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</front><body><![CDATA[ <p><FONT size="4"><b>BIBLIOTECA ELETR&Ocirc;NICA</b></FONT></p>     <p><font size="4"> <b>R<SMALL>OYAL</small> S<SMALL>OCIETY DISPONIBILIZA SEU ACERVO    NA INTERNET</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A Royal Society, uma das mais respeitadas institui&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas do mundo, tornou dispon&iacute;vel seu acervo eletr&ocirc;nico.    N&atilde;o chega a ser a m&iacute;tica Biblioteca de Alexandria, no Egito, que    reuniu o maior acervo cultural e cient&iacute;fico da Antig&uuml;idade (entre    400 e 700 mil rolos de papiro), mas o tamanho do arquivo em artigos, por exemplo,    &eacute; invej&aacute;vel: mais de 60 mil, desde o ano de 1665. Al&eacute;m    dos pesquisadores em ci&ecirc;ncias naturais, a cole&ccedil;&atilde;o deve interessar    a historiadores, fil&oacute;sofos e soci&oacute;logos da ci&ecirc;ncia. E tamb&eacute;m    aos meramente curiosos.</font></p>     <p><font size="3">Mais que um retrato hist&oacute;rico de mais de 300 anos, os    arquivos comp&otilde;em um filme, contando grande parte da hist&oacute;ria da    filosofia natural, em reforma a partir do s&eacute;culo XVI, e da ci&ecirc;ncia,    da qual apresenta trabalhos seminais. A lista inclui preciosidades como: as    primeiras observa&ccedil;&otilde;es de organismos sob os rec&eacute;m-inventados    microsc&oacute;pios; a descoberta de diversos planetas e luas do sistema solar    (Marte, Urano, Oberon); os <i>papers</i> de Isaac Newton, inclusive o primeiro    – "Nova teoria sobre luz e cores"– publicado em 1672, ano em que se    tornou membro da Royal Society e descreveu tamb&eacute;m o projeto do telesc&oacute;pio    refletor; a s&eacute;rie de experimentos com eletricidade de Michael Faraday,    no s&eacute;culo XIX; trabalhos de Charles Darwin; e a teoria da relatividade    einsteiniana, entre tantos outros marcos cient&iacute;ficos.</font></p>     <p><font size="3">A primeira edi&ccedil;&atilde;o da <i>Philosophical Transactions</i>    foi publicada em mar&ccedil;o de 1665, apresentando a correspond&ecirc;ncia    do fil&oacute;sofo natural e diplomata Henry Oldenburg, o primeiro secret&aacute;rio-adjunto    da sociedade, com os principais cientistas europeus. Oldenburg foi o primeiro    editor da revista. Na carta-dedicat&oacute;ria, al&eacute;m das devidas defer&ecirc;ncias    &agrave; realeza de um "obediente e humilde servo" e a Deus, ele exalta    o potencial da ci&ecirc;ncia (bem como dos cientistas), sobretudo a local, e    se prop&otilde;e a disseminar "encorajamentos, investiga&ccedil;&otilde;es,    dire&ccedil;&otilde;es e padr&otilde;es que dever&atilde;o animar audi&ecirc;ncias    universais". </font></p>     <p><font size="3"><b>ORIGEM NO DEBATE</b> Portanto, com a abertura de seus arquivos    em 2006 a Royal Society apenas estende e aprofunda a miss&atilde;o baconiana    a que sua primeira publica&ccedil;&atilde;o se dedicou desde o in&iacute;cio:    ao relatar os estudos e trabalhos do engenho humano "em muitas partes consider&aacute;veis    do mundo" e, com isso, expandir o alcance dos princ&iacute;pios racionais    e da "civiliza&ccedil;&atilde;o". Fundada oficialmente em 28 de novembro    de 1660, a entidade nasceu a partir de encontros de fil&oacute;sofos naturais    que, na d&eacute;cada de 1640, se dedicavam a discutir as id&eacute;ias de Francis    Bacon. A id&eacute;ia era promover reuni&otilde;es semanais para acompanhar    experimentos – cuja curadoria coube inicialmente a Robert Boyle – e discutir    o que hoje se denominariam "t&oacute;picos cient&iacute;ficos".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n1/a25img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em 1624, Bacon havia publicado <i>A nova Atl&acirc;ntida</i>,    esp&eacute;cie de utopia em que o governo da ilha fict&iacute;cia de Bensalem    cabia aos s&aacute;bios (meio sacerdotes, meio cientistas), que compunham a    "Casa de Salom&atilde;o". Estava posto o projeto de dom&iacute;nio    total da natureza, num programa de pesquisas extremamente atual: prolongar a    vida, devolver a juventude, mitigar a dor, curar doen&ccedil;as incur&aacute;veis,    criar instrumentos de destrui&ccedil;&atilde;o (armas, veneno), acelerar a germina&ccedil;&atilde;o,    fabricar "compostos ricos" para a terra, produzir alimentos novos,    fabricar novos fios e novos materiais, criar ilus&otilde;es e maiores prazeres    para os sentidos. Bacon defendia que conhecimento era poder, e n&atilde;o somente    "argumento ou ornamento". Divorciada da ci&ecirc;ncia e da filosofia,    a pol&iacute;tica poderia se tornar destrutiva e n&atilde;o construtiva. Para    tanto, fazia-se necess&aacute;rio organizar a pr&oacute;pria pesquisa, estimular    a comunica&ccedil;&atilde;o e o interc&acirc;mbio dos pesquisadores em atividade    e fornecer patroc&iacute;nio real ao avan&ccedil;o de id&eacute;ias e experimentos.    A Coroa brit&acirc;nica ouviu seus conselhos.</font></p>     <p><font size="3"><b>O FAZER CIENT&Iacute;FICO</b> Pode-se notar como era artesanal    o modo de fazer o que viria a ser a ci&ecirc;ncia. Os trabalhos eram, em geral,    de um &uacute;nico autor, periodicidade bastante irregular, e os relatos tinham    tom pessoal. Todas as disciplinas cabiam numa &uacute;nica revista. N&atilde;o    havia separa&ccedil;&atilde;o entre amadores e profissionais: cientistas eram    diletantes, exc&ecirc;ntricos, cavalheiros, te&oacute;logos. A escala da atividade    cient&iacute;fica era pequena, as oportunidades de emprego eram raras. Se uma    descoberta ou inven&ccedil;&atilde;o se mostrava &uacute;til, isso n&atilde;o    era parte de um esfor&ccedil;o sistem&aacute;tico para obter inova&ccedil;&otilde;es    t&eacute;cnicas e muitas vezes nem se dava de forma intencional. </font></p>     <p><font size="3">Foi somente no s&eacute;culo XIX que a atividade de pesquisa    cient&iacute;fica se profissionalizou e passou a integrar, como capital, o sistema    de produ&ccedil;&atilde;o, conquistando espa&ccedil;o crescente nas universidades,    ind&uacute;strias e governos. Petr&oacute;leo, eletricidade, a&ccedil;o e motor    de explos&atilde;o, setores industriais nos quais a pesquisa de cunho mais te&oacute;rico    se mostrou de grande utilidade, abriram os olhos da classe capitalista. Em especial,    aos das empresas gigantes que surgiam, frutos da concentra&ccedil;&atilde;o    de capital, n&atilde;o escaparia a percep&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia    da pesquisa como meio de estimular ainda mais a acumula&ccedil;&atilde;o de    capital.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Fl&aacute;via Nat&eacute;rcia</i> </font></p>      ]]></body>
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