<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252007000100013</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Apresentação: gênese da gênese]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pino]]></surname>
<given-names><![CDATA[Claudia Amigo]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Lingüística  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<volume>59</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>24</fpage>
<lpage>27</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252007000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252007000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252007000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a13img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p align="center"><FONT size="5"><b>G&Ecirc;NESE DA G&Ecirc;NESE</b> </FONT></p>     <p align="center"><FONT size="3"><b>Claudia Amigo Pino</b></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size=5><b>&Eacute;</b></font><font size="3"> imposs&iacute;vel referir-se    aos estudos da g&ecirc;nese sem remeter &agrave; sua pr&oacute;pria g&ecirc;nese.    A id&eacute;ia inicial de se debru&ccedil;ar sobre os manuscritos de escritores    n&atilde;o surge repentinamente para um pesquisador, ou para um grupo de pesquisadores:    est&aacute; ligada a uma s&eacute;rie de movimentos da cr&iacute;tica liter&aacute;ria    e de outras disciplinas das ci&ecirc;ncias humanas na Fran&ccedil;a dos anos    1960.</font></p>     <p><font size="3">Naquele momento, a teoria liter&aacute;ria estava dominada pelo    estruturalismo, que propunha se centrar no estudo do texto, em detrimento do    estudo do autor, das condi&ccedil;&otilde;es sociais ou de qualquer outro elemento    externo. As revoltas de maio de 1968 marcaram o in&iacute;cio de uma nova etapa.    Os intelectuais viam renascer um interesse pelas id&eacute;ias marxistas, sinal    de que os textos em si j&aacute; n&atilde;o bastavam. </font></p>     <p><font size="3">A palavra texto, ali&aacute;s, come&ccedil;a a perder espa&ccedil;o:    fala-se de processo, de escritura, de signific&acirc;ncia, de rela&ccedil;&atilde;o.    Mais do que entender as estruturas de uma obra liter&aacute;ria, o interesse    agora se encontra em saber em que rela&ccedil;&otilde;es de poder essa estrutura    surge, o que ela representa para o sujeito que a enuncia, como ela se projeta    no leitor. Por&eacute;m, os m&eacute;todos para estudar esses "movimentos"    n&atilde;o eram t&atilde;o claros como pareciam, por exemplo, as categorias    narrativas definidas pelos estruturalistas mais ortodoxos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No mesmo ano de 1968, um grupo de germanistas &eacute; convocado    para organizar os manuscritos de Henrich Heine, que tinham acabado de chegar    &agrave; Biblioteca Nacional da Fran&ccedil;a. Os pesquisadores percebem que    tem em suas m&atilde;os um material privilegiado para conciliar os m&eacute;todos    estruturalistas com o novo interesse pelo movimento. Como os manuscritos constituem    de qualquer forma um material, eles podem ser abordados a partir das teorias    estruturalistas. No entanto, como esse material &eacute; um testemunho de um    movimento, ele permite abrir pelo menos uma fresta da porta para a hist&oacute;ria:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="3">"Essa corrente de cr&iacute;tica gen&eacute;tica se inscreve      simultaneamente em continuidade e em ruptura com o estruturalismo. Por sua      considera&ccedil;&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es, das varia&ccedil;&otilde;es,      da historicidade, ela oferece uma perspectiva diferente da corrente estrutural      mais fechada e mais formal. Mas h&aacute; continuidade em rela&ccedil;&atilde;o      a um outro aspecto importante do estruturalismo, o qual consistiu em dar um      estatuto mais objetivo aos estudos liter&aacute;rios, sobretudo ao enfatizar      a no&ccedil;&atilde;o de texto, sendo este &uacute;ltimo apresentado como      objeto cient&iacute;fico que se estuda como tal: foi dessa ambi&ccedil;&atilde;o      que sa&iacute;mos."