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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a03img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a07fig01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">GUIAS DE CAMPO</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a03img02.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Diversas publica&ccedil;&otilde;es se dedicam a orientar    turistas na observa&ccedil;&atilde;o da natureza</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">No fundo do rio, um dourado ziquezagueia tranq&uuml;ilo. De    seu ninho, a coruja buraqueira abre as asas para al&ccedil;ar v&ocirc;o. Nem    o peixe nem a ave sabem, mas por tr&aacute;s das lentes dos &oacute;culos de    mergulho ou do bin&oacute;culo, eles est&atilde;o sendo observados. No Brasil,    o aumento do interesse pelo contato com a natureza fez surgir um novo fil&atilde;o    no mercado do ecoturismo: os guias tur&iacute;sticos, ou guias de campo, publica&ccedil;&otilde;es    que orientam a observa&ccedil;&atilde;o da fauna, da flora e dos variados ecossistemas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O guia de campo cont&eacute;m, em linguagem simples e acess&iacute;vel,    uma s&eacute;rie de informa&ccedil;&otilde;es sobre uma regi&atilde;o espec&iacute;fica,    como o Cerrado ou a Amaz&ocirc;nia, com dados sobre as principais paisagens    e as esp&eacute;cies da fauna e da flora que ali s&atilde;o encontradas. Pode    tamb&eacute;m orientar a observa&ccedil;&atilde;o de animais e plantas, reunindo    informa&ccedil;&otilde;es sobre a &aacute;rea de ocorr&ecirc;ncia da esp&eacute;cie,    suas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas e outros dados que ajudem em sua    identifica&ccedil;&atilde;o. Segundo o bi&oacute;logo Jos&eacute; Sabino, da    Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Regi&atilde;o do Pantanal    (Uniderp), o guia de campo deve ser did&aacute;tico e pr&aacute;tico de usar.    Sabino coordena o projeto "Peixes de Bonito", que, entre outras coisas,    produziu um guia para observa&ccedil;&atilde;o de peixes de &aacute;gua doce,    que cont&eacute;m dados sobre as 24 principais esp&eacute;cies, das cerca de    90 j&aacute; identificadas nos rios do Planalto da Bodoquena – regi&atilde;o    onde se localiza a cidade de Bonito, no sudoeste do Mato Grosso do Sul. A novidade    &eacute; que foi impresso em folha de papel plastificada e pode ser levado pelo    turista para baixo d’&aacute;gua. "J&aacute; existem guias como este usados    nos mergulhos submarinos, mas para &aacute;gua doce &eacute; o primeiro",    destaca o bi&oacute;logo.</font></P>     <p><font size="3">Os rios do Planalto da Bodoquena s&atilde;o privilegiados por    sua &aacute;guas transparentes e "funcionam como uma janela para a vida    subaqu&aacute;tica". Sabino destaca a riqueza da biodiversidade brasileira:    o pa&iacute;s tem o maior n&uacute;mero de esp&eacute;cies de peixes de &aacute;gua    doce do mundo, uma estimativa que varia de 4 a 5 mil esp&eacute;cies. Embora    a maioria delas viva em &aacute;guas turvas, os peixes da regi&atilde;o de Bonito    podem ser facilmente observados por conta das &aacute;guas cristalinas.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a07fig02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Al&eacute;m do papel informativo, esse tipo de guia de campo    se presta &agrave; educa&ccedil;&atilde;o ambiental, com informa&ccedil;&otilde;es    sobre a regi&atilde;o e orienta&ccedil;&otilde;es de roteiro para diminuir o    impacto ambiental da visita&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. O bi&oacute;logo    acredita que a fun&ccedil;&atilde;o do guia &eacute; tamb&eacute;m a de sensibilizar    cidad&atilde;os urbanos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s paisagens naturais.    "Em geral, o rio &eacute; visto como um lugar de onde se tira &aacute;gua    e se devolve esgoto", explica. Uma vis&atilde;o que precisa ser mudada.