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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a13img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>DILEMAS DOS ESTUDOS &Eacute;TNICOS NORTE-AMERICANOS: MULTICULTURALISMO    IDENTIT&Aacute;RIO, COLONIZA&Ccedil;&Atilde;O DISCIPLINAR E EPISTEMOLOGIAS DESCOLONIAIS</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Ram&oacute;n Grosfoguel    <br>   Tradu&ccedil;&atilde;o: Fl&aacute;via Gouveia</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"> <b><font size=5>O</font></b>s estudos &eacute;tnicos nos    Estados Unidos constituem um espa&ccedil;o contradit&oacute;rio que condensa    posi&ccedil;&otilde;es rivais divididas, atualmente, entre dois discursos hegem&ocirc;nicos    (multiculturalismo identit&aacute;rio e coloniza&ccedil;&atilde;o disciplinar)    e um contra-hegem&ocirc;nico (epistemologias descoloniais). &Agrave; diferen&ccedil;a    de outras partes do mundo, nos Estados Unidos os estudos &eacute;tnicos surgem    como parte do movimento de direitos civis das minorias discriminadas. No final    dos anos 1960 e in&iacute;cio dos 1970, ocorreram v&aacute;rias greves estudantis    e ocupa&ccedil;&otilde;es de universidades, organizadas pelas minorias discriminadas.    Esses movimentos conduziram &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de estudos afro-americanos,    portorriquenhos, "chicanos" (estadunidenses de origem mexicana), asi&aacute;ticos    e ind&iacute;genas atrav&eacute;s de todo o pa&iacute;s. Tal "insurg&ecirc;ncia    epist&ecirc;mica" foi fundamental para abrir espa&ccedil;os a professores    provenientes de grupos etno-raciais discriminados e epistemologias n&atilde;o-ocidentais,    no que at&eacute; aquele momento eram universidades monopolizadas por professores    e estudantes brancos e epistemologias eurocentradas que privilegiam a "ego-pol&iacute;tica    do conhecimento" (1) . </font></P>     <p><font size="3">Se a epistemologia euroc&ecirc;ntrica se caracteriza n&atilde;o    apenas por privilegiar um padr&atilde;o de pensamento ocidental mas tamb&eacute;m    por estudar o "outro" como objeto e n&atilde;o como sujeito que produz    conhecimentos (encobrindo, ao mesmo tempo, a geopol&iacute;tica e a corpo-pol&iacute;tica    do conhecimento, a partir das quais pensam os pensadores e intelectuais acad&ecirc;micos    brancos), a entrada de professores "de cor", com os programas de a&ccedil;&atilde;o    afirmativa e a cria&ccedil;&atilde;o de programas de estudos &eacute;tnicos    dirigidos a estudar os problemas que confrontam as minorias discriminadas, constituiu    uma mudan&ccedil;a importante na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos acad&ecirc;micos.    Muitos dos professores das minorias discriminadas daquela &eacute;poca (final    dos anos 1960 e d&eacute;cada de 1970) eram intelectuais ativistas que privilegiavam    a "geopol&iacute;tica do conhecimento" e a "corpo-pol&iacute;tica    do conhecimento" sobre a "ego-pol&iacute;tica do conhecimento".    Pela primeira vez em um espa&ccedil;o universit&aacute;rio ocidental se rompe    com a dicotomia sujeito-objeto da epistemologia cartesiana. Em vez de um sujeito    branco estudando sujeitos n&atilde;o-brancos como objetos do conhecimento, assumindo-se    a si mesmo como um observador neutro n&atilde;o situado em nenhum espa&ccedil;o    nem corpo ("ego-pol&iacute;tica do conhecimento"), o que lhe permite    portanto reclamar uma falsa objetividade e neutralidade epist&ecirc;mica, temos    a nova situa&ccedil;&atilde;o de sujeitos das minorias discriminadas estudando    a si mesmos como sujeitos que pensam e produzem conhecimentos a partir de corpos    e espa&ccedil;os subalternizados e inferiorizados ("geopol&iacute;tica    e corpo-pol&iacute;tica do conhecimento") pela epistemologia racista e    o poder ocidental. &Eacute; exagero dizer que seus trabalhos questionaram a    vis&atilde;o hegem&ocirc;nica branca acerca das minorias discriminadas que se    concentravam em tornar estes &uacute;ltimos respons&aacute;veis pela marginaliza&ccedil;&atilde;o    e pobreza da sociedade norte-americana (paradigmas da "cultura da pobreza"    e a "moderniza&ccedil;&atilde;o"), encobrindo