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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a13img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>A &Aacute;FRICA E OS ESTUDOS AFRICANOS NO BRASIL: PASSADO    E FUTURO</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Valdemir Zamparoni</b></font> </P>     <P>&nbsp;</P>     <p> <font size=5><b>U</b></font><font size="3">ma das coisas que mais chamavam    a aten&ccedil;&atilde;o no passado e at&eacute; hoje atrai o olhar de muitos    visitantes estrangeiros &eacute; a composi&ccedil;&atilde;o racial brasileira,    fortemente marcada pela miscigena&ccedil;&atilde;o da qual em graus variados,    a depender da regi&atilde;o do pa&iacute;s, sobressai a componente de origem    africana. N&atilde;o &eacute; preciso ser antrop&oacute;logo, soci&oacute;logo    ou acad&ecirc;mico de qualquer tipo para notar tal caracter&iacute;stica. &Eacute;    emp&iacute;rica, faz parte do senso comum se propalar que o Brasil &eacute;    um pa&iacute;s de negros e mesti&ccedil;os. Ali&aacute;s, cada vez mais mesti&ccedil;o    de acordo com os dados censit&aacute;rios de 2000 a partir dos quais o IBGE    conclui que "nos &uacute;ltimos dez anos, houve redu&ccedil;&atilde;o das    uni&otilde;es entre pessoas da mesma cor" (1). Hoje cerca de 76 milh&otilde;es    de pessoas (cerca de 44%) se assumem oficialmente como "pretas" e    "pardas", o que faz com que o Brasil tenha o maior contingente de    afro-descendentes do mundo (2). Embora por vezes os acad&ecirc;micos sejam cegos    e surdos ao senso comum, nesse caso n&atilde;o dava para evitar esta incontorn&aacute;vel    pedra que se interpunha no caminho, &agrave; moda da pedra drumondiana, e a    academia brasileira, da medicina &agrave; hist&oacute;ria, passando pelas emergentes    ci&ecirc;ncias sociais, produziu desde meados do s&eacute;culo XIX, uma avalanche    de teses e argumentos, que por vezes nos soam disparatados, acerca do tema.    No passado a produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica estava interessada na "quest&atilde;o    negra", no "problema negro", hoje est&aacute; interessada nas    "rela&ccedil;&otilde;es raciais", o que n&atilde;o deixa de ser a    outra face da mesma velha moeda: o que interessou no passado e quase at&eacute;    os dias de hoje foram os negros e mesti&ccedil;os no Brasil com pouca ou nenhuma    refer&ecirc;ncia &agrave; &Aacute;frica. Pode parecer que se esteja aqui fazendo    caricatura, mas fica dessa literatura do passado a sensa&ccedil;&atilde;o de    que esses negros brasileiros ca&iacute;ram do c&eacute;u ou brotaram da terra    tal qual a cana-de-a&ccedil;&uacute;car que cultivavam nos engenhos. T&ecirc;nues    e raras s&atilde;o as refer&ecirc;ncias &agrave; &Aacute;frica e &agrave;s culturas    africanas dos quais originaram. Era quase um paradoxo: t&iacute;nhamos negros    e at&eacute; mesmo africanos mas nada da &Aacute;frica. </font></P>     <p><font size="3">H&aacute; uma d&eacute;cada escrevi um texto no qual dizia que    a marca da escravatura e a hegemonia branca tinham obscurecido a realidade e    criado uma "invisibilidade", uma "farsa de olhar e n&atilde;o    ver, ou n&atilde;o querer ver" que se traduzia particularmente no ensino    brasileiro no qual, com raras exce&ccedil;&otilde;es, a presen&ccedil;a negra    estava restrita a algumas lam&uacute;rias nas poucas p&aacute;ginas dedicadas    &agrave; escravatura e a &Aacute;frica e os africanos – mas tamb&eacute;m    a &Aacute;sia – apareciam n&atilde;o como possuidores de historicidade    pr&oacute;pria mas como meros ap&ecirc;ndices na hist&oacute;ria da expans&atilde;o    europ&eacute;ia. Passado esse cap&iacute;tulo da hist&oacute;ria