(1)</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Al&eacute;m dessa vantagem te&oacute;rica, duas vantagens pr&aacute;ticas    seriam logo essenciais para a institucionaliza&ccedil;&atilde;o da disciplina,    embora tamb&eacute;m constituam a origem de seus impasses. </font></p>     <p><font size="3">Por um lado, no momento em que a produ&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias    humanas &eacute; avaliada a partir de crit&eacute;rios das ci&ecirc;ncias exatas,    a cr&iacute;tica gen&eacute;tica prop&otilde;e um material geralmente in&eacute;dito:    os manuscritos ou documentos de processo n&atilde;o publicados pelo autor. A    originalidade da pesquisa torna-se indiscut&iacute;vel. Por outro lado, a cr&iacute;tica    gen&eacute;tica permite dar um uso a um material de arquivo, que tinha sido    menosprezado como objeto de conhecimento durante o estruturalismo e &eacute;    de grande import&acirc;ncia para a pol&iacute;tica cultural francesa. &Eacute;    dif&iacute;cil imaginar a Fran&ccedil;a sem os seus monumentos: eles garantem    – em um esfor&ccedil;o de preserva&ccedil;&atilde;o dos minist&eacute;rios da    cultura – o status de "ber&ccedil;o da civiliza&ccedil;&atilde;o"    do pa&iacute;s. E os manuscritos dos grandes arquivos de escritores s&atilde;o    os monumentos liter&aacute;rios da Fran&ccedil;a. </font></p>     <p><font size="3">Em 1982, o grupo de pesquisadores de Heine transforma-se em    uma institui&ccedil;&atilde;o, o ITEM (Institut de Textes et Manuscrits Modernes),    ligado ao Centro Nacional da Pesquisa Cient&iacute;fica da Fran&ccedil;a (CNRS).    No novo instituto, os pesquisadores organizam-se em grupos ligados ao estudo    dos acervos dos grandes escritores franceses (Flaubert, Zola, Proust e Sartre)    e em grupos que t&ecirc;m como objetivo pensar os manuscritos a partir de vis&otilde;es    espec&iacute;ficas, como a ling&uuml;&iacute;stica, a autobiografia e a inform&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="3">Philippe Willemart, professor de literatura francesa da Universidade    de S&atilde;o Paulo (USP), &eacute; o primeiro pesquisador brasileiro a ter    contato com a cr&iacute;tica gen&eacute;tica. Dedicado ao estudo da rela&ccedil;&atilde;o    entre psican&aacute;lise e literatura, Willemart percebe, a partir da orienta&ccedil;&atilde;o    de Jean Bellemin-No&euml;l, que o manuscrito &eacute; um lugar privilegiado    para estudar o funcionamento do inconsciente. Assim, debru&ccedil;a-se inicialmente    sobre os manuscritos de Flaubert e decide ministrar um curso de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    sobre a cr&iacute;tica gen&eacute;tica. Desse curso participam v&aacute;rios    pesquisadores que trabalhavam com manuscritos, mas ainda n&atilde;o sabiam que    tipo de explora&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica eles poderiam ter. Pouco tempo    depois, eles formariam a Associa&ccedil;&atilde;o dos Pesquisadores do Manuscrito    Liter&aacute;rio (APML) e criariam diversos grupos de pesquisa de manuscritos    em todo o Brasil, alguns centrados em acervos de escritores (no caso do grupo    M&aacute;rio de Andrade, do IEB), outros em vis&otilde;es te&oacute;ricas, como    o Laborat&oacute;rio do Manuscrito Liter&aacute;rio, da FFLCH, que parte de    um di&aacute;logo com a psican&aacute;lise, e o Centro de Estudos de Cr&iacute;tica    Gen&eacute;tica da PUC, que se sustenta em um di&aacute;logo com a semi&oacute;tica    pierceana.</font></p>     <p><font size="3"><b>UM OBJETO QUE ESCAPA &Agrave;S ESTRUTURAS</b> O objeto da    cr&iacute;tica gen&eacute;tica n&atilde;o s&atilde;o simplesmente os manuscritos    modernos, mas os manuscritos como portadores do processo de cria&ccedil;&atilde;o.    