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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Paisagem e patrimônio do antigo norte de Goiás, após vinte anos de tombamento]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a08img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">NATIVIDADE</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n4/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Paisagem e patrim&ocirc;nio do antigo norte de Goi&aacute;s,    ap&oacute;s vinte anos de tombamento</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Em outubro completaram-se vinte anos do tombamento do munic&iacute;pio    goiano de Natividade pelo Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico    Nacional (Iphan). A cidade do s&eacute;culo XVIII, no sudeste do Tocantins,    preserva quase &iacute;ntegra sua arquitetura colonial singela, que se destaca    pelo apelo vernacular.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O processo de tombamento, na d&eacute;cada de 1980, prometia    ser um modelo de como a preserva&ccedil;&atilde;o de interesse arquitet&ocirc;nico    e hist&oacute;rico poderia estar integrada &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o    da paisagem natural, ao indicar a prote&ccedil;&atilde;o da Serra de Natividade,    fator de origem da cidade. Seu v&iacute;nculo com o n&uacute;cleo hist&oacute;rico    &eacute; evidente: l&aacute; est&atilde;o os vest&iacute;gios das primeiras    atividades de extra&ccedil;&atilde;o de ouro como ru&iacute;nas de diques, canais    e de abrigos residenciais. </font></P>     <p><font size="3">Hoje, vinte anos depois do reconhecimento de seu valor arquitet&ocirc;nico,    urban&iacute;stico e paisag&iacute;stico, seria apropriado refletirmos sobre    como podemos nos re-apropriar e renovar essa paisagem.</font></P>     <p><font size="3"><b>A SERRA DE NATIVIDADE</b> A prote&ccedil;&atilde;o da vertente    ocidental da Serra acenava como uma revigorante express&atilde;o do conceito    de patrim&ocirc;nio, que prometia integrar a paisagem constru&iacute;da &agrave;    paisagem natural. Entretanto, por quest&otilde;es que fogem ao interesse preservacionista,    foi exclu&iacute;da, o que foi sem d&uacute;vida uma perda para a cidade e para    a compreens&atilde;o do processo hist&oacute;rico e de ocupa&ccedil;&atilde;o    do interior do Brasil.</font></P>     <p><font size="3">Uma revis&atilde;o cr&iacute;tica do per&iacute;metro de tombamento    &eacute; imprescind&iacute;vel: al&eacute;m da import&acirc;ncia na composi&ccedil;&atilde;o    da paisagem, e do valor hist&oacute;rico e arquitet&ocirc;nico relacionado &agrave;s    ru&iacute;nas, a Serra tem um valor agregado como recurso natural (&eacute;    a principal fonte de &aacute;gua que abastece a cidade), argumentos que s&atilde;o    suficientes para seu tombamento.</font></P>     <p><font size="3"><b>PATRIM&Ocirc;NIO IMATERIAL</b> A discuss&atilde;o sobre a    re-apropria&ccedil;&atilde;o da paisagem de Natividade, por&eacute;m, n&atilde;o    se esgota na revis&atilde;o de seu tombamento. A cidade re&uacute;ne uma diversidade    de refer&ecirc;ncias culturais como celebra&ccedil;&otilde;es, of&iacute;cios    e saberes, elementos de uma identidade social e cultural.</font></P>     <p><font size="3">A tradicional ourivesaria de Natividade subsistiu por quase    tr&ecirc;s s&eacute;culos, provavelmente em fun&ccedil;&atilde;o da minera&ccedil;&atilde;o    nas fazendas ao redor da cidade, que ainda prossegue. At&eacute; duas d&eacute;cadas    atr&aacute;s, de acordo com alguns mestres de of&iacute;cio, ainda era utilizada    uma t&eacute;cnica de fundi&ccedil;&atilde;o arcaica, a partir de moldes de    barro e &oacute;leo vegetal <a name="tx"></a><a href="#nt"><sup>*</sup></a>.</font></P>     <p><font size="3">A milenar filigrana, de produ&ccedil;&atilde;o semelhante &agrave;    de Portugal e Espanha, se torna singular e local ao incorporar s&iacute;mbolos    da cultura popular, como as j&oacute;ias com a pomba do Divino, e, atualmente,    &eacute; objeto de estudo para ser registrada como patrim&ocirc;nio imaterial.    </font></P>     <p><font size="3">No calend&aacute;rio religioso, a Festa do Divino &eacute; a    mais intensa e importante das celebra&ccedil;&otilde;es: movimenta toda a comunidade    em sua expectativa, produ&ccedil;&atilde;o e frui&ccedil;&atilde;o. A pomba    do Divino Esp&iacute;rito Santo &eacute; um s&iacute;mbolo recorrente nas festas    e nos of&iacute;cios: est&aacute; nas bandeiras, uniformes dos foli&otilde;es,    pratos e copos da festa, nas j&oacute;ias e sob a forma de doces. </font></P>     <p><font size="3">A produ&ccedil;&atilde;o artesanal de bolos – que remetem &agrave;s    tradicionais receitas coloniais da cultura caipira (como o bolo de arroz na    folha de bananeira) e doces, a produ&ccedil;&atilde;o de licores e cacha&ccedil;as,    as t&eacute;cnicas de cestaria e de ba&uacute;s de couro e a constru&ccedil;&atilde;o    com adobe tamb&eacute;m perduram, ainda que precariamente. </font></P>     <p><font size="3">Of&iacute;cios e celebra&ccedil;&otilde;es, que congregados    ao conjunto arquitet&ocirc;nico e &agrave; Serra de Natividade – onipresente    como um olho que tudo v&ecirc; – convertem a cidade em uma aut&ecirc;ntica experi&ecirc;ncia    cultural.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>PAISAGEM CULTURAL</b> De acordo com essas caracter&iacute;sticas    podemos considerar como adequado o conceito de "Paisagem Cultural"    para a cidade, usado quando h&aacute; uma condi&ccedil;&atilde;o local ou regional    em que as celebra&ccedil;&otilde;es, of&iacute;cios e saberes se relacionam    com a paisagem natural e se constr&oacute;em como um sistema, de forma a constituir    uma experi&ecirc;ncia singular.</font></P>     <p> <font size="3">"Sua caracter&iacute;stica fundamental &eacute; a ocorr&ecirc;ncia    em uma fra&ccedil;&atilde;o territorial, do conv&iacute;vio singular entre a    natureza, os espa&ccedil;os constru&iacute;dos e ocupados, os modos de produ&ccedil;&atilde;o    e as atividades sociais e culturais. (...) Para que a paisagem cultural se configure,    esses fatores devem guardar uma rela&ccedil;&atilde;o complementar entre si,    capaz de estabelecer uma identidade que n&atilde;o possa ser conferida por qualquer    um deles isoladamente (...)", como lembra Luis Fernando de Almeida, em    artigo do jornal <i>O Globo</i>. </font></P>     <p><font size="3">Em conson&acirc;ncia com a recomenda&ccedil;&atilde;o da Unesco    sobre a conserva&ccedil;&atilde;o integrada das &aacute;reas de paisagem cultural,    a promo&ccedil;&atilde;o de um modelo de desenvolvimento sustent&aacute;vel    &eacute; uma excepcional alternativa &agrave;s r&iacute;gidas rela&ccedil;&otilde;es    sociais e pol&iacute;ticas que caracterizam Natividade – assim como as demais    comunidades onde pecu&aacute;ria e latif&uacute;ndio predominam na paisagem    econ&ocirc;mica regional.</font></P>     <p><font size="3">O resgate das t&eacute;cnicas de produ&ccedil;&atilde;o artesanal    integrado &agrave; arquitetura e ao calend&aacute;rio das celebra&ccedil;&otilde;es    possibilitaria redesenhar o austero destino rural de Natividade sob uma nova    perspectiva, com qualidade de vida e cidadania para a comunidade, que finalmente,    poderia se apropriar de modo simb&oacute;lico e pragm&aacute;tico de sua heran&ccedil;a    cultural.</font></P>     <p><font size="3">Vinte anos depois, ampliar o significado da preserva&ccedil;&atilde;o    de Natividade e promover seu desenvolvimento sustent&aacute;vel &eacute; reafirmar    a import&acirc;ncia hist&oacute;rica e cultural que levou &agrave; sua inscri&ccedil;&atilde;o    nos Livros de Tombo Arqueol&oacute;gico, Etnogr&aacute;fico e Paisag&iacute;stico,    Hist&oacute;rico e de Belas Artes em 16 de outubro de 1987.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Raquel da Costa Nery &eacute; arquiteta    <BR>   e urbanista do Instituto do    <BR>   Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico    <BR>   Nacional (Iphan) desde 2006</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a08img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>NOTA</b></font></P>     <p><font size="3"><a name="nt"></a><a href="#tx">*</a> A fundi&ccedil;&atilde;o    do ouro no Brasil foi inserida atrav&eacute;s dos escravos provenientes da atual    regi&atilde;o de Angola, Mo&ccedil;ambique, al&eacute;m dos grupos Minas – Yorubanos,    Geg&ecirc;, entre outros. Estes grupos foram selecionados em raz&atilde;o de    sua experi&ecirc;ncia e dom&iacute;nio das t&eacute;cnicas de metalurgia e minera&ccedil;&atilde;o    na &Aacute;frica – uma m&atilde;o-de-obra especializada para atender &agrave;s    novas necessidades e modos de produ&ccedil;&atilde;o da Col&ocirc;nia. Ozanam,    Luiz. "As j&oacute;ias dos negros: usu&aacute;rios e art&iacute;fices nas    Minas Gerais do s&eacute;culo XVIII." <i>Revista da Fadom</i>, Divin&oacute;polis-MG,    n 13, p. 1-5, 2003.    <br>   Dispon&iacute;vel em: <i><a href="http://www.fadom.br/interna.asp?var_cdsessao=000040&var_cdsubnivel=2&var_tipomenu=Vcontexts/brasilrevistas.htm" target="_blank">www.fadom.br/interna.asp?var_cdsessao=000040&amp;var_cdsubnivel=2&amp;var_tipomenu=Vcontexts/brasilrevistas.htm</a></i>.    <br>   Acesso em 28 julho de 2007.</font></P>      ]]></body>
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