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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a13img01.gif"> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="5"><b>CR&Iacute;TICA DE PROCESSO – UM ESTUDO DE CASO </b></FONT></p>     <p><FONT size="3"><b>Cecilia Almeida Salles; Daniel Ribeiro Cardoso</b></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <font size=5><b>A</b></font> teoriza&ccedil;&atilde;o, que    a cr&iacute;tica de processo (1) oferece, auxilia a compreens&atilde;o os estudos    sobre a hist&oacute;ria das obras entregues ao p&uacute;blico. Ao mesmo tempo,    para uma discuss&atilde;o aprofundada de obras processuais, o cr&iacute;tico    necessita, como foi dito, de ferramentas que falem de movimento. Muitas dessas    obras se d&atilde;o no estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es, ou seja, na    rede em permanente constru&ccedil;&atilde;o que fala de um processo, n&atilde;o    mais particular e &iacute;ntimo. Cada vers&atilde;o da obra pode ser vista de    modo isolado, mas se assim for feito, perde-se algo que a natureza da obra exige.    S&atilde;o obras que nos colocam, de algum modo, diante da est&eacute;tica do    inacabado; nos incitam a seu melhor conhecimento e o conseq&uuml;ente acompanhamento    cr&iacute;tico dessas muta&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="3">Como fica claro, para se aproximar, de modo adequado, complexidade    dos v&iacute;nculos entre processo e obra, o cr&iacute;tico precisa de instrumentos    te&oacute;ricos que sejam capazes de discutir obras na complexidade das intera&ccedil;&otilde;es    em sua dinamicidade. Uma abordagem que compreenda a cria&ccedil;&atilde;o em    sua natureza de rede complexa de intera&ccedil;&otilde;es em permanente mobilidade.    Nesses casos, as leituras dos objetos est&aacute;ticos n&atilde;o s&atilde;o    totalmente satisfat&oacute;rias.</font></p>     <p><font size="3">Uma pergunta pode surgir diante do que est&aacute; sendo proposto.    </font></p>     <p><font size="3"><b>POR QUE ESTUDAR PROCESSO DE CRIA&Ccedil;&Atilde;O?</b> &Eacute;    importante contextualizar essa pergunta na perspectiva te&oacute;rica adotada.    Ao falarmos do processo de cria&ccedil;&atilde;o como um processo s&iacute;gnico    (em termos peirceanos) estamos falando do inacabamento intr&iacute;nseco a todos    os processos, em outras palavras, o inacabamento que olha para todos os objetos    de nosso interesse – seja uma fotografia, uma escultura ou um artigo cient&iacute;fico    – como uma poss&iacute;vel vers&atilde;o daquilo que pode vir a ser ainda modificado.    Tomando a continuidade do processo e a incompletude que lhe &eacute; inerente,    h&aacute; sempre uma diferen&ccedil;a entre aquilo que se concretiza e o projeto    do artista que est&aacute; por ser realizado. Sabe-se que onde h&aacute; qualquer    possibilidade de varia&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua, a precis&atilde;o absoluta    &eacute; imposs&iacute;vel. Nesse contexto, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel    falarmos do encontro de obras acabadas, completas, perfeitas ou ideais. A busca,    no fluxo da continuidade, &eacute; sempre incompleta e o pr&oacute;prio projeto    que envolve a produ&ccedil;&atilde;o das obras, em sua varia&ccedil;&atilde;o    cont&iacute;nua, muda ao longo do tempo. O que move essa busca talvez seja a    ilus&atilde;o do encontro da obra que satisfa&ccedil;a plenamente.</font></p>     <p><font size="3">Nesse contexto, n&atilde;o h&aacute; uma separa&ccedil;&atilde;o    entre processo e obra, a obra entregue ao p&uacute;blico &eacute; um momento    desse processo, que pode teoricamente ser modificada a qualquer momento. Ademais,    h&aacute; muitos artistas contempor&acirc;neos que prop&otilde;em transpor,    que incorporam e passam, principalmente atrav&eacute;s de obras elaboradas com    os meios digitais, a experi&ecirc;ncia vivenciada pelo artista durante o processo    de cria&ccedil;&atilde;o, ou seja, a experi&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o    como obra. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A exposi&ccedil;&atilde;o <i>Investiga&ccedil;&otilde;es: o    trabalho do artista</i> no <i>Ita&uacute; Cultural S&atilde;o Paulo</i>, ocorrida    durante o ano de 2000, lan&ccedil;ava luz sobre os modos e processos de cria&ccedil;&atilde;o    de v&aacute;rios artistas. Nessa exposi&ccedil;&atilde;o encontrava-se, em especial,    um trabalho que chamava a aten&ccedil;&atilde;o. Tratava-se de uma obra em hiperm&iacute;dia    – <i>ad finem</i> – elaborada por Carlos Fadon Vicente, que transpunha, que    trazia de algum modo a viv&ecirc;ncia do artista no processo, propunha ao <i>interactor</i>    a arte como experi&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a20img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Notava-se que com a produ&ccedil;&atilde;o cada vez mais freq&uuml;ente    de obras que lan&ccedil;am m&atilde;o dos recursos disponibilizados pelos novos    meios, quest&otilde;es emergiam &agrave; cr&iacute;tica gen&eacute;tica. Como    os artistas lidam com as possibilidades e recursos dos meios digitais? Existem    vest&iacute;gios de processo de forma&ccedil;&atilde;o da obra? Qual a natureza    e quantidade dos documentos de processo? Qual o caminho da cr&iacute;tica gen&eacute;tica?    Teorias e conceitos pareciam precisar de ajustes, assim como j&aacute; se percebia    a necessidade de se elaborar metodologias e ferramentas para o tratamento desses    novos tipos de documentos com os quais se iria deparar.</font></p>     <p><font size="3">Com essas quest&otilde;es que come&ccedil;avam a aparecer no    CECG-PUC/SP e instigados pelo trabalho de Fadon, desenvolveu-se durante os anos    de 2001 a 2003, a pesquisa <i>&#91;arte|comunica&ccedil;&atilde;o&#93;: processos de    cria&ccedil;&atilde;o com os meios digitais</i> (2), que se inseria nessa expans&atilde;o    proposta &agrave; cr&iacute;tica gen&eacute;tica. </font></p>     <p><font size="3">Seguindo a linha metodol&oacute;gica do grupo, procurava-se    por uma obra produzida com os meios digitais – problema que se apresentava ao    grupo – que pudesse ajustar, corrigir e for&ccedil;ar a forma&ccedil;&atilde;o    de uma abordagem adequada. Escolheu-se o processo de cria&ccedil;&atilde;o da    obra em hiperm&iacute;dia <i>ad finem</i>, iniciada por Carlos Fadon Vicente    no centro de estudos <i>CaiiA-STAR</i> - Reino Unido (3) e re-trabalhada para    exposi&ccedil;&atilde;o. O processo de elabora&ccedil;&atilde;o e a obra <i>ad    finem</i> fora selecionada como objeto de pesquisa, n&atilde;o s&oacute; pela    quantidade e diversidade dos vest&iacute;gios do processo que se apresentavam    – o que j&aacute; era uma resposta a algumas das quest&otilde;es – mas, principalmente,    pela continuidade e coer&ecirc;ncia com todo o projeto po&eacute;tico do artista.    </font></p>     <p><font size="3">Na etapa inicial da pesquisa construiu-se um quadro com a hist&oacute;ria    da produ&ccedil;&atilde;o do artista (4), uma abordagem cronol&oacute;gica das    exposi&ccedil;&otilde;es, dos projetos classificados por tipo de suporte adotado    e dura&ccedil;&atilde;o. Mostra-se, nessa constru&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica,    uma sobreposi&ccedil;&atilde;o de atividades. Muitos dos trabalhos s&atilde;o    desenvolvidos simultaneamente e j&aacute; naquele momento da an&aacute;lise    se p&ocirc;de come&ccedil;ar a perceber que havia uma contamina&ccedil;&atilde;o    entre os v&aacute;rios projetos do autor. Uma mistura de id&eacute;ias, de inquieta&ccedil;&otilde;es    e at&eacute; mesmo de pequenos resultados guardados, vest&iacute;gios ou mem&oacute;rias    das experi&ecirc;ncias anteriores. Numa outra etapa da pesquisa, ap&oacute;s    a coleta dos documentos de processo e sua organiza&ccedil;&atilde;o em um dossi&ecirc;,    passa-se a interrelacion&aacute;-los, buscando-se recompor o percurso de forma&ccedil;&atilde;o    da obra estudada. Aqui se teve o entendimento, que o trabalho apresentado em    2000 no <i>Ita&uacute; Cultural S&atilde;o Paulo</i>, tem sua g&ecirc;nese em    fragmentos e processos estabelecidos nos projetos anteriores. Ademais, com <i>ad    finem</i>, Fadon traz sua viv&ecirc;ncia no processo de gera&ccedil;&atilde;o    das imagens para o <i>interactor</i>, &eacute; como se este pudesse experienciar    o momento de forma&ccedil;&atilde;o da obra, e isto era o interesse da pesquisa,    o processo de forma&ccedil;&atilde;o das imagens.