europ&eacute;ia    desapareciam misteriosamente, deixavam de "existir". </font></P>     <p><font size="3">Qualquer brasileiro que tenha passado pelo primeiro grau certamente    j&aacute; ouviu falar das cidades-Estado gregas, do Imp&eacute;rio Romano, do    Sacro Imp&eacute;rio Romano-Germ&acirc;nico, das pot&ecirc;ncias aliadas; de    Alexandre, Nero, dos v&aacute;rios Lu&iacute;zes, Napole&atilde;o, Churchill,    Roosevelt, Hitler ou St&aacute;lin, mas quem j&aacute; ouviu falar dos Ashantis,    Iorub&aacute;s, Hauss&aacute;s, Fulas, Bakongos, Makondes, Xhosas, Macuas e    Swah&iacute;lis? E do imp&eacute;rio do Monomotapa, dos reinos do Daom&eacute;,    do imp&eacute;rio V&aacute;tua, da Rainha Jinga, de Mussa Keita, de Sundjata,    de Chaka e Ngungunhane, Am&iacute;lcar Cabral, Patrice Lumumba, Julius Nyerere    ou Samora Machel? Algu&eacute;m j&aacute; estudou a respeito? O que se sabe    sobre esses nomes sen&atilde;o algumas palavras superficiais? </font></P>     <p><font size="3">Infelizmente, isso n&atilde;o se restringe &agrave; hist&oacute;ria:    nas universidades brasileiras poucas s&atilde;o as disciplinas destinadas ao    estudo das literaturas ou artes africanas. Estas, em geral se infiltram nas    disciplinas dedicadas &agrave; literatura e artes portuguesa, inglesa ou francesa,    isso na feliz hip&oacute;tese das pessoas encarregadas das mesmas serem docentes    sens&iacute;veis a esses assuntos.</font></P>     <p><font size="3">Essa pr&aacute;tica ilusionista n&atilde;o &eacute; apan&aacute;gio    da dita "hist&oacute;ria tradicional" ou conservadora. Marxistas ou    n&atilde;o, ortodoxos ou adeptos da "hist&oacute;ria nova" todos parecem    ser modernos adeptos de Hegel (3). Naquela mesma ocasi&atilde;o afirmei que    o Brasil precisava reconhecer de fato que era herdeiro cultural da &Aacute;frica,    que a constru&ccedil;&atilde;o da identidade passava "pelo conhecimento    da pr&oacute;pria hist&oacute;ria, n&atilde;o no sentido de resgat&aacute;-la    idealisticamente, mas de faz&ecirc;-la presente como refer&ecirc;ncia cultural"(4).    Pois bem, qual a refer&ecirc;ncia cultural que temos da &Aacute;frica e dos    africanos no Brasil? Qual a imagem da &Aacute;frica e dos africanos que circulam    em nossos meios midi&aacute;ticos e acad&ecirc;micos e que ajudam a formar nossa    identidade?</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A resposta &eacute; que o que ainda hoje predomina &eacute;    a de uma &Aacute;frica ex&oacute;tica, terra selvagem, como selvagem seriam    os animais e pessoas que nela habitam: miser&aacute;veis, desumanos, que se    destroem em sucessivas guerras fratricidas, seres irracionais em meio aos quais    assolam doen&ccedil;as desvastadoras. Enfim, desumana. Em outra vertente o continente    &eacute; reduzido a uma cidade, nem mesmo um pa&iacute;s. O termo &Aacute;frica    passa, nesses discursos, a servir para referenciar um lugar qualquer ex&oacute;tico    e homog&ecirc;neo.</font></P>     <p><font size="3"> Essas imagens n&atilde;o s&atilde;o aleat&oacute;rias. Foram    gestadas na Europa ao longo de s&eacute;culos e tomaram corpo no Brasil. Recentes    estudos mostraram que os nossos homens de ci&ecirc;ncia, particularmente m&eacute;dicos,    participaram ativamente da discuss&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento    no &acirc;mbito do racismo cient&iacute;fico. Mas o &aacute;pice dessa discuss&atilde;o    ganhou corpo no Brasil justamente no momento em que estava sendo questionada    a legitimidade da escravid&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Finda a escravatura, em 1888, parece que uma amn&eacute;sia    tomou conta do Brasil. Na verdade, n&atilde;o