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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">SA&Uacute;DE</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n4/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Ontem, contra-indicados; hoje, saud&aacute;veis</b> </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O vinho &eacute; o mais not&aacute;vel de todos os rem&eacute;dios;    onde falta o vinho, os rem&eacute;dios se fazem necess&aacute;rios". A    cita&ccedil;&atilde;o est&aacute; no <i>Talmud</i>, livro sagrado dos judeus,    e confirma as propriedades ben&eacute;ficas da bebida, cujo uso terap&ecirc;utico    tem registro de 2000 a.C., encontrado no Egito, relatando seu uso em ung&uuml;entos    para tratamento de doen&ccedil;as dermatol&oacute;gicas. Para o chocolate, a    boa recomenda&ccedil;&atilde;o vem da Associa&ccedil;&atilde;o Americana do    Cora&ccedil;&atilde;o: os flavon&oacute;ides, mesmo antioxidante encontrado    no vinho tinto e tamb&eacute;m no principal ingrediente do chocolate, o cacau    melhora a circula&ccedil;&atilde;o, num efeito que baixa a press&atilde;o sangu&iacute;nea,    reduzindo o risco de surgirem doen&ccedil;as do cora&ccedil;&atilde;o. Falta    resgatar mais um vil&atilde;o: a <i>cannabis sativa</i>, nome cient&iacute;fico    da maconha, com efeitos ben&eacute;ficos reconhecidos por estudos realizados    h&aacute; 50 anos, pela ent&atilde;o Escola Paulista de Medicina (hoje Unifesp),    como antiepil&eacute;tico e para diminuir a n&aacute;usea e os v&ocirc;mitos    provocados pela quimioterapia. </font></P>     <p><font size="3">Numa revers&atilde;o de expectativa, qualquer paciente pode    receber de seu m&eacute;dico uma das sugest&otilde;es acima para amenizar algum    mal. Por&eacute;m, &eacute; senso comum que excesso de &aacute;lcool, de qualquer    esp&eacute;cie, leva a problemas f&iacute;sicos e sociais. Comer muito chocolate    pode resultar no aumento do colesterol ruim, al&eacute;m do peso a mais na balan&ccedil;a.    Assim como o consumo da maconha tem conseq&uuml;&ecirc;ncias reconhecidamente    danosas ao usu&aacute;rio. De alguns anos para c&aacute;, entretanto, a ci&ecirc;ncia    tem revelado o lado bom de subst&acirc;ncias em geral demonizadas pela sociedade.    O chocolate, banido em dietas com restri&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car    e gorduras, faz bem para o cora&ccedil;&atilde;o, assim como o consumo moderado    de vinho confere vida mais longa e pode ser um aliado dos hipertensos. Subst&acirc;ncias    derivadas da maconha s&atilde;o a base de medicamentos para v&aacute;rias doen&ccedil;as.    Eliane Said Dutra, nutricionista da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB) considera    que, no caso dos alimentos, &eacute; natural atribuir-lhes pap&eacute;is ou    fun&ccedil;&otilde;es. "Isso vem de costumes, de falta de investiga&ccedil;&atilde;o    consistente ou divulga&ccedil;&atilde;o inadequada, entre outras possibilidades.    Ao longo da hist&oacute;ria, mitos s&atilde;o confirmados ou recha&ccedil;ados,    em fun&ccedil;&atilde;o de interesses e inten&ccedil;&otilde;es que os transformam    em objeto de pesquisa, ou n&atilde;o", diz ela. A ci&ecirc;ncia possui    muitas verdades provis&oacute;rias, mas que, freq&uuml;entemente, s&atilde;o    encaradas como solu&ccedil;&otilde;es definitivas, afirma.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a07img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Na opini&atilde;o do m&eacute;dico e en&oacute;filo S&eacute;rgio    de Paula Santos, sempre se soube dos efeitos terap&ecirc;uticos do consumo moderado    do vinho como fator preventivo de v&aacute;rias doen&ccedil;as, mas se reluta    em recomend&aacute;-lo para evitar o risco do abuso do &aacute;lcool. "Por&eacute;m,    isso est&aacute; mudando e j&aacute; &eacute; comum cl&iacute;nicos aconselharem    pacientes idosos a tomarem uma ta&ccedil;a de vinho durante as refei&ccedil;&otilde;es",    diz. Paula Santos cita algumas de suas propriedades, largamente estudadas: como    aperitivo, aumenta a saliva&ccedil;&atilde;o e prepara a atividade estomacal;    seu efeito tranq&uuml;ilizante favorece a perda de peso nas pessoas obesas;    por ser tomado durante as refei&ccedil;&otilde;es, de maneira lenta, os n&iacute;veis    de &aacute;lcool no sangue n&atilde;o atinge propor&ccedil;&otilde;es intoxicantes    ao f&iacute;gado, como acontece com os destilados.