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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O papel das partículas de aerossol no funcionamento do ecossistema amazônico]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a12img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>O PAPEL DAS PART&Iacute;CULAS DE AEROSSOL NO FUNCIONAMENTO    DO ECOSSISTEMA AMAZ&Ocirc;NICO</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Theotonio Pauliquevis    <br>   Paulo Artaxo    <br>   Paulo Henrique Oliveira    <br>   Melina Paix&atilde;o</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> A composi&ccedil;&atilde;o da    atmosfera tem forte influ&ecirc;ncia no clima de nosso planeta, tanto do ponto    de vista da concentra&ccedil;&atilde;o de gases quanto na presen&ccedil;a de    part&iacute;culas de aeross&oacute;is que s&atilde;o cr&iacute;ticas para o    equil&iacute;brio dos ecossistemas e do clima. Com a recente divulga&ccedil;&atilde;o    do 4o Relat&oacute;rio do Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas    (IPCC, 2007)(1) ficou muito claro o forte papel clim&aacute;tico que gases tra&ccedil;os    como di&oacute;xido de carbono, metano e &oacute;xido nitroso exercem. Tamb&eacute;m    ficou expl&iacute;cita que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, que v&ecirc;m    sendo observadas em nosso planeta s&atilde;o realmente causadas pelas emiss&otilde;es    antropog&ecirc;nicas, e que se nada for feito para reduzir as emiss&otilde;es    de gases de efeito estufa, o clima poder&aacute; sofrer profundas mudan&ccedil;as    nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. </font></P>     <p><font size="3">No relat&oacute;rio do IPCC tamb&eacute;m ficou claro o forte    papel de impacto que as part&iacute;culas de aeross&oacute;is realizam sobre    o clima. As part&iacute;culas de aerossol – tanto naturais quanto as emitidas    em processos antr&oacute;picos – existem em todos os lugares, e influenciam    o clima de diversas maneiras: atuam na absor&ccedil;&atilde;o e espalhamento    de radia&ccedil;&atilde;o solar, na forma&ccedil;&atilde;o de nuvens, na reciclagem    de nutrientes em ecossistemas, na composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica da    precipita&ccedil;&atilde;o, na visibilidade e na sa&uacute;de das pessoas, entre    outros pap&eacute;is importantes. Em particular, o papel dessas part&iacute;culas    como n&uacute;cleos de condensa&ccedil;&atilde;o de nuvens &eacute; cr&iacute;tico    na forma&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento delas. Sem essas part&iacute;culas,    nuvens n&atilde;o existiriam e todos os ecossistemas seriam muito diferentes    do que conhecemos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Discutiremos, neste texto, de que maneira as part&iacute;culas    de aerossol presentes na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica influenciam o clima local,    e como o intenso processo de ocupa&ccedil;&atilde;o humana est&aacute; alterando    a composi&ccedil;&atilde;o da atmosfera na Amaz&ocirc;nia, com fortes reflexos    sobre o clima local, regional e global. </font></P>     <p><font size="3"><b>A COMPOSI&Ccedil;&Atilde;O NATURAL DAS PART&Iacute;CULAS    DE AEROSS&Oacute;IS NA AMAZ&Ocirc;NIA</b> Sob condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o    perturbadas pela a&ccedil;&atilde;o humana, a concentra&ccedil;&atilde;o de    part&iacute;culas na atmosfera amaz&ocirc;nica &eacute; muito baixa, compar&aacute;vel    &agrave;quelas encontradas nas mais remotas regi&otilde;es do globo (2). Essas    baixas concentra&ccedil;&otilde;es constituem um fato not&aacute;vel, uma vez    que regi&otilde;es continentais, de maneira geral, s&atilde;o caracterizadas    por