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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/artigos.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>AS PERSPECTIVAS DA POL&Iacute;TICA DE C&amp;T </b></font></P>     <P><font size="3"><b>Renato Dagnino</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> N&atilde;o parece necess&aacute;rio    justificar que uma avalia&ccedil;&atilde;o sobre as perspectivas da Pol&iacute;tica    de C&amp;T (PC&amp;T) esteja focada nos discursos dos atores relevantes que    sobre ela t&ecirc;m-se manifestado. Bem menos consensual, a julgar pela forma    como a PC&amp;T &eacute; normalmente considerada – uma policy n&atilde;o contaminada    pela politics –, parece ser a op&ccedil;&atilde;o de analis&aacute;-los a partir    do instrumental de an&aacute;lise de pol&iacute;tica. Mas, o suposto metodol&oacute;gico    que ele proporciona, de que quando existe um ator hegem&ocirc;nico, o seu modelo    cognitivo e a sua agenda particular tendem a se transformar tamb&eacute;m em    hegem&ocirc;nicas, &eacute; &uacute;til para a an&aacute;lise da PCT. Ele ajuda    a compreender, atrav&eacute;s da an&aacute;lise do discurso dos atores, porque    a hegemonia do ator comunidade de pesquisa exerce um papel de blindagem pol&iacute;tica    (political) da pol&iacute;tica (policy) de C&amp;T brasileira. Espero que ajude    tamb&eacute;m a avaliar as implica&ccedil;&otilde;es do cen&aacute;rio tendencial    em constru&ccedil;&atilde;o pelo seu segmento que defende o pacto conservador    entre um simulacro perif&eacute;rico de agenda da empresa e um espectro globalizado    de agenda da ci&ecirc;ncia. E, finalmente, que motive o seu segmento de esquerda    a se organizar em torno da agenda dos movimentos sociais interessados num estilo    alternativo de desenvolvimento. </font></P>     <p><font size="3">A se&ccedil;&atilde;o que segue trata da perspectiva anal&iacute;tica    que utilizo, uma vez que ela condiciona os resultados que apresento e porque    minha expectativa &eacute; que ela possa ser utilizada por aqueles que apreciem    a forma como ela conduz aos resultados que exponho. </font></P>     <p><font size="3">Apresento, tamb&eacute;m, uma breve retrospectiva da Pol&iacute;tica    de C&amp;T brasileira organizada a partir das agendas dos atores que com ela    se t&ecirc;m envolvido. E, ainda, me dedico &agrave; an&aacute;lise do que pode    ser interpretado como o discurso atualmente veiculado pelo os atores relevantes:    os movimentos sociais, a comunidade de pesquisa e o empresariado.</font></P>     <p><font size="3">Ainda a t&iacute;tulo de introdu&ccedil;&atilde;o, cabe enfatizar    que o conte&uacute;do deste trabalho &eacute; inteiramente pessoal. As opini&otilde;es    nele contidas s&atilde;o de minha inteira responsabilidade e, reconhe&ccedil;o,    contra-hegem&ocirc;nicas. Algumas delas, devido &agrave; perspectiva anal&iacute;tica    que utilizo (orientada a identificar os valores e interesses pol&iacute;ticos    subjacentes &agrave;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas a partir do discurso    e comportamento dos atores intervenientes) e ao objetivo de fomentar o debate    acerca dos rumos da C&amp;T brasileira, poder&atilde;o ser consideradas excessivamente    pol&ecirc;micas ou at&eacute; mesmo agressivas. Mas, como acredito que na atual    conjuntura da nossa PCT, a &uacute;nica forma de errar menos &eacute; debater    mais, pe&ccedil;o antecipadamente desculpas aos colegas que ora me l&ecirc;em    por tratar temas que se aproximam perigosamente do limite do que se entende    como espa&ccedil;o acad&ecirc;mico (1). E solicito que, tal como publicamente    ou em privado t&ecirc;m feito outros colegas, questionem as minhas id&eacute;ias.    