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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">TERCEIRO SETOR</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03img02.gif"></P>     <P><font size="4"><b>ONGs enfrentam desafios e ocupam espa&ccedil;o da a&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A causa &eacute; nobre, mas boas inten&ccedil;&otilde;es n&atilde;o    s&atilde;o suficientes para se criar uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    governamental capaz de produzir benef&iacute;cios sociais efetivos e de forma    sustent&aacute;vel. A situa&ccedil;&atilde;o atual das ONGs, como s&atilde;o    chamadas essas organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos, inclui dificuldades    de v&aacute;rias ordens, como identificar fontes de financiamento, elaborar    propostas consistentes, captar recursos e gerir as organiza&ccedil;&otilde;es    e seus projetos. Elas enfrentam cr&iacute;ticas sobre o papel que ocupam na    economia e na sociedade, sua rela&ccedil;&atilde;o com o governo e as empresas,    seu raio de atua&ccedil;&atilde;o – isso sem mencionar a quest&atilde;o de apropria&ccedil;&atilde;o    indevida das rela&ccedil;&otilde;es institucionais e dos recursos. "&Eacute;    preciso avaliar com cuidado as quest&otilde;es envolvendo ONGs, pois esse universo    &eacute; bastante diverso e complexo", considera Hebe Signorini, pesquisadora    do N&uacute;cleo Interdisciplinar de Pesquisa e Interc&acirc;mbio para a Inf&acirc;ncia    e Adolesc&ecirc;ncia Contempor&acirc;neas (Nipiac), do Departamento de Psicologia    da Universidade Federal do Rio de Janeiro.</font></P>     <p><font size="3">O conjunto de institui&ccedil;&otilde;es identificadas como    ONGs abarca desde santas casas at&eacute; funda&ccedil;&otilde;es que ap&oacute;iam    causas de naturezas diversas (meio-ambiente, cultura, profissionaliza&ccedil;&atilde;o    etc) e atingem p&uacute;blicos variados (como crian&ccedil;as, adolescentes    em situa&ccedil;&atilde;o de risco, pacientes de doen&ccedil;as incur&aacute;veis    ou idosos). Muitas vezes, situam-se no limiar de a&ccedil;&otilde;es caracter&iacute;sticas    de voluntariado ou, mais profissionais, cumprem papel fundamental em &aacute;reas    n&atilde;o alcan&ccedil;adas por uma institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.    Acabam por representar uma op&ccedil;&atilde;o de emprego para muitos pesquisadores    que n&atilde;o conseguem ser absorvidos pelo mercado de trabalho formal.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03fig01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Apesar das dificuldades de mensura&ccedil;&atilde;o de estat&iacute;sticas    sobre tais organiza&ccedil;&otilde;es, estima-se que o n&uacute;mero de ONGs    oficialmente cadastradas no Brasil esteja pr&oacute;ximo de 280 mil, segundo    dados de 2002, publicados em 2004, na pesquisa mais recente sobre o assunto.    Sabe-se, por&eacute;m, que esse valor representa pouco mais da metade do total    das entidades sem fins lucrativos registradas no Cadastro Central de Empresas    (Cempre). A pesquisa revelou tamb&eacute;m que 62% das funda&ccedil;&otilde;es    privadas e associa&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos existentes atualmente    foram criadas a partir dos anos 1990, com destaque para a regi&atilde;o Sudeste.    </font></P>     <p><font size="3">Ao mesmo tempo em que o n&uacute;mero de ONGs cresce de forma    acelerada, a taxa de mortalidade dessas institui&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m    &eacute; elevada, da ordem de 70% no primeiro ano de cria&ccedil;&atilde;o,    segundo especialistas. No total de ONGs apuradas, h&aacute; ainda uma parcela    consider&aacute;vel de institui&ccedil;&otilde;es que constam dos registros,    mas j&aacute; n&atilde;o operam mais: n&atilde;o fecharam oficialmente, sobretudo    em virtude dos custos envolvidos no processo.