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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">QU&Iacute;MICA</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n1/lineblk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Conceito do que &eacute; t&oacute;xico muda atrav&eacute;s    dos tempos </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3">Subst&acirc;ncias consideradas ben&eacute;ficas hoje podem ser    declaradas t&oacute;xicas amanh&atilde;. Para melhorar a qualidade da vida,    a hist&oacute;ria registra tentativas de lidar com as doen&ccedil;as, com as    pragas dos alimentos, com a contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua e com    a higiene do ambiente. Nesse processo de percep&ccedil;&atilde;o de que bons    resultados imediatos podiam n&atilde;o garantir a seguran&ccedil;a no longo    prazo, foram saindo de cena pr&aacute;ticas usuais, como a ingest&atilde;o de    subst&acirc;ncias — petr&oacute;leo, clorof&oacute;rmio e am&ocirc;nia (veja    tabela) — consideradas terap&ecirc;uticas para uso humano no passado. Se tal    utiliza&ccedil;&atilde;o nos parece bizarra atualmente, n&atilde;o se pode descartar    a proibi&ccedil;&atilde;o futura de compostos hoje consumidos largamente.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">A Sociedade Norte-Americana de Qu&iacute;mica (ACS, na sigla    em ingl&ecirc;s) estima que haja 11 milh&otilde;es de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas    no mundo, das quais 80 mil utilizadas na ind&uacute;stria aliment&iacute;cia    e farmac&ecirc;utica, e tamb&eacute;m no uso dom&eacute;stico. Por&eacute;m,    somente cerca de 6% possui dados de toxicidade."A principal conseq&uuml;&ecirc;ncia    &eacute; o fato de muitas subst&acirc;ncias serem liberadas ao consumo, sem    um devido estudo toxicol&oacute;gico, capaz de detectar caracter&iacute;sticas    nocivas &agrave; sa&uacute;de humana ap&oacute;s uso prolongado", alertam    os autores de um levantamento das subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, publicado    recentemente no peri&oacute;dico cient&iacute;fico <i>Qu&iacute;mica Nova</i>    (vol.29, outubro de 2006), os pesquisadores Luiz Cl&aacute;udio Ferreira Pimentel,    Camille Rodrigues Chaves e Layla Alvim, orientados pelo professor do Departamento    de Qu&iacute;mica Anal&iacute;tica da Universidade Federal do Rio de Janeiro    (UFRJ), J&uacute;lio Carlos Afonso.</FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a09img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3">Com a explos&atilde;o da ind&uacute;stria qu&iacute;mica no    s&eacute;culo XIX, multiplicou-se a s&iacute;ntese e produ&ccedil;&atilde;o    de subst&acirc;ncias com aplica&ccedil;&atilde;o para corantes, medicamentos,    explosivos, fertilizantes e outros, consolidando-se, no s&eacute;culo seguinte,    como a ci&ecirc;ncia respons&aacute;vel pela transforma&ccedil;&atilde;o da    natureza. O fasc&iacute;nio por esse poder transformador da qu&iacute;mica como    panac&eacute;ia dos problemas humanos, ofuscou qualquer tentativa de estabelecer    cuidados na manipula&ccedil;&atilde;o e uso de seus produtos. Apenas em 1920    surgiu o s&iacute;mbolo de veneno (caveira branca em fundo preto) em r&oacute;tulos    de produtos qu&iacute;micos. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"> No Brasil, isso ocorreu ainda mais tarde, em 1943, com a Consolida&ccedil;&atilde;o    das Leis Trabalhistas (CLT) que estabeleceu os meios de caracterizar as profiss&otilde;es    que ofereciam periculosidade e insalubridade a trabalhadores, gra&ccedil;as    &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o e uso cont&iacute;nuo de produtos qu&iacute;micos.