S&oacute; assim eu poderei errar menos e realizar meu prop&oacute;sito profissionalmente    assumido de contribuir mais para que nosso pa&iacute;s tenha uma PCT cada vez    melhor.</font></P>     <p><font size="3">Dado a caracter&iacute;stica rec&eacute;m apontada, o estilo    deste trabalho &eacute; bastante informal. Por isso, entre outras coisas, h&aacute;    poucas e localizadas indica&ccedil;&otilde;es bibliogr&aacute;ficas. E n&atilde;o    h&aacute; uma detalhada exposi&ccedil;&atilde;o de argumentos que est&atilde;o    desenvolvidos em outros trabalhos de minha autoria.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>UM POUCO DE TEORIA: ALGUNS CONCEITOS DA AN&Aacute;LISE DE    POL&Iacute;TICA</b> Esta primeira se&ccedil;&atilde;o apresenta conceitos e    fatos estilizados pertencentes ao instrumental de an&aacute;lise de pol&iacute;tica.    Como ela &eacute; um tanto longa e como seu conte&uacute;do n&atilde;o &eacute;    indispens&aacute;vel para o entendimento das demais, ela pode ser "pulada".    N&atilde;o obstante, ela &eacute; essencial para fundamentar o argumento de    que a PCT n&atilde;o deveria seguir sendo entendida como uma <i>policy</i> desprovida    de um car&aacute;ter de <i>politics</i>, cujo objetivo &eacute; apenas "estimular    o progresso cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico" e "promover o    desenvolvimento econ&ocirc;mico e social". </font></P>     <p><font size="3">O conceito de agenda do processo decis&oacute;rio, ou do processo    de formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica, ou agenda decis&oacute;ria,    pode ser entendido como um conjunto de problemas, demandas, assuntos que os    que governam (ocupam o aparelho de Estado num determinado momento) selecionam    e classificam como objetos sobre os quais decidem que v&atilde;o atuar.</font></P>     <p><font size="3">Os problemas enfrentados (e percebidos) pelos grupos sociais,    ou atores, envolvidos com uma pol&iacute;tica conformam agendas particulares.    Entre elas, est&aacute; a agenda de governo, que expressa os valores e interesses    daqueles que governam.</font></P>     <p><font size="3">Numa primeira aproxima&ccedil;&atilde;o, a agenda decis&oacute;ria    seria uma combina&ccedil;&atilde;o (m&eacute;dia ponderada pelo poder relativo    do ator) das agendas particulares (que expressam valores, cren&ccedil;as, posturas    pol&iacute;tico-ideol&oacute;gicas e interesses) dos atores. Considerando que    o termo ator &eacute; usado para designar um coletivo (grupo social, organiza&ccedil;&atilde;o,    etc, em geral n&atilde;o-monol&iacute;tico), conv&eacute;m salientar que o mesmo    vale para uma agenda particular: ela tamb&eacute;m &eacute; uma combina&ccedil;&atilde;o    dos valores e interesses de indiv&iacute;duos diferentes com poder distinto.    </font></P>     <p><font size="3">Nem todos os problemas que conformam as agendas particulares    t&ecirc;m a mesma facilidade de fazer parte da agenda decis&oacute;ria e, assim,    impor aos que governam a necessidade de atuar sobre eles. A for&ccedil;a de    um governo (governabilidade) &eacute; inversamente proporcional &agrave; dist&acirc;ncia    entre a agenda de governo e a agenda decis&oacute;ria que a cont&eacute;m. Assim,    quanto maior a disparidade entre as duas agendas, maior a probabilidade de enfrentamento    entre os que governam e os demais atores envolvidos, e maior a exig&ecirc;ncia    de governan&ccedil;a (capacidade de governar). Ou maior a probabilidade de que    o governo venha a abandonar a sua agenda (e seu projeto pol&iacute;tico) ou    incorporar a ela problemas provenientes da agenda de seus advers&aacute;rios    para obter seu apoio pol&iacute;tico. </font></P>     <p><font size="3">A agenda