</font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o obstante &agrave;s d&uacute;vidas e quest&otilde;es    iniciais, a quantidade de registros encontrados, que se relacionavam de algum    modo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o da obra, f&ocirc;ra em tal volume e riqueza    de informa&ccedil;&atilde;o (5) que se fez necess&aacute;rio adequar os procedimentos    adotados pela cr&iacute;tica gen&eacute;tica at&eacute; ent&atilde;o. Estruturou-se    um banco de dados (6) para os mais de 1.100 registros, entrevistas e document&aacute;rios    ajuntados. Al&eacute;m de criar uma nova maneira de indexar e arquivar os documentos    de processo, o banco de dados – dossi&ecirc; eletr&ocirc;nico – mostrou-se tamb&eacute;m    uma ferramenta &uacute;til &agrave; reconstitui&ccedil;&atilde;o das conex&otilde;es    entre os elementos.</font></p>     <p><font size="3">Para an&aacute;lise gen&eacute;tica da obra <i>ad finem</i>    adotou-se a imagem fotogr&aacute;fica de base qu&iacute;mica – uma s&eacute;rie    de 12 fotogramas de 6x6 cent&iacute;metros cada – realizada em 1995 como o ponto    inicial do processo. A partir de 1.999, ap&oacute;s ter digitalizado a s&eacute;rie    completa dos fotogramas, Fadon inicia um conjunto de opera&ccedil;&otilde;es    e transforma&ccedil;&otilde;es: seleciona trechos, corta, rotaciona, e altera    aleatoriamente as cores. Desse processo duas imagens cont&iacute;guas na s&eacute;rie    total, uma com tr&ecirc;s flores e outra com o rel&oacute;gio de algibeira,    s&atilde;o escolhidas, separadas da s&eacute;rie total e arquivadas individualmente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Para pesquisa, ap&oacute;s a sele&ccedil;&atilde;o desses elementos    mais importantes na produ&ccedil;&atilde;o da obra, partiu-se para uma an&aacute;lise    da forma das imagens contidas nos fotogramas. Nesse momento, lan&ccedil;ou-se    m&atilde;o de conceitos da teoria geral de sistemas. Teoria esta apresentada    por Mario Bunge como uma poss&iacute;vel ontologia cient&iacute;fica que, por    ser geral e abrangente, busca caracter&iacute;sticas comuns nos sistemas, independentemente    de sua natureza. Configurou-se, no momento, uma cr&iacute;tica gen&eacute;tica    como uma cr&iacute;tica de processo, onde processo define-se como uma s&eacute;rie    de mudan&ccedil;as de estado (7) do sistema, estas legalmente conectadas. Ou    seja, nessa condi&ccedil;&atilde;o legal, se uma imagem – admitida como um sistema    coerentemente formado – encontra-se em um estado S1 e passa a S2 a S3 … Sn deve    existir uma lei, uma regra, um h&aacute;bito de forma&ccedil;&atilde;o. Procura-se,    ent&atilde;o, um modo de descrever essas mudan&ccedil;as e, atrav&eacute;s dessa    representa&ccedil;&atilde;o, &eacute; que se pretende chegar a conhecer as regras,    os h&aacute;bitos de forma&ccedil;&atilde;o da obra. Assim, fundamentados nos    &iacute;ndices do processo, procurou-se construir uma representa&ccedil;&atilde;o    que se aproximasse do pensamento constituidor do hiperm&iacute;dia <i>ad finem</i>.</font></p>     <p><font size="3">Voltando ao momento de produ&ccedil;&atilde;o (8) da obra, ap&oacute;s    a sele&ccedil;&atilde;o das duas imagens – flores e rel&oacute;gio – Fadon opera    transforma&ccedil;&otilde;es em uma delas. Apenas as flores continuaram a passar    por processos de transforma&ccedil;&otilde;es o que gerou, ao final, 17 imagens    fragmentadas, perfazendo um todo de 18 imagens, incluindo a imagem inicial.</font></p>     <p><font size="3">A partir destas 18 imagens e suas transforma&ccedil;&otilde;es,    foi constru&iacute;da uma s&eacute;rie temporal que representava a varia&ccedil;&atilde;o    do &iacute;ndice definido como coer&ecirc;ncia formal (9). Verificou-se, ap&oacute;s    tratamento das imagens, uma s&eacute;rie discreta de pontos que indicava a perda    da coer&ecirc;ncia – tendo como refer&ecirc;ncia a imagem inicial – uma tend&ecirc;ncia    que se estabeleceu durante o processo de cria&ccedil;&atilde;o. Um movimento    de desconstru&ccedil;&atilde;o, de desorganiza&ccedil;&atilde;o da forma inicial    das flores, mas dentro de limites admitidos pelo artista. Verifica-se, com mais    cuidado, que n&atilde;o se trata do autor propor uma desorganiza&ccedil;&atilde;o    total, de gera&ccedil;&atilde;o de ru&iacute;do puro, mas o que fora revelado    com a constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o de estado &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o    apenas de pequenas &aacute;reas ruidosas, de fato mostra-se a