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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">EDUCA&Ccedil;&Atilde;O</font></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03img02.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Racismo influencia desempenho escolar</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">As escolas brasileiras n&atilde;o est&atilde;o atentas para    as pr&aacute;ticas sutis de racismo existentes entre alunos e professores, prejudicando,    assim, a mobilidade educacional e social de crian&ccedil;as e jovens negros.    Esse &eacute; o principal argumento da pesquisa "Rela&ccedil;&otilde;es    raciais na escola: reprodu&ccedil;&atilde;o de desigualdades em nome da igualdade",    resultado de um conv&ecirc;nio entre o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais    An&iacute;sio Teixeira (Inep), &oacute;rg&atilde;o do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o,    e a Unesco. Coordenado pelas soci&oacute;logas Mary Garcia Castro e Miriam Abramovay,    a pesquisa combina t&eacute;cnicas qualitativas – como entrevistas, grupos focais    e observa&ccedil;&otilde;es em sala de aula – com an&aacute;lises quantitativas    tais como os dados do Sistema Nacional de Avalia&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o    B&aacute;sica (Saeb). Realizado nas cidades de Bel&eacute;m, Salvador, S&atilde;o    Paulo, Porto Alegre e no Distrito Federal, o estudo &eacute; abrangente e focaliza    crian&ccedil;as, alunos das &uacute;ltimas s&eacute;ries do ensino fundamental    e do ensino m&eacute;dio, assim como pais, professores, diretores e funcion&aacute;rios    de 25 escolas particulares e p&uacute;blicas.</font></P>     <p><font size="3">Existe um desempenho escolar desigual entre alunos brancos e    negros, que &eacute; maior entre ricos do que entre pobres, aponta a pesquisa.    Sendo assim, mais do que &agrave;s diferen&ccedil;as socioecon&ocirc;micas,    o baixo desempenho dos alunos negros se deve &agrave;s pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias    na escola, muitas vezes veladas. Essas conclus&otilde;es foram obtidas a partir    da an&aacute;lise das provas do Saeb de 2003 aplicadas, pelo Minist&eacute;rio    da Educa&ccedil;&atilde;o, junto aos alunos da 4ª e 8ª s&eacute;rie do ensino    fundamental e da 3ª s&eacute;rie do ensino m&eacute;dio.</font></P>     <p><font size="3"><b>FATOR SOCIAL</b> Nos estratos sociais mais altos, os &iacute;ndices    de desempenho dos alunos s&atilde;o menos cr&iacute;ticos, o que refor&ccedil;aria    a tese de que aqueles que possuem um desempenho escolar mais baixo s&atilde;o    os alunos mais pobres. Mas quando se cruzam os dados socioecon&ocirc;micos com    a vari&aacute;vel ra&ccedil;a/cor dos alunos, a conclus&atilde;o &eacute; que    "a pobreza iguala por baixo", ou seja, brancos e negros possuem as    notas mais baixas, estando mais pr&oacute;ximos. J&aacute; os alunos brancos    e negros de estrato socioecon&ocirc;mico superior, ainda que apresentem as notas    mais altas, se distanciam mais entre si: os alunos negros apresentam notas bem    mais baixas do que os alunos brancos da mesma classe social.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os dados do Saeb foram comparados com as percep&ccedil;&otilde;es    de pais, professores, diretores e alunos. Segundo as pesquisadoras, adveio da&iacute;    uma surpresa: a maioria dos entrevistados tende a negar que h&aacute; diferen&ccedil;as    no desempenho escolar entre alunos brancos e negros. Para as pesquisadoras,    essa nega&ccedil;&atilde;o est&aacute; relacionada a uma "ideologia da    igualdade na escola" que a exime de responsabilidade sobre as diferen&ccedil;as    de desempenho escolar, atribuindo-as ao empenho pessoal dos pr&oacute;prios    alunos, ou &agrave;s suas fam&iacute;lias. </font></P>     <p><font size="3">Nesse sentido, professores, pais e alunos tendem a negar que    existam pr&aacute;ticas racistas nas escolas. Xingamentos e apelidos de cunho    racista s&atilde;o justificados como "brincadeiras". Professores silenciam    e se omitem, preferindo n&atilde;o tratar do assunto em sala de aula para "n&atilde;o    levantar o problema" ou mesmo deixando de intervir nos casos de discrimina&ccedil;&atilde;o    racial. "Todos tendem a se declarar contra racismo, o que de alguma forma    colabora para que n&atilde;o se discutam formas de identificar sutis discrimina&ccedil;&otilde;es,    ou a reconhecer que os apelidos de teor racista, mesmo que aceitos pelos vitimizados,    doem e causam sequelas identit&aacute;rias", diz a pesquisa.</font></P>     <p><font size="3">A quest&atilde;o racial tende, assim, a ser tratada pelas escolas    de modo circunstancial – como o Dia da Consci&ecirc;ncia Negra. Para as autoras,    &eacute; fundamental instituir-se novas pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas,    que contemplem as rela&ccedil;&otilde;es entre todos os alunos, brancos e negros,    no ambiente escolar.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Carolina Cantarino</i></FONT></P>      ]]></body>
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