decis&oacute;ria &eacute; o n&uacute;cleo da pol&iacute;tica    e pode ser considerada como o Estado em processo. S&atilde;o as sucessivas tomadas    de decis&atilde;o sobre agendas conformadas a partir de sucessivas intera&ccedil;&otilde;es    entre atores juntamente com o resultado desses processos, o que vai estabelecendo    os contornos (ou o "mapa") do aparelho de Estado. A agenda, num horizonte    de menor prazo, &eacute; um reflexo da rela&ccedil;&atilde;o entre Estado e    sociedade e expressa a dire&ccedil;&atilde;o de um governo. A maneira como se    elabora a agenda decis&oacute;ria expressa a vitalidade ou debilidade da vida    p&uacute;blica em um sistema pol&iacute;tico e influencia a maneira como se    elabora a agenda dos atores com menor poder.</font></P>     <p><font size="3">Para aprofundar essa quest&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio    entender que a agenda decis&oacute;ria &eacute; um resultado de tr&ecirc;s tipos    de conflito que devem ser identificados pelo analista de pol&iacute;tica: (a)    os abertos, entre as agendas particulares de atores com poder semelhante, que    se explicitam no processo conforma&ccedil;&atilde;o da agenda decis&oacute;ria;    (b) os encobertos, que, embora percebidos pelos atores mais fracos, n&atilde;o    chegam a ser incorporados &agrave; agenda decis&oacute;ria devido &agrave; sua    debilidade e s&atilde;o por isto de dif&iacute;cil observa&ccedil;&atilde;o;    (c) os latentes, cuja express&atilde;o como problemas que conformariam a agenda    particular de um ator mais fraco nem chega a ocorrer, dado que &eacute; obstaculizada    por mecanismos ideol&oacute;gicos controlados pelos atores mais poderosos, e    pelo correspondente consentimento dos mais fracos. </font></P>     <p><font size="3">A identifica&ccedil;&atilde;o dos conflitos latentes &eacute;    ainda mais dif&iacute;cil do que a dos encobertos. Ela n&atilde;o pode ser feita    "a olho nu" mediante a considera&ccedil;&atilde;o da agenda decis&oacute;ria    conformada a partir da rela&ccedil;&atilde;o entre os atores. Ela exige uma    an&aacute;lise profunda do contexto pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico e das    rela&ccedil;&otilde;es de poder existentes entre os atores atingidos por uma    dada pol&iacute;tica, assim como do seu modelo cognitivo. Isso porque, no limite,    os atores mais fracos, por sequer serem capazes de formular uma agenda particular    (uma vez que n&atilde;o percebem claramente os problemas que os prejudicam),    nem conseguem influenciar a conforma&ccedil;&atilde;o da agenda decis&oacute;ria    para poderem participar do processo de decis&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">&Agrave; medida que um ator entra em intera&ccedil;&atilde;o    com outros atores e agendas, no &acirc;mbito de processos decis&oacute;rios,    sua agenda particular passa a dar origem ao seu modelo cognitivo particular.    Isto &eacute;, o modelo, a partir do qual ele ir&aacute; descrever, explicar    e prescrever acerca do objeto da pol&iacute;tica e do seu contexto, e participar    no processo decis&oacute;rio. Dependendo do poder relativo do ator, seu modelo    cognitivo poder&aacute; ser percebido como correto, ser socialmente legitimado,    e influenciar decisivamente a forma e conte&uacute;do da pol&iacute;tica. No    limite, e semelhantemente ao que ocorre no caso das agendas quando um ator dominante    consegue impor a sua agenda como a agenda da pol&iacute;tica, quando existir    um ator capaz de enviesar significativamente o processo decis&oacute;rio, a    pol&iacute;tica incorporar&aacute; o modelo cognitivo particular desse ator.    