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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/artigos.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>O PAPEL DA FORMA&Ccedil;&Atilde;O DE PESQUISADORES NO SISTEMA    DE INOVA&Ccedil;&Atilde;O </b></font></P>     <P><font size="3"><b>L&eacute;a Velho</b> </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"> <b><font size=5>E</font></b>studos sobre inova&ccedil;&atilde;o    t&ecirc;m indicado, sistematicamente, a import&acirc;ncia do sistema de ensino    superior (1) para a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Essa contribui&ccedil;&atilde;o,    que tem sido capturada pelo uso de diferentes metodologias e analisada por um    grande n&uacute;mero de autores (2), pode se dar de v&aacute;rias maneiras.    Primeiramente, as institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior produzem resultados    de pesquisa que podem ser diretamente apropriados pelas empresas no seu processo    de inova&ccedil;&atilde;o – seja para solu&ccedil;&atilde;o de problemas, seja    para a cria&ccedil;&atilde;o de novos processos e produtos. Da mesma forma,    as empresas podem utilizar instrumentos e t&eacute;cnicas de pesquisa desenvolvidas    pelas universidades (por exemplo, modelos computacionais e protocolos laboratoriais)    para o desenho e teste de sistemas tecnol&oacute;gicos. Al&eacute;m disso, e    com destaque especial, as universidades produzem profissionais e pesquisadores    qualificados. Estes, ao serem incorporados pelas empresas e outros setores da    sociedade, levam consigo n&atilde;o apenas conhecimento cient&iacute;fico recente,    mas tamb&eacute;m habilidades para resolver problemas complexos, realizar pesquisa    e desenvolver novas id&eacute;ias. Esse pessoal possui tamb&eacute;m habilidade    t&aacute;cita para adquirir e usar conhecimento de maneira inovadora, al&eacute;m    de deter o que alguns autores chamam de "conhecimento do conhecimento",    ou seja, sabem quem sabe o que, pois participam das redes acad&ecirc;micas e    profissionais no n&iacute;vel nacional e internacional. Quando se engajam em    atividades fora do meio acad&ecirc;mico, os profissionais e pesquisadores tendem    a imprimir em tais contextos uma nova atitude mental e esp&iacute;rito cr&iacute;tico    que favorecem as atividades inovativas.</font></P>     <p><font size="3">Em suma, em meio a todos os benef&iacute;cios que o sistema    de educa&ccedil;&atilde;o superior pode gerar para o processo de inova&ccedil;&atilde;o    – seja para o setor produtivo, seja para a sociedade como um todo – a forma&ccedil;&atilde;o    de recursos humanos parece ser o mais importante. Esse &eacute; um tema em que    os estudiosos da inova&ccedil;&atilde;o das mais variadas tend&ecirc;ncias est&atilde;o    de acordo. O cl&aacute;ssico documento <i>Science the endless frontier</i>,    de autoria de Vannevar Bush, que tinha uma vis&atilde;o linear do processo de    inova&ccedil;&atilde;o, j&aacute; afirmava a import&acirc;ncia de uma massa    cr&iacute;tica de pesquisadores competentes para a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica    e a competitividade dos pa&iacute;ses (Bush, 1945). Da mesma forma, os modelos    alternativos desenvolvidos nos &uacute;ltimos 15 anos sobre produ&ccedil;&atilde;o    e uso do conhecimento(3) tamb&eacute;m convergem quanto &agrave; import&acirc;ncia    que atribuem &agrave;s universidades nos processos de inova&ccedil;&atilde;o,    principalmente atrav&eacute;s de sua atividade de produ&ccedil;&atilde;o de    conhecimento e de forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos. Talvez a evid&ecirc;ncia    mais clara desse pensamento seja a declara&ccedil;&atilde;o de que "a contribui&ccedil;&atilde;o    mais significativa da universidade para a sociedade e para a economia vai continuar    sendo a forma&ccedil;&atilde;o de graduados com cabe&ccedil;as cr&iacute;ticas    e boa capacidade de aprendizado" (Lundvall, 2002: 1). E, para isso, recomenda-se    que "o objetivo da pol&iacute;tica deveria ser a cria&ccedil;&atilde;o    de uma ampla e produtiva base cient&iacute;fica, estreitamente ligada &agrave;    educa&ccedil;&atilde;o superior (e particularmente &agrave; p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o)"    (Pavitt, 1998: 803).</font></P>     <p><font size="3">Apesar do consenso entre os autores analisados a respeito dos    benef&iacute;cios econ&ocirc;micos e sociais derivados do capital humano formado    pelas universidades, tais benef&iacute;cios n&atilde;o s&atilde;o autom&aacute;ticos.    Tais benef&iacute;cios s&oacute; ocorrem, ou t&ecirc;m muito maior chance de    ocorrer, quando algumas condi&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas est&atilde;o    presentes. Este artigo trata especificamente da an&aacute;lise de algumas dessas    condi&ccedil;&otilde;es, com foco no caso brasileiro: S&atilde;o elas: a exist&ecirc;ncia    de um sistema nacional de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel;    a rela&ccedil;&atilde;o entre as &aacute;reas de conhecimento em que se formam    pesquisadores e os problemas nacionais; a qualidade da forma&ccedil;&atilde;o    para as atividades a serem desempenhadas pelos titulados; e a inser&ccedil;&atilde;o    profissional dos titulados. Finalmente, sintetiza e coloca juntas as linhas    do argumento.