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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">ROTAS MIGRAT&Oacute;RIAS</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n4/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Norte e Centro-Oeste, novos p&oacute;los de migra&ccedil;&atilde;o</b>    </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O Sudeste j&aacute; n&atilde;o &eacute; a maravilha de outrora.    Eventos ocorridos nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, como estagna&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica, descentraliza&ccedil;&atilde;o do setor industrial, urbaniza&ccedil;&atilde;o    em outros estados e expans&atilde;o de novas fronteiras agr&iacute;colas fizeram    com que o estado de S&atilde;o Paulo e seus vizinhos perdessem a soberania no    que se refere a desenvolvimento regional. Atualmente, Goi&aacute;s e Mato Grosso,    no Centro-Oeste, assim como Amazonas, no Norte, apresentam n&iacute;veis atraentes    de crescimento econ&ocirc;mico e, com isso, elevaram seu poder de atra&ccedil;&atilde;o    de migrantes, principalmente nordestinos, que partem para essas regi&otilde;es    em busca de melhores empregos e condi&ccedil;&otilde;es de vida. Enquanto isso,    no Sudeste o movimento &eacute; inverso: mais pessoas t&ecirc;m sa&iacute;do    de seus estados, tend&ecirc;ncia que deve permanecer nos pr&oacute;ximos anos.</font></P>     <p><font size="3">Os &uacute;ltimos 25 anos foram de semi-estagna&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica o que se refletiu fortemente no Sudeste, que reduziu seus &iacute;ndices    de desenvolvimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s nos &uacute;ltimos tempos    para a casa de 2% ao ano, assinala o professor de economia da Universidade Estadual    de Campinas (Unicamp), Marcio Pochmann. O mesmo ocorreu com os indicadores de    produ&ccedil;&atilde;o e emprego. A baixa expans&atilde;o da atividade econ&ocirc;mica    expulsou a m&atilde;o-de-obra excedente. "Em sua maioria, s&atilde;o nordestinos    que voltaram &agrave;s suas cidades de origem ou se dirigiram aos estados que    mais crescem atualmente, sobretudo Amazonas e Mato Grosso – 7 a 8% ao ano, &iacute;ndices    semelhantes ao chin&ecirc;s", constata Pochmann.</font></P>     <p><font size="3">A alta taxa de crescimento econ&ocirc;mico desses estados se    deve a muitos fatores. Um dos principais &eacute; a expans&atilde;o das fronteiras    agr&iacute;colas, tanto da soja para exporta&ccedil;&atilde;o, quanto da pecu&aacute;ria    e do extrativismo mineral. Muitos alagoanos, piauienses e maranhenses que no    passado vieram trabalhar no cultivo de caf&eacute; paulista e paranaense, agora    est&atilde;o nas lavouras e na ind&uacute;stria agropecu&aacute;ria do Centro-Oeste.    No entanto, Pochmann ressalta que a ind&uacute;stria dessas regi&otilde;es produz    artigos de "baixo valor agregado e de pouco conte&uacute;do tecnol&oacute;gico,    derivados do extrativismo mineral e normalmente vinculados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    de alimentos ou &agrave; pecu&aacute;ria. Os empregos s&atilde;o de sal&aacute;rio-m&iacute;nimo".    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>DESCENTRALIZA&Ccedil;&Atilde;O</b> A partir de 1980, muitas    ind&uacute;strias transferiram suas f&aacute;bricas do Sudeste (concentradas    principalmente em S&atilde;o Paulo) para outros estados. Segundo Juciano Martins    Rodrigues, em pesquisa para o Observat&oacute;rio das Metr&oacute;poles, esse    movimento deveu-se ao investimento em infra-estrutura de transporte, energia    e comunica&ccedil;&atilde;o em outros centros urbanos do pa&iacute;s, assim    como &agrave; a&ccedil;&atilde;o estatal de incentivos fiscais regionais que    possibilitou ganhos maiores &agrave;s empresas nos novos estados. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a05img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A massa de desempregados com o fechamento de empresas, principalmente    de S&atilde;o Paulo, come&ccedil;ou a migrar para esses novos p&oacute;los industriais.    