Ele passar&aacute; a ser o "modelo cognitivo da pol&iacute;tica";    o qual passar&aacute; a servir de refer&ecirc;ncia para todos os atores intervenientes,    levando ao fortalecimento do poder do ator dominante e dificultando ainda mais    a irrup&ccedil;&atilde;o de conflitos encobertos e latentes.</font></P>     <p><font size="3">A debilidade dos atores mais fracos influencia triplamente a    conforma&ccedil;&atilde;o da agenda decis&oacute;ria e, por extens&atilde;o,    o conte&uacute;do da pol&iacute;tica. Primeiro, porque seu menor poder diminui    a probabilidade de que sua agenda particular "entre" na agenda decis&oacute;ria.    Segundo, porque sua agenda particular n&atilde;o costuma refletir todos os problemas    que efetivamente o prejudicam (devido &agrave; exist&ecirc;ncia de conflitos    mantidos como latentes em fun&ccedil;&atilde;o dos mecanismos ideol&oacute;gicos    vigentes). Terceiro porque o "modelo cognitivo da pol&iacute;tica",    cujas caracter&iacute;sticas dependem dos valores e interesses do ator dominante,    tende a atuar no sentido de dificultar ainda mais a irrup&ccedil;&atilde;o de    conflitos encobertos e latentes.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Elementos de car&aacute;ter pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico    atinentes aos atores, &agrave;s redes que eles conformam e aos ambientes em    que se verificam as atividades abarcadas pela pol&iacute;tica, fazem parte do    conjunto de informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rio para entender os processos    e tomada de decis&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Quatro aspectos merecem ser lembrados: a. um problema social    n&atilde;o &eacute; uma entidade objetiva que se manifesta na esfera p&uacute;blica    de modo naturalizado, como se ela fosse neutra e independente em rela&ccedil;&atilde;o    aos atores – ativos e passivos – do problema; b. n&atilde;o h&aacute; situa&ccedil;&atilde;o    social problem&aacute;tica, sen&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos atores    que a constroem como tal; c. reconhecer uma situa&ccedil;&atilde;o como um problema    envolve um paradoxo, pois s&atilde;o justamente os atores mais afetados os que    menos t&ecirc;m poder para fazer com que a opini&atilde;o p&uacute;blica (e    as elites de poder) a considere como problema social; d. a condi&ccedil;&atilde;o    de penalizados pela situa&ccedil;&atilde;o-problema dos atores mais fracos tende    a ser obscurecida por um complexo sistema de manipula&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica    que, com seu consentimento, os prejudica.</font></P>     <p><font size="3">&Eacute; devido &agrave; exist&ecirc;ncia desses aspectos que,    frequentemente, n&atilde;o s&atilde;o os que pertencem ao grupo econ&ocirc;mica    ou politicamente mais fraco, penalizado por uma situa&ccedil;&atilde;o-problema,    os que procuram incorpor&aacute;-la &agrave; agenda decis&oacute;ria. E, sim,    os que dela se consideram conscientes e estejam com ela ideologicamente identificados    (e que possuam poder para atuar). Alternativamente, pode ocorrer que um ator    passe a defender a agenda particular de um outro que, embora dotado de poder    econ&ocirc;mico ou pol&iacute;tico, se encontre ausente do processo decis&oacute;rio    por n&atilde;o estar consciente daquilo que, segundo o primeiro ator, seriam    os seus interesses. Isso tender&aacute; a ocorrer quando o ator j&aacute; engajado    na elabora&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica pressente que isto pode trazer    vantagens para a defesa da agenda particular advogada pelo seu grupo ou para    um segmento em processo de diferencia&ccedil;&atilde;o ou ao qual pretende se    filiar. </font></P>     <p><font size="3">Explicar o &ecirc;xito ou fracasso de uma pol&iacute;tica sup&otilde;e    a considera&ccedil;&atilde;o de duas dimens&otilde;es. A primeira &eacute; a    dos atores intervenientes no processo decis&oacute;rio, em que se procura entender    como o ator dominante atua no sentido de fazer valer seus interesses. A segunda    &eacute; a que se ocupa da identifica&ccedil;&atilde;o das falhas (ou d&eacute;ficits)    de implementa&ccedil;&atilde;o vis-&agrave;-vis &agrave;s de formula&ccedil;&atilde;o.    