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03fig02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"> O que explica esse fen&ocirc;meno? Para Michel Freller, presidente    da empresa Criando, consultoria especializada em terceiro setor, "a maioria    das ONGs trabalha de forma muito amadora. Mesmo sem visar lucros, devem aprender    a atuar como uma empresa", considera.</font></P>     <p><font size="3">Alexandre de Almeida, diretor executivo da ONG Griots, de contadores    de hist&oacute;rias para crian&ccedil;as hospitalizadas, situada em Campinas    (SP), concorda. "N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel realizar um trabalho    consistente se as atividades forem realizadas por pessoas de boa vontade, mas    sem qualifica&ccedil;&atilde;o. Mas nossos contadores s&atilde;o volunt&aacute;rios    devido a dois fatores: a vontade de doar o tempo pela causa da dor infantil    e a dedica&ccedil;&atilde;o, de em m&eacute;dia uma hora semanal, que os permite    permanecer em suas profiss&otilde;es", diz Almeida. </font></P>     <p><font size="3">J&aacute; os palha&ccedil;os da ONG Doutores da Alegria que,    com apresenta&ccedil;&otilde;es circenses, leva divers&atilde;o e mensagens    positivas a crian&ccedil;as hospitalizadas das cidades de S&atilde;o Paulo,    Rio de Janeiro e Recife, s&atilde;o profissionais de artes c&ecirc;nicas e devem    se dedicar, no m&iacute;nimo, 18 horas semanais para as visitas e a cria&ccedil;&atilde;o    do repert&oacute;rio art&iacute;stico, por um per&iacute;odo de um ano, que    pode se renovar no ano seguinte. Os profissionais dessa ONG t&ecirc;m diferentes    perfis: jovens que optaram por trabalhar com ela desde a formatura, artistas    que se tornaram gestores, profissionais que fizeram a transi&ccedil;&atilde;o    de empresas para terceiro setor, al&eacute;m de estagi&aacute;rios. "Trabalhar    em ONGs tornou-se uma alternativa de emprego para muitas pessoas", afirma    Wellington Nogueira, coordenador geral da Doutores da Alegria. Ele defende a    profissionaliza&ccedil;&atilde;o at&eacute; como forma de efetivamente legitimar    a organiza&ccedil;&atilde;o pela qualidade do trabalho, tornando-a uma op&ccedil;&atilde;o    interessante de investimento social. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Para Nogueira, ONGs bem administradas t&ecirc;m mais chances    de criar novas formas de gest&atilde;o e gera&ccedil;&atilde;o de renda, com    propostas de novos modelos econ&ocirc;micos, atrelados ao desenvolvimento humano.    "O desafio &eacute; que podemos fazer o novo ao inv&eacute;s de copiar    o passado. E, nesse processo, rever legisla&ccedil;&otilde;es e tornar as ONGs    cada vez mais atraentes para o mercado de trabalho, fomentando sustentabilidade"    acrescenta .</font></P>     <p><font size="3">Para Christina Moreira, coordenadora de projetos da Sociedade    Viva Cazuza, "as ONGs ainda n&atilde;o podem ser consideradas uma alternativa    de emprego, porque a maioria delas n&atilde;o tem verba para contratar funcion&aacute;rios".    Segundo Christina, o perfil de quem trabalha em ONGs da &aacute;rea de sa&uacute;de    &eacute; o de pessoas afetadas e/ou infectadas por alguma doen&ccedil;a. "Costumo    dizer que as pessoas que trabalham na Sociedade Viva Cazuza, apesar de n&atilde;o    serem portadoras do HIV, s&atilde;o aquelas que foram sensibilizadas pelo v&iacute;rus,    que compraram essa briga".</font></P>     <p><font size="3"><b>CAPTAR RECURSOS</b> Um dos maiores problemas enfrentados    pelas ONGs &eacute; a sustentabilidade. Em encontro realizado em Campinas para    debater essa quest&atilde;o, Jorge Gonzaga de Oliveira, da ONG Aheda, disse    que "as dificuldades para captar recursos est&atilde;o maiores: &eacute;    preciso aprender a elaborar bons projetos e parcerias, conhecer os incentivos    fiscais e empresas interessadas em financiar projetos sociais".