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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>CI&Ecirc;NCIA &amp; ARTE</b></font></p>     <p><font size="4"><b><small>CORPO E INVENTOS EST&Atilde;O EM EXPOSI&Ccedil;&Otilde;ES    E NOVO LIVRO</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A rela&ccedil;&atilde;o do ser humano com seu corpo &eacute;    uma quest&atilde;o que move fil&oacute;sofos, artistas e cientistas h&aacute;    muitos s&eacute;culos. A explora&ccedil;&atilde;o das possibilidades dessa rela&ccedil;&atilde;o    re&uacute;ne conhecimento e arte e chega &agrave; atualidade, atrav&eacute;s    de grandes exposi&ccedil;&otilde;es e registros editoriais de toda ordem. A    motiva&ccedil;&atilde;o pelas descobertas cient&iacute;ficas estimula a ind&uacute;stria    cinematogr&aacute;fica e o &aacute;udio-visual, e uma das amostras mais ricas    do momento chegou este ano para satisfazer a curiosidade do p&uacute;blico brasileiro.    Duas exposi&ccedil;&otilde;es, em &aacute;reas cont&iacute;guas da Oca, constru&ccedil;&atilde;o    que integra o Museu de Arte Moderna no Parque do Ibirapuera, em S&atilde;o Paulo,    t&ecirc;m caracter&iacute;sticas de <i>blockbuster</i>: filas enormes come&ccedil;aram    em mar&ccedil;o e devem se manter at&eacute; final de maio para ver "Leonardo    da Vinci – a exibi&ccedil;&atilde;o de um g&ecirc;nio", curadoria    de Bruce Peterson e "Corpo humano: real e fascinante", de Roy Glover.    A expectativa dos organizadores &eacute; que pelo menos a exposi&ccedil;&atilde;o    do g&ecirc;nio florentino se estenda at&eacute; o Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font size="3">Para o fil&oacute;sofo Francisco Javier Guerrero Ortega, membro    do Instituto de Medicina Social, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro,    "h&aacute; uma fixa&ccedil;&atilde;o no car&aacute;ter mutante do corpo,    que pode ser superado, ter pr&oacute;teses como um ciborgue, moldado em computador,    uma busca no sentido est&eacute;tico". Focado tamb&eacute;m nessa tem&aacute;tica    que, em sua opini&atilde;o, une as duas exposi&ccedil;&otilde;es, Ortega lan&ccedil;a    em agosto seu livro <i>O corpo incerto: corporeidade, tecnologias m&eacute;dicas,    e cultura contempor&acirc;nea</i>, onde trata do paradoxo do corpo como algo    que diz respeito ao que n&oacute;s somos e n&atilde;o ao que nos &eacute; imposto    esteticamente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a25fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A mostra de Leonardo da Vinci re&uacute;ne mais de 150 reprodu&ccedil;&otilde;es    das pe&ccedil;as do pintor da Renascen&ccedil;a italiana, divididas em 13 segmentos,    com o intuito de contemplar sua diversidade como cientista, fil&oacute;sofo,    pintor, inventor e anatomista. Segundo os organizadores, n&atilde;o foi focalizada    uma parte espec&iacute;fica da trajet&oacute;ria de Leonardo, j&aacute; que    o objetivo &eacute; uma exposi&ccedil;&atilde;o para divertir e com o car&aacute;ter    pedag&oacute;gico de atrair o interesse do p&uacute;blico para o artista e inventor.    Para isso, a exposi&ccedil;&atilde;o usa, por exemplo, recursos multim&iacute;dia,    como no caso da recria&ccedil;&atilde;o do "Homem Vitruviano" em 3    dimens&otilde;es para permitir ao p&uacute;blico uma experi&ecirc;ncia interativa.    A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; n&atilde;o apenas apresentar a vida e a obra    de Leonardo da Vinci (1452-1519), mas certificar-se de que a mostra atinja um    grande p&uacute;blico. Antes de chegar ao Brasil, parte deste acervo circulou    por pa&iacute;ses europeus, recebendo, em Roma, por exemplo, mais de 600 mil    visitantes e, em Moscou, aproximadamente 500 mil. A exposi&ccedil;&atilde;o    na Oca foi concebida em maio de 2006 numa parceria entre a Anthropos Foundation    e a RYP Austr&aacute;lia Major Projects. </font></p>     <p><font size="3"><b>HIPER-REALISMO </b>"Corpo humano: real e fascinante"    recupera a concep&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia existente no per&iacute;odo    do Cinquecento, &eacute;poca de grandes mestres dos estudos corporais em termos    de est&eacute;tica e perspectiva. A mostra itinerante, organizada ao mesmo tempo    na Oca e com visita sincronizada com a outra exposi&ccedil;&atilde;o, chegou    ao Brasil ap&oacute;s passar pela Inglaterra, Cor&eacute;ia do Sul e M&eacute;xico,    e tem exibi&ccedil;&otilde;es paralelas, atualmente, nos Estados Unidos e Holanda.    