Essa dimens&atilde;o indica com freq&uuml;&ecirc;ncia que embora, obviamente,    o insucesso da pol&iacute;tica s&oacute; se materialize quando ela &eacute;    implementada, as raz&otilde;es que o explicam remetem ao momento da formula&ccedil;&atilde;o.    Portanto, por mais que possam estar asseguradas as condi&ccedil;&otilde;es para    a implementa&ccedil;&atilde;o perfeita, uma pol&iacute;tica mal formulada (apoiada    num modelo cognitivo pouco coerente com a realidade, num modelo normativo irrealista,    ou numa agenda irrealista ou bloqueada) jamais poder&aacute; ser bem implementada.</font></P>     <p><font size="3">Como outros tratados nesta se&ccedil;&atilde;o, os pontos levantados    nos dois &uacute;ltimos par&aacute;grafos s&atilde;o especialmente pertinentes    para a an&aacute;lise da PCT brasileira.</font></P>     <p><font size="3"><b>UM POUCO DE HIST&Oacute;RIA: AS AGENDAS DA PCT BRASILEIRA</b>    De acordo com o rec&eacute;m-exposto, a agenda decis&oacute;ria da PCT seria    uma combina&ccedil;&atilde;o (m&eacute;dia ponderada pelo poder relativo do    ator) de quatro agendas particulares: a. da comunidade de pesquisa (agenda da    ci&ecirc;ncia); b. dos governantes (agenda do governo); c. dos empres&aacute;rios    (agenda da empresa); e d. da "sociedade em geral" (agenda dos movimentos    sociais).</font></P>     <p><font size="3">Esta se&ccedil;&atilde;o apresenta sumariamente aspectos que    ajudam a entender como essas agendas foram interagindo e originando o modelo    cognitivo e a agenda da PCT. Ela tamb&eacute;m apresenta elementos da situa&ccedil;&atilde;o    atual que servem de base para a explora&ccedil;&atilde;o que se faz na se&ccedil;&atilde;o    seguinte sobre como se posicionam os atores. </font></P>     <p><font size="3">No in&iacute;cio dos anos de 1970, analistas da PCT latino-americana    destacavam que, ao contr&aacute;rio do que ocorria nos pa&iacute;ses avan&ccedil;ados,    ela era pautada por uma agenda distante das demais pol&iacute;ticas. Os assuntos    de interesse do governo – a agenda do governo – pouco apareciam na PCT. E de    fato, embora tenham existido importantes iniciativas que, atrav&eacute;s das    empresas estatais, lograram dinamizar a rela&ccedil;&atilde;o pesquisa-produ&ccedil;&atilde;o    (ou universidade-empresa), a Reforma Gerencial do Estado terminou por inviabilizar    novas experi&ecirc;ncias. </font></P>     <p><font size="3">Menor presen&ccedil;a tinha a agenda da empresa. Nosso capitalismo    perif&eacute;rico e mim&eacute;tico (primeiro, prim&aacute;rio-exportador e,    depois, de industrializa&ccedil;&atilde;o via substitui&ccedil;&atilde;o de    importa&ccedil;&otilde;es) n&atilde;o gerava, ao contr&aacute;rio do que ocorria    nos pa&iacute;ses avan&ccedil;ados, uma demanda local por C&amp;T. O que explicava    porque a agenda da empresa exercia pouca influ&ecirc;ncia na PCT e porque a    da ci&ecirc;ncia era, por <i>default</i>, dominante. A aus&ecirc;ncia de um    "projeto nacional" fazia com que a agenda do governo n&atilde;o alcan&ccedil;asse    um patamar sustentado e com que a dos movimentos sociais, numa sociedade que    permanecia desigual e autorit&aacute;ria, se mantivesse latente. Assim, a agenda    da PCT se resumia praticamente &agrave; agenda da ci&ecirc;ncia, ou seja, aos    temas cl&aacute;ssicos de interesse da comunidade cient&iacute;fica que, advogavam    os cientistas, eram importantes para o desenvolvimento socioecon&ocirc;mico.    </font></P>     <p><font size="3">Mas como o diagn&oacute;stico j&aacute; naquela &eacute;poca    era de que nosso problema n&atilde;o era de falta de capacidade para desenvolver    "boa ci&ecirc;ncia", era natural que o vi&eacute;s ofertista conferido    &agrave; PCT pela comunidade pesquisa, fosse contrabalan&ccedil;ado por medidas    que visavam a vincular a pesquisa universit&aacute;ria p&uacute;blica &agrave;    empresa. Com isso se esperava alterar a baixa propens&atilde;o a inovar do empres&aacute;rio    latino-americano.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Como o senso comum acad&ecirc;mico, subestimando a racionalidade    do empres&aacute;rio, atribu&iacute;a esse comportamento &agrave; sua "atrasada"    percep&ccedil;&atilde;o do papel da inova&ccedil;&atilde;o para o aumento do    seu lucro e ao ambiente protecionista, a globaliza&ccedil;&atilde;o e a abertura    comercial neoliberal representaram uma esperan&ccedil;a de mudan&ccedil;a. O    fato de que na periferia do capitalismo esse comportamento n&atilde;o se deve    apenas ao padr&atilde;o mim&eacute;tico da demanda por bens e servi&ccedil;os    determinado pela depend&ecirc;ncia cultural e materializado sob a forma de um    modelo de desenvolvimento dependente, mas por uma "forma distinta de produzir    mercadorias", explica porque essa esperan&ccedil;a n&atilde;o foi satisfeita.    </font></P>     <p><font size="3">De fato, contrariando a interpreta&ccedil;&atilde;o de Schumpeter    que atribui a din&acirc;mica inovativa &agrave; concorr&ecirc;ncia intercapitalista    que se d&aacute; na &oacute;rbita do mercado, o empres&aacute;rio perif&eacute;rico    n&atilde;o inova porque na &oacute;rbita interna da empresa – ou seja, no setor    de produ&ccedil;&atilde;o – onde enfrenta seus trabalhadores, n&atilde;o &eacute;    necess&aacute;rio o "progresso tecnol&oacute;gico" que nos pa&iacute;ses    avan&ccedil;ados lhe proporciona mais-valia relativa. Pol&iacute;ticas concentradoras,    ancoradas numa an&ocirc;mala concentra&ccedil;&atilde;o de poder pol&iacute;tico    e econ&ocirc;mico, engendraram um mecanismo de infla&ccedil;&atilde;o-reajuste    regulado pelo Estado que levou &agrave; deteriora&ccedil;&atilde;o continuada    do sal&aacute;rio real e &agrave; instaura&ccedil;&atilde;o de uma forma de    extra&ccedil;&atilde;o da mais-valia (absoluta) que prescinde da inova&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Ao entender a PCT como uma combina&ccedil;&atilde;o de agendas    diferentes, ganha plausibilidade o argumento de que seria a opera&ccedil;&atilde;o    desse mecanismo, de inquestion&aacute;vel poder explicativo no plano da racionalidade    empresarial, e n&atilde;o simplesmente o padr&atilde;o cultural mim&eacute;tico    (para n&atilde;o falar da id&eacute;ia de senso comum do "atraso"    do empres&aacute;rio perif&eacute;rico), que faria com que, na aus&ecirc;ncia    de um interesse empresarial pelo desenvolvimento de C&amp;T, predominasse a    agenda da ci&ecirc;ncia.</font></P>     <p><font size="3">Foi s&oacute; no final dos anos de 1980, e sem que tivesse se    alterado o quadro esbo&ccedil;ado acima, que, por iniciativa de acad&ecirc;micos    partid&aacute;rios da Teoria da Inova&ccedil;&atilde;o que "estavam"    burocratas, assuntos presumivelmente de interesse da empresa e tidos como de    import&acirc;ncia para o crescimento econ&ocirc;mico – a agenda da empresa –    apareceram na agenda da PCT. </font></P>     <p><font size="3">Curiosamente, o espa&ccedil;o para empresa na agenda de PCT,    a se julgar pela escassa participa&ccedil;&atilde;o