Ou o processo de cria&ccedil;&atilde;o observado a partir dos manuscritos.</font></p>     <p><font size="3">Por essa raz&atilde;o, a no&ccedil;&atilde;o de manuscrito para    a cr&iacute;tica gen&eacute;tica difere um pouco de seu uso comum. Em primeiro    lugar, porque por manuscrito entende-se todo documento no qual seja poss&iacute;vel    encontrar um tra&ccedil;o do processo de cria&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o    necessariamente os manuscritos aut&oacute;grafos (do pr&oacute;prio punho do    escritor). Desta forma, a cr&iacute;tica gen&eacute;tica considera manuscritos,    por exemplo, a correspond&ecirc;ncia do autor (se nela h&aacute; discuss&otilde;es    sobre a cria&ccedil;&atilde;o de suas obras), os datiloscritos (vers&otilde;es    datilografadas diferentes do texto publicado) ou mesmo grava&ccedil;&otilde;es    de voz com id&eacute;ias sobre uma obra. Para evitar confus&otilde;es, a geneticista    brasileira Cec&iacute;lia Almeida Salles prop&ocirc;s o nome "documentos    de processo" para se referir aos manuscritos-objeto da cr&iacute;tica gen&eacute;tica(2).</font></p>     <p><font size="3">Da mesma forma, o fato de um manuscrito ser aut&oacute;grafo    n&atilde;o garante o seu valor para a cr&iacute;tica gen&eacute;tica. De nada    servem, por exemplo, as c&oacute;pias limpas de poemas feitas por in&uacute;meros    autores no final do s&eacute;culo XIX. Se as vers&otilde;es manuscritas n&atilde;o    tiverem alguma marca de um trabalho de cria&ccedil;&atilde;o (uma rasura, um    tra&ccedil;o, ou mesmo um desenho), e se n&atilde;o forem diferentes da vers&atilde;o    publicada, elas n&atilde;o podem servir de documento do processo de cria&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Seria, portanto, imposs&iacute;vel realizar uma descri&ccedil;&atilde;o    exaustiva do estatuto do manuscrito para a cr&iacute;tica gen&eacute;tica, porque    ele toma formas muito variadas que podem ter, por sua vez, marcas igualmente    variadas do trabalho de cria&ccedil;&atilde;o. Talvez apenas a palavra f&oacute;lio,    que designa uma "folha", tenha uma mesma acep&ccedil;&atilde;o para    todos os geneticistas. As formas como esses f&oacute;lios est&atilde;o ordenados    (vers&otilde;es, planos, cen&aacute;rios, anota&ccedil;&otilde;es, rascunhos)    tomam contornos totalmente diferentes de obra para obra, ou de processo para    processo. </font></p>     <p><font size="3">Dificilmente a pesquisa centra-se em apenas um desses manuscritos.    Como o objetivo dos estudos gen&eacute;ticos &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o    de um processo a partir desses documentos, &eacute; necess&aacute;rio abordar    conjuntos de documentos, chamados tamb&eacute;m de dossi&ecirc;s. Somente a    partir do trabalho comparativo no interior desses dossi&ecirc;s, poderemos observar    os manuscritos como portadores de um movimento de cria&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3"><b>UM OLHAR QUE ESCAPA AO SEU OBJETO</b> Torna-se necess&aacute;rio    agora entender como se forma esse olhar sobre o processo de cria&ccedil;&atilde;o.    Talvez essa seja a parte mais dif&iacute;cil de explicar da cr&iacute;tica gen&eacute;tica:    h&aacute; sempre uma desconfian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; possibilidade    de estabelecer uma ordem a partir de um objeto t&atilde;o desordenado. </font></p>     <p><font size="3">Na base dessa utopia, os geneticistas colocam a no&ccedil;&atilde;o    de processo, entendido como uma reconstru&ccedil;&atilde;o das etapas da cria&ccedil;&atilde;o.    Para Almuth Gr&eacute;sillon, por exemplo, uma das fundadoras da disciplina,    esse suposto "processo" seria principalmente um processo de leitura,    e n&atilde;o de um autor, mas do geneticista. Os manuscritos n&atilde;o constituem    em si um processo: &eacute; na leitura desses documentos que um processo ser&aacute;    constru&iacute;do.