Em "Corpo humano" podem ser vistos 16 corpos e 225 &oacute;rg&atilde;os    verdadeiros, conservados a partir de uma t&eacute;cnica chamada polimeriza&ccedil;&atilde;o    que, segundo os organizadores, &eacute; um aperfei&ccedil;oamento do m&eacute;todo    de plastiniza&ccedil;&atilde;o, criado pelo alem&atilde;o Gunther von Hagens    em 1975 e patenteado em 1977. Hagens, que aperfei&ccedil;oou a t&eacute;cnica    at&eacute; a d&eacute;cada de 1990, organizou a exposi&ccedil;&atilde;o pioneira    "Body Worlds" (1996) que deu origem a uma s&eacute;rie de outras exposi&ccedil;&otilde;es    com um conceito muito semelhante.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A exposi&ccedil;&atilde;o est&aacute; dividida em nove setores    para representar cada sistema do organismo, dispostos com o car&aacute;ter educativo    de estudo da anatomia humana. Os corpos dissecados deixam vis&iacute;veis todas    as suas camadas, ossos, m&uacute;sculos e nervos, mostrando as diferentes fun&ccedil;&otilde;es    dos &oacute;rg&atilde;os e o funcionamento do corpo. </font></p>     <p><font size="3"><b>ESTUDO ANAT&Ocirc;MICO</b> Ortega identifica entre as duas    exposi&ccedil;&otilde;es da Oca um certo di&aacute;logo de continuidade. Hagens,    que foi pioneiro nesse tipo de exposi&ccedil;&atilde;o sobre o corpo, reproduz    uma dimens&atilde;o que havia nas exposi&ccedil;&otilde;es anat&ocirc;micas    ou nos estudos de anatomia art&iacute;stica do Renascimento. "Nesse per&iacute;odo,    a anatomia era da ordem do espet&aacute;culo p&uacute;blico e essas exposi&ccedil;&otilde;es    ocorriam em grandes teatros como o de Bologna, por exemplo, e tinham como alvo    a elite intelectual da cidade. </font></p>     <p><font size="3">Hagens recupera um pouco dessa dimens&atilde;o, mas choca porque    a anatomia n&atilde;o &eacute; mais algo p&uacute;blico nos dias atuais. As    disseca&ccedil;&otilde;es ocorrem dentro dos muros das universidades, dos centros    de pesquisa, dos hospitais. Hagens, ao fazer isso quebra um tabu de algo que    estava restrito ao ambiente m&eacute;dico", diz o fil&oacute;sofo da Uerj.</font></p>     <p><font size="3">Em sua opini&atilde;o, a visibilidade adquirida por tais exposi&ccedil;&otilde;es    adquire mais sentido com a atual cultura do corpo, que ganha cada vez mais import&acirc;ncia.    Recuperar essa dimens&atilde;o da anatomia renascentista &eacute; uma forma    de reatualizar pot&ecirc;ncias que j&aacute; estavam dadas nesse per&iacute;odo.    "&Eacute; como se Hagens e seus herdeiros, entre os quais Roy Glover, dissessem    <i>eu sou o &uacute;ltimo dos anatomistas</i>. Eles recuperam uma tradi&ccedil;&atilde;o    que foi interrompida quando a anatomia se tornou algo do privado. Recuperar    essa tradi&ccedil;&atilde;o &eacute; romper um tabu". </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a25fig02.gif" border="0" usemap="#Map">    <map name="Map">     <area shape="rect" coords="292,99,458,116" href="http://www.exposicaoleonardodavinci.com.br" target="_blank">     <area shape="rect" coords="9,122,110,138" href="http://www.exposicaoleonardodavinci.com.br" target="_blank">     <area shape="rect" coords="233,220,447,238" href="http://www.exposicaocorpohumano.com.br" target="_blank">   </map> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Ele lembra, ainda, que von Hagens vem sendo acusado pela promotoria    da Baviera pela compra de cad&aacute;veres na R&uacute;ssia ou de usar cad&aacute;veres    de pessoas executadas na China. A divulga&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o    de Glover sobre corpo humano na Oca garante que "todos os corpos e &oacute;rg&atilde;os    exibidos nesta exposi&ccedil;&atilde;o s&atilde;o de indiv&iacute;duos acometidos    de morte natural, que optaram por participar de um programa de doa&ccedil;&atilde;o    de seus pr&oacute;prios corpos em benef&iacute;cio da ci&ecirc;ncia e da educa&ccedil;&atilde;o,    realizado pela Rep&uacute;blica Popular da China."</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Marta Kanashiro</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n2/a25fig03.jpg">></p>      ]]></body>
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