dos empres&aacute;rios nos    debates e decis&otilde;es sobre essa pol&iacute;tica, foi aberto pela comunidade    de pesquisa – o tradicional ator dominante da PCT. Esses "acad&ecirc;micos    empreendedores", como s&atilde;o conhecidos, est&atilde;o interessados    em interagir com as empresas nacionais inovadoras (que sobreviveram &agrave;    desindustrializa&ccedil;&atilde;o e &agrave; desnacionaliza&ccedil;&atilde;o    provocada pela abertura neoliberal), e com as multinacionais intensivas em tecnologia,    porque acreditam que, nesse processo, legitimam socialmente as atividades de    pesquisa da universidade. Essa id&eacute;ia passou a ser hegem&ocirc;nica na    PCT, materializando-se na cria&ccedil;&atilde;o de arranjos institucionais para    incentivar a intera&ccedil;&atilde;o universidade-empresa, como parques e p&oacute;los    tecnol&oacute;gicos, incubadoras, projetos cooperativos, mecanismos para estimular    a absor&ccedil;&atilde;o de pessoal p&oacute;s-graduado pelas empresas etc.    </font></P>     <p><font size="3">Assume-se que tais arranjos s&atilde;o, de fato, do interesse    das empresas locais, mas &eacute; bem conhecido que as empresas t&ecirc;m respondido    a eles de forma extremamente t&iacute;mida &agrave;s chamadas de financiamento    de P&amp;D (2, 3). Estudos de avalia&ccedil;&atilde;o mais focados t&ecirc;m    mostrado que recursos como os destinados para pesquisa cooperativa com a empresa    atrav&eacute;s dos Fundos Setoriais, por exemplo, acabam sendo alocados de acordo    com a l&oacute;gica e os interesses da comunidade acad&ecirc;mica (4, 5).</font></P>     <p><font size="3">Adicionalmente, &eacute; poss&iacute;vel mostrar a partir dos    dados coletados pelo IBGE (6, 7) que aqueles instrumentos de apoio &agrave;    P&amp;D parecem ter pouco a ver com o interesse das empresas locais: sua estrat&eacute;gia    de inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se ap&oacute;ia na P&amp;D, mas sim na    compra de m&aacute;quinas e equipamentos. Parece, ent&atilde;o, que a comunidade    de pesquisa, via mimetismo e no &acirc;mbito de um processo de "transdu&ccedil;&atilde;o"    mais abrangente, vem tentando encenar o papel de um outro: a empresa.</font></P>     <p><font size="3">Guardando uma rela&ccedil;&atilde;o de sinergia com os aspectos    ressaltados at&eacute; aqui, est&aacute; o modelo cognitivo que ampara essa    percep&ccedil;&atilde;o. Sua caracter&iacute;stica mais marcante, no plano econ&ocirc;mico,    s&atilde;o as id&eacute;ias de que o conhecimento produzido na sociedade deve    necessariamente transitar pela empresa para atingir e beneficiar a sociedade    (na forma produtos com pre&ccedil;os cadentes e qualidade crescente, empregos    qualificados com sal&aacute;rios crescentes, impostos que revertem para a sociedade    promovendo a competitividade sist&ecirc;mica, etc). E de que a compuls&atilde;o    a inovar para maximizar o lucro seria o motor de um c&iacute;rculo virtuoso    de competitividade das empresas, das na&ccedil;&otilde;es, do bem-estar dos    seus cidad&atilde;os e dos habitantes do planeta. </font></P>     <p><font size="3">Esse elemento do modelo cognitivo com o qual se elabora a PCT    est&aacute; associado a outra id&eacute;ia de senso comum de que a tecnoci&ecirc;ncia    (conceito que denota o fato de que 70% do gasto mundial em pesquisa &eacute;    privado e que, deste, 70% &eacute; realizado por multinacionais) &eacute; neutra.    Isto &eacute;, que depois de ser produzida num dado ambiente (em que, como tenho    argumentado, predominam valores e interesses que como &eacute; esperado a "contaminam"    com o "germe" da exclus&atilde;o social), ela pode ter a sua utiliza&ccedil;&atilde;o    orientada para prop&oacute;sitos de inclus&atilde;o. Apesar crescentemente refutados    pelos estudiosos, os mitos da neutralidade e do determinismo da tecnoci&ecirc;ncia    continuam ocupando um lugar central no modelo cognitivo da PCT.