</font></p>     <p><font size="3">Ao levantar as tarefas de um geneticista, Gr&eacute;sillon deixa    clara a relev&acirc;ncia do papel da constru&ccedil;&atilde;o. Segundo a autora,    o trabalho do geneticista teria duas partes: a primeira consistiria em dar a    ver (reunir os manuscritos, classificar, decifrar, transcrever e editar) e a    segunda parte, que n&atilde;o seria necessariamente consecutiva, mas muitas    vezes paralela &agrave; primeira, consistiria em construir hip&oacute;teses    sobre o caminho percorrido pela escritura, como identifica&ccedil;&atilde;o    de rasuras, acr&eacute;scimos, e forma&ccedil;&atilde;o de conjeturas sobre    as opera&ccedil;&otilde;es mentais subjacentes (3). </font></p>     <p><font size="3">&Eacute; interessante perceber que, no Brasil, Cec&iacute;lia    Almeida Salles, no seu livro <i>Cr&iacute;tica gen&eacute;tica. Uma (nova) introdu&ccedil;&atilde;o</i>    d&aacute; aparentemente menos import&acirc;ncia ao papel da reconstru&ccedil;&atilde;o.    Para a pesquisadora, o objetivo da cr&iacute;tica gen&eacute;tica n&atilde;o    &eacute; somente refazer, mas "discutir" e "compreender"    o processo (4).</font></p>     <p><font size="3">Como toda leitura, essa constru&ccedil;&atilde;o se dar&aacute;    a partir de um trabalho, que Gr&eacute;sillon define como uma tradu&ccedil;&atilde;o    dos ind&iacute;cios espaciais em ind&iacute;cios temporais. Tentemos entender    mais o que significa esta "tradu&ccedil;&atilde;o". Mesmo se &agrave;s    vezes encontramos vers&otilde;es manuscritas limpas de muitos textos, em geral    os documentos se d&atilde;o ao pesquisador de forma muito diferente &agrave;    de uma p&aacute;gina publicada. No lugar da sucess&atilde;o de palavras em uma    linha, da sucess&atilde;o de linhas em uma p&aacute;gina e da sucess&atilde;o    de p&aacute;ginas em um livro, podemos encontrar em um manuscrito uma palavra    em um canto da p&aacute;gina, um par&aacute;grafo em um outro canto, acompanhados    de outros registros, como flechas e desenhos. &Eacute; muito comum tamb&eacute;m    encontrar manuscritos em que cada um desses registros se apresenta em cores    diferentes, inclusive com letras diferentes. No n&iacute;vel da frase, ou da    pr&oacute;pria palavra, esta heterogeneidade tamb&eacute;m est&aacute; presente    na figura da rasura. Assim, no lugar de uma &uacute;nica palavra em uma seq&uuml;&ecirc;ncia,    podemos encontrar v&aacute;rias, sobrepostas, tachadas, grifadas. </font></p>     <p><font size="3">O manuscrito, assim, n&atilde;o se apresenta como uma seq&uuml;&ecirc;ncia,    mas como um espa&ccedil;o heterog&ecirc;neo, no qual diversos tempos convivem    e dialogam entre si. A tarefa do geneticista seria tentar colocar esses tempos    dispersos no espa&ccedil;o em uma ordem temporal – n&atilde;o uma ordem perfeita,    n&atilde;o uma cadeia indestrut&iacute;vel – mas em um movimento com dire&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     <p><font size="3">O processo ent&atilde;o n&atilde;o &eacute; dado, &eacute; constru&iacute;do,    e consiste na cria&ccedil;&atilde;o de uma seq&uuml;&ecirc;ncia ou cronologia,    com um sentido determinado, como afirma Gr&eacute;sillon:</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"Se o objetivo da leitura ‘normal’ consiste em compreender      um escrito, o da leitura de um manuscrito consiste em compreender a g&ecirc;nese      de uma escritura, ou melhor, em reconstituir a partir de uma organiza&ccedil;&atilde;o      espacial a cronologia e o sentido das opera&ccedil;&otilde;es." (5) </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">No seu livro <i>Gesto inacabado</i>, Cec&iacute;lia Salles desenvolve    mais o que seria esse sentido das opera&ccedil;&otilde;es, que ela chama de    tend&ecirc;ncia. V&aacute;rios artistas teriam j&aacute; apontado que ao escrever,    desenhar ou esbo&ccedil;ar, h&aacute; um elemento direcionador do processo,    que n&atilde;o &eacute; claro nem consciente:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="3">"O artista &eacute; atra&iacute;do pelo prop&oacute;sito      de natureza geral e move-se inevitavelmente em sua dire&ccedil;&atilde;o.      