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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a22img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">G<SMALL>LAUBER</small> R<SMALL>OCHA</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n1/lineblk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Uma c&acirc;mera na m&atilde;o e uma id&eacute;ia na cabe&ccedil;a!    Era s&oacute; isso mesmo?</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"> Em 1971, antes de embarcar para o ex&iacute;lio em Portugal,    Glauber Rocha entregou para a Cinemateca Brasileira, um arm&aacute;rio com gavetas    repletas de cartas, manuscritos, recortes de jornal e outros documentos pessoais.    Uma d&eacute;cada depois, Josette Monzanni descobriu que, desse arquivo pessoal    do cineasta, constavam tr&ecirc;s roteiros, at&eacute; ent&atilde;o totalmente    desconhecidos, do filme <i>Deus e o Diabo na Terra do Sol</i> (1964). Reunidos    com as duas primeiras vers&otilde;es (uma das quais publicada pela editora Civiliza&ccedil;&atilde;o    Brasileira em 1965), a s&eacute;rie de roteiros foi analisada pela professora    do Departamento de Artes e Comunica&ccedil;&atilde;o da UFSCar, no livro <i>G&ecirc;nese    de Deus e o Diabo na Terra do Sol</i> (Editora Annablume/ Fapesp, 2006).</font></P>     <p><font size="3">"Glauber trabalhou nesses roteiros entre 1959 e 1963, preocupado    com a cria&ccedil;&atilde;o de uma est&eacute;tica cinematogr&aacute;fica e    de uma mensagem pol&iacute;tica que fossem verdadeiramente revolucion&aacute;rias",    afirma Monzani. Ao analisar o processo de prepara&ccedil;&atilde;o dos roteiros,    o livro questiona o mito do improviso suscitado pela m&aacute;xima conhecida    do diretor – "uma c&acirc;mera na m&atilde;o e uma id&eacute;ia na cabe&ccedil;a"    – assim como a imagem de Glauber como um g&ecirc;nio meio maluco. Monzani lembra    que os roteiros refletem um processo minucioso de planejamento do filme pelo    cineasta, que realizou v&aacute;rias viagens pelo sert&atilde;o nordestino e    fez pesquisas rigorosas sobre o canga&ccedil;o. "Durante o per&iacute;odo    em que trabalhava nesses roteiros, Glauber dirigiu seus dois primeiros filmes    – <i>O p&aacute;tio e Barravento</i>. Essas experi&ecirc;ncias cinematogr&aacute;ficas    resultaram numa melhoria t&eacute;cnica dos roteiros de <i>Deus e o Diabo</i>",    explica a pesquisadora. Atrav&eacute;s dos roteiros foi poss&iacute;vel tamb&eacute;m    acompanhar a constru&ccedil;&atilde;o de cada personagem do filme. Foi assim    que Ant&ocirc;nio das Mortes, de simples tenente, foi se transformando na figura    emblem&aacute;tica do jagun&ccedil;o matador.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a22img02.gif"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i>G&ecirc;nese de Deus e o Diabo na Terra do Sol</i> &eacute;    fruto da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado de Monzani defendida, em 1992,    na PUC-SP, sob orienta&ccedil;&atilde;o de Arlindo Machado e Haroldo de Campos.    Monzani optou pela abordagem da cr&iacute;tica gen&eacute;tica. A pesquisadora    ressalta que, diferentemente da literatura (mais comumente abordada por essa    &aacute;rea de estudos), a linguagem cinematogr&aacute;fica exige, do pesquisador,    a considera&ccedil;&atilde;o de elementos como a constru&ccedil;&atilde;o de    planos-seq&uuml;&ecirc;ncia e a montagem do filme, previstos, como no caso de    Glauber Rocha, ainda no roteiro. "Por isso, mantive a parte metodol&oacute;gica    da disserta&ccedil;&atilde;o bastante expl&iacute;cita no livro: para que ele    tamb&eacute;m seja utilizado como um manual por aqueles que quiserem trabalhar    na &aacute;rea de cr&iacute;tica gen&eacute;tica de roteiros cinematogr&aacute;ficos",    explica a autora. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i>Carolina Cantarino</i></font></P>      ]]></body>
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