era uma amn&eacute;sia natural    mas proposital. Era preciso extirpar da hist&oacute;ria p&aacute;tria aquilo    que era considerada uma <i>n&oacute;doa</i> prejudicial &agrave; nova imagem    do Brasil agora cada vez mais europeu devido ao crescente incentivo &agrave;    migra&ccedil;&atilde;o branca em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave; for&ccedil;a    de trabalho escrava. O Brasil n&atilde;o podia ficar de fora da nova moda europ&eacute;ia    representada pelo positivismo, evolucionismo e darwinismo. Textos de Darwin    e Spencer eram popularizados sobretudo na imprensa paulista, representante duma    cidade progressista, "cient&iacute;fica e laboriosa", suas teses impregnavam    nossa emergente literatura naturalista (5). Mas n&atilde;o se tratava apenas    de importa&ccedil;&atilde;o equivocada e descontextualizada como a muitos pareceu(6).    O decl&iacute;nio irrevers&iacute;vel da escravatura como sistema j&aacute;    vislumbrado com a sucessiva legisla&ccedil;&atilde;o abolicionista do &uacute;ltimo    quartel do s&eacute;culo XIX exigia repensar o futuro. As id&eacute;ias do darwinismo    social n&atilde;o estavam pois fora do lugar; suas teses passaram a servir como    crit&eacute;rios redefinidores das diferen&ccedil;as sociais no momento em que    a rela&ccedil;&atilde;o senhor/escravo agonizava. A aboli&ccedil;&atilde;o em    1888, e a instala&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica no ano seguinte, exigiam    repensar a identidade nacional. Qual na&ccedil;&atilde;o? O que fazer com o    ex-escravo, agora tornado ao menos oficialmente cidad&atilde;o da nova rep&uacute;blica?    A nova identidade nacional se fez visando acentuar a diferen&ccedil;a e a superioridade    brasileira face aos vizinhos latino-americanos, republicanos sim, mas majoritariamente    ind&iacute;genas. Ao Brasil era preciso buscar o caminho para inserir-se no    rol das na&ccedil;&otilde;es ditas superiores, por defini&ccedil;&atilde;o,    brancas. </font></P>     <p><font size="3">Apesar de sua viol&ecirc;ncia e horror o tr&aacute;fico criara    um fluxo cultural da &Aacute;frica para o Brasil e daqui para l&aacute;, inclusive    com a manuten&ccedil;&atilde;o ou cria&ccedil;&atilde;o de novos la&ccedil;os    familiares dos dois lados do Atl&acirc;ntico como foi o caso das comunidades    de "brasileiros" na &Aacute;frica ocidental, em especial o caso dos    "agud&aacute;s" no Benin e dos "tabon" em Gana, mas tamb&eacute;m    na Nig&eacute;ria e Togo (7), a partir de sua extin&ccedil;&atilde;o, isto paulatinamente    desapareceu. Ficaram os la&ccedil;os simb&oacute;licos cada vez mais t&ecirc;nues    e a &Aacute;frica cada vez mais distante. No universo do discurso oficial foi    ainda mais grave. Tomemos um singelo exemplo: um livro did&aacute;tico de "Hist&oacute;ria    do Brazil" para "uso da inf&acirc;ncia brazileira", publicado    em 1914 dedica tr&ecirc;s sucintas frases &agrave; escravid&atilde;o: uma men&ccedil;&atilde;o    &agrave; chamada "Lei do Ventre Livre – 1871; outra &agrave; "Lei    dos Sexagen&aacute;rios" e outra &agrave; aboli&ccedil;&atilde;o. A palavra    escravo e escravid&atilde;o, portanto, s&atilde;o mencionadas somente tr&ecirc;s    vezes. A necessidade de esconder das novas gera&ccedil;&otilde;es, o nosso passado    escravocrata e nossa imensa popula&ccedil;&atilde;o de origem africana, era    t&atilde;o forte por parte das classes dirigentes brasileiras que n&atilde;o    h&aacute; ao longo desta obra de "hist&oacute;ria p&aacute;tria" nenhuma    outra refer&ecirc;ncia &agrave; escravid&atilde;o, que deu exist&ecirc;ncia    ao pa&iacute;s (8).