A tend&ecirc;ncia &eacute; indefinida mas o artista &eacute; fiel &agrave;      sua vagueza. O trabalho caminha para um maior discernimento daquilo que se      quer elaborar. A tend&ecirc;ncia n&atilde;o apresenta j&aacute; em si a solu&ccedil;&atilde;o      concreta para o problema, mas indica o rumo. O processo &eacute; a explica&ccedil;&atilde;o      dessa tend&ecirc;ncia. ‘No come&ccedil;o minha id&eacute;ia &eacute; vaga.      S&oacute; se torna vis&iacute;vel por for&ccedil;a do trabalho’ (Maillol)"      (6). </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Mas como o pesquisador pode identificar nesse trajeto uma tend&ecirc;ncia    que os pr&oacute;prios artistas consideram vaga? Muitas vezes essa identifica&ccedil;&atilde;o    se faz <i>a posteriori</i>, ou seja, quando a obra j&aacute; est&aacute; acabada.    A primeira vers&atilde;o que lemos de um manuscrito &eacute; geralmente a obra    final (estudamos um manuscrito porque somos seduzidos inicialmente por uma obra    publicada). As leituras que fizermos das diferentes vers&otilde;es de um poema    e as constru&ccedil;&otilde;es criadas a partir dessa leitura ser&atilde;o feitas    a partir desse olhar inicial da obra final. </font></p>     <p><font size="3">Coloca-se outro problema quando devemos procurar uma tend&ecirc;ncia    em textos inacabados, n&atilde;o publicados em vida, que n&atilde;o apresentam    uma vers&atilde;o final. N&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel chegar a certas    linhas a partir da observa&ccedil;&atilde;o de cada escolha, de cada rasura.    Mas esse trabalho normalmente &eacute; feito de forma paralela a outro: observar,    na obra anterior do escritor, quais s&atilde;o as escolhas mais comuns, o que    distingue o seu tra&ccedil;o autoral. O cruzamento dessas duas tarefas ajudar&aacute;    a apontar uma tend&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="3">O estudo de obras inacabadas tem colocado uma outra quest&atilde;o,    que tamb&eacute;m divide os pesquisadores franceses dos brasileiros. Ao lidar    com obras que n&atilde;o foram publicadas em vida pelo autor &eacute; natural    se perguntar pelo alcance &eacute;tico dessa escolha. &Eacute; v&aacute;lido    trabalhar e dar a ver uma obra que o autor engavetou, n&atilde;o p&ocirc;de    concluir, que enfim, n&atilde;o corresponde &agrave; est&eacute;tica que ele    procurava? Uma das respostas dadas a essa pergunta – que sem d&uacute;vida tem    muitas outras respostas – poderia ser descrita da seguinte forma: "o valor    n&atilde;o estaria na &uacute;ltima vers&atilde;o, mas no processo de cria&ccedil;&atilde;o".</font></p>     <p><font size="3">Almuth Gr&eacute;sillon, no texto citado, deixa claro que a    reconstitui&ccedil;&atilde;o da g&ecirc;nese deve ser considerada um objeto    cient&iacute;fico. Apesar de reconhecer que um manuscrito pode at&eacute; encantar    pela sua beleza, o processo no qual ele est&aacute; inserido deve ser encarado    n&atilde;o como uma obra de arte, mas como um objeto intelectual.</font></p>     <p><font size="3">Para Cec&iacute;lia Salles, o manuscrito em si n&atilde;o &eacute;    portador de uma beleza particular, mas o pr&oacute;prio processo: "H&aacute;    mais beleza na seq&uuml;&ecirc;ncia de momentos hipot&eacute;ticos e s&oacute;    aparentemente definitivos do que em cada um desses instantes paralisados"    (7). </font></p>     <p><font size="3">Esta posi&ccedil;&atilde;o exime o geneticista de um grande    problema e ao mesmo tempo cria um outro. Por um lado, ela o protege de considerar    uma vers&atilde;o inicial de um romance como "uma obra de arte". Assim,    a cr&iacute;tica gen&eacute;tica aparentemente respeitaria as decis&otilde;es    "autorais" de publicar esta ou aquela vers&atilde;o e n&atilde;o cairia    no "erro" apontado muitas vezes de dar um valor est&eacute;tico &agrave;quilo    que o autor n&atilde;o assinaria. Por outro lado, essa posi&ccedil;&atilde;o    gera um grande impasse: se o processo n&atilde;o &eacute; dado, &eacute; constru&iacute;do    pelo geneticista, a sua beleza ent&atilde;o tamb&eacute;m ser&aacute; constru&iacute;da    pelo pesquisador. A teoria elaborada para proteger o autor &eacute;, na verdade,    um certeiro tiro nas suas costas. O pr&oacute;prio pesquisador torna-se o sujeito    e o objeto da cr&iacute;tica gen&eacute;tica (8). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">&Eacute; importante perceber que o objeto da cr&iacute;tica    gen&eacute;tica n&atilde;o &eacute; um texto, um material, mas um processo:    n&atilde;o aquele pelo qual o escritor passou, mas aquele que o pesquisador    construiu, a partir dos manuscritos que esse escritor deixou. Desta forma, os    geneticistas n&atilde;o fazem nada parecido com buscar a "senha" da    cria&ccedil;&atilde;o, nem t&ecirc;m o objetivo de recriar, passo a passo, o    caminho pelo qual o escritor passou na elabora&ccedil;&atilde;o de uma obra,    como muitos pensam.</font></p>     <p><font size="3"><b>CR&Iacute;TICA AO PROCESSO</b> Depois de quase quarenta anos    de exist&ecirc;ncia, os estudos gen&eacute;ticos passam por um momento de reformula&ccedil;&atilde;o.    Pesquisadores de outras &aacute;reas come&ccedil;aram a se questionar sobre    o sentido de estabelecer essas "constru&ccedil;&otilde;es" ou esses    "processos de cria&ccedil;&atilde;o", o que repercutiu no estudo dos    manuscritos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a13img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Um dos primeiros a se questionar sobre o sentido das cronologias    foi um dos &iacute;cones do estruturalismo, Michel Focault. Para ele, antes,    os pesquisadores procuravam primeiro estabelecer os movimentos (sociais, hist&oacute;ricos,    liter&aacute;rios) e depois ilustr&aacute;-los com documentos. Agora, os pesquisadores,    pelo contr&aacute;rio, partiriam do estudo dos documentos, procurariam a sua    estrutura, o seu funcionamento interno, para somente depois tentar entend&ecirc;-lo    dentro de um eixo processual. Aparentemente, esta seria a posi&ccedil;&atilde;o    da cr&iacute;tica gen&eacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao seu documento,    o manuscrito. No entanto, o caminho do documento ao processo apresentaria dificuldades:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="3">"Apareceram, no lugar dessa cronologia cont&iacute;nua      da raz&atilde;o, que faz&iacute;amos invariavelmente recuar at&eacute; &agrave;      inacess&iacute;vel origem, &agrave; sua abertura fundadora, s&eacute;ries      algumas vezes breves, diferentes umas das outras, rebeldes a uma lei &uacute;nica,      portadoras freq&uuml;entemente de um outro tipo de hist&oacute;ria particular,      e irredut&iacute;veis ao modelo geral de uma consci&ecirc;ncia que adquire,      progride e se lembra."(9)</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Todo o objetivo da cr&iacute;tica gen&eacute;tica &eacute; questionado    por esta &uacute;ltima afirma&ccedil;&atilde;o, que aponta para a impossibilidade    de estabelecer cronologias cont&iacute;nuas, que reconstituam um caminho desde    sua origem. O processo de cria&ccedil;&atilde;o poderia ser definido dessa maneira.