</font></P>     <p><font size="3">O projeto possui um bra&ccedil;o na universidade. Perto de 30    pesquisadores estudam a ecologia da regi&atilde;o, o comportamento dos animais    e pretendem descrever as 20% de esp&eacute;cies de peixes que ainda n&atilde;o    foram identificadas. O livro <i>Guia de peixes da serra da Bodoquena</i>, uma    publica&ccedil;&atilde;o maior que acompanha o guia subaqu&aacute;tico, ter&aacute;    informa&ccedil;&otilde;es mais detalhadas sobre todas as esp&eacute;cies de    peixes conhecidas da regi&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3"><b>DA &Aacute;GUA AO AR</b> Enquanto alguns mergulham em busca    de belezas submersas, outros mant&ecirc;m os p&eacute;s firmes no ch&atilde;o,    mas a cabe&ccedil;a voltada para o c&eacute;u. "O observador de aves &eacute;    um fan&aacute;tico, seu mundo &eacute; totalmente diferente do resto",    diz a bi&oacute;loga e doutora em ecologia, Martha Argel, 30 anos de trabalho    com aves. Argel &eacute; uma das coordenadoras de uma parceria internacional    que visa fazer um guia de observa&ccedil;&atilde;o de aves que corrija os muitos    problemas dos atuais. Segundo ela, os guias brasileiros apresentam problemas    de informa&ccedil;&atilde;o, tamanho, e nas ilustra&ccedil;&otilde;es. </font></P>     <p><font size="3">No entanto, fazer uma publica&ccedil;&atilde;o completa para    observa&ccedil;&atilde;o de aves esbarra na quantidade de esp&eacute;cies de    aves existentes no territ&oacute;rio nacional: "s&atilde;o mais de 1880    e se forem reunidas em um &uacute;nico guia, o livro ficaria enorme. E um guia    de 3 quilos n&atilde;o &eacute; um guia", diz Martha. Por isso, o guia    ser&aacute; dividido em seis volumes, cada um tratando de uma regi&atilde;o    espec&iacute;fica do pa&iacute;s. O primeiro vai conter as aves do Cerrado e    do Pantanal e sua publica&ccedil;&atilde;o est&aacute; prevista para janeiro    de 2008.</font></P>     <p><font size="3">O guia ser&aacute; bil&iacute;ngue (portugu&ecirc;s/ingl&ecirc;s)    e a meta &eacute; que "o Brasil integre o circuito internacional de observa&ccedil;&atilde;o    de aves, devido &agrave; diversidade da fauna local". Outro objetivo &eacute;    difundir a cultura de observa&ccedil;&atilde;o de aves no pa&iacute;s, criando    uma fonte de refer&ecirc;ncia para estudiosos e de capacita&ccedil;&atilde;o    para os guias especializados, acrescenta a ecologista. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Para o fot&oacute;grafo de natureza Daniel De Granville, a educa&ccedil;&atilde;o    dos guias de turismo a partir do guia impresso &eacute; fundamental para fomentar    a pr&aacute;tica tur&iacute;stica. "O guia de campo incrementa com informa&ccedil;&otilde;es    t&eacute;cnicas o conhecimento emp&iacute;rico dessas pessoas", explica.    O fot&oacute;grafo &eacute; um dos idealizadores do <i>Guia de campo de Bonito</i>,    uma publica&ccedil;&atilde;o que re&uacute;ne as principais esp&eacute;cies    da fauna e da flora da cidade tur&iacute;stica sul-mato-grossense. Granville    lembra que a diferen&ccedil;a entre o turismo de contempla&ccedil;&atilde;o    e o de intera&ccedil;&atilde;o traz distin&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m aos    guias de campo. Em Bonito, os turistas buscam mais a adrenalina dos esportes    de a&ccedil;&atilde;o do que a observa&ccedil;&atilde;o da natureza.</font></P>     <p><font size="3"><b>AVES URBANAS</b> De acordo com a bi&oacute;loga e consultora    em ecoturismo, Maria Antonietta Pivatto, em outros pa&iacute;ses &eacute; comum    o uso de guias dos mais variados temas (aves, flores, cogumelos, mam&iacute;feros,    rochas, conchas, etc). "Aqui, ainda &eacute; artigo raro e depende de iniciativas    isoladas", diz a consultora, que participou da elabora&ccedil;&atilde;o    do <i>Guia de campo de Bonito</i>. Ela reconhece, no entanto, que h&aacute;    um crescente aumento na oferta e cita publica&ccedil;&otilde;es como <i>Aves    da Grande S&atilde;o Paulo</i>, <i>Aves do Parque Ibirapuera</i>, <i>Frutas    do Cerrado</i> e <i>Plantas do Pantanal</i>, entre outras.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a07fig03.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Na opini&atilde;o de Martha Argel, o h&aacute;bito de buscar    informa&ccedil;&otilde;es em guias de observa&ccedil;&atilde;o da natureza ainda    n&atilde;o &eacute; difundida no pa&iacute;s. Em sua &aacute;rea, ela destaca    um deles – o <i>Aves da Grande S&atilde;o Paulo</i> – que permite &agrave;s    pessoas observarem as aves sem sair da cidade. "A maior parte das visitas    ocorre nos parques nacionais do Igua&ccedil;u e da Tijuca. Nos outros a visita&ccedil;&atilde;o    &eacute; muito pequena", acrescenta. Apenas 1,5% dos brasileiros freq&uuml;enta    os parques, segundo a tese de mestrado da ge&oacute;grafa Andr&eacute;a Zimmermann,    defendida na Universidade de Bras&iacute;lia (Unb). Para Martha, um guia que    identifique quais s&atilde;o as aves existentes na pr&oacute;pria cidade, no    caminho da casa para o trabalho, por exemplo, pode estimular as pessoas a repararem    mais a beleza a seu redor e fazer com que seu interesse expanda para paisagens    mais distante.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Murilo Alves Pereira</i></font></P>      ]]></body>
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