</font></P>     <p><font size="3">O momento seguinte em que vai emergir novamente a necessidade    de se discutir a identidade nacional se deu com a Semana de Arte Moderna de    1922, cuja exist&ecirc;ncia est&aacute; associada n&atilde;o s&oacute; &agrave;    circula&ccedil;&atilde;o das novas id&eacute;ias art&iacute;sticas europ&eacute;ias    mas, principalmente, &agrave; emerg&ecirc;ncia no cen&aacute;rio nacional de    novas classes sociais em particular a chamada "classe m&eacute;dia"    urbana cuja express&atilde;o pol&iacute;tica foi o chamado movimento tenentista.    A Semana de 22, se propunha a repensar na&ccedil;&atilde;o, a brasilidade, em    oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; Europa com base na exalta&ccedil;&atilde;o nas    artes e literatura das nossas florestas, o nosso falar, a nossa comida, o nosso    jeito de ser, o nosso <i>folk-lore</i>, a nossa gente, movimento que lan&ccedil;ou    as bases para o mito das tr&ecirc;s ra&ccedil;as, como componentes essenciais    da nossa forma&ccedil;&atilde;o, que ser&aacute; amplamente explorado ap&oacute;s    a Revolu&ccedil;&atilde;o de 30 e particularmente durante o Estado Novo. Nesse    momento foi preciso recolocar os negros na exist&ecirc;ncia nacional. M&aacute;rio    de Andrade viajou pelo interior do Brasil em busca de nossas "ra&iacute;zes"    e coletou pr&aacute;ticas culin&aacute;rias, cantos de trabalhos e contribui&ccedil;&otilde;es    culturais de diversas origens africanas; os negros foram pintados particularmente    por Portinari – que ao retratar um "lavrador de caf&eacute;"    escolheu com o modelo um negro, acentuando-lhe os tra&ccedil;os fenot&iacute;picos,    e n&atilde;o um dos imigrantes europeus que foram justamente trazidos para a    lavoura cafeeira – ou descritos, ainda que de maneira paternalista e caricata    por Monteiro Lobato.</font></P>     <p><font size="3">No &acirc;mbito acad&ecirc;mico a resposta &agrave; necessidade    de se repensar o lugar do negro na identidade brasileira veio &agrave; tona    com o I Congresso Afro-Brasileiro realizado em Recife, em 1934 e a segunda edi&ccedil;&atilde;o    em Salvador em 1937, com Gilberto Freyre, Edson Carneiro, Manuel Querino. Nesses    eventos a &Aacute;frica n&atilde;o era objeto pr&oacute;prio de estudo. Era    t&atilde;o somente referida. O que se queria efetivamente era compreender a    dita "<i>quest&atilde;o negra</i>", para a constitui&ccedil;&atilde;o    de uma imagem de povo, para a forma&ccedil;&atilde;o do <i>car&aacute;ter nacional    brasileiro</i>, ali&aacute;s t&iacute;tulo de famoso livro (9). Em que pesem    as diferen&ccedil;as interpretativas, esse grupo rompeu com as teses de Nina    de Rodrigues e passou a encarar a mulatidade brasileira como positiva. O mulato,    e o mesti&ccedil;o em geral, deixou de ser visto como o ser degenerado e passou    a simbolizar, em sentido positivo, a s&iacute;ntese cultural brasileira. J&aacute;    em 1923, o jurista negro Evaristo de Moraes no artigo "Brancos, negros    e mulatos"(10) dizia que a "fus&atilde;o &eacute;tnica" era essencial    e traria benef&iacute;cios para a civiliza&ccedil;&atilde;o. A dissemina&ccedil;&atilde;o    distorcida dessa formula&ccedil;&atilde;o, que alguns creditam a Gilberto Freyre,    seu mais conhecido apologista, levou paulatinamente &agrave; definitiva consolida&ccedil;&atilde;o    do mito das tr&ecirc;s ra&ccedil;as e a institui&ccedil;&atilde;o de outro,    este sim da lavra de Freyre: o de que o Brasil era <i>sui generis</i> pois,    contrariamente a outras experi&ecirc;ncias escravocratas no mundo, era uma democracia    racial. Todos quantos conhecem a obra de Freyre sabem que ele assentava suas    teses sobre a premissa de uma especificidade colonial portuguesa. Para ele a    