o seu racismo (2). Isso    n&atilde;o apenas provocou o racismo epist&ecirc;mico, que atribui e reconhece    a produ&ccedil;&atilde;o de teoria aos sujeitos ocidentais brancos enquanto    os n&atilde;o-brancos produzem folclore, mitologia ou cultura mas n&atilde;o    conhecimento de igual para igual com o ocidente, mas abriu um potencial para    a descoloniza&ccedil;&atilde;o do conhecimeto ao desafiar a "ego-pol&iacute;tica    do conhecimento" cartesiana das ci&ecirc;ncias ocidentais, opondo-lhe a    "geopol&iacute;tica e a corpo-pol&iacute;tica do conhecimento" dos    sujeitos subalternos. Digo "potencial" porque tal processo descolonial    n&atilde;o est&aacute; terminado e enfrenta v&aacute;rios obst&aacute;culos.    Este trabalho busca identificar os obst&aacute;culos que ainda se confrontam    nos estudos &eacute;tnicos, mas antes &eacute; necess&aacute;rio esclarecer    alguns conceitos indispens&aacute;veis &agrave; discuss&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3"><b>RACISMO EPIST&Ecirc;MICO</b> O racismo epist&ecirc;mico &eacute;    um dos racismos mais invisibilizados no "sistema-mundo capitalista/patriarcal/    moderno/ colonial" (1). O racismo em n&iacute;vel social, pol&iacute;tico    e econ&ocirc;mico &eacute; muito mais reconhecido e vis&iacute;vel que o racismo    epistemol&oacute;gico. Este &uacute;ltimo opera privilegiando as pol&iacute;ticas    identit&aacute;rias (<i>identity politics</i>) dos brancos ocidentais, ou seja,    a tradi&ccedil;&atilde;o de pensamento e pensadores dos homens ocidentais (que    quase nunca inclui as mulheres) &eacute; considerada como a &uacute;nica leg&iacute;tima    para a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos e como a &uacute;nica com capacidade    de acesso &agrave; "universidade" e &agrave; "verdade".    O racismo epist&ecirc;mico considera os conhecimentos n&atilde;o-ocidentais    como inferiores aos conhecimentos ocidentais. Se observarmos o conjunto de pensadores    que se valem das disciplinas acad&ecirc;micas, vemos que todas as disciplinas,    sem exce&ccedil;&atilde;o, privilegiam os pensadores e teorias ocidentais, sobretudo    aquelas dos homens europeus e/ou euro-norte-americanos. Essas <i>identity politics</i>    hegem&ocirc;nicas s&atilde;o t&atilde;o poderosas e t&atilde;o normalizadas    sob o discurso de objetividade e "neutralidade" da "ego-pol&iacute;tica    do conhecimento" das ci&ecirc;ncias humanas que quando se pensa em <i>identity    politics</i> se assume imediatamente como "senso comum" que se trata    das minorias discriminadas. De fato, sem negar a exist&ecirc;ncia de <i>identity    politics</i> entre setores das minorias discriminadas, as <i>identity politics</i>    hegem&ocirc;nicas – do discurso euroc&ecirc;ntrico – utilizam esse discurso    identit&aacute;rio racista para descartar toda interven&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica    proveniente de epistemologias "outras" (3). O mito que entretanto    subjaz &agrave; academia &eacute; o discurso cientificista da "objetividade"    e "neutralidade" que esconde o "<i>locus</i> de enucia&ccedil;&atilde;o",    ou seja, quem fala e a partir de qual corpo e espa&ccedil;o epist&ecirc;mico    nas rela&ccedil;&otilde;es de poder se fala (4) Sob o mito da "ego-pol&iacute;tica    do conhecimento" (que na realidade sempre fala a partir de um corpo masculino    branco e uma geopol&iacute;tica do conhecimento eurocentrada) se desautorizam    as vozes cr&iacute;ticas provenientes dos pensadores de grupos subalternos inferiorizados    pelo racismo epist&ecirc;mico hegem&ocirc;nico. Se a epistemologia tem cor,    como bem destaca o fil&oacute;sofo africano Emmanuel Chukwudi Eze (5),ent&atilde;o    a epistemologia eurocentrada dominante nas ci&ecirc;ncias sociais tamb&eacute;m    tem. A constru&ccedil;&atilde;o desta &uacute;ltima como superior e as do resto    do mundo como inferiores forma parte inerente do racismo epistemol&oacute;gico    imperante no sistema-mundo h&aacute; mais de quinhentos anos.