concentra&ccedil;&otilde;es mais elevadas de part&iacute;culas. Durante    a esta&ccedil;&atilde;o chuvosa (que varia de regi&atilde;o para regi&atilde;o,    mas que, de maneira geral, vai de dezembro a maio), foram observadas cerca de    200-400 part&iacute;culas/cm3, dez vezes menos que o observado em outras &aacute;reas    continentais do globo, e 100 a 1000 vezes menores que os valores observados    em &aacute;reas afetadas por queimadas na Amaz&ocirc;nia, que apresentam altas    concentra&ccedil;&otilde;es de 20.000 a 40.000 part&iacute;culas/cm3. </font></P>     <p><font size="3">A gera&ccedil;&atilde;o e emiss&atilde;o pela floresta dessas    part&iacute;culas ainda &eacute; um mist&eacute;rio. Essas part&iacute;culas    podem ser divididas em duas fra&ccedil;&otilde;es, de acordo com o tamanho.    A fra&ccedil;&atilde;o fina compreende part&iacute;culas menores que 2 micra    (&#181;m) de tamanho e s&atilde;o produzidas principalmente atrav&eacute;s da convers&atilde;o    em part&iacute;culas de gases biog&ecirc;nicos emitidos pela vegeta&ccedil;&atilde;o    tais como isopreno e terpenos, al&eacute;m de outros compostos org&acirc;nicos    vol&aacute;teis. A fra&ccedil;&atilde;o grossa, que compreende as part&iacute;culas    maiores que 2 m&iacute;crons, s&atilde;o constitu&iacute;das por fragmentos    de folhas, gr&atilde;os de p&oacute;len, bact&eacute;rias, fungos e uma enorme    variedade de outros tipos de part&iacute;culas biog&ecirc;nicas. Essas part&iacute;culas    emitidas diretamente pela vegeta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o chamadas prim&aacute;rias;    desconhece-se a raz&atilde;o da emiss&atilde;o da maior parte delas pela vegeta&ccedil;&atilde;o.    O padr&atilde;o temporal de emiss&atilde;o de part&iacute;culas biog&ecirc;nicas    tamb&eacute;m &eacute; bastante peculiar. A concentra&ccedil;&atilde;o de aeross&oacute;is    da moda grossa no per&iacute;odo noturno &eacute; aproximadamente o dobro da    observada durante o dia. An&aacute;lise da morfologia dessas part&iacute;culas    por microscopia eletr&ocirc;nica indica que esse crescimento noturno est&aacute;    relacionado a um aumento do n&uacute;mero de esporos de fungos em suspens&atilde;o    no ar (3). H&aacute; duas raz&otilde;es para esse aumento. Primeiramente, o    per&iacute;odo noturno na floresta &eacute; caracterizado por uma atmosfera    est&aacute;vel, com baixa velocidade do vento, o que diminui a dispers&atilde;o    dos esporos, facilitando sua acumula&ccedil;&atilde;o junto das esp&eacute;cies    emissoras. Em segundo lugar, muitas esp&eacute;cies de fungos s&atilde;o conhecidas    por serem esporuladores noturnos . Tal comportamento &eacute; compreens&iacute;vel,    uma vez que, durante a noite, a umidade relativa do ar (UR) comumente atinge    100% abaixo da copa das &aacute;rvores, formando facilmente got&iacute;culas    que podem servir como meio de cultura. A aus&ecirc;ncia noturna de ventos verticais    ou movimentos convectivos, que pudessem levar os esporos para regi&otilde;es    acima da copa das &aacute;rvores, tamb&eacute;m &eacute; um ponto importante    para sua acumula&ccedil;&atilde;o junto &agrave;s esp&eacute;cies emissoras    e explica parcialmente o porqu&ecirc; dessa emiss&atilde;o se dar preferencialmente    a noite. Caso a emiss&atilde;o ocorresse durante o dia, os esporos seriam levados    mais facilmente para a por&ccedil;&atilde;o acima da copa das &aacute;rvores,    onde ficariam expostos &agrave; radia&ccedil;&atilde;o ultravioleta, danosa    a seus tecidos, e teriam menor chance de sucesso. Para as part&iacute;culas    menores, pertencentes &agrave; moda fina, tamb&eacute;m h&aacute; o mesmo tipo    de processo de emiss&atilde;o, mas outros mecanismos importantes