cria&ccedil;&atilde;o    de outras imagens que, se destacadas da s&eacute;rie, podem ser consideras bem    formadas. Por&eacute;m tendo como refer&ecirc;ncia a imagem inicial das flores    h&aacute; uma perda progressiva de organiza&ccedil;&atilde;o nas seis primeiras    intera&ccedil;&otilde;es e ap&oacute;s a s&eacute;tima o &iacute;ndice estabiliza    e passa por pequenas flutua&ccedil;&otilde;es de recupera&ccedil;&atilde;o e    perda da forma (10). &Eacute; como se o artista proporcionasse a acelera&ccedil;&atilde;o    de um operador de desorganiza&ccedil;&atilde;o, de entropia da imagem, mas que    ao atingir determinados limites voltasse a se reorganizar. Fadon prop&otilde;e    esse movimento de reorganiza&ccedil;&atilde;o em forma de hiperm&iacute;dia    para a exposi&ccedil;&atilde;o, ele prop&otilde;e a invers&atilde;o da ordem    de surgimento das imagens. Parte da mais ruidosa e recupera a coer&ecirc;ncia    formal das flores, sugerindo ao interactor experienciar o processo de forma&ccedil;&atilde;o    da imagem das flores e n&atilde;o o processo de desorganiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Como vemos, esse estudo, al&eacute;m de oferecer uma nova abordagem    para a obra de Fadon, agora sob a perspectiva de seu processo de produ&ccedil;&atilde;o,    proporcionou tamb&eacute;m uma resposta definitiva &agrave; sempre decretada    morte dos estudos gen&eacute;ticos no meio digital. Os documentos desse processo,    em vez de serem encontrados nas pastas de pl&aacute;stico ou papel&atilde;o,    foram coletados nos arquivos do computador do artista.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><i><b>Cecilia Almeida Salles</b> &eacute; professora titular    do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o    e Semi&oacute;tica da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o    Paulo (PUC/SP). Coordenadora o Centro de Estudos de Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica    da PUC/SP e pesquisadora do N&uacute;cleo de Apoio &agrave; Pesquisa em Cr&iacute;tica    Gen&eacute;tica da USP.    <br>   <b>Daniel Ribeiro Cardoso</b> &eacute; doutorando em comunica&ccedil;&atilde;o    e semi&oacute;tica pela PUC/SP. Pesquisador do Centro de Estudos de Cr&iacute;tica    Gen&eacute;tica da PUC/SP e do N&uacute;cleo de Apoio &agrave; Pesquisa em Cr&iacute;tica    Gen&eacute;tica da USP</i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">1. Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica como abordada pelo Centro    de Estudos de Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica da Pontif&iacute;cia Universidade    Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (CECG/SP).</font></p>     <p><font size="3">2. Cardoso, Daniel R. &#91;arte|comunica&ccedil;&atilde;o&#93; : processos    de cria&ccedil;&atilde;o com meios digitais. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado    in&eacute;dita. Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o    Paulo, 2003.</font></p>     <p><font size="3">3. CAiiA-STAR - Centre for Advanced Inquiry in the Interactive    Arts, University of Walles College, Newport &amp; Science, Technology and Art    Research Group, University of Plymouth.</font></p>     <p><font size="3">4. Cardoso, Daniel R. <i>op cit</i>. p 129. 2003. </font></p>     <p><font size="3">5. Ao nos depararmos com a quantidade e qualidade dos registros    disponibilizados, guardados como c&oacute;pias de seguran&ccedil;a do autor,    p&ocirc;de-se ter acesso a informa&ccedil;&otilde;es precisas tais como: data    de cria&ccedil;&atilde;o, data de modifica&ccedil;&atilde;o, dura&ccedil;&atilde;o    das opera&ccedil;&otilde;es etc. cf.,Cardoso, Daniel R. op cit. pp 90-91. 2003.</font></p>     <p><font size="3">6. Cardoso, Daniel R. <i>op cit</i>. Anexo III. 2003.</font></p>     <p><font size="3">7. Sistemas mudam de estado ao longo do tempo. Estas mudan&ccedil;as    s&atilde;o comunicadas ao ambiente o que define evento. Processos podem ser    entendidos como uma s&eacute;rie de eventos ao longo do tempo.</font></p>     <p><font size="3">8. Cardoso, Daniel R., <i>op cit</i>. p 91. 2003.</font></p>     <p><font size="3">9. Cardoso, Daniel R., <i>op cit</i>. pp 86 – 94. 2003.</font></p>     <p><font size="3">10. Cardoso, Daniel R., <i>op cit</i>. p 88. 2003.</font></p>     ]]></body>
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