</font></P>     <p><font size="3">O privil&eacute;gio epist&ecirc;mico dos brancos foi consagrado    e normalizado com a coloniza&ccedil;&atilde;o das Am&eacute;ricas no final do    s&eacute;culo XV. Desde renomear o mundo com a cosmologia crist&atilde; (Europa,    &Aacute;frica, &Aacute;sia e, mais tarde, Am&eacute;rica), caracterizando todo    conhecimento ou saber n&atilde;o-crist&atilde;o como produto do dem&ocirc;nio,    at&eacute; assumir, a partir de seu provincianismo europeu, que somente pela    tradi&ccedil;&atilde;o greco-romana, passando pelo renascimento, o iluminismo    e as ci&ecirc;ncias ocidentais, &eacute; que se pode atingir a "verdade"    e "universalidade", inferiorizando todas as tradi&ccedil;&otilde;es    "outras" (que no s&eacute;culo XVI foram caracterizadas como "b&aacute;rbaras",    convertidas no s&eacute;culo XIX em "primitivas", no s&eacute;culo    XX em "subdesenvolvidas" e no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI em    "antidemocr&aacute;ticas"), o privil&eacute;gio epist&ecirc;mico das    <i>indentity politics</i> brancas eurocentradas foi normalizado ao ponto invisibilizar-se    como <i>identity politics</i> hegem&ocirc;nicas. Por isso os estudos &eacute;tnicos,    desde sua forma&ccedil;&atilde;o at&eacute; fins dos anos sessenta nos Estados    Unidos, foram sempre objeto de ataque por parte do racismo epist&ecirc;mico    das disciplinas das ci&ecirc;ncias humanas ocidentais (ci&ecirc;ncias sociais    e humanidades), argumentando a inferioridade, parcialidade, e falta de objetividade    de seus saberes e da produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b><i>IDENTITY POLITICS</i></b> Frente &agrave;s <i>identity    politics</i> hegem&ocirc;nicas que sempre privilegiaram a beleza, conhecimentos,    tradi&ccedil;&otilde;es, espiritualidades e costumes brancos, europeus, crist&atilde;os    e ocidentais, inferiorizando e subalternizando a beleza, conhecimentos, tradi&ccedil;&otilde;es,    espiritualidades e costumes n&atilde;o-europeus, n&atilde;o-crist&atilde;os    e n&atilde;o-ocidentais, os sujeitos discriminados/ inferiorizados por esses    discursos hegem&ocirc;nicos desenvolveram suas pr&oacute;prias <i>identity politics</i>    em rea&ccedil;&atilde;o ao racismo inicial. Esse processo foi necess&aacute;rio    como parte de um processo de valoriza&ccedil;&atilde;o de si mesmos em um mundo    racista que os inferioriza e desqualifica de sua humanidade. Contudo, esse processo    de afirma&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria tem seus limites se se converte    em propostas fundamentalistas que invertem os termos bin&aacute;rios do racismo    branco/euroc&ecirc;ntrico hegem&ocirc;nico. Por exemplo, se se assume que os    grupos etno/raciais subalternizados (n&atilde;o-brancos) s&atilde;o superiores    e que os dominantes (brancos) s&atilde;o inferiores, o que se faz &eacute; inverter    os termos do racismo branco hegem&ocirc;nico sem superar o problema de fundo:    o racismo, isto &eacute;, a inferioriza&ccedil;&atilde;o cultural e/ou biol&oacute;gica    de alguns seres humanos, elevando outros &agrave; categoria de superiores (2).    Outro exemplo &eacute; se se aceita, como fazem alguns fundamentalismos isl&acirc;micos    e afrocentristas, o discurso euroc&ecirc;ntrico hegem&ocirc;nico de que somente    a tradi&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia &eacute; natural e inerentemente democr&aacute;tica,    enquanto os "outros" n&atilde;o-europeus s&atilde;o natural e inerentemente    autorit&aacute;rios, negando discursos democr&aacute;ticos e formas de institucionalidade    democr&aacute;tica ao mundo n&atilde;o-ocidental (logicamente, distintas &agrave;    democracia liberal ocidental) e, por conseguinte, apoiando formas de autoritarismo    pol&iacute;tico. Isso &eacute; o que fazem todos os fundamentalismos terceiro-mundistas    ao aceitarem a premissa euroc&ecirc;ntrica de que a &uacute;nica tradi&ccedil;&atilde;o    democr&aacute;tica &eacute; a ocidental e, portanto, ao assumirem que a democracia    n&atilde;o se aplica &agrave; sua "cultura" e &agrave;s suas "sociedades",    defendendo formas mon&aacute;rquicas ou ditatoriais de autoridade pol&iacute;tica.    Assim se reproduz um eurocentrismo invertido.