tamb&eacute;m    atuam na gera&ccedil;&atilde;o de part&iacute;culas mais finas. A bacia amaz&ocirc;nica    &eacute; respons&aacute;vel por uma grande fra&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es    de compostos org&acirc;nicos vol&aacute;teis (COV's), que s&atilde;o compostos    qu&iacute;micos org&acirc;nicos que t&ecirc;m press&atilde;o de vapor suficientemente    alta para, em condi&ccedil;&otilde;es normais, vaporizarem e se dispersarem    na atmosfera. No caso da vegeta&ccedil;&atilde;o da floresta, as maiores emiss&otilde;es    s&atilde;o de isopreno e terpenos. Uma vez lan&ccedil;ados na atmosfera, alguns    dos COV's convertem-se em part&iacute;culas de aerossol atrav&eacute;s de rea&ccedil;&otilde;es,    sendo assim denominados aeross&oacute;is secund&aacute;rios org&acirc;nicos    (ASO), uma vez que n&atilde;o foram emitidos diretamente na atmosfera mas sim    originados a partir de precursores gasosos. As rea&ccedil;&otilde;es que formam    ASO s&atilde;o fortemente relacionadas com a presen&ccedil;a de luz solar. Como    a regi&atilde;o tropical est&aacute; sujeita a uma grande incid&ecirc;ncia de    radia&ccedil;&atilde;o solar, na Amaz&ocirc;nia esse tipo de processo de forma&ccedil;&atilde;o    de part&iacute;culas &eacute; muito importante. </font></P>     <p><font size="3">Do ponto de vista clim&aacute;tico e de qu&iacute;mica da atmosfera,    os aeross&oacute;is biog&ecirc;nicos org&acirc;nicos (prim&aacute;rios e secund&aacute;rios)    s&atilde;o de consider&aacute;vel import&acirc;ncia. Um papel essencial exercido    por essas part&iacute;culas &eacute; na forma&ccedil;&atilde;o de nuvens. Para    ocorrer a forma&ccedil;&atilde;o de gotas de nuvens &eacute; necess&aacute;rio    n&atilde;o apenas que o ar esteja saturado de vapor de &aacute;gua, mas que    tamb&eacute;m exista alguma superf&iacute;cie para que o vapor condense. Na    natureza, quem desempenha o papel dessa superf&iacute;cie de condensa&ccedil;&atilde;o    &eacute; uma fra&ccedil;&atilde;o dos aeross&oacute;is denominada de N&uacute;cleos    de Condensa&ccedil;&atilde;o de Nuvens (NCN), part&iacute;culas sobre as quais    o vapor se deposita formando got&iacute;culas de nuvens. </font></P>     <p><font size="3">Justamente pelo fato de tanto os aeross&oacute;is prim&aacute;rios    como secund&aacute;rios serem efetivos como NCN, e tamb&eacute;m o fato dos    aeross&oacute;is org&acirc;nicos prim&aacute;rios serem efetivos tamb&eacute;m    como "N&uacute;cleos de gelo" (que atuam na forma&ccedil;&atilde;o    de cristais de gelo em nuvens que atingem altitudes elevadas) as propriedades    &oacute;ticas e microf&iacute;sicas das nuvens da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica    s&atilde;o influenciadas por essas part&iacute;culas. Como uma fra&ccedil;&atilde;o    consider&aacute;vel da distribui&ccedil;&atilde;o de calor no planeta vindo    dos tr&oacute;picos para latitudes maiores &eacute; mediada pela convec&ccedil;&atilde;o    profunda na regi&atilde;o tropical, altera&ccedil;&otilde;es nas caracter&iacute;sticas    de tais part&iacute;culas, como por exemplo, atrav&eacute;s de desflorestamento    e queimadas, podem causar altera&ccedil;&otilde;es significativas no clima global.    </font></P>     <p><font size="3">Al&eacute;m das emiss&otilde;es naturais da floresta, uma pequena    fra&ccedil;&atilde;o dos aeross&oacute;is na bacia amaz&ocirc;nica &eacute;    originada do transporte de poeira do Saara, que ocorre tipicamente durante os    meses de abril e maio (4). Apesar de representar uma pequena fra&ccedil;&atilde;o    da massa de aeross&oacute;is, h&aacute; muitos estudos investigando o papel    em longo prazo desse transporte de micro nutrientes na "fertiliza&ccedil;&atilde;o"    da floresta, isto &eacute;, na reposi&ccedil;&atilde;o de micro-nutrientes importantes    para o ecossistema amaz&ocirc;nico. Este &eacute; um aspecto importante. &Eacute;    fato conhecido que a floresta amaz&ocirc;nica est&aacute; sobre terrenos nutricionalmente    pobres, e que os mecanismos de reciclagem da floresta s&atilde;o fundamentais    para o funcionamento do ecossistema. Neste contexto, e considerando em termos    de longo prazo, a entrada de micro nutrientes por uma fonte externa pode ser    cr&iacute;tica para o ecossistema em termos de longo prazo. Dentro do conjunto    de micronutrientes cr&iacute;ticos, a quantidade de f&oacute;sforo dispon&iacute;vel    &eacute; um fator limitante importante para o ecossistema e a reposi&ccedil;&atilde;o    por transporte de poeira do Saara &eacute; uma das poss&iacute;veis explica&ccedil;&otilde;es    para os atuais n&iacute;veis de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria da floresta    amaz&ocirc;nica(5). </font></P>     <p><font size="3"><b>A FLORESTA PERTURBADA PELAS QUEIMADAS</b> Desde meados da    d&eacute;cada de 1970, a regi&atilde;o amaz&ocirc;nica tem sofrido uma mudan&ccedil;a    no padr&atilde;o de uso do solo associado a um processo de ocupa&ccedil;&atilde;o    desordenado. A chamada regi&atilde;o do "arco do desflorestamento"    (estado de Rond&ocirc;nia, norte do Mato Grosso, sul e leste do Par&aacute;,    e Tocantins) &eacute; onde essa altera&ccedil;&atilde;o &eacute; mais vis&iacute;vel,    movida pela expans&atilde;o de &aacute;reas agr&iacute;colas, de pastagem, e    tamb&eacute;m pela explora&ccedil;&atilde;o madeireira. A mudan&ccedil;a de    uso da terra se d&aacute;, normalmente, pela queima de toda a biomassa existente    na forma de floresta prim&aacute;ria, permitindo sua utiliza&ccedil;&atilde;o    para outros usos. </font></P>     <p><font size="3">A pr&aacute;tica de queimadas &eacute; hist&oacute;rica, e acentuou-se    a partir da d&eacute;cada de 1970, com um desmatamento recente de cerca de 20    mil km2 por ano. O invent&aacute;rio nacional de emiss&otilde;es de gases de    efeito estufa coloca que em termos de emiss&atilde;o de CO2, queimadas s&atilde;o    respons&aacute;veis por 75% das emiss&otilde;es brasileiras de carbono (6),    o que coloca a mudan&ccedil;a de uso da terra como a principal causa de emiss&atilde;o    de gases de efeito estufa no Brasil. </font></P>     <p><font size="3">A emiss&atilde;o de part&iacute;culas de aeross&oacute;is devido    &agrave; pr&aacute;tica de queimadas na Amaz&ocirc;nia &eacute; muito alto,    com significativas emiss&otilde;es levando a altas concentra&ccedil;&otilde;es    de material particulado na atmosfera. As concentra&ccedil;&otilde;es de material    particulado em regi&otilde;es do arco do desmatamento atingem valores de 400    a 600 &#181;g/m3, valores muitas vezes superiores aos observados no inverno em S&atilde;o    Paulo (2 e 7). As queimadas s&atilde;o tamb&eacute;m fontes significativas de    gases de efeito estufa como CO2 (di&oacute;xido de carbono), CH4 (metano). Grandes    quantidades de gases precursores de oz&ocirc;nio s&atilde;o emitidas, fazendo    com que a concentra&ccedil;&atilde;o de oz&ocirc;nio atinja n&iacute;veis danosos    &agrave; floresta n&atilde;o queimada, uma vez que se trata de um g&aacute;s    fitot&oacute;xico (8). </font></P>     <p><font size="3">A pluma de gases e part&iacute;culas de aeross&oacute;is emitidos    por queimadas atinge amplas &aacute;reas no continente sul-americano. Como as    part&iacute;culas emitidas em queimadas s&atilde;o predominantemente na fra&ccedil;&atilde;o    fina, est&atilde;o sujeitas ao transporte de larga escala por milhares de quil&ocirc;metros.    