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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a09img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">AQUECIMENTO GLOBAL</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a09img02.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Pesquisador denuncia o lucrativo mercado de cotas de carbono</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Enfim, parece que o planeta despertou para as evid&ecirc;ncias    que o clima est&aacute; mudando e que todos os alertas — tidos como alarmistas    por muita gente de peso — disparados nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas sobre    aquecimento global eram mesmo para valer. Quando os Estados Unidos retiraram    o apoio ao Protocolo de Kyoto, o mundo se uniu, incr&eacute;dulo, em indigna&ccedil;&atilde;o.    </font></P>     <P><font size="3">Eleito como solu&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica na &eacute;poca,    a entrada em vigor do Protocolo tornou-se quest&atilde;o de honra para algumas    organiza&ccedil;&otilde;es ambientais, que fizeram uma contagem regressiva sobre    quantas assinaturas ainda eram necess&aacute;rias. Nada mais ilus&oacute;rio,    por&eacute;m, aponta Larry Lohmann, pesquisador da funda&ccedil;&atilde;o sueca    DHF e autor do livro <i>Carbon trading</i>. Segundo ele, o Protocolo, e principalmente    o com&eacute;rcio de carbono nele previsto, muda pouco o cen&aacute;rio mundial    das emiss&otilde;es de carbono. Trata-se um mecanismo de mercado, pouco pr&aacute;tico    e nada efetivo, que promove o com&eacute;rcio do direito de poluir. Acabou funcionando    de maneira perversa, ao drenar as aten&ccedil;&otilde;es de solu&ccedil;&otilde;es    mais radicais e efetivas que, agora, se mostram urgentes. O pesquisador considera    que a &uacute;nica sa&iacute;da &eacute; promover uma regula&ccedil;&atilde;o    dura, que taxe e controle a ind&uacute;stria poluente, ao lado de reformas estruturais    e investimentos fortes na redu&ccedil;&atilde;o do consumo de energia.</font></P>     <P><font size="3">Todas as tentativas atuais para transformar o carbono em neg&oacute;cio    acabam ajudando os piores poluidores a continuar poluindo, diz Lohmann. Hoje,    os setores industriais mais respons&aacute;veis pela crise clim&aacute;tica    est&atilde;o ganhando enormes pacotes gr&aacute;tis de rec&eacute;m-criados    direitos de poluir que eles podem transformar em enormes lucros. Na Europa,    por exemplo, as usinas de gera&ccedil;&atilde;o de energia colecionam centenas    de milh&otilde;es de libras por ano de lucros, simplesmente por fazerem o que    sempre fizeram, enquanto o cidad&atilde;o comum sofre com o aumento do pre&ccedil;o    da eletricidade.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Para o pesquisador, os grandes poluidores beneficiam-se comprando    direitos de poluir mais, a partir de projetos no exterior em que, supostamente,    economizariam carbono. Por exemplo, uma empresa brit&acirc;nica de cimento ou    de petr&oacute;leo que quer continuar a poluir como sempre, mas n&atilde;o recebeu    suficientes cotas gr&aacute;tis de polui&ccedil;&atilde;o por seus governos,    pode suprir a desvantagem simplesmente comprando cr&eacute;ditos a baixo custo    de, digamos, uma esta&ccedil;&atilde;o e&oacute;lica na &Iacute;ndia, "economizadora    de carbono".</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a12fig01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Al&eacute;m de ser injusto, tudo isso simplesmente encoraja    os piores poluidores do Norte a protelar o afastamento estrutural dos combust&iacute;veis    f&oacute;sseis que a quest&atilde;o clim&aacute;tica exige no longo prazo. "Por    que inovar se voc&ecirc; pode, ano ap&oacute;s ano, comprar bem barato os direitos    de polui&ccedil;&atilde;o de algu&eacute;m?" pergunta Lohmann. Na Europa,    at&eacute; as pr&oacute;prias ind&uacute;strias, em alguns casos, est&atilde;o    apontando que essa n&atilde;o &eacute; a maneira de enfrentar a mudan&ccedil;a    clim&aacute;tica e aceitam discutir uma regulamenta&ccedil;&atilde;o mais dura.</font></P>     <P><font size="3">Ele destaca, ainda, que &eacute; importante lembrar que foram    os EUA que estavam por tr&aacute;s do impulso de tornar o Protocolo de Kyoto    um documento pelo com&eacute;rcio de carbono. A Europa e o Hemisf&eacute;rio    Sul estavam inicialmente c&eacute;ticos, mas depois acataram a id&eacute;ia.    Embora os EUA tenham abandonado o Protocolo de Kyoto, v&aacute;rias empresas    dos EUA continuam, a favor dele. </font></P>     <P><font size="3"> A Enron &eacute; um bom exemplo. Ela apoiou o tratado porque    queria ganhar dinheiro com o com&eacute;rcio de carbono — e se enfureceu com    George W. Bush por n&atilde;o assin&aacute;-lo. Em contrapartida, corpora&ccedil;&otilde;es    como a ExxonMobil, n&atilde;o apoiaram por ainda n&atilde;o estarem preparadas    para o com&eacute;rcio de carbono e, inicialmente, nem admitissem a responsabilidade    humana sobre o clima. Bush ligou-se ao grupo da Exxon. </font></P>     <P><font size="3"> Mas, mesmo que tivesse assinado Kyoto, ainda teria representado    apenas o triunfo de uma fac&ccedil;&atilde;o das empresas dos EUA sobre a outra,    conclui Lohmann.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i>Rafael Evangelista</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a12fig02.gif" border="0" usemap="#Map">    <map name="Map">     <area shape="rect" coords="8,57,201,75" href="http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=22&tipo=entrevista" target="_blank">     <area shape="rect" coords="11,80,194,97" href="http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=22&tipo=entrevista" target="_blank">     <area shape="rect" coords="9,102,72,118" href="http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=22&tipo=entrevista" target="_blank">     <area shape="rect" coords="9,145,172,162" href="http://www.thecornerhouse.org.uk" target="_blank">     <area shape="rect" coords="9,168,98,185" href="http://www.dhf.uu.se" target="_blank">   </map> </P>      ]]></body>
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