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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a12img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>O CLIMA ATUAL E FUTURO DA AMAZ&Ocirc;NIA NOS CEN&Aacute;RIOS    DO IPCC: A QUEST&Atilde;O DA SAVANIZA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Luiz Antonio C&acirc;ndido, Antonio Ocimar Manzi, Julio Tota,    Paulo Ricardo Teixeira da Silva, Fl&eacute;rida Seixas Moreno da Silva, Rosa    Maria Nascimento dos Santos, Francis Wagner Silva Correia</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><font size=5><b>A</b></font>s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas    globais, provocadas pelo aumento da concentra&ccedil;&atilde;o de gases de efeito    estufa na atmosfera ap&oacute;s a revolu&ccedil;&atilde;o industrial, afetar&atilde;o    todos os setores das atividades humanas e os ecossistemas, como a sa&uacute;de    p&uacute;blica, a agricultura, os recursos florestais, os recursos h&iacute;dricos    e as &aacute;reas costeiras, por exemplo. Uma s&iacute;ntese dos &uacute;ltimos    resultados divulgados pelo Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas    (IPCC, na sigla em ingl&ecirc;s) indica que haver&aacute;, no decorrer deste    s&eacute;culo, aumento de temperatura por todo o planeta, sendo mais severo    sobre os continentes do que sobre os oceanos e aumento do n&iacute;vel dos oceanos.    Haver&aacute; ainda aumento de chuvas nas regi&otilde;es que j&aacute; s&atilde;o    bem providas de chuvas e diminui&ccedil;&atilde;o nas regi&otilde;es que hoje    sofrem com a escassez de &aacute;gua, al&eacute;m de aumentar a freq&uuml;&ecirc;ncia    e a intensidade dos eventos extremos, como furac&otilde;es, inunda&ccedil;&otilde;es    e secas prolongadas (1). </font></P>     <p><font size="3">Todavia, o quadro geral de mudan&ccedil;as do regime de chuvas    nem sempre se aplica a todas as regi&otilde;es da Terra. &Eacute; o caso da    Amaz&ocirc;nia, onde todos os modelos projetam aumento de temperatura, mas n&atilde;o    concordam entre si com respeito &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es no regime    de chuvas. Alguns modelos projetam diminui&ccedil;&atilde;o, outros aumento    e alguns pouca altera&ccedil;&atilde;o no regime de chuvas (2).</font></P>     <p><font size="3">A possibilidade da floresta amaz&ocirc;nica n&atilde;o resistir    &agrave; mudan&ccedil;a do regime de chuvas e ser substitu&iacute;da por um    ecossistema de vegeta&ccedil;&atilde;o mais esparsa, do tipo savana, &eacute;    levantada em v&aacute;rios trabalhos (3, 4, 6). As proje&ccedil;&otilde;es de    savaniza&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia v&ecirc;m, sobretudo, dos resultados    do modelo clim&aacute;tico do Centro Hadley do Reino Unido (3, 4), pelo fato    deste projetar no futuro um padr&atilde;o mais freq&uuml;ente de temperatura    das &aacute;guas superficiais do oceano Pac&iacute;fico equatorial t&iacute;pica    do fen&ocirc;meno El-Ni&ntilde;o, e tamb&eacute;m projetar aumento da temperatura    das &aacute;guas superficiais do oceano Atl&acirc;ntico na regi&atilde;o tropical    do Hemisf&eacute;rio Norte (6). O fen&ocirc;meno El-Ni&ntilde;o est&aacute;    associado a condi&ccedil;&otilde;es mais secas na Amaz&ocirc;nia, especialmente    nas regi&otilde;es norte, central e leste, enquanto que o aquecimento das &aacute;guas    do oceano Atl&acirc;ntico norte est&aacute; associado a situa&ccedil;&otilde;es    de esta&ccedil;&atilde;o seca mais severa na regi&atilde;o sul e sudoeste da    Amaz&ocirc;nia(7, 8, 12). Portanto, um cen&aacute;rio futuro de "El-Ni&ntilde;os"    e &aacute;guas relativamente mais quentes no oceano Atl&acirc;ntico tropical    norte levar&aacute;, certamente, a importantes redu&ccedil;&otilde;es de chuvas    e ao alongamento da dura&ccedil;&atilde;o da esta&ccedil;&atilde;o seca em grande    parte da Amaz&ocirc;nia.