</font></P>     <p><font size="3"><b>EXIST&Ecirc;NCIA DE SISTEMA NACIONAL DE P&Oacute;S-GRADUA&Ccedil;&Atilde;O    SUSTENT&Aacute;VEL</b> Evidentemente, para que o sistema de ensino superior    possa contribuir com a forma&ccedil;&atilde;o de pesquisadores para o processo    de inova&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio que exista um sistema    de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o operante e sustent&aacute;vel e que esteja    formando o n&uacute;mero necess&aacute;rio de titulados. </font></P>     <p><font size="3">Em meados dos anos 1960, o Brasil decidiu investir na forma&ccedil;&atilde;o    de pesquisadores, tendo as universidades p&uacute;blicas como base institucional    principal e como <i>locus</i> privilegiado os programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.    Ao longo de toda a d&eacute;cada de 70 foram criados cerca de 800 novos cursos    de mestrado e doutorado (Durham e Gusso,1991). Quinze anos mais tarde, no in&iacute;cio    dos anos 90, o n&uacute;mero de cursos j&aacute; ascendia a quase 1.500, abrangendo    todas as &aacute;reas do conhecimento (Martins, 2003). No final de 2004, havia    cerca de 2.000 cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o <i>stricto sensu</i>    no pa&iacute;s, sendo 1912 de mestrado e 988 de doutorado. Esses cursos formaram    27.186 mestres e 8.856 doutores, com um contingente de estudantes que alcan&ccedil;ava    a casa de 112.000 mil (MCT, 2006).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Compara&ccedil;&otilde;es internacionais entre titulados na    p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o raramente incluem o mestrado. Informa&ccedil;&otilde;es    sobre doutores formados nos diversos pa&iacute;ses s&atilde;o mais comumente    usadas nas compara&ccedil;&otilde;es internacionais. Em n&uacute;meros absolutos    o Brasil forma um contingente razo&aacute;vel de doutores, conforme se constata    na <a href="#tab01">Tabela 1</a>. Em 2003 mais doutores foram titulados no Brasil    do que na Cor&eacute;ia do Sul e os n&uacute;meros brasileiros tendem a aproximam-se    daqueles do Reino Unido e da Fran&ccedil;a que crescem muito mais lentamente.</font></P>     <p><a name="tab01"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a13tab01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Apresentados os n&uacute;meros, algumas perguntas se colocam.    Primeiramente, o sistema de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o est&aacute; formando    mestres e doutores em n&uacute;mero suficiente? N&atilde;o existe resposta &uacute;nica    para essa pergunta – depende do que se pretenda. Se o projeto for equiparar-se    aos pa&iacute;ses da OCDE, ainda estamos longe: esse pa&iacute;ses produzem,    em m&eacute;dia, 1 doutor para cada 5.000 habitantes, enquanto o Brasil produz    1 doutor para cada 28.000 habitantes (World Bank, 2002). O argumento de boa    parte da comunidade cient&iacute;fica brasileira, assim como dos gestores e    tomadores de decis&atilde;o em C&amp;T &eacute; que h&aacute; necessidade de    aumentar o n&uacute;mero de doutores, tendo como meta os valores relativos exibidos    pelos pa&iacute;ses avan&ccedil;ados. E a pol&iacute;tica para a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    caminha nessa dire&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Mas, at&eacute; quando &eacute; poss&iacute;vel crescer com    base exclusivamente nos recursos p&uacute;blicos, como tem sido feito at&eacute;    hoje? Ou seja, a pol&iacute;tica de expans&atilde;o nesse ritmo &eacute; sustent&aacute;vel,    tanto do ponto de vista financeiro como do aumento de oferta de vagas, com qualidade,    &agrave; luz da capacidade instalada? Essas quest&otilde;es certamente n&atilde;o    est&atilde;o suficientemente discutidas, nem equacionadas. </font></P>     <p><font size="3">Sabe-se que a expans&atilde;o ocorrida deu-se gra&ccedil;as    a uma pol&iacute;tica de bolsas bastante generosa para os cursos considerados    de boa qualidade. Estudo realizado na d&eacute;cada de 90, por exemplo, encontrou    que entre todos os estudantes de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o matriculados,    cerca de 80% teve bolsa em algum momento de seus estudos (Velloso e Velho, 2001).    Atualmente, n&atilde;o &eacute; mais assim; o n&uacute;mero de bolsas tem crescido    a uma taxa muito mais baixa que o n&uacute;mero de alunos. Em 2000 havia 46.500    mestrandos e doutorandos para um total de 16.466 bolsas (1 bolsa para cada 2,8    alunos) e em 2004, o contingente de alunos ascendeu a 111.294 e as bolsas eram    18.807 (1 bolsa para aproximadamente 6 alunos). Com o aumento cont&iacute;nuo    de alunos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o que se preconiza, &eacute; f&aacute;cil    imaginar que as bolsas v&atilde;o ficar cada vez mais escassas. Formas alternativas    de financiamento da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o ter&atilde;o que ser    pensadas. Os dados apresentados parecem indicar que o Brasil conseguiu criar    um sistema de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o que est&aacute; em cont&iacute;nua    expans&atilde;o, mas ainda n&atilde;o atingiu um patamar considerado desej&aacute;vel    em termos num&eacute;ricos, quando comparado com os pa&iacute;ses avan&ccedil;ados.    