<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252007000400012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Apresentação: perspectivas para a política científica e tecnológica no Brasil]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Conceição da]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Szmrecsányi]]></surname>
<given-names><![CDATA[Tamás]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas Instituto de Geociências Departamento de Política Científica e Tecnológica]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<volume>59</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>22</fpage>
<lpage>23</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252007000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252007000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252007000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="CENTER"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/artigos.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><font size=5><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></P>     <P ALIGN="CENTER"><font size=5><b>PERSPECTIVAS PARA A POL&Iacute;TICA CIENT&Iacute;FICA    E TECNOL&Oacute;GICA NO BRASIL</b></font></P>     <P ALIGN="CENTER"><font size="3"><b>Maria Concei&ccedil;&atilde;o da Costa e Tam&aacute;s    Szmrecs&aacute;nyi</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>E</b></FONT><font size="3">mbora seja uma pr&aacute;tica    administrativa bastante antiga tanto de governos como de grandes empresas, a    pol&iacute;tica cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica somente em tempos recentes    veio a consolidar-se formalmente como &aacute;rea de conhecimento interdisciplinar    espec&iacute;fica e autocontida. Os seis trabalhos apresentados a seguir, todos    aplicados ao caso brasileiro, constituem uma amostra do que se produz no pa&iacute;s    a respeito do tema. Manifestando diversas posturas te&oacute;ricas, metodol&oacute;gicas    e ideol&oacute;gicas, os artigos ora apresentados neste dossi&ecirc;, dedicam-se    a analisar as estrat&eacute;gias e mecanismos orientados ao desenvolvimento    cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico e &agrave; inova&ccedil;&atilde;o.</FONT></P>     <p><font size="3">Para poder desenvolver pol&iacute;ticas em ci&ecirc;ncia e tecnologia,    &eacute; preciso que um pa&iacute;s possua a capacidade de formar seus pr&oacute;prios    pesquisadores. Esta segunda caracter&iacute;stica vincula-se &agrave; exist&ecirc;ncia    de um sistema de ensino superior compreendendo institui&ccedil;&otilde;es universit&aacute;rias    que combinem o ensino de terceiro grau com atividades rotineiras de pesquisa.    O desempenho recente do mesmo no Brasil &eacute; objeto da avalia&ccedil;&atilde;o    feita no primeiro artigo, de autoria de L&eacute;a Velho. Mostra o grande esfor&ccedil;o    e os resultados razo&aacute;veis obtidos pelo nosso pa&iacute;s nessa &aacute;rea,    com a forma&ccedil;&atilde;o anual de milhares de mestres e doutores, sendo    mais de um ter&ccedil;o destes &uacute;ltimos em ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas    e biol&oacute;gicas e nas diversas engenharias. Esses n&uacute;meros ainda est&atilde;o    distantes de pa&iacute;ses economicamente mais avan&ccedil;ados, – como os EUA,    a Alemanha e o Jap&atilde;o – mas j&aacute; fornecem alguma base para nosso    desenvolvimento. Contudo um aumento significativo desses indicadores poder&aacute;    revelar-se pouco sustent&aacute;vel a curto prazo em termos f&iacute;sicos e    financeiros, principalmente quanto &agrave; empregabilidade dos formandos pelos    de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o obstante a melhoria dos n&iacute;veis    de qualidade dos mesmos.</font></P>     <p><font size="3">A situa&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas    de pesquisa &eacute; analisada pelo segundo artigo, da autoria de S&eacute;rgio    Salles Filho e Maria Beatriz Bonacelli. Reconhecendo de um lado a contribui&ccedil;&atilde;o    j&aacute; dada por essas entidades ao desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico    nacional, e de outro, enfatizando a import&acirc;ncia das mesmas para o futuro    das ci&ecirc;ncias e da tecnologia do pa&iacute;s, os autores apontam para a    crise vivida por elas durante as &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas. Na    agenda que sugerem para a revis&atilde;o (e recupera&ccedil;&atilde;o) de suas    atividades destaca-se a necessidade de maior coordena&ccedil;&atilde;o governamental    do sistema, no sentido de tornar essas institui&ccedil;&otilde;es mais competitivas,    i.e., mais capacitadas a enfrentarem os desafios de um mundo em r&aacute;pida    transforma&ccedil;&atilde;o. Um aspecto crucial da mesma reside na preserva&ccedil;&atilde;o    das atividades de pesquisa das referidas entidades, a fim de evitar que se transformem    em meras prestadoras de servi&ccedil;os para terceiros.