</font></P>     <p><font size="3">Contudo, a an&aacute;lise do conjunto de modelos clim&aacute;ticos    acoplados (oceano-atmosfera), que fazem parte das an&aacute;lises do IPCC, n&atilde;o    corrobora o estabelecimento de um padr&atilde;o mais freq&uuml;ente do tipo    El-Ni&ntilde;o para o final deste s&eacute;culo, al&eacute;m de que os modelos    que projetam maior mudan&ccedil;a clim&aacute;tica para o padr&atilde;o t&iacute;pico    de El-Ni&ntilde;o s&atilde;o os que apresentam as mais pobres simula&ccedil;&otilde;es    de variabilidade desse fen&ocirc;meno no clima presente (6, 9). A probabilidade    de configura&ccedil;&atilde;o de um padr&atilde;o mais freq&uuml;ente de El-Ni&ntilde;o    neste s&eacute;culo &eacute; de apenas 16%, enquanto que o cen&aacute;rio mais    prov&aacute;vel, de 59%, &eacute; o de que esse padr&atilde;o n&atilde;o deve    configurar-se(6).</font></P>     <p><font size="3">Este artigo utiliza os resultados dos modelos do IPCC para analisar    as proje&ccedil;&otilde;es futuras de mudan&ccedil;as anuais de temperatura    e precipita&ccedil;&atilde;o, detalhando-as por sub-bacias da Amaz&ocirc;nia,    com &ecirc;nfase para a quest&atilde;o da sua savaniza&ccedil;&atilde;o.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>DADOS E M&Eacute;TODOS</b> Foram utilizados os resultados    de 21 modelos do Projeto de Intercompara&ccedil;&atilde;o de Modelos Acoplados    (CMIP, na sigla em ingl&ecirc;s) do IPCC. Trata-se de modelos globais com acoplamento    da atmosfera com os oceanos, cujas simula&ccedil;&otilde;es serviram de base    para a elabora&ccedil;&atilde;o do quarto relat&oacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o    do Grupo de Trabalho I do IPCC, divulgado em fevereiro de 2007 (1), e para os    relat&oacute;rios subseq&uuml;entes dos Grupos II e III. Os modelos apresentam    resolu&ccedil;&otilde;es espaciais diferentes entre si, que variam, em latitude    e longitude, de 1,125º a 5º. A integra&ccedil;&atilde;o dos modelos foi iniciada    em algum momento da segunda metade do s&eacute;culo XVIII. Do in&iacute;cio    da integra&ccedil;&atilde;o ao final do s&eacute;culo XX os modelos foram for&ccedil;ados    com a evolu&ccedil;&atilde;o das concentra&ccedil;&otilde;es de gases de efeito    estufa (GEE) medidas no per&iacute;odo. A partir do in&iacute;cio do s&eacute;culo    XXI os modelos foram for&ccedil;ados com concentra&ccedil;&otilde;es de GEE    projetados para diferentes cen&aacute;rios de emiss&otilde;es, com base no Relat&oacute;rio    Especial de Cen&aacute;rios de Emiss&otilde;es (SRES, da sigla em ingl&ecirc;s)    do IPCC, definidos em fun&ccedil;&atilde;o de cen&aacute;rios projetados de    aumento populacional e desenvolvimento socioecon&ocirc;mico. Um cen&aacute;rio    mais otimista (B1), um intermedi&aacute;rio (A1B) e um pessimista (A2) s&atilde;o    analisados neste artigo. Eles projetam ao final