</font></P>     <p><font size="3">L&iacute;lian Perez, conselheira fiscal do Instituto para o    Desenvolvimento do Empreendimento Social Sustent&aacute;vel (DESS), aponta que    a maior dificuldade das organiza&ccedil;&otilde;es &eacute; obter recursos para    projetos de longo prazo. Localizado em Santa B&aacute;rbara d’Oeste (SP), o    DESS &eacute; uma ONG facilitadora, que ap&oacute;ia comunidades no uso eficaz    dos recursos locais, por meio de maior integra&ccedil;&atilde;o com financiadoras    da regi&atilde;o.Elaborar projetos exige clareza nos objetivos, atividades e    m&eacute;todos de trabalho. Para isso, surgiram empresas privadas especializadas    em elaborar e encaminhamar projetos, informa Ana Carolina de Oliveira Zanoti,    especialista em projetos da Criando.</font></P>     <p><font size="3">Para ONGs nascentes, a dificuldade &eacute; maior: precisam    se tornar conhecidas para conseguir financiar seus projetos. Para isso existe    uma categoria de capital conhecida por <i>seed money</i> (capital semente).    Trata-se de recursos obtidos junto a simpatizantes pr&oacute;ximos do n&uacute;cleo    gestor. H&aacute; tamb&eacute;m iniciativas como a da ONG Ashoka, que ap&oacute;ia    empreendedores sociais do mundo todo. Ap&oacute;s a sele&ccedil;&atilde;o dos    grupos, a organiza&ccedil;&atilde;o d&aacute; uma bolsa mensal por tr&ecirc;s    anos para que se dediquem aos projetos.</font></P>     <p><font size="3"><b>PAPEL SOCIAL</b> Nem governo, nem setor privado, o terceiro    setor surgiu num momento em que o Estado perdia poder em nome da regula&ccedil;&atilde;o    do mercado apoiada pelo liberalismo. Mas ser&aacute; que esse novo setor, que    muitas vezes assume as fun&ccedil;&otilde;es que o Estado deixou de realizar,    tem raz&atilde;o de existir? Para a pesquisadora Hebe, a quest&atilde;o &eacute;    qual o papel das ONGs na sociedade. "N&atilde;o sou contra essas entidades,    mas sim contra a forma de atua&ccedil;&atilde;o de grande parte delas no mundo    e no Brasil, atualmente". A pesquisadora afirma que muitas ONGs migraram    para o papel de executoras de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, o que &eacute;    compet&ecirc;ncia do Estado. "Estudos recentes demonstram que a execu&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas por ONGs &eacute; ineficiente por ser muito    mais custosa em termos de m&atilde;o-de-obra", diz. Hebe lembra que h&aacute;    ONGs cumprindo fun&ccedil;&otilde;es governamentais determinadas pela Constitui&ccedil;&atilde;o,    como as que prestam servi&ccedil;os de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; testemunha.    "Isso &eacute; atribui&ccedil;&atilde;o do Estado. Realizar esse trabalho    &eacute; inconstitucional", afirma a pesquisadora.</font></P>     <p><font size="3">Para ela, h&aacute; espa&ccedil;o para que atuem, por exemplo,    na reivindica&ccedil;&atilde;o de direitos e na sistematiza&ccedil;&atilde;o    de den&uacute;ncias contra abusos, exclus&otilde;es e desrespeito aos cidad&atilde;os.    O outro &eacute; atuar em projetos experimentais que, se bem sucedidos, podem    ser adotados como pol&iacute;tica p&uacute;blica. "&Eacute; preciso cuidado,    por&eacute;m, em evitar interfer&ecirc;ncias que a depend&ecirc;ncia financeira    implica no papel reivindicat&oacute;rio dessas organiza&ccedil;&otilde;es",    alerta.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Fl&aacute;via Gouveia</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03fig03.gif" border="0" usemap="#Map"> <map name="Map">     <area shape="rect" coords="6,103,115,124" href="http://www.abong.org.br" target="_blank">     <area shape="rect" coords="42,148,220,166" href="http://www.ibtsonline.org/index2.php" target="_blank">     <area shape="rect" coords="43,190,137,208" href="http://www.rits.org.br" target="_blank">     <area shape="rect" coords="102,213,200,231" href="http://www.dess.org.br" target="_blank">   </map></P>      ]]></body>
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