</FONT></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a15fig01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A "balcaniza&ccedil;&atilde;o" que se deriva dessas    pol&iacute;ticas identit&aacute;rias acaba reproduzindo invertidamente o mesmo    essencialismo e fundamentalismo do discurso hegem&ocirc;nico eurocentrado. Se    o fundamentalismo assume sua pr&oacute;pria cosmologia e epistemologia como    a &uacute;nica verdadeira e superior, inferiorizando e sem reconhecer igualdade    a nenhuma outra, ent&atilde;o o eurocentrismo &eacute; apenas uma forma de fundamentalismo,    sen&atilde;o o fundamentalismo hegem&ocirc;nico no mundo atualmente. Os fundamentalismos    terceiro-mundistas (afrocentristas, islamistas, indigenistas etc), que surgem    em rea&ccedil;&atilde;o ao fundamentalismo euroc&ecirc;ntrico hegem&ocirc;nico,    s&atilde;o formas subordinadas de fundamentalismo eurocentristas na medida em    que deixam intactas as hierarquias bin&aacute;rias e raciais do fundamentalismo    euroc&ecirc;ntrico (1). Nos estudos &eacute;tnicos norte-americanos, lamentavelmente    h&aacute; uma minoria vociferante de fundamentalistas afro-centristas, indigenistas,    asi&aacute;tico-centristas e hispanistas que questionam a validade e legitimidade    desses programas. Entretanto, felizmente esses grupos s&atilde;o uma minoria    insignificante, ainda que, infelizmente, os supremacistas brancos exagerem sua    influ&ecirc;ncia para desprestigiar os departamentos/programas de estudos &eacute;tnicos    nos Estados Unidos devido a suas agendas de cr&iacute;tica ativa anti-racista    e anti-eurocentrista. </font></P>     <p><font size="3"><b>IDENTIDADES NA POL&Iacute;TICA E TRANSMODERNIDADE</b> As    pol&iacute;ticas identit&aacute;rias partem de um reducionismo identit&aacute;rio    e culturalista que acaba essencializando e naturalizando as identidades culturais.    Nesses projetos identit&aacute;rios n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o ou h&aacute;    uma forte retic&ecirc;ncia para grupos cuja origem etno-racial seja distinta    &agrave; do grupo. Eles normalmente mant&ecirc;m fronteiras identit&aacute;rias    ainda entre os pr&oacute;prios grupos subalternos, impossibilitando o di&aacute;logo    e as alian&ccedil;as pol&iacute;ticas. Em alguns casos acabam invertendo o racismo    hegem&ocirc;nico e reproduzindo um racismo invertido ao fazer do grupo etno-racial    subalterno um grupo cultural e/ou biologicamente superior aos brancos.</FONT></P>     <p><font size="3">Muito diferentes das <i>identity politics</i> s&atilde;o as    "identidades na pol&iacute;tica". Estas &uacute;ltimas se baseiam    em projetos &eacute;tico-epist&ecirc;micos abertos a todos, n&atilde;o importa    a origem etno-racial da pessoa. Por exemplo, os zapatistas no sudoeste do M&eacute;xico    s&atilde;o um movimento insurgente ind&iacute;gena, pensando epistemicamente    a partir de epistemologias/cosmologias amer&iacute;ndias, aberto a todas as    pessoas e grupos que ap&oacute;iem e simpatizem com suas propostas pol&iacute;ticas.    No interior do movimento zapatista h&aacute; brancos e mesti&ccedil;os. O movimento    liderado por Evo Morales na Bol&iacute;via &eacute; um movimento ind&iacute;gena    que pensa e desenvolve uma descoloniza&ccedil;&atilde;o do Estado branco boliviano    a partir da cosmologia do Ayll&uacute; das comunidades aymaras. Esse movimento    possui entre seus l&iacute;deres e em suas filas militantes brancos e mesti&ccedil;os    que assumiram o projeto pol&iacute;tico &eacute;tico-epist&ecirc;mico Aymara.    Outro exemplo s&atilde;o as pr&aacute;ticas espirituais africanas nas Am&eacute;ricas    que, mesmo partindo de cosmologias/epistemologias de origem africana (yoruba,    bant&uacute; etc), est&atilde;o tamb&eacute;m abertas &agrave; participa&ccedil;&atilde;o    de todos. Isso quer dizer que n&atilde;o h&aacute; correspond&ecirc;ncia entre    a identidade &eacute;tico-epist&ecirc;mica do projeto (neste caso de origem    ind&iacute;gena ou africana) e a identidade &eacute;tnica/racial dos indiv&iacute;duos    que militam em tais movimentos. Por conseguinte, de forma muito diferente das    <i>identity politics</i>, n&atilde;o se exclui nada que ap&oacute;ie o projeto    por raz&otilde;es de origem &eacute;tnico-racial.