do s&eacute;culo XXI, respectivamente,    concentra&ccedil;&otilde;es atmosf&eacute;ricas de GEE de 600, 850 e 1250 ppmv    (partes por milh&atilde;o em volume), equivalentes em concentra&ccedil;&otilde;es    de g&aacute;s carb&ocirc;nico. Foram analisadas as vari&aacute;veis temperatura    do ar &agrave; superf&iacute;cie e a precipita&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s    da compara&ccedil;&atilde;o dos resultados dos modelos com dados observacionais    (climatologia) organizados em pontos de grade, no caso a Base de Dados Globais    da Unidade de Pesquisa Clim&aacute;tica (Climatic Research Unit (CRU) Global    Dataset) (10). Nas compara&ccedil;&otilde;es num&eacute;ricas, o clima atual    refere-se &agrave; m&eacute;dia do per&iacute;odo 1961-1990, indicado por OBS    para a climatologia observada e 20c3m para os modelos, e o clima futuro refere-se    &agrave; m&eacute;dia do per&iacute;odo 2061-2090, ou seja, um s&eacute;culo    mais tarde. &Eacute; analisada a m&eacute;dia dos resultados dos modelos, indicada    por MULTI, que, dependendo dos cen&aacute;rios, compreende: todos os 21 modelos    no clima atual (20c3m), 17 no cen&aacute;rio otimista (B1), 19 no cen&aacute;rio    intermedi&aacute;rio (A1B) e 16 no cen&aacute;rio pessimista (A2). Para alguns    cen&aacute;rios, tamb&eacute;m s&atilde;o analisados modelos individuais, tais    como o do Centro Hadley (HADCM3), o do Instituto de Estudos Espaciais Goddard    da Nasa dos EUA (GIER) e o do Servi&ccedil;o Meteorol&oacute;gico da Fran&ccedil;a    (CNCM3), por apresentarem tend&ecirc;ncias diferentes de altera&ccedil;&atilde;o    do clima da regi&atilde;o. Como os resultados dos modelos n&atilde;o s&atilde;o    homog&ecirc;neos para toda a bacia amaz&ocirc;nica, estes foram analisados para    as sub-bacias dos rios: Negro, Madeira, Juru&aacute;-Purus, Ica-Jau e Tapaj&oacute;s-Xingu.    Localmente &eacute; feita uma an&aacute;lise da precipita&ccedil;&atilde;o mensal    m&eacute;dia na regi&atilde;o de Bel&eacute;m no estado do Par&aacute;.</font></P>     <p><font size="3"><b>COMO OS MODELOS REPRESENTAM O CLIMA ATUAL?</b> Um importante    aspecto de medida de desempenho de um modelo ou conjunto de modelos, quanto    aos seus progn&oacute;sticos, &eacute; a capacidade de simular os elementos    clim&aacute;ticos importantes no clima atual. A representa&ccedil;&atilde;o    da temperatura e precipita&ccedil;&atilde;o do clima atual considerando a m&eacute;dia    dos valores anuais das simula&ccedil;&otilde;es (20c3m) dos modelos (MULTI)    &eacute; comparada com as observa&ccedil;&otilde;es (OBS) em toda a bacia amaz&ocirc;nica    e nas suas sub-bacias. Os resultados s&atilde;o apresentados na <a href="#tab01">Tabela    1</a>. A an&aacute;lise de toda a bacia (coluna Amaz&ocirc;nia) indica que em    m&eacute;dia os modelos s&atilde;o 0,6ºC mais frios e tamb&eacute;m mais secos,    produzindo 24% menos chuva que a m&eacute;dia anual observada para a bacia no    per&iacute;odo 1961 e 1990. Nas sub-bacias o comportamento dos modelos se repete,    sendo as sub-bacias do Negro, Juru&aacute;-Purus e Tapaj&oacute;s-Xingu as mais    secas, respectivamente, com 37%, 31% e 31% de chuva a menos e vi&eacute;s de    temperatura variando de -0,2ºC a -0,8ºC (condi&ccedil;&atilde;o mais fria).    