alma portuguesa – devido ao car&aacute;ter miscigenado do pr&oacute;prio    povo portugu&ecirc;s e ao cristianismo – era inatamente aberta &agrave;    miscigena&ccedil;&atilde;o e avessa a qualquer forma de racismo. </font></P>     <p><font size="3">No Brasil, antes que o mito da democracia racial se propagasse,    as imagens de que a &Aacute;frica era sin&ocirc;nimo de atraso e barbarismo    contaminou at&eacute; mesmo os pr&oacute;prios negros brasileiros que buscavam    distanciar-se da mesma, conforme apontava artigo publicado pelo <i>Getulino</i>,    um jornal negro:</font></P>     <p><font size="3">"Segundo doutrina de um 'cara' qualquer 'yankee'    a Am&eacute;rica &eacute; para os americanos. Nesta conta n&atilde;o entrou    o negro, o chim, o nippon etc., ainda que nascidos ali. Deste, por&eacute;m,    o negro &eacute; o que mais &eacute; tido como indesej&aacute;vel. E, natural&iacute;ssimo,    portanto, que essa gente assim oficialmente repudiada trate de dar o fora da    terra madrasta onde tiveram a felicidade de nascer. Que v&aacute; para a &Aacute;frica,    expulse, se puder, os donos daquela 'pin&oacute;ia', banque o domador    de feras, aprenda o idioma ind&iacute;gena, ou fa&ccedil;a prevalecer o seu,    vista uma tanga ou fa&ccedil;a com que o preto ind&iacute;gena vista casaca    e as pretinhas, tamb&eacute;m ind&iacute;genas, usem p&oacute; de arroz e carmim,    ou que as que v&atilde;o metam-se em tangas… Tudo isso est&aacute; muito    bom, mas, que preto brasileiro pense em aderir a essa id&eacute;ia, eu reputo    o m&aacute;ximo de absurdo no m&iacute;nimo de toler&acirc;ncia poss&iacute;vel.    A &Aacute;frica &eacute; para os africanos, meu nego. Foi para o teu bisav&ocirc;    cujos ossos, a esta hora &agrave; terra reverteram e em p&oacute; se tornaram.    A &Aacute;frica &eacute; para quem n&atilde;o teve o trabalho de cultivar e    dar vitalidade a um imenso pa&iacute;s como este. A &Aacute;frica &eacute; para    quem quiser, menos para n&oacute;s, isto &eacute;, para os negros do Brasil    que no Brasil nasceram, criaram e multiplicaram. Nem por brincadeira, se pense    que negro brasileiro fa&ccedil;a alguma cousa que preste em &Aacute;frica. /…/    N&atilde;o seria melhor que tu fosses mais brasileiro, isto &eacute;, que tu    fosses patriota em benef&iacute;cio desta terra bendita que te viu nascer, que    te acolhe como m&atilde;e carinhosa, esta terra que &eacute; nossa /…/    &eacute; nossa j&aacute; ouviu? Nossa porque fomos n&oacute;s que a edificamos,    n&oacute;s que lhe demos tudo, at&eacute; o sangue, para lhe garantir a integridade    quando das invas&otilde;es de estrangeiros. O Brasil &eacute; para os brasileiros,    que quer dizer &eacute; para os negros, j&aacute; ouviu?/ … / n&oacute;s    estamos em nossa casa" (11)</font></P>     <p><font size="3"><b>IDENTIDADE BRASILEIRA</b> Em que pese a nega&ccedil;&atilde;o    em se aproximar da &Aacute;frica, o discurso &eacute; de uma lucidez &iacute;mpar.    Eram cientes de que a volta para &Aacute;frica impunha dois caminhos: adaptar-se    aos h&aacute;bitos da terra ou tornar-se opressor dos povos locais, como fizeram    os negros norte-americanos na Lib&eacute;ria. N&atilde;o reivindicam nenhuma    perten&ccedil;a identit&aacute;ria &agrave; &Aacute;frica, mas ao Brasil, terra    que ajudaram a construir. Reconhecem-se enquanto brasileiros e sabiam claramente    que esta era sua terra. Isso poderia ter tido desdobramentos pol&iacute;ticos    na medida em que n&atilde;o transferiam a satisfa&ccedil;&atilde;o de suas necessidades    nem a resolu&ccedil;&atilde;o de seus problemas para uma terra distante.