</font></P>     <p><font size="3">Se o eurocentrismo busca desqualificar essas epistemologias    alternadas para inferioriz&aacute;-las, subalterniz&aacute;-las e desautoriz&aacute;-las    e, desse modo, construir um mundo de "pensamento &uacute;nico" que    n&atilde;o permite pensar "outros" mundos poss&iacute;veis mais para    al&eacute;m da mundializa&ccedil;&atilde;o "capitalista neoliberal branca    masculina", o projeto que propomos aqui seria um que transcenda o monop&oacute;lio    epist&ecirc;mico euroc&ecirc;ntrico do sistema-mundo moderno/colonial. Reconhecer    que existe diverdidade epist&ecirc;mica no mundo apresenta um desafio &agrave;    modernidade/colonialidade do mundo existente. J&aacute; n&atilde;o &eacute;    poss&iacute;vel construir a partir de uma s&oacute; epistemologia um desenho    global como "solu&ccedil;&atilde;o &uacute;nica" aos problemas do    mundo, seja da esquerda (socialismo, comunismo etc) ou da direita (desenvolvimentismo,    neoliberalismo, democracia liberal etc). A partir dessa diversidade epist&ecirc;mica    h&aacute; propostas anticapitalistas, antipatriarcais e antiimperiais diversas,    que aprensentam diferentes maneiras de enfrentar e solucionar os problemas produzidos    pelas rela&ccedil;&otilde;es de poder sexuais, raciais, espirituais, ling&uuml;&iacute;sticas,    de g&ecirc;nero e de classe no presente "sistema-mundo capitalista/patriarcal    moderno/colonial" (1). Essa diversidade de propostas de epistemologias    "outras" subalternizadas e silenciadas pela epistemologia euroc&ecirc;ntrica    aprensentaria uma maneira de transcender a modernidade eurocentrada para al&eacute;m    das propostas de culminar na modernidade (6) ou de desenvolver a p&oacute;s-modernidade.    Essas &uacute;ltimas constituem cr&iacute;ticas euroc&ecirc;ntricas ao eurocentrismo    (4).</font></P>     <p><font size="3">Trata-se, portanto, de desenvolver o que o fil&oacute;sofo de    libera&ccedil;&atilde;o Enrique Dussel (7) chama "transmodernidade"    como projeto para culminar n&atilde;o na modernidade nem na p&oacute;s-modernidade,    mas no projeto incompleto e inacabado da descoloniza&ccedil;&atilde;o. "Trans"    aqui se usa no sentido de mais al&eacute;m da modernidade. Na transmodernidade    h&aacute; tantas propostas de libera&ccedil;&atilde;o da mulher e da democracia    quantas epistemologias h&aacute; no mundo. As "feministas da diferen&ccedil;a"    parisienses n&atilde;o podem impor suas solu&ccedil;&otilde;es e maneiras de    lutar contra o patriarcado &agrave;s feministas isl&acirc;micas no Ir&atilde;,    &agrave;s feministas ind&iacute;genas Zapatistas no M&eacute;xico ou &agrave;s    feministas negras nos Estados Unidos. Da mesma forma, o mundo ocidental n&atilde;o    pode impor seu conceito liberal de democracia &agrave;s formas de democracia    ind&iacute;gena, isl&acirc;micas ou africanas. Por exemplo, o zapatismo de cosmologias    tojolabales redefine a democracia como "mandar obedecendo" e sua institucionalidade    pr&aacute;tica constitui os "carac&oacute;is". Conceitos muito distintos    &agrave; democracia ocidental em que "o que manda n&atilde;o obedece e    o que obedece n&atilde;o manda" e cuja institucionalidade pr&aacute;tica    s&atilde;o os parlamentos ou assembl&eacute;ias nacionais.</font></P>     <p><font size="3">A transmodernidade n&atilde;o &eacute; um relativismo de <i>everything    goes</i> pois se trata do pensamento cr&iacute;tico anticapitalista, antipatriarcal,    antieuroc&ecirc;ntrico (nunca antieuropeu) e antiimperial que nasce da diversidade    espist&ecirc;mica do mundo. Para o pensamento descolonial n&atilde;o h&aacute;    qualquer epistemologia que possa reclamar o monop&oacute;lio sobre o pensamento    cr&iacute;tico no planeta, como pretendeu o imperialismo da epistemologia acidental    no sistema-mundo nos &uacute;ltimos 500 anos. A proposta que fa&ccedil;o aqui    &eacute; redefinir os departamentos/programas de estudos &eacute;tnicos como    "estudos descoloniais transmodernos". </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>OS ESTUDOS &Eacute;TNICOS NORTE-AMERICANOS</b> Uma vez esclarecidos    os conceitos antes mencionados, passemos agora &agrave; discuss&atilde;o pertinente    a este trabalho. Os estudos &eacute;tnicos norte-americanos debatem-se atualmente    entre dois problemas da colonialidade do poder global: 1) as <i>identity politics</i>    do multiculturalismo liberal norte-americano; e 2) a coloniza&ccedil;&atilde;o    disciplinar das ci&ecirc;ncias ocidentais sobre tais espa&ccedil;os.