Os modelos HADCM3, GIER e CNCM3 tamb&eacute;m simulam um clima mais seco para    a Amaz&ocirc;nia do que o observado, com d&eacute;ficits de chuva anual de 10%,    20% e 10%, respectivamente. No caso da temperatura do ar, enquanto o CNMC3 &eacute;    mais frio em cerca de 0,8ºC, o HADCM3 e o GIER s&atilde;o mais quentes em cerca    de 1,1ºC e 1,3ºC. O padr&atilde;o de clima mais seco dos modelos HADCM3, GIER    e CNCM3 se mant&eacute;m nas sub-bacias, com exce&ccedil;&atilde;o da do Madeira,    onde o HADCM3 e o CNCM3 apresentam um vi&eacute;s positivo na precipita&ccedil;&atilde;o    de 11% e 25%, respectivamente, e na sub-bacia do Negro, onde o GIER tem vi&eacute;s    negativo na temperatura de -0,5ºC. Em geral, &eacute; nas sub-bacias do Negro    e Tapaj&oacute;s-Xingu que os modelos apresentam os maiores desvios da climatologia    de precipita&ccedil;&atilde;o e de temperatura do ar. S&atilde;o tamb&eacute;m    essas sub-bacias as comumente mais afetadas pelo fen&ocirc;meno El-Ni&ntilde;o.</font></P>     <p><a name="tab01"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a17tab01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Em termos de variabilidade inter-anual, alguns modelos apresentam    grande variabilidade, como no caso HADCM3 e do CNCM3, enquanto outros mostram    pequena varia&ccedil;&atilde;o, caso do GIER, quando comparados ao clima observado    (OBS), tanto para temperatura do ar (<a href="#fig01">Figura 1a</a>) quanto    para a precipita&ccedil;&atilde;o (<a href="#fig01">Figura 1b</a>). Na m&eacute;dia    dos modelos (MULTI) a variabilidade inter-anual &eacute; bem menor que a climatologia.    Isso significa que a maioria dos modelos n&atilde;o consegue capturar a variabilidade    inter-anual do clima atual, enquanto que alguns modelos tendem a intensificar    esse padr&atilde;o e, portanto, a superestimar a ocorr&ecirc;ncia de eventos    extremos. Em geral, na maioria dos modelos, a precipita&ccedil;&atilde;o &eacute;    subestimada em todas as sub-bacias, com &ecirc;nfase para a esta&ccedil;&atilde;o    chuvosa (n&atilde;o apresentado). Apesar da grande variabilidade entre os modelos    na simula&ccedil;&atilde;o do clima atual, eles s&atilde;o incapazes de capturar    a varia&ccedil;&atilde;o inter-anual da precipita&ccedil;&atilde;o (ver faixa    de desvio padr&atilde;o na <a href="#fig01">Figura 1b</a>). A temperatura do    ar &eacute; melhor representada pelos modelos, que em m&eacute;dia simulam um    clima anual ligeiramente mais ameno que o observado, mas com variabilidade intra-anual    muito maior que a observada, especialmente na esta&ccedil;&atilde;o seca, quando    os mesmos tendem a superestimar a temperatura do ar observada (n&atilde;o mostrado).    </font></P>     <p><a name="fig01"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a17fig01.jpg"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>O QUE OS MODELOS PROJETAM PARA O CLIMA DO S&Eacute;CULO XXI?</b>    As proje&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas futuras mostram tend&ecirc;ncia    de aquecimento nos tr&ecirc;s cen&aacute;rios (B1, A1B e A2) e em todas as sub-bacias.    