</font></p>     <p><font size="3">Para o cr&iacute;tico antilhano &Eacute;douard Glissant, a necessidade    de criar "cronologias" &eacute; pr&oacute;pria de uma configura&ccedil;&atilde;o    europ&eacute;ia, que n&atilde;o corresponderia &agrave; forma de conhecimento    das culturas "mesti&ccedil;as" (como a da Martinica, sua ilha natal,    e, sem d&uacute;vida, tamb&eacute;m do Brasil). As culturas mesti&ccedil;as    veriam o mundo como di&aacute;logo, como rela&ccedil;&atilde;o entre culturas    e n&atilde;o como imposi&ccedil;&atilde;o de uma cultura. Por isso, as culturas    mesti&ccedil;as n&atilde;o teriam lendas relativas &agrave; g&ecirc;nese, &agrave;    origem, como as culturas europ&eacute;ias, mas ao choque com outros povos. Elas    n&atilde;o teriam a necessidade de uma explica&ccedil;&atilde;o da filia&ccedil;&atilde;o,    mas de uma teoria da rela&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Na cultura da rela&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o haveria busca    do tempo perdido. As po&eacute;ticas europ&eacute;ias caracterizar-se-iam, segundo    Glissant, pela busca da origem, do instante em que tudo come&ccedil;ou. Por    isso, existiria, na Europa, o conceito de inspira&ccedil;&atilde;o, de momento    privilegiado da cria&ccedil;&atilde;o em que tudo viria. Tudo estaria organizado    em rela&ccedil;&atilde;o a esse ponto inicial, em forma de "cronologia".    Tanto cr&iacute;ticos como escritores tentam discernir qual &eacute; a primeira    vers&atilde;o, qual &eacute; a segunda, e reconstituir assim a vis&atilde;o    do processo.</font></p>     <p><font size="3">Para Glissant, essa vis&atilde;o de mundo n&atilde;o seria poss&iacute;vel    nos pa&iacute;ses americanos, nos quais n&atilde;o h&aacute; uma linha cont&iacute;nua    na hist&oacute;ria. Os povos que aqui viviam foram dizimados, criando assim    uma rasura inicial, n&atilde;o um ponto inicial. Assim, nossa hist&oacute;ria    n&atilde;o pode ser entendida como sucess&atilde;o, mas como parada ou choque    nesta sucess&atilde;o: "Nossa consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica n&atilde;o    poderia ‘sedimentar’, se podemos assim dizer, de maneira progressiva e cont&iacute;nua,    como para os povos europeus, mas se agregaria sob os ausp&iacute;cios do choque,    da contra&ccedil;&atilde;o, da nega&ccedil;&atilde;o dolorosa e da explos&atilde;o"    (10).</font></p>     <p><font size="3">O que seria uma cr&iacute;tica gen&eacute;tica que n&atilde;o    se baseie no estabelecimento de cronologias nem na reconstitui&ccedil;&atilde;o    de um processo de cria&ccedil;&atilde;o? Essas propostas est&atilde;o come&ccedil;ando    a surgir agora e todas t&ecirc;m em comum a import&acirc;ncia do recorte. Mais    do que reconstruir o caminho de cria&ccedil;&atilde;o de uma obra, esses estudos    se centram, por exemplo, no uso de um determinado espa&ccedil;o (as cartas,    ou as margens), na elabora&ccedil;&atilde;o de uma personagem, no desenvolvimento    de um tema, ou de um aspecto narrativo (o papel do leitor, por exemplo). </font></p>     <p><font size="3">Dessa forma, agora convivemos com dois tipos de geneticistas,    aqueles ultra-especializados, que precisam do mais m&iacute;nimo documento para    estabelecer uma cronologia pr&oacute;xima da "real", e aqueles que    usam os documentos em prol de uma busca te&oacute;rica pr&oacute;pria, que n&atilde;o    se at&eacute;m &agrave; especialidade da obra de um determinado autor. Esses    novos pesquisadores arriscam-se inclusive a dizer que podem fazer cr&iacute;tica    gen&eacute;tica sem manuscritos, como explica Philippe Willemart:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="3">"<i>Grosso modo</i>, os geneticistas dividem-se em dois      grupos acerca do caminho a seguir em suas pesquisas. Alguns pretendem reconstituir      o percurso gen&eacute;tico do come&ccedil;o dos tra&ccedil;os ao texto publicado      e dever&atilde;o recorrer, em nosso caso, aos escritos precedentes, &agrave;      correspond&ecirc;ncia ou aos romances, &agrave;s poesias, &agrave;s pe&ccedil;as      de teatro, ou at&eacute; mesmo &agrave;s edi&ccedil;&otilde;es anteriores.      Outros, partindo do texto publicado, e pouco preocupados com uma cronologia      que n&atilde;o corresponde &agrave; realidade da cria&ccedil;&atilde;o, subentendem      que nossa mente trabalha como em um palco e n&atilde;o segundo o tempo do      calend&aacute;rio e se virar&atilde;o mais facilmente na dire&ccedil;&atilde;o      dos livros lidos, cadernos de trabalho ou anota&ccedil;&otilde;es que serviram      de base &agrave; escritura. Far&atilde;o ent&atilde;o pesquisas na biblioteca      do escritor se ela existe ou em arquivos digitalizados em computador, CD ou      disquete."