</FONT></P>     <p><font size="3">Comecemos pelo primeiro ponto. A organiza&ccedil;&atilde;o de    departamentos e programas de estudos &eacute;tnicos &agrave; base de identidades    etno/raciais (afro-americanos, asi&aacute;tico-americanos, latinos, ind&iacute;genas    etc) foi um dos legados mais perniciosos dos estudos &eacute;tnicos norte-americanos    a contribuir para reproduzir o pior das <i>identity politics</i>. Em vez de    estudos descoloniais, as <i>identity politics</i> levam a reproduzir estudos    coloniais que se manifestam em duas tend&ecirc;ncias principais: uma baseada    no multiculturalismo <i>light</i> liberal brit&acirc;nico-americano e outra    baseada na absolutiza&ccedil;&atilde;o chauvinista e nacionalista de sua pr&oacute;pria    identidade etno-racial em detrimento do di&aacute;logo e das alian&ccedil;as    com outros grupos. O multiculturalismo liberal hegem&ocirc;nico permite que    cada grupo discriminado tenha seu espa&ccedil;o e celebre sua identidade/cultura    sempre que n&atilde;o questionar as hierarquias etno-raciais do poder da supremacia    branca e deixe o <i>status quo</i> intacto. Assim privilegiam-se algumas elites    dos grupos discriminados/inferiorizados outorgando-lhes um espa&ccedil;o com    recursos como <i>tokens</i>, <i>model minority</i> ou "vitrines simb&oacute;licas"    que d&ecirc;em uma maquiagem multicultural ao poder branco, enquanto a maioria    dessas popula&ccedil;&otilde;es v&iacute;timas do racismo crescente vive a colonialidade    do poder quotidianamente. Condoleeza Rice &eacute; um dos exemplos mais extremos    dessa pol&iacute;tica. Essa mulher afro-norte-americana &eacute; umas das arquitetas    da pol&iacute;tica exterior racista do imp&eacute;rio euro-norte-americano (elites    brancas capitalistas) no Oriente M&eacute;dio e no Iraque, dando uma apar&ecirc;ncia    anti-racista e multicultural ao imp&eacute;rio.</font></P>     <p><font size="3">Por outro lado, os estudos &eacute;tnicos que absolutizam e    privilegiam as <i>identity politics</i> de seu pr&oacute;prio grupo etno/racial    os levam a suspeitar e ver-se em compet&ecirc;ncia com os outros grupos &eacute;tnicos/raciais,    inclu&iacute;dos aqueles que compartilham uma situa&ccedil;&atilde;o similar    de discrimina&ccedil;&atilde;o etno/racial. Assim, os estudos &eacute;tnicos    organizados por meio de identidades &eacute;tnicas acabam: 1) celebrando sua    pr&oacute;pria identidade, deixando intactas as hierarquias etno/raciais; ou    2) enfatizando em seu pr&oacute;prio grupo &eacute;tnico-racial, com foco em    seus pr&oacute;prios umbigos e, portanto, concebendo-se em compet&ecirc;ncia    constante com os outros grupos igualmente discriminados e contribuindo para    reproduzir o "divide e vencer&aacute;s" que igualmente mant&eacute;m    intacto o <i>status quo</i> das hierarquias etno/raciais. Ambas as posi&ccedil;&otilde;es    das <i>identity politics</i> (a "multicultural identit&aacute;ria liberal"    e a "identit&aacute;ria militante") terminam em cumplicidade com as    hierarquias etno/raciais da supremacia branca ao deixarem de lado o <i>status    quo</i>.</font></P>     <p><font size="3">A outra tend&ecirc;ncia da colonialidade do saber (8) &eacute;    a coloniza&ccedil;&atilde;o disciplinar acad&ecirc;mica dos estudos &eacute;tnicos.    