Al&eacute;m disso, a sustentabilidade financeira, e talvez tamb&eacute;m a f&iacute;sica,    para continuar o ritmo de expans&atilde;o desejado ainda n&atilde;o foram equacionadas</font></P>     <p><font size="3"><b>&Aacute;REAS DO CONHECIMENTO E PROBLEMAS NACIONAIS</b> A    literatura especializada tem sugerido, consistentemente, que a rela&ccedil;&atilde;o    causal entre desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico &eacute;    no sentido do &uacute;ltimo para o primeiro. Ou seja, a dire&ccedil;&atilde;o    da pesquisa cient&iacute;fica de um pa&iacute;s sofre forte influ&ecirc;ncia    da natureza dos problemas sociais e tecnol&oacute;gicos nacionais (Pavitt, 1998).    </font></P>     <p><font size="3">&Eacute; por essa raz&atilde;o, ou seja, porque os pa&iacute;ses    se especializam em determinadas &aacute;reas cient&iacute;ficas de acordo com    seus requerimentos sociais, que o <i>product-mix</i> cient&iacute;fico tende    a variar de pa&iacute;s para pa&iacute;s. Essa varia&ccedil;&atilde;o pode ser    percebida tanto pelo n&uacute;mero de pesquisadores ativos nas diferentes &aacute;reas,    como pelo n&uacute;mero de novos pesquisadores formados por &aacute;rea, assim    como pela participa&ccedil;&atilde;o de cada &aacute;rea na produ&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica nacional – elementos que guardam, obviamente, uma rela&ccedil;&atilde;o    direta entre si. Desses tr&ecirc;s indicadores, o n&uacute;mero de novos pesquisadores    formados por &aacute;rea &eacute; aquele que melhor retrata as rela&ccedil;&otilde;es    do sistema cient&iacute;fico com as necessidades sociais porque reflete n&atilde;o    apenas as demandas hist&oacute;ricas (dado que a forma&ccedil;&atilde;o de novos    pesquisadores exige que exista um potencial instalado e massa cr&iacute;tica    em determinada &aacute;rea para ela possa se reproduzir), mas tamb&eacute;m    o impacto de pol&iacute;ticas recentes para incentivo a &aacute;reas consideradas    estrat&eacute;gicas (tais como programas especiais de forma&ccedil;&atilde;o    de pesquisadores em, por exemplo, gen&ocirc;mica ou nanotecnologia). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Observando os dados da <a href="#tab01">Tabela 1</a> sobre participa&ccedil;&atilde;o    das &aacute;reas do conhecimento no n&uacute;mero de doutores formados em diferentes    pa&iacute;ses nota-se, de fato, que cada um deles enfatiza certas &aacute;reas    e coloca menos esfor&ccedil;o em outras. Entre os pa&iacute;ses avan&ccedil;ados    e com longa tradi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica – Fran&ccedil;a, Alemanha,    Reino Unido e Estados Unidos – a Fran&ccedil;a coloca muito mais &ecirc;nfase    nas ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas e biol&oacute;gicas, matem&aacute;tica e ci&ecirc;ncia    da computa&ccedil;&atilde;o (quase metade dos titulados foram nessas &aacute;reas)    do que os outros tr&ecirc;s. Estes &uacute;ltimos, na verdade, t&ecirc;m uma    distribui&ccedil;&atilde;o de titulados por &aacute;rea bastante pr&oacute;xima    que, segundo alguns autores, &eacute; o padr&atilde;o de pa&iacute;ses que puderam    criar sua base de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento paulatinamente, ao    longo de um largo per&iacute;odo e que, portanto, a desenvolveram em todas a    &aacute;reas. </font></P>     <p><font size="3">Alguns pa&iacute;ses de industrializa&ccedil;&atilde;o mais    tardia (incluindo Jap&atilde;o, Cor&eacute;ia do Norte e China) t&ecirc;m formado    significativamente mais engenheiros, em termos proporcionais, do que os demais,    o que provavelmente se reflete no (ou &eacute; reflexo do) crescimento explosivo    de suas capacidades tecnol&oacute;gicas e conseq&uuml;ente competitividade industrial.    Pavitt (1998) explica que nos est&aacute;gios iniciais do desenvolvimento econ&ocirc;mico    dos pa&iacute;ses que foram bem-sucedidos em <i>catching up</i>, as exig&ecirc;ncias    da ind&uacute;stria estimularam o desenvolvimento das &aacute;reas cient&iacute;ficas    relacionadas, quais sejam, as engenharias.</font></P>     <p><font size="3">E como analisar o caso brasileiro nesse contexto? A <a href="#tab01">Tabela    1</a> mostra que a distribui&ccedil;&atilde;o de novos pesquisadores por &aacute;rea    no Brasil &eacute; bastante semelhante &agrave; dos Estados Unidos, um pa&iacute;s    com base cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica "madura", com exce&ccedil;&atilde;o    da &aacute;rea de ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias que &eacute;, relativamente,    muito mais enfatizada no Brasil (quase 13% dos doutorados concedidos, ao passo    que nos Estados Unidos ela &eacute; inferior a 3% dos t&iacute;tulos). A forte    presen&ccedil;a das ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias no Brasil certamente reflete    uma sinaliza&ccedil;&atilde;o da economia nacional historicamente assentada    na explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais. </font></P>     <p><font size="3">Por outro lado, ao contr&aacute;rio dos pa&iacute;ses de industrializa&ccedil;&atilde;o    tardia como a Cor&eacute;ia do Sul, proporcionalmente poucos doutores em engenharia    s&atilde;o formados no Brasil (quase 30% dos novos doutores na Cor&eacute;ia    e apenas 13% dos titulados s&atilde;o nas engenharias no Brasil). De maneira    an&aacute;loga ao que se argumentou no par&aacute;grafo anterior, essa diferen&ccedil;a    est&aacute; provavelmente relacionada com demandas da ind&uacute;stria que ocorrem    l&aacute; e que n&atilde;o t&ecirc;m lugar aqui. De fato, como se ver&aacute;    mais adiante, a n&atilde;o absor&ccedil;&atilde;o dos doutores pelas empresas    brasileiras provavelmente serve de desest&iacute;mulo para aqueles que, em outras    condi&ccedil;&otilde;es de mercado de trabalho para pesquisadores, poderiam    se interessar em fazer o doutorado nas engenharias.