A <a href="#fig01">figura 1</a>, feita pelo sensor Modis a bordo do sat&eacute;lite    Terra/Nasa, mostra um padr&atilde;o t&iacute;pico de transporte de plumas de    aeross&oacute;is de queimadas originadas na Amaz&ocirc;nia. A distribui&ccedil;&atilde;o    espacial da pluma que se v&ecirc; na <a href="#fig01">figura 1</a> &eacute;    muito comum nessa &eacute;poca do ano: durante os meses de agosto/setembro/outubro    se estabelece no Brasil Central uma circula&ccedil;&atilde;o de ventos no sentido    anti-hor&aacute;rio. Dessa forma, as plumas seguem para oeste at&eacute; a cordilheira    do Andes quando, ent&atilde;o, s&atilde;o defletidas para a dire&ccedil;&atilde;o    sul e em seguida para o leste, quando se dispersam no Oceano Atl&acirc;ntico.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig01"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a18fig01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Como os aeross&oacute;is de queimadas interagem diretamente    com a radia&ccedil;&atilde;o solar, as queimadas alteram severamente a quantidade    de radia&ccedil;&atilde;o solar que chega &agrave; superf&iacute;cie. Proc&oacute;pio    e outros (9) mostram que, sob certas circunst&acirc;ncias, os aeross&oacute;is    originados de queimada chegam a reduzir em 50% a radia&ccedil;&atilde;o fotossinteticamente    ativa (a mais adequada para as plantas realizarem fotoss&iacute;ntese). Um resultado    interessante &eacute; que, apesar da quantidade total de radia&ccedil;&atilde;o    que atinge a superf&iacute;cie ser menor, ela &eacute; quase que totalmente    na forma de radia&ccedil;&atilde;o solar difusa (como em um dia nublado), em    detrimento da radia&ccedil;&atilde;o solar direta. Devido a essa mudan&ccedil;a    no padr&atilde;o, a taxa de fotoss&iacute;ntese chega a ser maior com a presen&ccedil;a    de aeross&oacute;is, pois a radia&ccedil;&atilde;o difusa penetra mais no interior    do dossel da floresta, atingindo um n&uacute;mero maior de folhas e aumentando    a taxa fotossint&eacute;tica, at&eacute; um certo n&iacute;vel. Com muita fuma&ccedil;a,    o processo fotossint&eacute;tico para por completo, por aus&ecirc;ncia de radia&ccedil;&atilde;o    solar na quantidade requerida ao processo. A <a href="#fig02">figura 2</a> ilustra    esse resultado. Esse gr&aacute;fico mostra o <i>NEE</i> (Net Ecosystem Exchange,    que &eacute; uma medida direta do processo de fotoss&iacute;ntese e da respira&ccedil;&atilde;o    da floresta. Quanto mais negativo &eacute; esse valor, mais CO2 a floresta est&aacute;    sendo capaz de fixar). Os resultados s&atilde;o apresentados em fun&ccedil;&atilde;o    da irradi&acirc;ncia relativa, que &eacute; uma medida da rela&ccedil;&atilde;o    entre a radia&ccedil;&atilde;o solar difusa e a radia&ccedil;&atilde;o solar    direta. Quando esse valor &eacute; igual a um, significa a completa aus&ecirc;ncia    de nuvens, e que a presen&ccedil;a de aeross&oacute;is na atmosfera encontra-se    no seu valor m&iacute;nimo (<i>background</i>). Por outro lado, quando esse    valor se aproxima de zero, significa que h&aacute; um aumento da quantidade    de nuvens e aeross&oacute;is na atmosfera. A partir da <a href="#fig02">figura    2</a> pode-se observar que a m&aacute;xima fixa&ccedil;&atilde;o de CO2 (<i>NEE</i>    mais negativo) n&atilde;o ocorre em dias de c&eacute;u limpo (irradi&acirc;ncia    relativa igual a 1.0), mas sim sob condi&ccedil;&otilde;es nas quais h&aacute;    mais nuvens e part&iacute;culas na atmosfera (irradi&acirc;ncia relativa em    torno de 0.6). Isso ocorre tanto na esta&ccedil;&atilde;o seca, onde h&aacute;    uma grande quantidade de aeross&oacute;is na atmosfera e poucas nuvens, quanto    na esta&ccedil;&atilde;o chuvosa, onde h&aacute; poucas part&iacute;culas de    aeross&oacute;is e muitas nuvens na atmosfera (<a href="#fig02">figura 2</a>).    