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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a03img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">TRABALHO</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n4/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Oportunidades e exclus&atilde;o na sociedade da informa&ccedil;&atilde;o</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">H&aacute; cinco anos, ap&oacute;s um amplo levantamento realizado    por pesquisadores da Unicamp, USP, UFMG e do Senai, o Minist&eacute;rio do Trabalho    lan&ccedil;ava uma nova Classifica&ccedil;&atilde;o Brasileira de Ocupa&ccedil;&otilde;es    (CBO) para contemplar as mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas e tecnol&oacute;gicas    ocorridas no mercado em mais de duas d&eacute;cadas desde a sua primeira vers&atilde;o.    Ali j&aacute; estavam contempladas profiss&otilde;es emergentes como a de <i>webmaster</i>    (administrador de sites), <i>web designer</i> (desenhista de p&aacute;ginas    da internet) e editor de conte&uacute;do para a internet. E novas ocupa&ccedil;&otilde;es    surgiram de l&aacute; para c&aacute;, como no crescente mercado de educa&ccedil;&atilde;o    a dist&acirc;ncia, ainda n&atilde;o catalogadas pelo Minist&eacute;rio do Trabalho.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Uma delas &eacute; a do "tutor", cuja tarefa n&atilde;o    se restringe &agrave; monitoria dos alunos em aulas presenciais de cursos a    dist&acirc;ncia. "Na verdade, esse profissional deve ser um conhecedor    de todo o curso e ainda ter conhecimentos espec&iacute;ficos para esclarecer    d&uacute;vidas dos alunos", afirma Jo&atilde;o Batista Sim&atilde;o, pesquisador    da UnB na &aacute;rea de ci&ecirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o. Outra ocupa&ccedil;&atilde;o    &eacute; a do "produtor de conte&uacute;dos educacionais" ou "planejador    instrucional", que tem a fun&ccedil;&atilde;o de elaborar o material adequado    para esses cursos a dist&acirc;ncia. "Em algumas institui&ccedil;&otilde;es,    ele &eacute; respons&aacute;vel tamb&eacute;m por pesquisar sobre o tema do    curso, entrevistar especialistas sobre o assunto, fazer coleta de dados, montar    a diagrama&ccedil;&atilde;o do curso, separando-o em m&oacute;dulos, e definir    o modo de intera&ccedil;&atilde;o do aluno com o curso", completa Sim&atilde;o.    Segundo ele, ainda n&atilde;o existe no pa&iacute;s curso de gradua&ccedil;&atilde;o    para formar produtores de conte&uacute;do, e os que atuam nessa &aacute;rea    geralmente v&ecirc;em da pedagogia, de engenharias ou da an&aacute;lise de sistemas.</font></P>     <p><font size="3"><b>ENSINO &Agrave; DIST&Acirc;NCIA</b> O pesquisador da UnB    cita levantamento da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o    a Dist&acirc;ncia, segundo o qual mais de 2,2 milh&otilde;es de brasileiros    j&aacute; estudaram ou est&atilde;o em algum desses cursos credenciados pelo    Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. Ele acrescenta dados da Associa&ccedil;&atilde;o    e-Learning Brasil: entre 1999 e 2005, o investimento de empresas e institui&ccedil;&otilde;es    de ensino em treinamento de funcion&aacute;rios, cursos r&aacute;pidos, gradua&ccedil;&atilde;o    e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o foi de R$ 470 milh&otilde;es, e deve crescer    a uma m&eacute;dia de 40% ao ano at&eacute; 2010.</font></P>     <p><font size="3">Boa parte do aumento desse setor se deve &agrave; percep&ccedil;&atilde;o    dos empres&aacute;rios de que h&aacute; um retorno na forma&ccedil;&atilde;o    de seus funcion&aacute;rios, al&eacute;m do baixo custo desss cursos."A    escola formal nunca deu conta de formar exclusivamente para o mercado e nem    &eacute; esse o papel dela. Boa parte da forma&ccedil;&atilde;o acontece no    pr&oacute;prio trabalho", diz Ana Maria Bianchi, da USP, que trabalhou    no levantamento de 2002 feito para o Minist&eacute;rio do Trabalho.