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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a03img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a04fig01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="4"><b>Invisibilidade social dos trabalhadores</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Os novos paradigmas existentes no mundo do trabalho de hoje    instauraram, como principal caracter&iacute;stica, o termo "trabalho invis&iacute;vel",    que passou a ser recorrente para caracterizar tipos de ocupa&ccedil;&atilde;o,    em geral com baixa qualifica&ccedil;&atilde;o, com pouco ou nenhum v&iacute;nculo    empregat&iacute;cio, em sua grande maioria tempor&aacute;rio e que se encontra    fora dos sistemas de prote&ccedil;&atilde;o social. Esse tipo de ocupa&ccedil;&atilde;o,    muito presente na informalidade, gera uma invisibilidade social pois n&atilde;o    existem v&iacute;nculos nem com o Estado nem com as institui&ccedil;&otilde;es    civis.</font></P>     <P><font size="3">Para Leonardo Mello e Silva, soci&oacute;logo da Universidade    de S&atilde;o Paulo (USP) e membro do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania,    tal fen&ocirc;meno possui diversas causas e varia de acordo com os diferentes    contextos em que est&atilde;o inseridos. "No Brasil, os trabalhos de baixa    qualifica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o mal vistos, principalmente o trabalho    manual, e a invisibilidade atinge de forma mais intensa esse tipo ocupa&ccedil;&atilde;o",    diz. Silva considera que a pr&oacute;pria heran&ccedil;a escravocrata do pa&iacute;s    remete a isso, uma vez que o trabalho pesado era uma atividade associada aos    escravos. O fato de as leis trabalhistas terem sido implantadas no pa&iacute;s    tardiamente (1942) evidencia como o trabalho era considerado uma atividade mal    vista, acrescenta.</font></P>     <P><font size="3"><b>CONTEMPOR&Acirc;NEO</b> As formas de organiza&ccedil;&atilde;o    da produ&ccedil;&atilde;o capitalista trouxeram grandes transforma&ccedil;&otilde;es    no mundo do trabalho. Para a historiadora da USP, Zilda M&aacute;rcia Gr&iacute;coli    Iokoi, os pa&iacute;ses tornaram-se dependentes de um sistema transnacional,    de modo que o capital vai para os lugares com condi&ccedil;&otilde;es que lhe    sejam mais favor&aacute;veis. Assim, os lugares onde a m&atilde;o-de-obra &eacute;    mais barata s&atilde;o os preferidos das grandes empresas. Essa l&oacute;gica    de produ&ccedil;&atilde;o gera trabalhos altamente qualificados ligados &agrave;    produ&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, assim como ocupa&ccedil;&otilde;es    semelhantes &agrave; era pr&eacute;-taylorista. "Nesses casos, a renda    &eacute; associada diretamente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, ou seja, o trabalhador    ganha o equivalente ao que produz; os direitos trabalhistas praticamente deixam    de existir", acrescenta. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">O caso de mexicanos que entram ilegalmente nos Estados Unidos    para tentar uma vida melhor s&atilde;o os melhores exemplos dos tipos de trabalho    invis&iacute;vel da era pr&eacute;-taylorista. Como s&atilde;o ilegais e precisam    fugir do departamento de imigra&ccedil;&atilde;o, esses trabalhadores aceitam    qualquer tipo de trabalho por remunera&ccedil;&otilde;es baixas, sem qualquer    v&iacute;nculo ou direito. </font></P>     <P><font size="3">No Brasil, uma situa&ccedil;&atilde;o parecida, ainda que em    escala bem menor, &eacute; vivida atualmente pelos bolivianos, que s&atilde;o    recrutados para trabalharem em oficinas de costura na cidade de S&atilde;o Paulo    (o bairro Bom Retiro &eacute; o lugar onde concentra o maior n&uacute;mero)    em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias. "Muitos trabalham sem remunera&ccedil;&atilde;o    e s&atilde;o obrigados a permanecer no local at&eacute; pagar os custos de viagem,    dormem em instala&ccedil;&otilde;es inadequadas, s&atilde;o mal alimentados    e h&aacute; at&eacute; casos de crian&ccedil;as rec&eacute;m-nascidas que s&atilde;o    retiradas dos pais", diz Zilda Iokoi. </font></P>     <P><font size="3">Como essas pessoas entram de forma ilegal no pa&iacute;s, muitas    t&ecirc;m medo de procurar ajuda e preferem se tornarem invis&iacute;veis para    o sistema. Estima-se que haja 70 mil bolivianos vivendo em S&atilde;o Paulo,    a maioria de forma ilegal, e o custo m&eacute;dio da viagem at&eacute; o Brasil    &eacute; de US$ 160, valor a ser descontado do sal&aacute;rio. Recentemente    os governos dos dois pa&iacute;ses fecharam um acordo bilateral para tentar    minimizar o problema: estabeleceu-se que todo boliviano (menos os que possuem    antecedentes criminais) que chegou ao Brasil at&eacute; 15 de agosto de 2005,    pode pedir sua documenta&ccedil;&atilde;o e permanecer de forma legalizada.    </font></P>     <P><font size="3"><b>FORA DA ORDEM</b> Para a soci&oacute;loga da USP, Vera da    Silva Telles, as refer&ecirc;ncias utilizadas para observar o mundo do trabalho    precisam se alterar para acompanhar as transforma&ccedil;&otilde;es sociais.    "Tradicionalmente se classifica o trabalho nas categorias formal e informal    e isso n&atilde;o &eacute; mais suficiente para entender a realidade",    diz. Telles acompanhou o percurso de diversos jovens da periferia de S&atilde;o    Paulo e percebeu uma trajet&oacute;ria descont&iacute;nua no mercado de trabalho.    "O trabalho tempor&aacute;rio se prolifera atrav&eacute;s das ag&ecirc;ncias    de emprego conectadas a empresas terceirizadas de presta&ccedil;&atilde;o de    servi&ccedil;os, e &eacute; por a&iacute; que os jovens fazem seus percursos,    sempre inst&aacute;veis no mercado de trabalho", explica. Nesse sentido,    as experi&ecirc;ncias de trabalho e n&atilde;o trabalho se confundem e essas    pessoas fogem das classifica&ccedil;&otilde;es tradicionais.</font></P>     <P>Telles cita o exemplo dos motoboys que est&atilde;o no meio do caminho entre    o trabalho formal e a informalidade, permeado por uma brutalidade imposta pela    competividade (muitos motoboys recebem de acordo com a quantidade de entregas    que faz). A soci&oacute;loga lembra tamb&eacute;m dos perueiros, que oscilam    entre a legalidade e ilegalidade, assim como os camel&ocirc;s e outros trabalhadores.    "Esse novo tipo de ocupa&ccedil;&atilde;o foge &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es    pol&iacute;ticas, sindicais e sociais. De certa forma, s&atilde;o invis&iacute;veis",    completa.</P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Cau&ecirc; Nunes</i></font></P>      ]]></body>
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