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a13img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Em termos da participa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de conhecimento    na composi&ccedil;&atilde;o do estoque de novos pesquisadores &eacute; razo&aacute;vel    concluir que os processos din&acirc;micos de rela&ccedil;&atilde;o entre o setor    cient&iacute;fico e o tecnol&oacute;gico n&atilde;o foram plenamente estabelecidos    no Brasil. Eles est&atilde;o presentes no caso do setor agr&iacute;cola, mas    n&atilde;o do setor industrial. Nessas circunst&acirc;ncias, a din&acirc;mica    do sistema de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o acaba sendo determinada pelos    processos internos ao desenvolvimento cient&iacute;fico mesmo. Em outras palavras,    na falta de demandas ou sinais fortes da sociedade sobre a dire&ccedil;&atilde;o    que deve tomar a forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos para pesquisa, o    jogo acaba envolvendo apenas os atores acad&ecirc;micos que se espelham no que    fazem seus pares no exterior, tendem a reproduzir a si mesmos e a "proteger"    suas &aacute;reas de conhecimento na competi&ccedil;&atilde;o por recursos p&uacute;blicos    com as demais &aacute;reas. </font></P>     <p><font size="3"><b>QUALIDADE DA P&Oacute;S-GRADUA&Ccedil;&Atilde;O</b> A forma&ccedil;&atilde;o    de novos pesquisadores s&oacute; pode ter impacto positivo para os processos    de inova&ccedil;&atilde;o e para o desenvolvimento se houver qualidade no treinamento    oferecido. Desde a cria&ccedil;&atilde;o formal da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    no Brasil houve uma preocupa&ccedil;&atilde;o em criar um sistema de avalia&ccedil;&atilde;o    dos cursos. O Sistema de Avalia&ccedil;&atilde;o da P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    foi criado em 1976 e, desde ent&atilde;o, vem aprimorando seus procedimentos    em di&aacute;logo constante com a comunidade acad&ecirc;mica. O sistema est&aacute;    de tal modo incorporado nas atividades dos cursos que o cumprimento dos requisitos    exigidos tem direcionado a din&acirc;mica de todos eles. H&aacute; uma forte    tend&ecirc;ncia &agrave; padroniza&ccedil;&atilde;o dos cursos de todas as &aacute;reas,    empurrando-os a um "modelo &uacute;nico de qualidade". Apesar dos    crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o serem m&uacute;ltiplos e variados,    h&aacute;, sem d&uacute;vida, um maior peso conferido &agrave;s publica&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas oriundas dos professores e estudantes dos cursos. Publicar    &eacute; certamente um indicador chave de desempenho do sistema de pesquisa,    mas &eacute; extremamente parcial. Outros fatores s&atilde;o cruciais para a    transla&ccedil;&atilde;o do mundo da pesquisa para a inova&ccedil;&atilde;o    tais como, o treinamento de estudantes; o trabalho conjunto com usu&aacute;rios    da pesquisa (seja a empresa, seja outro qualquer segmento social), a comunica&ccedil;&atilde;o    de resultados atrav&eacute;s de outros meios menos tradicionais, incluindo o    envolvimento em projetos, oficinas, publica&ccedil;&otilde;es eletr&ocirc;nicas,    artigos de divulga&ccedil;&atilde;o etc. Quando se busca estimular a colabora&ccedil;&atilde;o    entre os que trabalham na universidade e os demais segmentos da sociedade, &eacute;    necess&aacute;rio valorizar produtos resultantes dessas intera&ccedil;&otilde;es,    que nem sempre s&atilde;o publica&ccedil;&otilde;es. </font></P>     <p><font size="3">Outra faceta importante da qualidade da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    refere-se ao tipo de forma&ccedil;&atilde;o oferecida. A pergunta que se faz    aqui &eacute;: os p&oacute;s-graduados recebem uma forma&ccedil;&atilde;o que    lhes permite desempenhar de maneira eficiente e com qualidade as atividades    que ocupam quando se titulam? Evidentemente, essa quest&atilde;o pode ser respondida    de duas perspectivas diferentes: a dos titulados mesmos, e a dos empregadores.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">S&atilde;o poucos os estudos que se preocuparam em responder    a essa pergunta no Brasil, e nenhum deles o fez a partir da perspectiva dos    empregadores. Poucos estudos buscaram a opini&atilde;o dos titulados da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    sobre a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho e o preparo que haviam recebido    (Gunther e Spagnolo,1986; Velloso, 2004). No mais recente desses estudos, tanto    os mestres como os doutores ouvidos na pesquisa manifestaram satisfa&ccedil;&atilde;o    com a experi&ecirc;ncia em pesquisa que receberam durante a forma&ccedil;&atilde;o.    