Na bacia amaz&ocirc;nica como um todo, os aumentos de temperatura s&atilde;o    de 2,3ºC, 3,5ºC e 3,4ºC, nos cen&aacute;rios B1, A1B e A2, respectivamente,    quando comparado os valores m&eacute;dios do per&iacute;odo 2061-2090 com os    do per&iacute;odo 1961-1990. Essa tend&ecirc;ncia de aquecimento &eacute; praticamente    a mesma em todas as sub-bacias (<a href="#tab01">Tabela 1</a>) no conjunto dos    modelos (MULTI). Na avalia&ccedil;&atilde;o individual dos modelos para toda    bacia amaz&ocirc;nica e suas sub-bacias, verifica-se um maior aquecimento para    os modelos HADCM3, que apresenta varia&ccedil;&otilde;es de temperatura superiores    a 3,0ºC e 5,0ºC nos cen&aacute;rios B1 e A2, respectivamente, e CNCM3 com varia&ccedil;&otilde;es    de temperatura do ar de 3,ºC a 4ºC para os cen&aacute;rios A1B e A2. O modelo    GIER indica menores tend&ecirc;ncias de aquecimento, da ordem de 2ºC e 3ºC,    nos cen&aacute;rios B1 e A2. O progn&oacute;stico de precipita&ccedil;&atilde;o    a partir da m&eacute;dia dos modelos (MULTI) sugere uma pequena redu&ccedil;&atilde;o    na precipita&ccedil;&atilde;o de 2% a 3% nos cen&aacute;rios B1 e A2, enquanto    no cen&aacute;rio A1B predomina um pequeno aumento, da ordem de 4%, mas com    valores maiores nas sub-bacias a oeste e ao sul da regi&atilde;o (<a href="#tab01">Tabela    1</a>). As maiores redu&ccedil;&otilde;es na precipita&ccedil;&atilde;o s&atilde;o    previstas pelo modelo HADCM3, sendo da ordem de 11%(B1) e 16%(A2) para toda    bacia, e de 21%(B1) e 30%(A2) para a bacia do Negro, e 20% (B1) e 27% (A2) para    a bacia do Tapaj&oacute;s-Xingu. Os modelos GIER e CNCM3 apresentam varia&ccedil;&otilde;es    positivas de precipita&ccedil;&atilde;o, mas com valores relativamente baixos    (<a href="#tab01">Tabela 1</a>). </font></P>     <p><font size="3">A tend&ecirc;ncia de aumento da temperatura do planeta nas tr&ecirc;s    primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XXI &eacute; de 0,2ºC por d&eacute;cada,    em qualquer cen&aacute;rio de aumento de emiss&otilde;es de GEE (1). No caso    da Amaz&ocirc;nia, a taxa de aumento de temperatura do ar foi pr&oacute;xima    de 0,3ºC por d&eacute;cada no mesmo per&iacute;odo (<a href="#fig01">figura    1a</a>). A taxa de aquecimento mais elevada na Amaz&ocirc;nia, em compara&ccedil;&atilde;o    com a taxa global, &eacute; esperada porque o aumento da temperatura sobre as    regi&otilde;es oce&acirc;nicas, que cobrem praticamente 70% da superf&iacute;cie    do planeta, &eacute; mais lento (1).</font></P>     <p><font size="3">Os modelos HADCM3 e CNCM3 indicam tend&ecirc;ncias distintas    de aquecimento at&eacute; o final do s&eacute;culo XXI para o cen&aacute;rio    A2. O HADCM3 apresenta uma tend&ecirc;ncia mais linear na primeira metade do    s&eacute;culo para em seguida crescer de forma mais abrupta, com tend&ecirc;ncia    de aumento da temperatura de 0,74ºC por d&eacute;cada na segunda metade do s&eacute;culo.    O CNCM3 tem comportamento e taxa de aquecimento por d&eacute;cada semelhante    ao MULTI–A2, de cerca de 0,42ºC por d&eacute;cada na m&eacute;dia do s&eacute;culo.    </font></P>     <p><font size="3">Para a precipita&ccedil;&atilde;o o conjunto dos modelos n&atilde;o    apresenta uma tend&ecirc;ncia de varia&ccedil;&atilde;o significativa com o    tempo. No cen&aacute;rio A2 o modelo CNCM3 apresentou tend&ecirc;ncia de aumento    de precipita&ccedil;&atilde;o, principalmente para a segunda metade do s&eacute;culo,    enquanto o modelo HADCM3 exibe uma tend&ecirc;ncia acentuada de redu&ccedil;&atilde;o    da precipita&ccedil;&atilde;o desde a primeira metade do s&eacute;culo, acentuando-se    ainda mais na segunda metade e com grande variabilidade inter-anual (<a href="#tab01">tabela    1</a> e <a href="#fig01">figura 1b</a>).