A coloniza&ccedil;&atilde;o disciplinar ocorre quando se dividem os campos do    conhecimento dentro dos estudos &eacute;tnicos baseados em especialidades disciplinares    das ci&ecirc;ncias humanas (ci&ecirc;ncias sociais e humanidades) e se fazem    estudos &eacute;tnicos "sobre" e n&atilde;o "dos" e "junto    aos" grupos &eacute;tnicos/ raciais. Em vez de produzir conhecimentos a    partir do pensamento <i>cr&iacute;tico</i> que os sujeitos discriminados/inferiorizados    produzem, as disciplinas imp&otilde;em o padr&atilde;o de pensamento e a epistemologia    ocidental do "ponto zero" (9)– o ponto de vista que n&atilde;o se    assume como ponto de vista pr&oacute;prio, da perspectiva que se assume como    o "olho de Deus" da filosofia ocidental moderna desde Descartes at&eacute;    nossos dias nas ci&ecirc;ncias humanas ocidentais. Isso afetou a produ&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos nos departamentos/programas de estudos &eacute;tnicos porque    em vez de produzir conhecimentos "dos" e "com os" grupos    etno-raciais dirigidos a sua libera&ccedil;&atilde;o, privilegia-se a produ&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos "sobre" os "outros" seguindo a tradi&ccedil;&atilde;o    epistemol&oacute;gica colonial que vai desde os mission&aacute;rios crist&atilde;os    do s&eacute;culo XVI at&eacute; os cientistas sociais de nossos dias e que fazem    do sujeito discriminado/inferiorizado um "objeto de estudo" para dominar    e explorar. Isso engendra as seguintes perguntas: Conhecimento para que e para    quem? &Eacute; poss&iacute;vel produzir conhecimentos neutros em uma sociedade    dividida em termos raciais, sexuais, espirituais e de classe? Se a epistemologia    n&atilde;o apenas tem cor mas tamb&eacute;m tem sexualidade, g&ecirc;nero, espiritualidade    cosmol&oacute;gica, classe etc, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel assumir    o mito ou a falsa premissa da neutralidade e objetividade epistemol&oacute;gica    (o "ponto zero" da "ego-pol&iacute;tica do conhecimento")    como pretendem as ci&ecirc;ncias ocidentais. </font></P>     <p><font size="3">Por outro lado, a corrente que pretende fazer dos estudos &eacute;tnicos    "estudos interdisciplinares" reproduz os mesmos problemas mencionados    antes. A interdisciplinaridade mant&eacute;m intactas as identidades disciplinares    (com seu padr&atilde;o e epistemologia eurocentrada) e somente se abre ao di&aacute;logo    interdisciplinar no interior da epistemologia ocidental, fechando-se ao di&aacute;logo    transmoderno entre diversas epistemologias. Se pensamos n&atilde;o a partir    das disciplinas acad&ecirc;micas mas a partir da "transdisciplinaridade",    no sentido de ultrapassar os saberes disciplinares, ent&atilde;o o projeto dos    estudos &eacute;tnicos se abriria &agrave; diversidade epistemol&oacute;gica    em lugar dos atuais monotopismo e mon&oacute;logo da epistemologia euroc&ecirc;ntrica    ocidental dominante que n&atilde;o admite nenhuma outra epistemologia como espa&ccedil;o    de produ&ccedil;&atilde;o de pensamento cr&iacute;tico nem cient&iacute;fico.    A coloniza&ccedil;&atilde;o disciplinar dos estudos &eacute;tnicos constitui    uma coloniza&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;mica j&aacute; que as disciplinas    acad&ecirc;micas provilegiam o padr&atilde;o epist&ecirc;mico eurocentrado.</font></P>     <p><font size="3">Com isso n&atilde;o pretendo descartar trabalhos cr&iacute;ticos    importantes e &uacute;teis produzidos pelos campos disciplinares da academia    ocidental. Estou simplesmente questionando a pertin&ecirc;ncia de fazer departamentos/programas    de estudos &eacute;tnicos se simplesmente restringirem-se a fazer sociologia    de ra&ccedil;a e etnicidade, antropologia das identidades etno/raciais, hist&oacute;ria    "sobre" (n&atilde;o "dos" e "com os") negros,    economia da inser&ccedil;&atilde;o laboral dos ind&iacute;genas etc. Colonizar    os estudos &eacute;tnicos pelas disciplinas ocidentais n&atilde;o constitui    nada inovador no campo do conhecimento. Pode-se faz&ecirc;-lo j&aacute; a partir    das respectivas disciplinas acad&ecirc;micas e n&atilde;o faltam programas nem    departamentos de estudos &eacute;tnicos para isso. Muito diferente seria se    os programas ou departamentos de estudos &eacute;tnicos se abrissem &agrave;    transmodernidade, isto &eacute;, &agrave; diversidade epist&ecirc;mica do mundo,    e se redefinissem como "estudos descoloniais transmodernos", propondo    pensar "a partir dos" e "com os" "outros" subalternizados    e inferiorizados pela modernidade eurocentrada