</font></P>     <p><font size="3">Uma pesquisa de longa dura&ccedil;&atilde;o da Universidade    de Oulu, na Finl&acirc;ndia, concluiu que o consumo moderado de vinho pode fazer    com que as pessoas vivam mais. Publicado no <i>Journals of Gerontoly</i>, o    estudo acompanhou por 30 anos homens nascidos entre 1919 e 1934, para determinar    a rela&ccedil;&atilde;o entre consumo de &aacute;lcool, qualidade de vida e    longevidade. Segundo um dos pesquisadores, Timo Strandberg, a taxa de mortalidade    foi 34% menor nos homens que preferiram o vinho ao inv&eacute;s da cerveja ou    outras bebidas alco&oacute;licas. </font></P>     <p><font size="3"><b>DOCE TRATAMENTO</b> Talvez o mais dif&iacute;cil nessa hist&oacute;ria    seja estabelecer o limite entre modera&ccedil;&atilde;o e excesso. "O papel    da m&iacute;dia &eacute; buscar a informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    na melhor fonte, de forma a atender demandas sociais, traduzindo-a para a popula&ccedil;&atilde;o,    com conte&uacute;do correto e sem sensacionalismo", defende Eliane Dutra.    Divulga&ccedil;&atilde;o cuidadosa &eacute; o que requer, por exemplo, o estudo    de um grupo de cientistas do Departamento de Pesquisas em Reumatologia e Inflama&ccedil;&otilde;es    da Universidade de Gotemburgo, na Su&eacute;cia. Eles conseguiram diminuir o    risco de desenvolver artrite reumat&oacute;ide em camundongos, dando a eles    pequenas doses de &aacute;lcool. A ingest&atilde;o de &aacute;gua com 10% de    etanol estimulou a produ&ccedil;&atilde;o de testosterona levando a uma s&eacute;rie    de eventos antiinflamat&oacute;rios. "O desenvolvimento de artrite erosiva    foi quase totalmente anulado", escreveram os autores na revista <i>Proceedings    of the National Academy os Sciences</i> (Pnas). </font></P>     <p><font size="3">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa da Associa&ccedil;&atilde;o    Americana do Cora&ccedil;&atilde;o que aponta os benef&iacute;cios dos flavon&oacute;ides,    a nutricionista alerta que &eacute; o grau de participa&ccedil;&atilde;o das    am&ecirc;ndoas do cacau na composi&ccedil;&atilde;o do chocolate que determina    o benef&iacute;cio de seu consumo. "Os melhores exemplos s&atilde;o o cacau    em p&oacute; e o chocolate meio-amargo de boa proced&ecirc;ncia". A maioria    das pessoas come chocolate ao leite, que n&atilde;o possui uma grande concentra&ccedil;&atilde;o    de flavon&oacute;ides. Ela explica que estudos epidemiol&oacute;gicos associam    a ingest&atilde;o de flavon&oacute;ides com a redu&ccedil;&atilde;o de risco    cardiovascular e de certos tipos de c&acirc;ncer, em fun&ccedil;&atilde;o de    sua capacidade de: reduzir o estresse oxidativo, inibir a oxida&ccedil;&atilde;o    de lipoprote&iacute;nas de baixa densidade assim como a agrega&ccedil;&atilde;o    plaquet&aacute;ria; agir com vaso dilatador; atuar como agente imunomodulador    e antiinflamat&oacute;rio em diferentes fases do processo tumoral. Os n&iacute;veis    de flavon&oacute;ides contidos no cacau s&atilde;o maiores do que em alimentos    reconhecidos como fonte dessa subst&acirc;ncia – frutas, vegetais e alguns tipos    de ch&aacute;.</font></P>     <p><font size="3"><b>MACONHA COMO REM&Eacute;DIO?</b> O uso terap&ecirc;utico    de subst&acirc;ncias proibidas &eacute; uma das grandes pol&ecirc;micas no meio    cient&iacute;fico. O primeiro trabalho sobre efeito terap&ecirc;utico da maconha    usava uma de suas subst&acirc;ncias ativas como antiepil&eacute;tico. Doentes    que n&atilde;o melhoravam usando medicamentos dispon&iacute;veis usaram o canabidiol    (CBD), que n&atilde;o tem efeito alucin&oacute;geno no c&eacute;rebro, e tiveram    sens&iacute;vel melhora no quadro das convuls&otilde;es. "Um dos pacientes    tinha ataques pelo menos uma vez por semana, implicando em baixa qualidade de    vida e restri&ccedil;&atilde;o ao trabalho", conta Elisaldo Carlili, farmacologista    da Unifesp e pioneiro nas pesquisas sobre usos terap&ecirc;uticos da maconha,    na ent&atilde;o Escola Paulista de Medicina. "Usando o canabidiol, ele    ficou seis meses sem ter uma crise", diz. Ele explica que mesmo que existam    medicamentos muito eficientes no mercado, na medicina nada &eacute; 100% eficiente.    "Sempre haver&aacute; pacientes refrat&aacute;rios a algum rem&eacute;dio;    em tais casos, como com os anti-nauseantes feitos a partir da <i>cannabis sativa</i>,    justifica-se o uso de medicamentos derivados da maconha", afirma. </font></P>     <p><font size="3">Carlili informa haver mais de uma dezena de estudos comprovando    que subst&acirc;ncias existentes na maconha podem aliviar a dor neurop&aacute;tica,    que atinge uma ou mais partes do corpo e est&aacute; associada a doen&ccedil;as    que afetam os nervos perif&eacute;ricos, a medula espinhal ou o c&eacute;rebro.    J&aacute; existem dois medicamentos para este tipo de dor: um deles &eacute;    o Sativex, feito na Inglaterra, &agrave; base de dois extratos da maconha com    teor mais elevado de canabidiol; e o Delta9 com THC, outro princ&iacute;pio    ativo da planta. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></font></P>     ]]></body>
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