</font></P>     <p><font size="3"><b>SAVANIZA&Ccedil;&Atilde;O DA AMAZ&Ocirc;NIA</b> O n&iacute;vel    de seca da Amaz&ocirc;nia previsto pelo modelo HADCM3 levaria a substitui&ccedil;&atilde;o    de grande &aacute;rea de floresta na Amaz&ocirc;nia por um tipo de vegeta&ccedil;&atilde;o    de savana (4). Estudos de altera&ccedil;&atilde;o de bioma, utilizando cen&aacute;rios    de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais do IPCC, t&ecirc;m sugerido a possibilidade    de savaniza&ccedil;&atilde;o de parte da Amaz&ocirc;nia at&eacute; o final deste    s&eacute;culo, resultados ressaltados recentemente pelo IPCC (11). Grande parte    dos estudos utiliza-se das sa&iacute;das geradas pelo modelo HADCM3. Recentemente,    uma avalia&ccedil;&atilde;o de um conjunto mais amplo de dados do IPCC, resultantes    de 15 modelos clim&aacute;ticos, mostrou que os modelos que apresentam maiores    desvios da climatologia nessa an&aacute;lise (ex. HADCM3) apresentam tamb&eacute;m    uma ampla &aacute;rea de savaniza&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia, enquanto    que os modelos com menores desvios da climatologia (ex. GIHR) indicam pequenas    &aacute;reas de avan&ccedil;o de savana sobre a floresta (ver Fig. 3 em 5).    Isso indica que os resultados s&atilde;o dependentes dos modelos clim&aacute;ticos    e dos cen&aacute;rios utilizados, onde aparentemente modelos que apresentam    grandes desvios da climatologia (ex. modelos de clima mais seco na segunda metade    do s&eacute;culo XX), tendem a superestimar e, at&eacute; mesmo, a antecipar    uma nova condi&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio, no caso o de um clima    inadequado para manter os ecossistemas atuais, que seriam substitu&iacute;dos    por um tipo de vegeta&ccedil;&atilde;o de savana. A <a href="#fig02">Figura    2</a> apresenta valores m&eacute;dios mensais de precipita&ccedil;&atilde;o    no per&iacute;odo 1961-1990 para uma &aacute;rea de aproximadamente 300 km por    400 km ao sul de Bel&eacute;m, estado do Par&aacute;, onde predomina um ecossistema    de floresta tropical &uacute;mida t&iacute;pico da Amaz&ocirc;nia. A curva verde    representa a climatologia de precipita&ccedil;&atilde;o observada e a curva    preta a climatologia do modelo HADCM3. Neste caso, fica evidenciado que o modelo    n&atilde;o &eacute; capaz de reproduzir as observa&ccedil;&otilde;es. A climatologia    de chuva prevista pelo modelo foi abaixo da observada em todos os meses do ano    e, na m&eacute;dia anual, &eacute; em torno de 50% mais seco que a observa&ccedil;&atilde;o.    A curva vermelha representa a proje&ccedil;&atilde;o do modelo HADCM3 para a    precipita&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo 2061-2090 no cen&aacute;rio pessimista    de emiss&otilde;es (A2). Nesse cen&aacute;rio haveria uma redu&ccedil;&atilde;o    adicional da precipita&ccedil;&atilde;o anual de aproximadamente 56% em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; precipita&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio modelo no per&iacute;odo    1961-1990. Mesmo nos cen&aacute;rios B1 e A1B a redu&ccedil;&atilde;o de precipita&ccedil;&atilde;o    do modelo HADCM3 &eacute; dr&aacute;stica nessa &aacute;rea (n&atilde;o apresentado).    