O n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos doutores foi ainda mais alto    que o dos mestres. Isso se explica pelo fato de que uma parcela muito maior    dos doutores do que dos mestres encontrou trabalho no meio acad&ecirc;mico.    Os mestres que tinham ocupa&ccedil;&atilde;o fora do setor acad&ecirc;mico tinham    uma vis&atilde;o, em geral, mais cr&iacute;tica da forma&ccedil;&atilde;o que    receberam e tendiam a considerar a experi&ecirc;ncia adquirida em pesquisa como    pouco relevante para as atividades que realizam. Ainda que os doutores, tomados    em seu conjunto, tenham indicado alto n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o    com o conte&uacute;do do programa de doutorado, quando desagregados os dados    por grandes &aacute;reas do conhecimento encontrou-se um significativo descontentamento    entre os engenheiros que n&atilde;o seguiram carreira acad&ecirc;mica. O que    esses resultados indicam, portanto, &eacute; que os cursos de mestrado e doutorado    no Brasil formam pesquisadores para a carreira acad&ecirc;mica e, na opini&atilde;o    dos formados, fazem isso bem. Entretanto, esses cursos n&atilde;o est&atilde;o    preparando mestres e doutores para trabalhar em outros contextos institucionais.</font></P>     <p><font size="3">Resumindo, a forma&ccedil;&atilde;o de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    no Brasil conseguiu construir um sistema de avalia&ccedil;&atilde;o com crit&eacute;rios    bem definidos, constantemente aperfei&ccedil;oados, de tal forma que hoje goza    de credibilidade perante a sociedade e tamb&eacute;m no exterior. Gra&ccedil;as    a esse sistema, &eacute; poss&iacute;vel saber a qualidade dos cursos, v&aacute;rios    deles considerados de n&iacute;vel internacional. Entretanto, essa qualidade    &eacute; definida unicamente com base nos valores internos &agrave; ci&ecirc;ncia,    n&atilde;o havendo, entre os crit&eacute;rios adotados, qualquer um que estimule    a intera&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores e alunos com o meio externo &agrave;    universidade. Em conseq&uuml;&ecirc;ncia, os egressos da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o preparados exclusivamente para desempenhar atividades acad&ecirc;micas    e percebem, quando encontram trabalho em outros contextos institucionais, que    a forma&ccedil;&atilde;o que tiveram n&atilde;o os preparou bem para aquela    fun&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3"><b>INSER&Ccedil;&Atilde;O PROFISSIONAL</b> O monitoramento da    inser&ccedil;&atilde;o profissional dos mestres e doutores formados no Brasil    &eacute; bastante deficiente. A informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel sobre    isso restringe-se a alguns poucos estudos que, ocasionalmente, tentaram, com    enorme esfor&ccedil;o, localizar os mestres e doutores, aplicar question&aacute;rios    a uma amostra representativa destes e, ent&atilde;o extrapolar o local de trabalho    do universo todo. </font></P>     <p><font size="3">O estudo mais abrangente com mestres e doutores titulados em    toda a d&eacute;cada de 90 para 15 &aacute;reas do conhecimento (4) foi coordenado    por Velloso (2004). Os resultados, agregados em tr&ecirc;s grupos de grandes    &aacute;reas do conhecimento, revelaram o local de trabalho em que se encontram    os egressos da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo estudado,    conforme <a href="#tab02">Tabela 2</a>. </font></P>     <p><a name="tab02"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a13tab02.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Os dados revelam que o trabalho dos mestres formados &eacute;    bastante diversificado. A maior parcela deles (cerca de 40% nas &aacute;reas    b&aacute;sicas e 32% nas &aacute;reas profissionais) trabalha nas universidades.    Para aqueles das &aacute;reas tecnol&oacute;gicas, a universidade foi o destino    de 30% e as empresas p&uacute;blicas e privadas absorveram a maior parcela dos    mestres formados (quase 40%). As empresas p&uacute;blicas e privadas, por sua    vez, empregam algo em torno de 17% dos mestres formados nas &aacute;reas b&aacute;sicas    e tecnol&oacute;gicas, parcelas maiores do que a de mestres empregados pelas    institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa, mas menores do que aquela absorvida    pela administra&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;os p&uacute;blicos. Como a pesquisa    n&atilde;o separou empresas p&uacute;blicas das privadas, &eacute; imposs&iacute;vel    saber que propor&ccedil;&atilde;o desses mestres foi contratada pelo setor privado.</font></P>     <p><font size="3">O emprego da maioria dos doutores continua sendo a universidade    p&uacute;blica em todas as grandes &aacute;reas. Tomando em conjunto as universidades    e as institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa, pelo menos 80% dos doutores das    &aacute;reas b&aacute;sicas e das tecnol&oacute;gicas t&ecirc;m empregos onde    desempenham atividades de pesquisa. Uma parcela muito pequena de doutores de    &aacute;reas b&aacute;sicas e das profissionais encontra ocupa&ccedil;&atilde;o    em empresas p&uacute;blicas e privadas. Essa parcela sobe para 12% entre os    doutores das &aacute;reas tecnol&oacute;gicas, mas n&atilde;o se sabe quantos    s&atilde;o empregados pelo setor privado.