</FONT></p>     <p><font size="3"><b>DDT E TALIDOMIDA</b> O DDT (diclorodifeniltricloroetano),    inseticida largamente empregado no combate a mosquitos transmissores de doen&ccedil;as,    como a mal&aacute;ria, e de pragas da monocultura, foi um dos precursores da    Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, dos anos 1970, que questionou fortemente o impacto    da tecnologia na sa&uacute;de humana e ambiental. Os efeitos cumulativos do    DDT — no organismo e meio ambiente — s&oacute; aparecem no longo prazo. Na d&eacute;cada    anterior, a luz vermelha acendeu tamb&eacute;m para a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica    com os in&uacute;meros casos de deforma&ccedil;&otilde;es constatadas em fetos    e rec&eacute;m-nascidos, conseq&uuml;&ecirc;ncia do uso indiscriminado da talidomida,    usada como sedativo e hipn&oacute;tico. Tais evid&ecirc;ncias obrigaram um maior    controle na libera&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o de novas    drogas. Atualmente, os medicamentos passam por testes pr&eacute;-cl&iacute;nicos    em cultura de c&eacute;lulas e em animais, para ent&atilde;o chegar a tr&ecirc;s    fases de testes em humanos: fase 1 - em pacientes saud&aacute;veis; fase 2 -    em grupo de pacientes doentes; fase 3 - em amostra maior de pacientes doentes.    A chamada fase 4 ocorre depois que o medicamento est&aacute; liberado para consumo.    </font></p>     <p><font size="3">Mesmo ap&oacute;s passar por tantos testes rigorosos e aprova&ccedil;&atilde;o    de ag&ecirc;ncias fiscalizadoras como a norte-americana FDA e a nacional Anvisa    (Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria), casos como a    suspens&atilde;o da venda de drogas largamente consumidas ainda surpreendem.    "A velocidade com que um medicamento ou produto novo &eacute; difundido    em n&iacute;vel mundial tem a ver com a disputa existente entre os lados cient&iacute;fico    e financeiro dos fabricantes de produtos farmac&ecirc;uticos e qu&iacute;micos",    alertam os autores da pesquisa. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a09img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>LISTA DOS PROIBIDOS</b> Nos anos 1990, p&oacute;s ECO 92    (Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente e o    Desenvolvimento), foi a vez da retirada progressiva de produtos contendo CFC    (cloro/fl&uacute;or/carbono) do mercado, devido a seu impacto danoso na camada    de oz&ocirc;nio, fen&ocirc;meno que saiu dos jarg&otilde;es cient&iacute;ficos    para o cotidiano da popula&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O foco hoje est&aacute; nos produtos que utilizam nanotecnologia,    j&aacute; dispon&iacute;veis no mercado, ainda sem qualquer avalia&ccedil;&atilde;o    de riscos, al&eacute;m de outros amplamente consumidos, cuja seguran&ccedil;a    s&oacute; poder&aacute; ser melhor avaliada com o passar do tempo, como, por    exemplo, os ado&ccedil;antes artificiais. Embora alguns se espantem com o procedimento,    os testes exigidos para aprova&ccedil;&atilde;o de produtos muitas vezes n&atilde;o    d&atilde;o conta de efeitos em longo prazo e nem de combina&ccedil;&otilde;es    com outros h&aacute;bitos de vida, assim como ocorreu com as gorduras Trans    (ou "transversos", formadas pelo processo de hidrogena&ccedil;&atilde;o    natural ou industrial) e alimentos que cont&ecirc;m ingredientes transg&ecirc;nicos,    que n&atilde;o est&atilde;o proibidos, mas que precisam estar discriminados    na rotula&ccedil;&atilde;o do produto. "Todas as novas tecnologias possuem    riscos e, a rigor, somente o tempo permite aferir o n&iacute;vel real de seguran&ccedil;a    do emprego das mesmas", enfatizam os autores da pesquisa. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="right"><FONT SIZE="3"><i>Germana Barata</i></FONT></p>      ]]></body>
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