Entretanto, esse comportamento vale apenas at&eacute; um valor cr&iacute;tico    da irradi&acirc;ncia relativa (em torno de 0.6), quando a partir de ent&atilde;o    esse mecanismo n&atilde;o &eacute; capaz de compensar a redu&ccedil;&atilde;o    da radia&ccedil;&atilde;o solar e o processo de fotoss&iacute;ntese &eacute;    prejudicado.</font></P>     <p><a name="fig02"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n3/a18fig02.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">As queimadas tamb&eacute;m influenciam severamente os mecanismos    de forma&ccedil;&atilde;o de nuvens. Primeiramente, ao injetarem grandes quantidades    de NCN na atmosfera, ocorre um aumento muito grande no n&uacute;mero de gotas    formadas dentro da nuvem. Como a quantidade de vapor de &aacute;gua &eacute;    a mesma, essas gotas ter&atilde;o tamanho menores do que aquelas da condi&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o perturbada por fuma&ccedil;a. O resultado desse tipo de fen&ocirc;meno    &eacute; a forte redu&ccedil;&atilde;o na efici&ecirc;ncia da nuvem em gerar    precipita&ccedil;&atilde;o uma vez que para ocorrer chuva &eacute; necess&aacute;rio    que as gotas atinjam um tamanho m&iacute;nimo, o que n&atilde;o ocorre a baixas    altitudes para nuvens enfuma&ccedil;adas (10 e 11). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A outra maneira pela qual as queimadas alteram a forma&ccedil;&atilde;o    de nuvens &eacute; pela atenua&ccedil;&atilde;o de radia&ccedil;&atilde;o que    chega a superf&iacute;cie. Boa parte da precipita&ccedil;&atilde;o na Amaz&ocirc;nia    &eacute; oriunda de nuvens convectivas, isto &eacute;, nuvens formadas localmente,    a partir do aquecimento da superf&iacute;cie, o que gera a ascens&atilde;o de    massas de ar que podem formar nuvens. Se a quantidade de radia&ccedil;&atilde;o    chegando a superf&iacute;cie &eacute; menor, a convec&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m    o ser&aacute; uma vez que a energia para inici&aacute;-la &eacute; muitas vezes    insuficiente para formar nuvens. Como as plumas de queimada se espalham por    grandes &aacute;reas, esse tipo de efeito de supress&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o    de nuvens ocorre em boa parte da Amaz&ocirc;nia durante a esta&ccedil;&atilde;o    de queimadas, fen&ocirc;meno confirmado por observa&ccedil;&otilde;es a partir    de sat&eacute;lites(12). </font></P>     <p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> A regi&atilde;o amaz&ocirc;nica    vem passando por profundas mudan&ccedil;as devido ao intenso processo de ocupa&ccedil;&atilde;o    humana que ocorre desde o final dos anos 1970. Todas essas altera&ccedil;&otilde;es    causam mudan&ccedil;as importantes na composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica    da atmosfera n&atilde;o apenas na Amaz&ocirc;nia, mas tamb&eacute;m em regi&otilde;es    cont&iacute;guas, al&eacute;m do potencial efeito no clima global. O investimento    em pesquisas cient&iacute;ficas para o maior conhecimento dos mecanismos que    regulam os processos cr&iacute;ticos para a manuten&ccedil;&atilde;o da floresta,    incluindo suas inter-rela&ccedil;&otilde;es complexas entre biosfera e atmosfera    s&atilde;o muito importantes. Os resultados desses estudos auxiliar&atilde;o    na proposi&ccedil;&atilde;o futura de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que possam    permitir um desenvolvimento sustent&aacute;vel da regi&atilde;o, com preserva&ccedil;&atilde;o    do ecossistema amaz&ocirc;nico e que permita a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es    de vida da popula&ccedil;&atilde;o local.