Para efeito de compara&ccedil;&atilde;o, a <a href="#fig02">figura 2</a> apresenta    tamb&eacute;m dados climatol&oacute;gicos de uma &aacute;rea de ecossistema    t&iacute;pico de savana situada no sul do estado de Tocantins. Nota-se que o    regime anual de chuvas dessa regi&atilde;o de savana &eacute; similar ao do    modelo HADCM3 para a regi&atilde;o de Bel&eacute;m, exceto que a precipita&ccedil;&atilde;o    anual &eacute; aproximadamente 40% superior &agrave; precipita&ccedil;&atilde;o    do modelo, ou seja, a precipita&ccedil;&atilde;o anual medida em uma &aacute;rea    de vegeta&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica de savana &eacute; muito maior que    a precipita&ccedil;&atilde;o produzida pelo modelo para uma &aacute;rea t&iacute;pica    de floresta tropical &uacute;mida. Por outro lado, o m&eacute;todo de an&aacute;lise    de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica considera que os desvios que os modelos apresentam    na simula&ccedil;&atilde;o do clima atual s&atilde;o sistem&aacute;ticos e,    portanto, que esses desvios devem se propagar nas proje&ccedil;&otilde;es dos    climas futuros. Desta maneira, a redu&ccedil;&atilde;o projetada de aproximadamente    56% nas precipita&ccedil;&otilde;es do modelo HADCM3 para o per&iacute;odo 2061-2090    (curva vermelha) &eacute; uma forte indica&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;a    clim&aacute;tica que pode levar a substitui&ccedil;&atilde;o da floresta atual.</font></P>     <p><a name="fig02"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a17fig02.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> As mudan&ccedil;as    clim&aacute;ticas globais j&aacute; est&atilde;o em curso. Elas provocam aumento    generalizado da temperatura do ar e mudan&ccedil;as nos regimes de precipita&ccedil;&atilde;o.    Somente o aumento de temperatura j&aacute; afetar&aacute; a biodiversidade dos    ecossistemas da Amaz&ocirc;nia de maneira dram&aacute;tica. Eventos extremos    mais freq&uuml;entes e intensos, como enchentes e secas prolongadas, s&atilde;o    fatores adicionais de estresse para os ecossistemas e a vida das popula&ccedil;&otilde;es.    Entretanto, devido &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es dos atuais modelos clim&aacute;ticos    acoplados em reproduzir o clima atual da Amaz&ocirc;nia, ainda &eacute; imposs&iacute;vel    projetar com seguran&ccedil;a a intensidade com que as mudan&ccedil;as afetar&atilde;o    a regi&atilde;o. As florestas intactas podem ser mais resistentes &agrave; seca    do que os modelos de clima-vegeta&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;em? Diversos    fatores ainda n&atilde;o s&atilde;o (ou s&atilde;o mal) representados nesses    modelos, tais como a profundidade correta da zona de ra&iacute;zes profundas    das &aacute;rvores (que implica em um reservat&oacute;rio maior de &aacute;gua    dispon&iacute;vel para as plantas), dificultam a resposta a essa quest&atilde;o.    Os modelos estimam uma possibilidade de seca excessiva da Amaz&ocirc;nia com    o potencial colapso da floresta no s&eacute;culo XXI, entretanto os processos    de produ&ccedil;&atilde;o de chuva na regi&atilde;o s&atilde;o pobremente representados    nos modelos. Por exemplo, uma parcela substancial das chuvas anuais na regi&atilde;o    costeira da Amaz&ocirc;nia &eacute; devida &agrave;s linhas de instabilidade    que se formam a partir de circula&ccedil;&otilde;es locais de brisa de mar na    costa tropical atl&acirc;ntica. A resolu&ccedil;&atilde;o espacial grosseira    dos modelos clim&aacute;ticos n&atilde;o permite que eles reproduzam esse processo.    