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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sir Ghillean Prance: 45 anos de estudos da flora amazônica]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">BOT&Acirc;NICA</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a03img02.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Sir Ghillean Prance: 45 anos de estudos da flora amaz&ocirc;nica    </b> </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Uma seq&uuml;&ecirc;ncia de slides mostra tabeluias, sapopevas,    sapucaias, vit&oacute;rias-r&eacute;gias, entre outras infinidades de esp&eacute;cies    de uma flora exuberante. Exibe, ainda, morcegos, besouros e as intera&ccedil;&otilde;es    vitais que se estabelecem entre os animais polinizadores e as plantas amaz&ocirc;nicas.    Espera-se uma exposi&ccedil;&atilde;o com este perfil de um pesquisador brasileiro,    totalmente adaptado e a quem este ambiente tropical &eacute; totalmente familiar.    Mas a plat&eacute;ia presente em novembro passado, em uma das salas da Universidade    Federal de S&atilde;o Carlos (Ufscar), ouvia atenta a um cavalheiro ingl&ecirc;s:    Sir Ghillean Prance &eacute; um senhor j&aacute; grisalho que fala com desenvoltura    e conhecimento da biodiversidade amaz&ocirc;nica.</font></P>     <p><font size="3">Esse bot&acirc;nico ingl&ecirc;s foi condecorado pela rainha    Elisabeth como cavalheiro do Reino Brit&acirc;nico, em 1995, por servi&ccedil;os    prestados &agrave;s ci&ecirc;ncias naturais; dirigiu o Jardim Bot&acirc;nico    Real de Kew e foi um dos idealizadores e diretores do Projeto &Eacute;den, uma    floresta artificial inglesa que recebe 1 milh&atilde;o de visitantes por ano.    </font></P>     <p><font size="3">O reconhecimento de seu trabalho em territ&oacute;rio brit&acirc;nico,    por&eacute;m, n&atilde;o impediu que o tema predileto de Sir Ghillean seja a    floresta amaz&ocirc;nica. Em sua palestra no interior paulista, ele exp&ocirc;s    alguns de seus estudos ecol&oacute;gicos e taxion&ocirc;micos realizados em    45 anos de pesquisas sobre a Amaz&ocirc;nia. Sua preocupa&ccedil;&atilde;o esteve    sempre relacionada n&atilde;o apenas &agrave; descoberta e classifica&ccedil;&atilde;o    das planta mas, principalmente, em demonstrar a intera&ccedil;&atilde;o entre    animais/plantas para manter a biodiversidade.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Seus estudos sobre a vegeta&ccedil;&atilde;o amaz&ocirc;nica    e a etnobot&acirc;nica ind&iacute;gena pretendem, principalmente, mostrar, por    meio da intera&ccedil;&atilde;o entre plantas e animais e dos ind&iacute;genas    com a floresta, a import&acirc;ncia da conserva&ccedil;&atilde;o desse ambiente    como um todo. O projeto Flora Amaz&ocirc;nica, idealizado por ele, j&aacute;    catalogou mais de 60 mil amostras de vegetais. Durante os quase nove anos no    Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa), o bot&acirc;nico foi    um dos respons&aacute;veis pela implementa&ccedil;&atilde;o de cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    na beira da selva, em Manaus. </font></P>     <p><font size="3"><b>FITOTER&Aacute;PICOS E IND&Iacute;GENAS</b> Em seus estudos    etnobot&acirc;nicos com &iacute;ndios yanomamis brasileiros p&ocirc;de classificar    36 esp&eacute;cies de fungos comest&iacute;veis e estudou o cultivo secund&aacute;rio    desses fungos no tronco dos ro&ccedil;ados ind&iacute;genas. Outros estudos    coordenados por ele na tribo boliviana chacob&oacute; mostraram que 95% das    &aacute;rvores da floresta, pr&oacute;xima a essa popula&ccedil;&atilde;o, tinham    algum tipo de uso e 75% de outras esp&eacute;cies vegetais tamb&eacute;m eram    aproveitadas. Em pesquisas realizadas com &iacute;ndios guaranis brasileiros    sobre categorias de uso de recursos medicinais, a equipe do bot&acirc;nico ingl&ecirc;s    conseguiu catalogar 94 esp&eacute;cies de plantas medicinais existentes em apenas    um hectare. Para o pesquisador, a rela&ccedil;&atilde;o dos ind&iacute;genas    com a floresta tem sido sustent&aacute;vel e comprova que "onde existe    reservas ind&iacute;genas a floresta &eacute; mais preservada".</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a07fig01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Ghillean discordou da previs&atilde;o, apontada em diversas    pesquisas, de que o etnoconhecimento tende a ser perdido. Em sua opini&atilde;o,    essa tend&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser tomada como irrevers&iacute;vel j&aacute;    que tamb&eacute;m est&atilde;o em andamento alguns programas de educa&ccedil;&atilde;o    ind&iacute;gena para resgate de tal conhecimento. "Pesquisas mostram que,    em algumas tribos, uma gera&ccedil;&atilde;o de filhos tinham perdido o etnoconhecimento,    mas que os netos t&ecirc;m recuperado o conhecimento dos av&oacute;s".    </font></P>     <p><font size="3"><b>AVAN&Ccedil;O DA SOJA</b> Com todo esse tempo de trabalho    na regi&atilde;o, o pesquisador p&ocirc;de acompanhar o processo de destrui&ccedil;&atilde;o    da biodiversidade da floresta. Sua preocupa&ccedil;&atilde;o est&aacute; no    plantio de soja, principalmente na regi&atilde;o de Santar&eacute;m, onde esse    tipo de cultura j&aacute; representa s&eacute;ria amea&ccedil;a. Ele alerta    que tal explora&ccedil;&atilde;o na Amaz&ocirc;nia, al&eacute;m de destruir    o potencial incalcul&aacute;vel da sua biodiversidade, &eacute; ainda mais dram&aacute;tica:    devido &agrave;s caracter&iacute;sticas de composi&ccedil;&atilde;o do solo    amaz&ocirc;nico, a soja n&atilde;o poderia ser plantada na regi&atilde;o por    mais de 4 anos. Por&eacute;m, quem tem investido no plantio de soja na regi&atilde;o    s&oacute; visa o lucro imediato e n&atilde;o est&aacute; preocupado com isso,    concluiu o bot&acirc;nico. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>M&aacute;rcia Tait</i></font></P>      ]]></body>
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