</font></P>     <p><font size="3">Logo ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o de 30 surgiu em S&atilde;o    Paulo, em 1931, a Frente Negra Brasileira, como uma organiza&ccedil;&atilde;o    inspirada no esp&iacute;rito nacionalista ent&atilde;o em voga. A forma organizativa    e o discurso era extremamente pr&oacute;ximo do Movimento Integralista que preconizava,    &agrave; direita, a defesa dos valores nacionais. O <i>slogan</i> dos integralistas    era "Deus, P&aacute;tria e Fam&iacute;lia" e da Frente Negra era "Deus,    P&aacute;tria, Ra&ccedil;a e Fam&iacute;lia". Para termos uma id&eacute;ia    de como se posicionavam em rela&ccedil;&atilde;o ao tema da ra&ccedil;a ent&atilde;o    em ebuli&ccedil;&atilde;o, tomemos trecho de artigo de seu &oacute;rg&atilde;o    oficial, <i>A Voz da Ra&ccedil;a</i>: "Que nos importa que Hitler n&atilde;o    queira, na sua terra, o sangue negro! Isso mostra unicamente que a Alemanha    Nova se orgulha da sua ra&ccedil;a. N&oacute;s tamb&eacute;m, n&oacute;s brasileiros,    temos ra&ccedil;a. N&atilde;o queremos saber de arianos. Queremos o brasileiro    negro e mesti&ccedil;o que nunca traiu nem trair&aacute; a Na&ccedil;&atilde;o"    (12) Este discurso claramente se op&otilde;e ao arianismo em moda sem ultrapassar    entretanto a defini&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a ent&atilde;o aceita como    crit&eacute;rio identit&aacute;rio. A &Aacute;frica e os africanos n&atilde;o    jogam aqui qualquer papel na constitui&ccedil;&atilde;o da identidade negra    brasileira.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">P&oacute;s Segunda Guerra Mundial e com a fal&ecirc;ncia dos    regimes defensores do racialismo, emergiu no ambiente acad&ecirc;mico brasileiro    uma nova gera&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pactuava com Freyre e que claramente    se distanciava do discurso racialista. Caio Prado Jr, Florestan Fernandes e    depois Ot&aacute;vio Ianni entre outros disc&iacute;pulos de Roger Bastide,    come&ccedil;aram em S&atilde;o Paulo a estudar o negro sob perspectivas novas,    fossem inspiradas por Weber, fosse por Marx: os temas passaram a ser a escravid&atilde;o    enquanto sistema de opress&atilde;o e aliena&ccedil;&atilde;o e os modernos    conflitos raciais, rela&ccedil;&otilde;es de classe. A &Aacute;frica e os africanos,    contudo, continuaram ausentes.</font></P>     <p><font size="3">A &Aacute;frica s&oacute; re-emergiu no Brasil, numa perspectiva    das rela&ccedil;&otilde;es internacionais – e anticolonialista –    com Jos&eacute; Hon&oacute;rio Rodrigues(13) em obra que coincidiu com o desencadear    da luta armada de liberta&ccedil;&atilde;o nacional na Guin&eacute;-Bissau e    Angola e com a chamada pol&iacute;tica externa independente levada a cabo pelo    governo J&acirc;nio Quadros. &Eacute; desse per&iacute;odo a cria&ccedil;&atilde;o    de tr&ecirc;s centros de estudos africanos existentes ainda hoje no Brasil.    Em 1959 foi fundado o Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao) na Universidade    Federal da Bahia; em 1961 o Instituto Brasileiro de Estudos Afro-Asi&aacute;ticos    (IBEAA) ligado &agrave; presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, fechado com o    golpe militar; em 1963, o Centro de Estudos e Cultura Africana, junto &agrave;    Faculdade de Filosofia da Universidade de S&atilde;o Paulo, hoje denominado    Centro de Estudos Africanos (CEA) e, em 1973, o Centro de Estudos Afro-Asi&aacute;ticos    (CEAA) do Rio de Janeiro, uma esp&eacute;cie de herdeiro do IBEAA.