e oferecendo definir suas perguntas,    seus problemas e seus dilemas intelectuais "dos" e "com os"    pr&oacute;prios grupos discriminados. Isso introduziria uma metodologia descolonial    muito diferente da metodologia das ci&ecirc;ncias sociais e das humanidades    (10). Implicaria tamb&eacute;m um di&aacute;logo transmoderno entre diversos    projetos &eacute;tico-epist&ecirc;micos e uma organiza&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica    no interior dos departamentos/programas de estudos &eacute;tnicos baseados em    problemas (racismo, sexismo, xenofobia, cristianocentrismo, epistemologias "outras",    eurocentrismo etc) e n&atilde;o com base em identidades etno/raciais (negros,    ind&iacute;genas, asi&aacute;ticos etc) nem em disciplinas coloniais ocidentais    (sociologia, antropologia, hist&oacute;ria, ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas,    economia etc). Os estudos &eacute;tnicos redefinidos como "estudos descoloniais    transmodernos" dariam uma contribui&ccedil;&atilde;o important&iacute;ssima    n&atilde;o somente ao saber acad&ecirc;mico sen&atilde;o &agrave; libera&ccedil;&atilde;o    como projeto de descoloniza&ccedil;&atilde;o (epist&ecirc;mica, social, pol&iacute;tica,    econ&ocirc;mica e espiritual) dos grupos oprimidos e explorados pelo racismo    capitalista/patriarcal ocidental do sistema-mundo moderno/colonial (11).</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Ram&oacute;n Grosfoguel</b> &eacute; professor no Departamento    de Estudos &Eacute;tnicos da Universidade da Calif&oacute;rnia, em Berkeley    (EUA).</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></FONT></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Grosfoguel, R. "La descolonizaci&oacute;n de la econom&iacute;a-pol&iacute;tica    y los estudios poscoloniales: transmodernidad, pensamiento fronterizo y colonialidad    global", <i>in T&aacute;bula Rasa</i> (Bogot&aacute;, Colombia), nº. 4    (enero-junio), pp. 17-48. 2006. </font><!-- ref --><p><font size="3">2. Grosfoguel, R., <i>Colonial subjects</i>. Berkeley, California:    University of California Press. 2003.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Maldonado-Torres, N., "The topology of being and    the geopolitics of knowledge: modernity, empire and coloniality," <i>in    City</i>, Vol. 8, nº. 1, pp. 29-56. 2004.</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Mignolo, W., <i>Local histories: global designs: coloniality,    border thinkingn and subaltern knowledges</i>. Princeton, New Jersey: Princeton    University Press. 2000.</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Eze, E. C. "The color of reason: the idea of "race"    in kant’s anthropology". <i>In Postcolonial african philosophy: a critical    reader</i>, editado por E.C. Eze. Cambridge, MA: Blackwell. 1997.</font><!-- ref --><p><font size="3">6. Habermas, J., "La modernidad, un proyecto incompleto".    En Hal Foster (editor) <i>La posmodernidad</i> (Barcelona, Espa&ntilde;a: Editorial    Kairos). 1985.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Dussel, E., 1492: <i>El encubrimiento del otro. Hacia    el origen del mito de la modernidad</i>. La Paz, Bolivia: Plural Editores. 1994.</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Lander, E., <i>La colonialidad del saber</i>. Buenos Aires:    Clacso. 2000.</font><!-- ref --><p><font size="3">9. Castro-Gomez, S., <i>La hybris del punto cero: ciencia,    raza e ilustraci&oacute;n en la Nueva Granada (1750-1816)</i>. Bogot&aacute;,    Colombia: Editorial Pont&iacute;fica Universidad Javeriana. 2006.</font><!-- ref --><p><font size="3">10. Smith, Linda T., <i>Decolonizing methodologies: research    and indigenous peoples</i>. London: Routledge. 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">11. Maldonado-Torres, N., "Pensamento cr&iacute;tico    desde a subalteridade: os estudos &eacute;tnicos como ci&ecirc;ncias descoloniais    ou para a transforma&ccedil;&atilde;o das humanidades e das ci&ecirc;ncias sociais    no s&eacute;culo XXI", <i>in Revista Afro-Asia</i>, nº. 34, pp. 105-130.    2006.</font> ]]></body><back>
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