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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/mundo.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">EXPOSI&Ccedil;&Atilde;O</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v59n4/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Moscas francesas em visita&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Cientistas e artistas visuais uniram-se num trabalho museogr&aacute;fico,    no m&iacute;nimo, fascinante: criar uma exposi&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria    sobre moscas (<i>Mouches</i>). A mostra ficou de abril a setembro deste ano    no Museu Nacional de Hist&oacute;ria Natural, em Paris, mas para quem n&atilde;o    foi l&aacute;, ainda &eacute; poss&iacute;vel realizar um passeio virtual pela    exposi&ccedil;&atilde;o no endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico (<i><a href="http://www2.mnhn.fr/mouches/" target="_blank">www2.mnhn.fr/mouches/</a></i>),    um site igualmente criativo e din&acirc;mico. </font></P>     <p><font size="3">O Museu de Hist&oacute;ria Natural de Paris tem grandes canteiros    imperiais que exp&otilde;em a diversidade de esp&eacute;cies vegetais de v&aacute;rias    regi&otilde;es do mundo. Na Grande Galeria de Evolu&ccedil;&atilde;o, objetos    da cole&ccedil;&atilde;o natural&iacute;stica de Jean-Baptiste Lamarck surgem    remodelados em um contexto museogr&aacute;fico que articula diversidade dos    seres vivos e evolu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica. Exemplares variados de    esqueletos de animais s&atilde;o comparativamente expostos em outra galeria.    Cole&ccedil;&otilde;es guardadas em pr&eacute;dios suntuosos, caminhos por entre    os jardins em que h&aacute; sensa&ccedil;&atilde;o de proximidade com fragmentos    de vegeta&ccedil;&atilde;o e de fauna de muitos lugares, alguns at&eacute; hoje    apresentados na m&iacute;dia como desconhecidos e misteriosos. </font></P>     <p><font size="3">A exposi&ccedil;&atilde;o <i>Mouches</i> estava no subsolo da    Grande Galeria de Evolu&ccedil;&atilde;o, onde a <i>vida</i> proliferava em    meio &agrave; putrefa&ccedil;&atilde;o, &agrave; decomposi&ccedil;&atilde;o.    Esse esfor&ccedil;o museogr&aacute;fico conjunto entre ci&ecirc;ncia e artes    visuais teve resultado morbidamente fascinante: abaixo dos tr&ecirc;s pisos    em que a diversidade da vida espalha-se por entre corredores, imagens e artefatos,    a mat&eacute;ria morto-viva &eacute; o substrato das moscas, mosquitos e pernilongos.    A brilhante provoca&ccedil;&atilde;o para se pensar a vida humana na esteira    do ciclo de vida desses seres de pequeno tamanho respalda-se pedagogicamente    ao se inverter a interpreta&ccedil;&atilde;o da natureza pelos conhecimentos    da biologia e, a partir das rela&ccedil;&otilde;es com as artes, expressar intensamente    o "moscocentrismo" da exist&ecirc;ncia humana: fr&aacute;gil, curta    e inc&ocirc;moda.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a11img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REPRESENTA&Ccedil;&Atilde;O DA MORTE</b> O trajeto obrigat&oacute;rio    do p&uacute;blico por todas as salas coloca-nos em situa&ccedil;&otilde;es em    que a mosca vive na proje&ccedil;&atilde;o f&iacute;lmica de um corpo humano    assassinado, tem fases do seu ciclo de vida desenvolvendo-se dentro de molduras    de quadros – gerando paisagens moventes de pupas – e morre pela a&ccedil;&atilde;o    de inseticidas e mata-moscas dom&eacute;sticos de v&aacute;rios per&iacute;odos    hist&oacute;ricos. &Eacute; intensa a percep&ccedil;&atilde;o da mosca como    inc&ocirc;modo, e a produ&ccedil;&atilde;o desse efeito alcan&ccedil;a limites    extremos particularmente nas v&iacute;deo-instala&ccedil;&otilde;es. </font></P>     <p><font size="3">Dentre as v&aacute;rias salas da exposi&ccedil;&atilde;o, a    est&eacute;tica visual da enfermaria, com suas paredes pintadas de vermelho    que t&ecirc;m na metade da sua altura, de ponta a ponta, como se fosse uma moldura    de decora&ccedil;&atilde;o, um conjunto de palitinhos brancos cortados – s&iacute;mbolos    da passagem do tempo – intensifica a presen&ccedil;a do perigo de doen&ccedil;as    transmitidas por "moscas". As camas da enfermaria t&ecirc;m nos seus    len&ccedil;&oacute;is a impress&atilde;o do ciclo de vida do parasita e de seu    transmissor ao homem. &Eacute; impressionante como a rela&ccedil;&atilde;o delicada    da morte por essas doen&ccedil;as foi tratada museograficamente, combinando    a simplicidade de rela&ccedil;&atilde;o entre objeto, contexto expositivo, aparatos    e legendas.</font></P>     <p><font size="3">Um dos auges de originalidade &eacute; a sala do <i>Julgamento</i>,    onde o p&uacute;blico &eacute; convidado a sentar-se &agrave; mesa, e absolver    ou condenar a mosca ap&oacute;s ouvir argumentos de defesa e acusa&ccedil;&atilde;o,    e observar v&aacute;rias r&eacute;plicas de pinturas de diferentes s&eacute;culos    em que a mosca foi representada em meio &agrave;s figuras humanas e de santos.    &Eacute; genial a transforma&ccedil;&atilde;o do ato banal, corriqueiro e cotidiano    de matar a mosca em uma decis&atilde;o de fundo &eacute;tico e pol&ecirc;mico.    Limite do nonsense, desconcertante e sedutor. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Antonio Carlos Amorim</i></font></P>      ]]></body>
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