</font></P>     <p><font size="3">Ap&oacute;s o golpe militar de 1964, novamente o Brasil afastou-se    da &Aacute;frica e voltou a subordinar sua pol&iacute;tica externa africana    aos interesses colonialistas portugueses. Principalmente ap&oacute;s o AI-5    (1968) os militantes portugueses e africanos exilados no Brasil foram perseguidos    e, por alguns anos, falar de &Aacute;frica, principalmente das col&ocirc;nias    portuguesas onde os movimentos nacionalistas assumiam paulatinamente sua op&ccedil;&atilde;o    socialista, constitu&iacute;a tabu e motivo para pris&otilde;es. Mas, aos poucos,    nos anos 1970 com a expans&atilde;o da luta armada nas ent&atilde;o col&ocirc;nias    portugueses, a &Aacute;frica voltou &agrave; cena, agora n&atilde;o mais restrita    aos meios acad&ecirc;micos mas como uma nova for&ccedil;a na constitui&ccedil;&atilde;o    identit&aacute;ria brasileira em particular entre a comunidade negra. Muitos    eram militantes de organiza&ccedil;&otilde;es clandestinas de esquerda e tinham    a convic&ccedil;&atilde;o de que a luta dos negros brasileiros deveria ser inspirada    mais na luta travada na &Aacute;frica do que no movimento negro norte-americano.    Mas essa n&atilde;o era uma posi&ccedil;&atilde;o un&acirc;nime o que levou    a dissid&ecirc;ncias (14). Por fim, em 1978 foi criado o Movimento Negro Unificado.    Sob um regime ditatorial, e como os temas mais candentes da realidade brasileira    n&atilde;o podiam emergir, houve de uma maneira cat&aacute;rtica, certa apropria&ccedil;&atilde;o    pela esquerda brasileira dos temas levantados pelos movimentos de liberta&ccedil;&atilde;o    africanos. Aos poucos, contudo, e &agrave; medida que esfriavam as not&iacute;cias    sobre as ex-col&ocirc;nias, a presen&ccedil;a dos temas "africanos"    foi perdendo espa&ccedil;o para uma agenda das quest&otilde;es raciais muito    mais pautada pela experi&ecirc;ncia da discuss&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    raciais norte-americanas.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a18fig01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A partir de 1972/73 o pr&oacute;prio regime militar come&ccedil;ou    a perceber a irreversibilidade dos processos de independ&ecirc;ncia, e que se    manter em oposi&ccedil;&atilde;o aos mesmos era franquear os promissores mercados    a outros parceiros e desenhou-se aquilo que ser&aacute; conhecida como a&ccedil;&atilde;o    diplom&aacute;tica pragm&aacute;tica. J&aacute; n&atilde;o importava a cor f&iacute;sica    ou ideol&oacute;gica dos parceiros, desde que comprassem produtos brasileiros.    Essa pol&iacute;tica gestada numa das fases mais repressivas da ditadura militar    brasileira sob comando do general Garrastazu M&eacute;dici, foi seguida por    seu sucessor general Geisel; o Brasil passou &agrave; ofensiva reconhecendo    a declara&ccedil;&atilde;o unilateral de independ&ecirc;ncia proclamada pelo    Partido Africano para a Independ&ecirc;ncia da Guin&eacute; e Cabo Verde (PAIGC)    e foi um dos primeiros pa&iacute;ses ocidentais a reconhecer o governo do Movimento    Popular para Liberta&ccedil;&atilde;o de Angola (MPLA). Para se ter id&eacute;ia    de tal pragmatismo coube a um general – Figueiredo – ser o primeiro    presidente brasileiro a visitar a &Aacute;frica.</font></P>     <p><font size="3">Os anos 1980 foram marcados por um refluxo nas atividades voltadas    para &Aacute;frica, talvez como um reflexo de igual refluxo nas rela&ccedil;&otilde;es    econ&ocirc;micas entre o Brasil e aquele continente, igualmente afetados pela    crise, mas principalmente porque com a "Abertura" pol&iacute;tica    p&ocirc;de-se finalmente resgatar os estudos acerca das rela&ccedil;&otilde;es    raciais brasileiras, agora com a perspectiva de constitui&ccedil;&atilde;o de    uma sociedade democr&aacute;tica.</font></P>     <p><font size="3">Mas qual o lugar da &Aacute;frica no atual cen&aacute;rio brasileiro?    