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Theotonio Pauliquevis</b> &eacute; pesquisador do Instituto    Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa) <b>Paulo Artaxo</b>, <b>Paulo    Henrique Oliveira</b> e<b> Melina Paix&atilde;o</b> s&atilde;o pesquisadores    do Instituto de F&iacute;sica da Universidade de S&atilde;o Paulo (IF-USP)</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><FONT SIZE="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  IPCC: Climate Change 2007: The 4th assessment report    to the intergovernamental panel on climate change, available at <a href="http://www.ipcc.ch" target="_blank">http://www.ipcc.ch</a>.</font><!-- ref --><p><font size="3">2.  Artaxo P., J. V. Martins, M. A. Yamasoe, A. S. Proc&oacute;pio,    T. M. Pauliquevis, M. O. Andreae, P. Guyon, L. V. Gatti, and A. M. C. Leal,    "Physical and chemical properties of aerosols in the wet and dry seasons    in Rond&ocirc;nia, Amazonia", <i>J. Geophys. Res.</i>, 107 (D20), 8081,    doi:10.1029/2001JD000666, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">3.  Graham B., et al., "Composition and diurnal variability    of the natural Amazonian aerosol", <i>J. Geophys. Res.</i>, 108 (D24),    4765, doi: 10.1029/2003 JD004049, 2003.</font><!-- ref --><p><font size="3">4.  Koren, I.; Kaufman, Y.J.; Washington, R.; Todd, M. C.;    Rudich, Y.; Martins, J.V. e Rosenfeld, D. "The Bod&eacute;l&eacute; depression:    a single spot in the Sahara that provides most of the mineral dust to the Amazon    forest", <i>Environ</i>. Res. Lett. 1 014005 (5pp) doi:10.1088/1748-9326/1/1/014005,    2006</font><!-- ref --><p><font size="3">5.  Okin G. S., Mahowald, N., Chadwick, O. A., Artaxo, P.    "Impact of desert dust on the biogeochemistry of phosphorus in terrestrial    ecosystems", <i>Global Biogeochem</i>. Cycles, 18, GB2005, doi:10.1029/2003GB002145,    2004.</font><!-- ref --><p><font size="3">6.  MCT (Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia)    – Primeiro Invent&aacute;rio Brasileiro de Emiss&otilde;es de Gases de Efeito    Estufa, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">7.  Fuzzi S., et al. (2007), "Overview of the inorganic    and organic composition of size-segregated aerosol in Rond&ocirc;nia, Brazil,    from the biomass-burning period to the onset of the wet season", <i>J.    Geophys. Res.</i>, 112, D01201, doi:10.1029/2005JD006741.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 8.  Andreae M. O., et al., "Biogeochemical cycling    of carbon, water, energy, trace gases, and aerosols in Amazonia: The LBA-Eustach    experiments", <i>J. Geophys. Res.</i>, 107 (D20), 8066, doi:10.1029/2001JD000524,    2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">9.  Proc&oacute;pio, A. S.; Artaxo, P.; Kaufman, Y. J.; Remer,    L. a.; Schafer, J. S.; Holben, B. N. "Multiyear analysis of Amazonian biomass    burning smoke radiative forcing of climate". <i>Geophysical Research Letters</i>,    31, L03108–L03112, doi:10.1029/2003GL018646, 2004. </font><!-- ref --><p><font size="3">10.  Rosenfeld, D. "TRMM observed first direct evidence    of smoke from forest fires inhibiting rainfall". <i>Geophys. Res.</i> Lett.    26 (20): 3105-3108 oct. 15, 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">11.  Andreae MO, Rosenfeld D, Artaxo P, Costa, A.A., Frank,    G.P., Longo, K.M., Silva-Dias, M.A.F."Smoking rain clouds over the Amazon",    <i>Science</i>, 303 (5662): 1337-1342, Feb. 27, 2004.</font><!-- ref --><p><font size="3">12.  Koren, I., Kaufman, Y.J., Remer, L.A., Martins, J.V.    "Measurement of the effect of Amazon smoke on inhibition of cloud formation",    <i>Science</i> 303 (5662): 1342-1345, Feb. 27, 2004 </font> ]]></body><back>
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