(11) </font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><i><b>Claudia Amigo Pino</b> &eacute; docente de literatura    francesa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade    de S&atilde;o Paulo (USP). Atualmente dirige o grupo Cria&ccedil;&atilde;o e    Cr&iacute;tica e foi coordenadora do Grupo de Trabalho de Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica    da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em    Letras e Ling&uuml;&iacute;stica na gest&atilde;o 2004-2006.</i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">1. Dosse, Fran&ccedil;ois. <i>Hist&oacute;ria do estruturalismo.    2. O canto do cisne, de 1967 a nossos dias</i>. S&atilde;o Paulo: Ensaio/ Editora    da Unicamp, p. 411. 1994. A &uacute;ltima frase da cita&ccedil;&atilde;o &eacute;    extra&iacute;da de uma entrevista com Louis Hay, um dos fundadores da cr&iacute;tica    gen&eacute;tica.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">2. Salles, Cec&iacute;lia Almeida. <i>Cr&iacute;tica gen&eacute;tica.    Uma (nova) introdu&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Educ, 2000.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">3. Gr&eacute;sillon, Almuth. <i>&Eacute;l&eacute;ments de critique    g&eacute;n&eacute;tique</i>. Paris: PUF, p15. 1993. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">4. Salles, Cec&iacute;lia Almeida. <i>Op.cit</i>. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">5. Gr&eacute;sillon, Almuth. "M&eacute;thodes de lecture".    Em: <i>Les manuscrits des &eacute;crivains</i>. Paris: CNRS/Hachette, 1993.    P. 149.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">6. Salles, Cec&iacute;lia Almeida. <i>Gesto inacabado. Processo    de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume,    p 29. 1998.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">7. <i>Op. cit</i>. pp. 46-47.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">8. Em certa medida, tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel chegar    a essas conclus&otilde;es na cr&iacute;tica liter&aacute;ria. Afinal, se considerarmos    que a obra &eacute; o efeito que ela produz no leitor, como muitos j&aacute;    defenderam, estaremos tamb&eacute;m considerando o cr&iacute;tico como o sujeito    e o objeto da cr&iacute;tica liter&aacute;ria. Por&eacute;m essa posi&ccedil;&atilde;o    &eacute; assumida e o objeto de estudo passa a ser os dispositivos do texto    que produzem efeitos no leitor. Esse ainda n&atilde;o &eacute; o caso do estudo    dos manuscritos: os geneticistas ainda n&atilde;o se concentraram em estudar    os dispositivos do manuscrito que criam efeitos no leitor. Talvez para isso    fosse necess&aacute;ria uma postura muito mais radical em rela&ccedil;&atilde;o    ao valor est&eacute;tico dos manuscritos, que iria contra a valoriza&ccedil;&atilde;o    do autor e dos acervos que acompanha o desenvolvimento da cr&iacute;tica gen&eacute;tica.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">9. Foucault, Michel. <i>L’arch&eacute;ologie du savoir</i>.    Paris: Gallimard, p 16. 1969. Tradu&ccedil;&atilde;o e grifos nossos, assim    como os dos pr&oacute;ximos trechos citados. </FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">10. Glissant, &Eacute;douard. <i>Le discours antillais</i>.    Paris: Seuil, p 131. 1980. Tradu&ccedil;&atilde;o nossa.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">11. Willemart, Philippe. "A cr&iacute;tica gen&eacute;tica    diante do programa de reconhecimento vocal". Publicado em <i>Manuscr&iacute;tica.    Revista de cr&iacute;tica gen&eacute;tica</i>. Nº 12. Junho de 2004. pp. 38-39</FONT></p>      ]]></body>
</article>