Com certa simplifica&ccedil;&atilde;o, podemos dizer que de, maneira geral,    prevalece em um polo certa imagem hegeliana, e no outro, n&atilde;o menos exotizante,    uma "Mama &Aacute;frica", origin&aacute;ria, profunda, virgem, paradis&iacute;aca,    que serviria de inspira&ccedil;&atilde;o para uma pol&iacute;tica anti-racista    no Brasil: persegue-se uma hist&oacute;ria da "verdadeira &Aacute;frica",    de um tempo na qual esta viveria num para&iacute;so, conspurcado pelo colonialismo.    Os africanos e a &Aacute;frica que se busca sob esta perspectiva &eacute; aquela    colocada num freezer, onde a cultura se inscreve num tempo m&iacute;tico, que    se repete, onde n&atilde;o h&aacute; cria&ccedil;&atilde;o, nem hist&oacute;ria    (15). Essa imagem mitificada da &Aacute;frica tem dado lugar a usos e abusos    (16). Nessa mesma &oacute;tica cria-se um tipo "o africano", uma cultura    "africana" que supostamente corresponderia ao continente. &Eacute;    dif&iacute;cil crer que essa busca de inspira&ccedil;&atilde;o, a-hist&oacute;rica,    na hist&oacute;ria, possa efetivamente ajudar de maneira s&oacute;lida na forma&ccedil;&atilde;o    de uma consci&ecirc;ncia pol&iacute;tica e social anti-racista. </font></P>     <p><font size="3">Temos j&aacute; desde 2002 uma lei federal (10.639) que torna    obrigat&oacute;rio o ensino da hist&oacute;ria da &Aacute;frica e da cultura    afro-brasileira do ensino fundamental ao m&eacute;dio, mas o desafio fundamental    que encontramos &eacute; capacitar pessoas para que ambas os p&oacute;los dicot&ocirc;micos    sejam superados. O que fazer diante desse quadro? Minha contribui&ccedil;&atilde;o    e de meus colegas, poucos ainda &eacute; verdade, tem sido no sentido de batalhar    para que os estudos africanos ampliem espa&ccedil;o no Brasil, principalmente    atrav&eacute;s da introdu&ccedil;&atilde;o de cursos nas universidades que capacitem,    mesmo que superficialmente, novos formadores sociais. E nisso temos tido certo    &ecirc;xito. H&aacute; vinte anos havia no Brasil cerca de meia d&uacute;zia    de disciplinas voltadas para os estudos africanos em universidades brasileiras,    hoje seu n&uacute;mero &eacute; incont&aacute;vel e continua a crescer. Nestes    &uacute;ltimos anos tem sido realizados dezenas de concursos p&uacute;blicos    para professores de estudos africanos em universidades p&uacute;blicas. As institui&ccedil;&otilde;es    privadas seguem caminho semelhante. Multiplicam-se pelo pa&iacute;s afora cursos    de "especializa&ccedil;&atilde;o", de extens&atilde;o e de "capacita&ccedil;&atilde;o"    de professores. Surgiu finalmente no pa&iacute;s um programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    em estudos africanos e as ag&ecirc;ncias de fomento cient&iacute;fico e acad&ecirc;mico,    federais e estaduais, parecem finalmente despertar de sua letargia quanto ao    tema e ainda que timidamente, ensaiam passos para apoiar iniciativas e novos    liames entre a as comunidades acad&ecirc;micas brasileira e africanas. Enfim,    h&aacute; um onda crescente que envolve tamb&eacute;m a publica&ccedil;&atilde;o    de livros e materiais did&aacute;ticos diversos. Tudo isto nos parece extremamente    importante pois enquanto a &Aacute;frica permanecer desconhecida dos brasileiros,    tanto &agrave; direita, quanto &agrave; esquerda, tanto os reacion&aacute;rios    racistas, travestidos de liberais, quanto os que labutam arduamente para sua    extin&ccedil;&atilde;o, v&atilde;o continuar prisioneiros de uma vis&atilde;o    da &Aacute;frica que foi criada para dominar.</font></P>     ]]></body>
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