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os diagn&oacute;sticos gerais apresentados pelos dois primeiros    artigos t&ecirc;m que ser muitas vezes devidamente adequados &agrave; grande    diversidade regional e setorial das institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas    e tecnol&oacute;gicas do pa&iacute;s. A primeira delas &eacute; abordada pelo    artigo de Am&iacute;lcar Baiardi, o qual tamb&eacute;m amplia seu enfoque para    incluir, ao lado das descobertas da ci&ecirc;ncia e dos inventos tecnol&oacute;gicos,    as inova&ccedil;&otilde;es do sistema produtivo. Apontando para a insuficiente    aten&ccedil;&atilde;o dedicada &agrave; dimens&atilde;o regional pelas entidades    de fomento do governo federal, ele chega a denunciar a exist&ecirc;ncia de "uma    injusta divis&atilde;o regional do trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica",    que tem viabilizado para o Sul e Sudeste "pesquisas em temas de fronteira    do conhecimento", e implicitamente sugerindo "&agrave;s regi&otilde;es    perif&eacute;ricas temas relacionados com a pobreza, doen&ccedil;as end&ecirc;micas,    recursos naturais e meio-ambiente". Como alternativa, prop&otilde;e "a    concep&ccedil;&atilde;o e implanta&ccedil;&atilde;o de p&oacute;los regionais    de aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas, chamadas simplesmente de tecnop&oacute;los    quando se constituem em habitats de inova&ccedil;&atilde;o".</font></P>     <p><font size="3">Numa perspectiva complementar &agrave; anterior, o trabalho    de Newton Muller Pereira descreve a g&ecirc;nese dos chamados Fundos Setoriais,    uma pol&iacute;tica implementada pelo governo federal no final da d&eacute;cada    de noventa. Seu objetivo prec&iacute;puo tem sido a vincula&ccedil;&atilde;o    de recursos financeiros aos setores de ci&ecirc;ncia e tecnologia de empresas    p&uacute;blicas em vias de privatiza&ccedil;&atilde;o e/ou de ramos de atividades    que na &eacute;poca estavam sendo abertos &agrave; concorr&ecirc;ncia internacional.</font></P>     <p><font size="3">O artigo, de car&aacute;ter mais pol&ecirc;mico, escrito por    Renato Dagnino, volta &agrave; an&aacute;lise mais geral apresentada nos dois    primeiros artigos. Trata-se de um artigo que privilegia os aspectos propriamente    pol&iacute;ticos da evolu&ccedil;&atilde;o do nosso sistema cient&iacute;fico    e tecnol&oacute;gico, identificando seus principais participantes (ou atores),    os interesses (ou agendas) que eles defendem e as decis&otilde;es que eles constroem    (ou imp&otilde;em), bem como os conflitos que contrap&otilde;em uns aos outros.    Ap&oacute;s um sucinto retrospecto hist&oacute;rico das agendas de pol&iacute;tica    cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica recentemente formuladas e adotadas no    Brasil, o artigo faz uma ampla apresenta&ccedil;&atilde;o de discursos dos "atores    relevantes", que incluem os movimentos sociais, a comunidade de pesquisa    e o empresariado, al&eacute;m do governo. Em suas conclus&otilde;es prop&otilde;e    "um movimento distinto do que estamos assistindo, em que as agendas de    ci&ecirc;ncia e da empresa se est&atilde;o compatuando", algo que poder&aacute;    ser conseguido, segundo o autor, sob a lideran&ccedil;a do governo e atrav&eacute;s    de "uma (maior) politiza&ccedil;&atilde;o desta pol&iacute;tica".</font></P>     <p><font size="3">O trabalho de S&eacute;rgio M. Paulino de Carvalho, Jorge &Aacute;vila,    Cl&aacute;udia Chamas e Clauden&iacute;cio Ferreira, desloca a an&aacute;lise    para o &acirc;mbito das empresas privadas, focalizando os problemas relativos    &agrave; propriedade intelectual das inova&ccedil;&otilde;es de produto vinculadas    ao desenho industrial. Trata-se de uma problem&aacute;tica de grande import&acirc;ncia    para ramos como os das ind&uacute;strias de m&oacute;veis, de cal&ccedil;ados    e de embalagens, afetando empresas de todos os tamanhos, principalmente as pequenas    e m&eacute;dias, cujos interesses poderiam e deveriam ser melhor protegidos    atrav&eacute;s de patentes. Al&eacute;m de apresentarem os diversos programas    de apoio ao design e &agrave; competitividade, esse trabalho traz a p&uacute;blico    resultados de uma valiosa pesquisa cadastral que aponta para a necessidade de    uma maior articula&ccedil;&atilde;o entre as entidades estatais de fomento &agrave;s    inova&ccedil;&otilde;es e de prote&ccedil;&atilde;o da propriedade intelectual    com as federa&ccedil;&otilde;es de ind&uacute;strias a que pertencem as empresas    envolvidas.</font></P>     <p><font size="3">O conjunto dos trabalhos ora apresentados neste dossi&ecirc;    se, por um lado, representam diferentes abordagens sobre o futuro da pol&iacute;tica    cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica no Brasil, por outro lado, fica claro    para os analistas que se o Brasil investiu em pesquisa acad&ecirc;mica, em recursos    humanos, tem deixado de lado o setor produtivo (as empresas), tem dado pouco    aten&ccedil;&atilde;o ao setor p&uacute;blico, o que significa que os governos    que as pol&iacute;ticas recentes, embora atentas a algumas &aacute;reas, tem    deixado de lado alguns pontos importantes.</font></P>     <p><font size="3">Al&eacute;m dos trabalhos que acabam de ser apresentados, este    dossi&ecirc; cont&eacute;m uma planilha da qual constam os grupos de pesquisa    existentes no pa&iacute;s, os quais trabalham com temas envolvendo quest&otilde;es    de pol&iacute;tica cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Maria Concei&ccedil;&atilde;o da Costa</b> e <b>Tam&aacute;s    Szmrecs&aacute;nyi</b> s&atilde;o docentes do Departamento de Pol&iacute;tica    Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica (DPCT) do Instituto de Geoci&ecirc;ncias    da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). </i></font></P>      ]]></body>
</article>