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os resultados dessa pesquisa (Velloso, 2004) confirmam os levantamentos    realizados pela Pintec e pela PNAD/IBGE. Ou seja, a empresa privada no Brasil    &eacute; extremamente t&iacute;mida, para colocar de maneira leve, na absor&ccedil;&atilde;o    de doutores. Conforme dados da PNAD, o setor privado em 2004 empregava apenas    3 mil doutores no total, sendo que a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o brasileira    forma mais de 8 mil doutores por ano. </font></P>     <p><font size="3">A literatura especializada aponta que sem pessoas de n&iacute;vel    superior (com destaque para os doutores) trabalhando na empresa, a probabilidade    de que essa empresa busque as universidades quando se depara com um problema    &eacute; m&iacute;nima. Isso significa que as solu&ccedil;&otilde;es encontradas    dificilmente levar&atilde;o a inova&ccedil;&otilde;es baseadas em conhecimento    cient&iacute;fico (Gibbons and Johnston, 1974). Estudos recentes sugerem que    existe uma rela&ccedil;&atilde;o positiva entre n&uacute;mero de doutores envolvidos    em P&amp;D industrial e <i>output</i> tecnol&oacute;gico. Ademais, esse efeito    n&atilde;o se restringe a ind&uacute;strias de alta tecnologia, mas aplica-se    a todo o setor industrial (Hansen, 2006). </font></P>     <p><font size="3">Em suma, para que os recursos humanos qualificados pelo sistema    de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o possam gerar benef&iacute;cios para os    processos de inova&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio que tais mestres    e doutores sejam absorvidos pelas empresas. Sem eles as empresas n&atilde;o    t&ecirc;m a capacidade interna necess&aacute;ria para buscar, fora de si mesma,    solu&ccedil;&otilde;es inovadoras para seus problemas e dificilmente conseguir&atilde;o    gerar inova&ccedil;&otilde;es baseadas em conhecimento. Na situa&ccedil;&atilde;o    atual no Brasil, em que as empresas n&atilde;o contratam os egressos da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,    &eacute; pouco prov&aacute;vel que o investimento p&uacute;blico que se faz    nessa atividade possa reverter em maior atividade de inova&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3"><b>NOTA FINAL</b> O sistema de ensino superior desempenha papel    proeminente nos sistemas de inova&ccedil;&atilde;o, servindo uma s&eacute;rie    de fun&ccedil;&otilde;es. De todas elas, a forma&ccedil;&atilde;o de recursos    humanos qualificados &eacute; considerada, de forma un&acirc;nime pelos autores,    como sendo a mais importante. Entre os recursos humanos qualificados, destaque    &eacute; dado &agrave;queles treinados no n&iacute;vel de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,    quais sejam, mestres e doutores.</font></P>     <p><font size="3">Houve um momento, quando foi criado o modelo de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    vigente, em que a pol&iacute;tica via uma clara divis&atilde;o de trabalho entre    as universidades que formavam pessoal qualificado e os demais segmentos sociais.    Os primeiros produziam conhecimento e os &uacute;ltimos os utilizavam. Essa    compreens&atilde;o dos processos de produ&ccedil;&atilde;o e uso do conhecimento    se modificou e nos permitiu entender que &eacute; necess&aacute;rio que certas    condi&ccedil;&otilde;es estejam presentes para que os recursos humanos treinados    pelo sistema de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o possam gerar os benef&iacute;cios    prometidos. Em outras palavras, a mera exist&ecirc;ncia de mestres e doutores    n&atilde;o gera benef&iacute;cios de maneira autom&aacute;tica. Para que isso    ocorra, identificamos algumas condi&ccedil;&otilde;es que provavelmente n&atilde;o    s&atilde;o suficientes, mas certamente s&atilde;o necess&aacute;rias para que    esses benef&iacute;cios tenham lugar.</font></P>     <p><font size="3">As condi&ccedil;&otilde;es aqui discutidas e analisadas para    o caso brasileiro foram: a exist&ecirc;ncia de um sistema de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    que forme o n&uacute;mero necess&aacute;rio de pesquisadores e que seja sustent&aacute;vel;    que a composi&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de conhecimento enfatizadas    pela p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o seja capaz de refletir as necessidades    nacionais; que a forma&ccedil;&atilde;o oferecida tenha qualidade e relev&acirc;ncia    para as ocupa&ccedil;&otilde;es a que se dedicar&atilde;o os titulados; que    haja inser&ccedil;&atilde;o dos titulados em atividades e carreiras profissionais    fora do setor acad&ecirc;mico. De acordo com o argumento desenvolvido, a presen&ccedil;a    de tais condi&ccedil;&otilde;es indicaria que a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    brasileira estaria funcionando de acordo com os novos modelos interativos sobre    produ&ccedil;&atilde;o e uso do conhecimento.</font></P>     <p><font size="3">A an&aacute;lise revelou que o ensino de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    brasileiro tem se expandido consideravelmente, formando contingentes crescentes    de mestres e doutores, mas ainda teria que crescer muito para se equiparar aos    &iacute;ndices praticados nos pa&iacute;ses avan&ccedil;ados. Por outro lado,    vai ser dif&iacute;cil manter esse n&iacute;vel em expans&atilde;o apenas com    recursos p&uacute;blicos, o que coloca em risco a sustentabilidade do sistema.    </font></P>     <p><font size="3">Em termos de &aacute;reas, evid&ecirc;ncias sugerem que o crescimento    da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o se deu com base em crit&eacute;rios estritamente    cient&iacute;ficos. Aparentemente h&aacute; pouca rela&ccedil;&atilde;o entre    as necessidades da sociedade e da economia e as &aacute;reas enfatizadas pela    p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, com exce&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias    agr&aacute;rias. Evidentemente n&atilde;o h&aacute; uma negativa do setor em    atender a tais necessidades, mas sim uma aus&ecirc;ncia de demandas por conhecimento    e recursos humanos por parte da sociedade, dada a debilidade das rela&ccedil;&otilde;es    entre essas duas esferas.</font></P>     <p><font size="3">A qualidade dos cursos &eacute; avaliada de maneira sistem&aacute;tica,    sinalizando aqueles que t&ecirc;m excel&ecirc;ncia, e negando funcionamento    para os despreparados para a tarefa de forma&ccedil;&atilde;o. Qualidade, entretanto,    &eacute; definida por crit&eacute;rio limitados, exclusivamente internos ao    sistema social da ci&ecirc;ncia, sem incentivos de recompensa para atividades    alternativas. Os egressos dos programas, desde que estejam empregados em universidades,    est&atilde;o satisfeitos com a forma&ccedil;&atilde;o. Entretanto, a percep&ccedil;&atilde;o    daqueles que se dirigiram para empregos fora da academia &eacute; de que n&atilde;o    est&atilde;o totalmente preparados para as tarefas que desempenham. Sentem falta,    especificamente, de habilidades e compet&ecirc;ncias relacionais, interativas,    de negocia&ccedil;&atilde;o, que a din&acirc;mica de inova&ccedil;&atilde;o    requer.</font></P>     <p><font size="3">Finalmente, muito do que se analisou nas condi&ccedil;&otilde;es    acima deriva do fato de que a inser&ccedil;&atilde;o de p&oacute;s-graduados    nas empresas &eacute; m&iacute;nima. Deste fato, j&aacute; bastante conhecido    nosso, derivam v&aacute;rias conseq&uuml;&ecirc;ncias. A quest&atilde;o &eacute;    como enfrentar esse problema. Certamente a solu&ccedil;&atilde;o extrapola os    limites da pol&iacute;tica nacional de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>L&eacute;a Velho</b> &eacute; professora titular em estudos    sociais da ci&ecirc;ncia e da tecnologia junto ao DPCT da Unicamp. Pertence    aos grupos de pesquisa do CNPq: Estudos Sociais da Ci&ecirc;ncia e da Tecnologia,    e An&aacute;lise de Pol&iacute;ticas de Inova&ccedil;&atilde;o, ambos da Unicamp.</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>NOTAS</b></font></P>     <p><font size="3">1. O que se chama de "sistema de ensino superior"    neste texto refere-se ao conjunto das institui&ccedil;&otilde;es que combinam    atividades de ensino de terceiro grau com atividades de pesquisa. Para designar    o mesmo conjunto de institui&ccedil;&otilde;es usam-se tamb&eacute;m aqui os    termos "universidades" e "setor acad&ecirc;mico", assim    como "academia".</font></P>     <p><font size="3">2. Ver, entre outros: Gibbons and Johnston (1974); Mowery    and Rosenberg (1989); Rosenberg (1992); Faukner, Senker and Velho (1995); Meyer-Kramer    and Schmoch (1997); Pavitt (1998); Salter and Martin (2000).</font></P>     <p><font size="3">3. Por exemplo, o modelo de "ator-rede" (Callon,    1987); a "h&eacute;lice tripla" (Etzkowitz and Leyderdorff, 2000);    "sistemas de pesquisa em transi&ccedil;&atilde;o" (Ziman, 1994); "sistemas    nacionais de inova&ccedil;&atilde;o" (Freeman, 1987; Lundvall, 1992; Nelson,1993);    Modo 1 e Modo 2 de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento (Gibbons et al, 1994);    e o "sistema de pesquisa p&oacute;s-moderno" (Rip and van der Meulen,    1996). </font></P>     <p><font size="3">4. Administra&ccedil;&atilde;o, engenharia el&eacute;trica,    f&iacute;sica, qu&iacute;mica, agronomia, bioqu&iacute;mica, cl&iacute;nica    m&eacute;dica, engenharia civil, sociologia, direito, economia, geoci&ecirc;ncias,    engenharia mec&acirc;nica, odontologia, psicologia.</font></P>     <p><font size="3">5. As grandes &aacute;reas de conhecimento neste estudo correspondem    a: <b>&aacute;reas b&aacute;sicas</b> – agronomia, bioqu&iacute;mica, f&iacute;sica,    geoci&ecirc;ncias, qu&iacute;mica e sociologia; <b>&aacute;reas tecnol&oacute;gicas</b>    – engenharia civil, engenharia el&eacute;trica e engenharia mec&acirc;nica;    <b>&aacute;reas profissionais</b> – administra&ccedil;&atilde;o, cl&iacute;nica    m&eacute;dica, direito, economia, odontologia e psicologia.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA SUGERIDA:</b> </font></P>     <p><font size="3">Bush, V. <i>Science the endless frontier</i>, a report to the    president by Vannevar Bush, director of the office of scientific research and    development, july 1945, Washington: United States Government Printing Office,    <i> <a href="http://www.nsf.gov/od/lpa/nsf50/vbush1945.htm" target="_blank">http://www.nsf.gov/od/lpa/nsf50/vbush1945.htm</a></i>,    &uacute;ltimo acesso em 14/10/2006. </font></P>     <p><font size="3">Callon, M. "Society in the making: the study of technology    as a tool for sociological analysis". In: Bijker, W.E; T. P. Hughes &amp;    Pinch. T. (eds.) <i>The social construction of Technological systems: new directions    in the sociology and history of technology</i>, Cambridge: MIT Press, pp. 83-106.1987.