</font></P>     <p><font size="3">O estudo j&aacute; apontava uma tend&ecirc;ncia que tem se consolidado    nos &uacute;ltimos anos: al&eacute;m de gerar novas profiss&otilde;es, as mudan&ccedil;as    tecnol&oacute;gicas envolvem toda a economia e afetam, em maior ou menor grau,    praticamente todas as ocupa&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m de reduzir postos    de trabalho com a automa&ccedil;&atilde;o de caixas de banco, elevadores, bombas    de combust&iacute;vel e catracas de &ocirc;nibus, o leque de fun&ccedil;&otilde;es    tamb&eacute;m se amplia. &Eacute; o caso do locutor de r&aacute;dio ou TV: n&atilde;o    basta mais ter uma boa voz; tem que atuar em todo o processo da produ&ccedil;&atilde;o    at&eacute; a apresenta&ccedil;&atilde;o. Com as novas tecnologias facilitadoras,    o pr&oacute;prio locutor pode substituir o operador em transmiss&otilde;es externas    de r&aacute;dio, por exemplo.</font></P>     <p><font size="3"><b>DESEMPREGO</b> Assim como nas comunica&ccedil;&otilde;es,    v&aacute;rios setores da economia passaram por um processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o    e enxugamento de seus quadros. "O desemprego n&atilde;o &eacute; causado    apenas pelos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos. Aumentou, sim, a concorr&ecirc;ncia    por um posto de trabalho. O mercado ficou mais competitivo, em parte pelas tecnologias,    em parte pelas inova&ccedil;&otilde;es. A produtividade aumentou no mundo inteiro    nos mais diversos setores", avalia Bianchi.</font></P>     <p><font size="3">A automatiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o somente aumentou muito    o desemprego em alguns setores, como, em muitos casos, aumentou o n&uacute;mero    de horas trabalhadas", acrescenta Georgete Rodrigues, da UnB, que teve    a colabora&ccedil;&atilde;o de Sim&atilde;o e de Patr&iacute;cia de Andrade,    do MCT, em estudo sobre a Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o no Brasil e    em Portugal. "Se por um lado a internet, por exemplo, possibilitou &agrave;s    pessoas tornarem-se trabalhadores aut&ocirc;nomos, os computadores e celulares    disponibilizados pelas grandes empresas aos seus funcion&aacute;rios acabaram    tornando-os ‘escravos modernos’", completa.</font></P>     <p><font size="3"><b>EXCLUS&Atilde;O</b> Tanto as novas oportunidades de emprego,    como a de editor de web ou a de produtor de conte&uacute;do para ensino &agrave;    dist&acirc;ncia, quanto a competi&ccedil;&atilde;o acirrada e a "escraviza&ccedil;&atilde;o    digital" nos mais diversos setores, afetam diretamente a vida de quem j&aacute;    tem acesso &agrave;s novas tecnologias. Mas o estudo de Georgete, Sim&atilde;o    e Patr&iacute;cia aponta a chance bem maior de Portugal ser bem sucedido em    suas pol&iacute;ticas para constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade da informa&ccedil;&atilde;o    do que o Brasil, n&atilde;o apenas por ter uma popula&ccedil;&atilde;o bem menor    mas por contar com apoio financeiro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia.</font></P>     <p><font size="3">De fato, uma pesquisa realizada pelo N&uacute;cleo de Informa&ccedil;&atilde;o    e Coordena&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil, entre    julho e agosto de 2006, mostra que mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o    do pa&iacute;s com 10 anos de idade ou mais nunca havia usado um computador    na vida. Entre as tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o    (TIC), a televis&atilde;o, o r&aacute;dio, o telefone celular m&oacute;vel e    o telefone fixo est&atilde;o presentes em um percentual de domic&iacute;lios    bem maior que o computador, que aparece em apenas 19,30% das resid&ecirc;ncias    brasileiras. E &eacute; em casa que a maioria (43,39%) afirma usar o computador,    percentual bem acima dos que usam em centros de acesso pago – como as <i>lan    houses</i> e os <i>cyber caf&eacute;s</i> – (25,40%), no trabalho (25,03%),    na escola (18,48%), na casa de outra pessoa (16,69%) ou em centros de acesso    gratuito – como os telecentros p&uacute;blicos ou comunit&aacute;rios – (3,91%).</font></P>     <p><font size="3">Mesmo entre as pessoas que j&aacute; usaram computador alguma    vez, 59,42% diz que suas habilidades com o computador n&atilde;o s&atilde;o    suficientes para o mercado de trabalho. Esse percentual fica acima de 70% entre    os que pertencem &agrave;s classes D e E, entre os que possuem renda familiar    at&eacute; R$ 500 e entre os que t&ecirc;m no m&aacute;ximo o ensino fundamental    de instru&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Rodrigo Cunha</i></font></P>      ]]></body>
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