Al&eacute;m disso, &eacute; improv&aacute;vel que os desvios apresentados pelos    modelos no clima atual se reproduzam sistematicamente nos futuros cen&aacute;rios    de aumento de concentra&ccedil;&atilde;o de GEE. </font></P>     <p><font size="3">O potencial de previsibilidade do clima global utilizando os    modelos clim&aacute;ticos &eacute; baseado na estreita rela&ccedil;&atilde;o    entre condi&ccedil;&atilde;o de contorno oce&acirc;nica e continental, e em    como a variabilidade e o acoplamento dessas for&ccedil;antes com a atmosfera    se processa, particularmente na regi&atilde;o tropical e, portanto, espera-se    que essas caracter&iacute;sticas sejam preservadas nos modelos acoplados atmosfera-oceano    (AOGCM, sigla em ingl&ecirc;s). Alguns AOGCM projetam no futuro uma situa&ccedil;&atilde;o    mais permanente de aquecimento das &aacute;guas superficiais do oceano Pac&iacute;fico    equatorial e do oceano Atl&acirc;ntico equatorial norte, com conseq&uuml;&ecirc;ncias    diretas sobre a diminui&ccedil;&atilde;o das taxas de precipita&ccedil;&atilde;o    na Amaz&ocirc;nia, que pode levar a um novo clima, mais adequado a ecossistemas    de vegeta&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica de savana do que de floresta tropical    &uacute;mida. Embora esse seja um quadro que n&atilde;o deva ser desconsiderado,    h&aacute; necessidade de se ampliar os conhecimentos cient&iacute;ficos sobre    o clima da Amaz&ocirc;nia e de sua intera&ccedil;&atilde;o com os ecossistemas    e, tamb&eacute;m, de aprimorar os atuais modelos clim&aacute;ticos para reduzir    as incertezas dos impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais na    Amaz&ocirc;nia.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Luiz Antonio C&acirc;ndido</b> &eacute; meteorologista,    pesquisador da Coordena&ccedil;&atilde;o de Pesquisa em Clima e Recursos H&iacute;dricos/CPCR    e do N&uacute;cleo de Modelagem Clim&aacute;tica e Ambiental/NMCA do Instituto    Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa).    <br>   <b>Antonio Ocimar Manzi</b> &eacute; f&iacute;sico, pesquisador titular do Inpa    e gerente executivo do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na    Amaz&ocirc;nia(LBA). Coordena o NMCA e o Grupo de Micrometeorologia do LBA no    Inpa.    <br>   <b>J&uacute;lio Tota</b> &eacute; meteorologista, atualmente pesquisador bolsista    do LBA no Inpa.    <br>   <b>Paulo Ricardo Teixeira-Silva</b> &eacute; meteorologista, atualmente bolsista    de desenvolvimento tecnol&oacute;gico e industrial do CNPq/Finep, no LBA.    <br>   <b>Fl&eacute;rida Seixas Moreno da Silva</b> &eacute; f&iacute;sica, mestranda    da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias ambientais da Universidade    Federal do Par&aacute; e desenvolve sua pesquisa junto ao NMCA do LBA/Inpa.    <br>   <b>Rosa Maria Nascimento dos Santos</b> &eacute; meteorologista, pesquisadora    no NMCA do Inpa atrav&eacute;s do programa fixa&ccedil;&atilde;o de doutores    da Fapeam.    <br>   <b>Francis Wagner Silva Correia</b> &eacute; f&iacute;sico, coordenador e professor    do curso de meteorologia tropical da Universidade do Estado do Amazonas (UEA)    e pesquisador no NMCA do Inpa.</i></font></P>     ]]></body>
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