No primeiro momento, a migra&ccedil;&atilde;o se restringiu ao eixo Sul-Sudeste,    depois se estendeu a outros estados como Goi&aacute;s e Mato Grosso. </font></P>     <p><font size="3">Pochmann ressalta que o padr&atilde;o migrat&oacute;rio de hoje    difere do registrado na d&eacute;cada de 1970, quando a predomin&acirc;ncia    era de imigrantes com baixa escolaridade, sa&iacute;do da zona rural, que disputavam    vagas de trabalho n&atilde;o qualificado. "Agora, o que se observa &eacute;    uma migra&ccedil;&atilde;o urbana, de cidade para cidade, e n&atilde;o mais    do campo para a cidade".</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a05img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>PAS&Aacute;RGADA DO PASSADO</b> O processo brasileiro de    migra&ccedil;&atilde;o interna se intensificou a partir de 1930 quando muitos    pa&iacute;ses europeus criaram barreiras &agrave; emigra&ccedil;&atilde;o de    habitantes para a Am&eacute;rica Latina. Naquela &eacute;poca, S&atilde;o Paulo    vivia um per&iacute;odo de forte crescimento industrial e extensa agricultura    cafeeira que tornava o contingente de trabalhadores da regi&atilde;o insuficiente    para manter o ritmo acelerado de crescimento. Sem poder contar com os europeus    que ocuparam o espa&ccedil;o dos negros escravos na lavoura, a sa&iacute;da    do governo paulista foi iniciar uma campanha para atrair migrantes internos.    Logo, nordestinos e mineiros do norte de Minas Gerais formaram fluxos migrat&oacute;rios    constantes para S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, ent&atilde;o capital do pa&iacute;s,    que tamb&eacute;m passava por um processo de industrializa&ccedil;&atilde;o.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">At&eacute; 1970, a regi&atilde;o metropolitana de S&atilde;o    Paulo foi a "Pas&aacute;rgada" brasileira: ali se instalaram as principais    ind&uacute;strias, com os melhores empregos. Com a crise de 1980 e ciclo de    expans&atilde;o econ&ocirc;mica do pa&iacute;s detido, ocorre uma re-estrutura&ccedil;&atilde;o    do mercado de trabalho e o mapa migrat&oacute;rio brasileiro come&ccedil;a a    apontar para novas dire&ccedil;&otilde;es</font></P>     <p><font size="3"><b>MIGRA&Ccedil;&Atilde;O DE RETORNO</b> &Eacute; preciso ressaltar,    por&eacute;m, que apesar dos acontecimentos atuais o Sudeste ainda &eacute;    a regi&atilde;o que mais recebe imigrantes em n&uacute;meros absolutos (a que    mais envia emigrantes tamb&eacute;m, em um fluxo de m&atilde;o dupla). &Eacute;    o que afirma a pesquisadora do N&uacute;cleo de Estudos Populacionais (Nepo)    da Unicamp, Rosana Baenninger, destacando, por&eacute;m, que o perfil dessa    migra&ccedil;&atilde;o mudou bastante. O que mais atrai imigrantes &agrave;    regi&atilde;o metropolitana de S&atilde;o Paulo hoje s&atilde;o os la&ccedil;os    sociais estabelecidos. Muitos, principalmente da Bahia e do Cear&aacute;, estabelecem-se    em S&atilde;o Paulo com a ajuda de parentes que moram na regi&atilde;o. S&atilde;o,    em geral, jovens que permanecem no Sudeste por alguns anos para fazer seu "p&eacute;-de-meia"    e depois voltam &agrave; terra natal. Com a experi&ecirc;ncia adquirida no Sudeste,    v&aacute;rios conseguem empregos em turismo e servi&ccedil;os em seus estados.</font></P>     <p><font size="3">J&aacute; no Sul do pa&iacute;s, diz Rosana, h&aacute; um retorno    de paranaenses que at&eacute; pouco tempo estavam no Sudeste, assim como muitas    pessoas migram para a regi&atilde;o metropolitana de Curitiba e para o litoral    catarinense. Alguns sulistas aproveitaram o processo recente de urbaniza&ccedil;&atilde;o    de regi&otilde;es metropolitanas do Distrito Federal e de Goi&aacute;s (p&oacute;s    1988) para migrarem para esses estados que s&atilde;o atualmente o "Eldorado    brasileiro".</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Luiz Paulo Juttel</i></font></P>      ]]></body>
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