ccedil;&otilde;es que permitem um aval cient&iacute;fico    para o uso desses produtos", avalia o artigo entitulado "Utilizaci&oacute;n    de sustancias naturales en odontolog&iacute;a".</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, o pesquisador do Gefao destaca que, nem tudo    o que se pesquisa em medicina e microbiologia na &aacute;rea de fitoter&aacute;picos,    pode ser aplicado em odontologia. "Nos modelos de estudo da cavidade bucal    devemos considerar os efeitos da saliva, esmalte dental e de outros fatores    espec&iacute;ficos que fazem do estudo de antimicrobianos bucais um desafio",    acrescenta.</font></p>     <p><font size="3">Esse cen&aacute;rio, por&eacute;m, tende a mudar com o est&iacute;mulo    cada vez maior ao uso e &agrave; pesquisa na &aacute;rea de fitomedicamentos.    &Eacute; o caso, por exemplo, da lei municipal institu&iacute;da em Jo&atilde;o    Pessoa (PB), para a indica&ccedil;&atilde;o de plantas medicinais nos servi&ccedil;o    p&uacute;blico de sa&uacute;de, comenta Sampaio. Al&eacute;m disso, a UFPB foi    uma das pioneiras na inser&ccedil;&atilde;o da disciplina de fitoterapia para    alunos da &aacute;rea da sa&uacute;de. O Conselho Regional de Odontologia (CRO)    do Rio Grande do Sul (RS) tamb&eacute;m batalha para criar espa&ccedil;os de    debate entre os dentistas sobre o tema e prop&ocirc;s que o Conselho Federal    de Odontologia promova discuss&otilde;es nacionais, revela a cirurgi&atilde;-dentista    e membro da Comiss&atilde;o de Terap&ecirc;uticas Complementares &agrave; CRO/RS,    Yolanda Lopes da Silveira. J&aacute; o governo federal lan&ccedil;ou a Pol&iacute;tica    Nacional de Pr&aacute;ticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que insere    pr&aacute;ticas de terapias alternativas, como o uso de fitoterapia como recurso    do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). Tamb&eacute;m est&aacute; em    processo de elabora&ccedil;&atilde;o um banco de dados sobre plantas medicinais    e a Rela&ccedil;&atilde;o Nacional de Plantas Medicinais e de Fitoter&aacute;picos    (Rename-Fito). </font></p>     <p><font size="3"><b>VALE A PENA?</b> Os principais argumentos a favor do emprego    das plantas medicinais concentram-se no fato de que produtos feitos a partir    de extratos naturais t&ecirc;m maior probabilidade de causar menos efeitos colaterais,    se comparados aos tradicionais, e, ainda, podem ser mais baratos, usando recursos    vegetais locais. Um exemplo &eacute; a patente pedida pela dentista, Danielle    Emmi, da Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA). Ela desenvolveu um evidenciador    de placa dental a base de a&ccedil;a&iacute;, fruta comum regi&atilde;o amaz&ocirc;nica,    cuja efici&ecirc;ncia &eacute; 90% superior ao produto comercializado. Com cinco    quilos de a&ccedil;a&iacute;, &eacute; poss&iacute;vel fabricar 100 mililitros    (ml) de solu&ccedil;&atilde;o concentrada, com o custo de R$ 5, se feito em    laborat&oacute;rio, revela. A pesquisadora garante que, em escala comercial,    o valor de produ&ccedil;&atilde;o cairia. J&aacute; o evidenciador de placas    de 10 ml a 15 ml &eacute; comprado por R$ 7 em lojas. </font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o se deve esquecer, por&eacute;m, que o fitoter&aacute;pico    tamb&eacute;m possui indica&ccedil;&otilde;es e contra-indica&ccedil;&otilde;es,    alerta Sampaio. O mercado pressiona por pesquisas para desenvolver novos medicamentos    mas, tamb&eacute;m, usa as descobertas cient&iacute;ficas para legitimar a cria&ccedil;&atilde;o    de uma "planta da moda", acredita o pesquisador. "Foi assim com    o confrei (<i>Symphytum officinale</i>) e est&aacute; sendo atualmente com a    babosa (<i>Aloe vera barbadensis</i>)", exemplifica. O primeiro tem efeitos    cicatrizante e antitumoral em mama, mas pode provocar problemas hep&aacute;ticos    se utilizado por longos per&iacute;odos. O segundo, causa nefrite aguda. No    caso da odontologia, extratos de plantas ricas em polifen&oacute;is, subst&acirc;ncia    que tem efeito bactericida, n&atilde;o s&atilde;o recomendados para uso di&aacute;rio,    como creme dental, pois desequilibram a flora bucal e mancham os dentes. </font></p>     <p><font size="3"><b>APOIO INSTITUCIONAL </b>No &acirc;mbito internacional, a    OMS se comprometeu com a promo&ccedil;&atilde;o da medicina tradicional e da    medicina complementar e alternativa, por meio do est&iacute;mulo ao desenvolvimento    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas dos seus 191 Estados-membros. Segundo a    OMS, a regula&ccedil;&atilde;o adequada ajudaria a enfrentar os principais desafios    nessa &aacute;rea, que est&atilde;o relacionados &agrave; seguran&ccedil;a,    &agrave; efic&aacute;cia e &agrave; qualidade das ervas medicinais. Em 2004,    a Organiza&ccedil;&atilde;o atualizou uma pesquisa global, onde 141 pa&iacute;ses    responderam ao question&aacute;rio (74% do total). Com rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s principais dificuldades sobre a regula&ccedil;&atilde;o dos fitoter&aacute;picos,    109 na&ccedil;&otilde;es apontaram que a principal limita&ccedil;&atilde;o &eacute;    a falta de dados de pesquisa, seguida da aus&ecirc;ncia de mecanismos apropriados    de controle das ervas medicinais (93 pa&iacute;ses) e a falta de educa&ccedil;&atilde;o    e treinamento na &aacute;rea (86 votos). </font></p>     <p><font size="3">Atualmente, 25% dos medicamentos t&ecirc;m extratos de plantas    na sua composi&ccedil;&atilde;o mas os fitoter&aacute;picos ainda apresentam    potencial para explora&ccedil;&atilde;o. Uma das apostas est&aacute; na &aacute;rea    odontol&oacute;gica na qual, mesmo com a car&ecirc;ncia de pesquisas, alho,    pr&oacute;polis, hortel&atilde;, rom&atilde; e outras plantas e ervas apresentam    resultados iguais ou superiores aos similares sint&eacute;ticos. "Usar    um produto com melhor qualidade e menos efeitos colaterais tamb&eacute;m &eacute;    uma exig&ecirc;ncia do mercado", conclui a dentista Danielle.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><i>Paula Soyama</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a06img02.jpg"></p>      ]]></body>
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