</font></P>     <p><font size="3">Durham, E. e Gusso, D., <i>P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    no Brasil: problemas e perspectivas</i>. Bras&iacute;lia, Capes, mimeo. 1991.</font></P>     <p><font size="3">Etzkowitz, H. and Leydesdorff, L. "The dynamics of innovation:    from national systems and mode 2 to triple helix of university-industry-government",    <i>Research Policy</i> 29:109-123. 2000.</font></P>     <p><font size="3">Faulkner, W.; Senker, J. and Velho, L. <i>Knowledge frontiers:    public sector research and industrial innovation in biotechnology, engineering    ceramics, and parallel computing</i>. Clarendon Press, Oxford. Pp. 265. 1995.</font></P>     <p><font size="3">Freeman, C. <i>Technology policy an economic performance: lessons    from Japan</i>. London; Pinter, pp. 155. 1987.</font></P>     <p><font size="3"> Gibbons, M. et all. <i>The new production of knowledge: the    dynamics of science and research in contemporary societies</i>, London. 1994    </font></P>     <p><font size="3">Gibbons, M. and Johnston, R. "The roles of science in technological    innovation", <i>Research Policy</i> 3: 220-242. 1974.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Gunther, H.; Spagnolo, F. "Vinte anos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o:    o que fazem nossos mestres e doutores?" <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>,    38(10): 1.643-1.662. 1986.</font></P>     <p><font size="3">Hansen, W. "Linking human resources in science and technology    and innovative performance", paper presented at the Blue Sky Conference,    Ottawa, Canada, September 2006, <a href="http://www.merit.unu.edu" target="_blank">www.merit.unu.edu</a>,    &uacute;ltimo acesso em 28/10/2006.</font></P>     <p><font size="3">Lundvall, B-A. <i>National systems of innovation: towards a    theory of innovation and interactive learning</i>. London, Pinter. Pp. 342.    1992.</font></P>     <p><font size="3">Lundvall, B-A. The University in the Learning Economy, <a href="http://www.druid.dk/wp/pdf_files/02-06.pdf" target="_blank">www.druid.dk/wp/pdf_files/02-06.pdf</a>,    DRUID Working Papers. 2002. &Uacute;ltimo acesso em 03/11/2006.</font></P>     <p><font size="3">Martins, C. B. "P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o no contexto    do ensino superior brasileiro". In: Mohry, L. et al. (orgs.) <i>Universidade    em quest&atilde;o</i>, 1. Bras&iacute;lia: UnB, p. 175-206. 2003.</font></P>     <p><font size="3">Meyer-Krahmer, F. and Schmoch, F. <i>Chemistry, information    technology, biotechnology, and production technology: a comparison of linking    mechanisms in four fields</i>, Frakenhofer Institute for Systems and Innovation    Research, Karlsruhe. 1997.</font></P>     <p><font size="3">Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia - <i>Indicadores    Nacionais de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia</i> 2005, Bras&iacute;lia, CD-ROM. 2006.</font></P>     <p><font size="3">Mowery, D. and Rosenberg, N. <i>Technology and the pursuit of    economic growth</i>. Cambridge University Press. 1989.</font></P>     <p><font size="3">Nelson, R. <i>National innovation systems: a comparative analysis</i>.    Oxford University Press, New York. 1993.</font></P>     <p><font size="3">OECD (2005), Science, Technology and Innovation Scoreboard 2005,    <a href="http://puck.sourceoecd.org/vl=1978036/cl=11/nw=1/rpsv/scoreboard/b01.htm" target="_blank">http://puck.sourceoecd.org/vl=1978036/cl=11/nw=1/rpsv/scoreboard/b01.htm</a>    (&uacute;ltimo acesso em 22/10/2006)</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Pavitt, K. "The social shaping of the national science    base", <i>Research Policy</i> 27(8): 793–805. 1998.</font></P>     <p><font size="3">Rip, A. and Van de Meulen, B. "The post-modern research    system", <i>Science and Public Policy</i> 23 (6), 343-352. 1996.</font></P>     <p><font size="3">Rosenberg, N. "Scientific instrumentation and university    research", <i>Research Policy</i> 21: 381-390. 1992.</font></P>     <p><font size="3">Salter, A. and Martin, B. "The economic benefits of publicly    funded basic research: a critical review", <i>Research Policy</i> 30: 509-532.    2000.</font></P>     <p><font size="3">Velloso, J. "Mestres e doutores no pa&iacute;s: destinos    profissionais e pol&iacute;tica de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o",    <i>Cadernos de Pesquisa</i>, 34(123): 583-611. 2004.</font></P>     <p><font size="3">Velloso, J. e Velho, L. <i>Mestrandos e doutorandos no pa&iacute;s.    Trajet&oacute;rias de forma&ccedil;&atilde;o</i>, Bras&iacute;lia: Capes e Unesco.    2001.</font></P>     <p><font size="3">World Bank - "Constructing knowledge societies: new challenges    for tertiary education", A World Bank Report, Washington DC. 2002.</font></P>     <p><font size="3">Ziman, J. <i>Prometheus bound: science in a dynamic steady state</i>.    Cambridge University Press, Cambridge. 1994.</font></P>      ]]></body>
</article>