</font></P>     <p><font size="3"><b>O DISCURSO DOS ATORES RELEVANTES</b> Esta se&ccedil;&atilde;o    se desenvolve em torno da id&eacute;ia de que o discurso dos atores envolvidos    com a pol&iacute;tica &eacute; o primeiro n&iacute;vel de express&atilde;o do    seu modelo cognitivo. E que sua an&aacute;lise, embora sem seguir os c&acirc;nones    do campo disciplinar da an&aacute;lise do discurso, permite identificar aspectos    que, de modo menos preciso e extremado, v&atilde;o aparecer na maneira como    eles ir&atilde;o tentar conformar a agenda decis&oacute;ria e influenciar a    trajet&oacute;ria da pol&iacute;tica. Ela se concentra, por isso, na an&aacute;lise    de tr&ecirc;s discursos recentes sobre a PCT que, at&eacute; o momento em que    escrevo, parecem configurar as suas trajet&oacute;rias poss&iacute;veis. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>O discurso dos movimentos sociais</b> Antes de iniciar este    item, &eacute; importante ressaltar que o que aqui se analisa n&atilde;o se    refere &agrave; agenda do governo, mas sim a de um dos atores que influencia    (ou deveria influenciar) na sua conforma&ccedil;&atilde;o, o presidente da Rep&uacute;blica.    E que, entretanto, esse discurso n&atilde;o parece expressar a agenda do governo.    Situado numa posi&ccedil;&atilde;o bastante cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o    a PCT vigente, ele expressa com mais propriedade a agenda dos movimentos sociais.    </font></P>     <p><font size="3">Embora n&atilde;o tenha repercutido na m&iacute;dia especializada,    o discurso do presidente, no Inpe em 13 de mar&ccedil;o, por indicar o conte&uacute;do    que ele aparentemente gostaria de conferir &agrave; PCT e pela sua densidade    pol&iacute;tica (<i>politics</i>), ele se caracteriza como o evento recente    mais importante da nossa pol&iacute;tica (<i>policy</i>) de C&amp;T. Na verdade,    independentemente da simpatia ou antipatia que se tenha pela sua pessoa, h&aacute;    que reconhecer que &eacute; a primeira vez que um governante se refere aos aspectos    pol&iacute;ticos que cercam essa pol&iacute;tica p&uacute;blica. Os quais, &eacute;    importante enfatizar, quase nunca s&atilde;o referidos pelos que com ela se    envolvem.</font></P>     <p><font size="3">Come&ccedil;o ressaltando o elevado simbolismo contido na forma    como o presidente iniciou o seu discurso, depois de escutar (com uma certa impaci&ecirc;ncia,    a julgar pela forma como deixava escorregar entre os dedos um papel dobrado    que batia na mesa) o longo discurso do ministro de C&amp;T.</font></P>     <p><font size="3">No que interpreto como uma insatisfa&ccedil;&atilde;o a respeito    de como est&aacute; sendo utilizado o potencial cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico    das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de ensino e de pesquisa e de    como tem sido orientada a PCT e, em particular, como uma rea&ccedil;&atilde;o    ao contumaz tom apolog&eacute;tico com que se havia destacado os resultados    do Programa do Sat&eacute;lite Sino-Brasileiro, o presidente declarou: – "Eu    n&atilde;o vou ler o &#91;meu&#93; discurso porque &eacute; uma c&oacute;pia fiel do    discurso que o S&eacute;rgio Rezende leu aqui. Certamente, quem fez o meu fez    o dele, ou ele fez o meu e tirou xerox para facilitar a vida dele."</font></P>     <p><font size="3">Com a aguda ironia bem-humorada que o caracteriza (que arrancou    t&iacute;midos risos da sisuda plat&eacute;ia), o presidente habilmente anunciou    a id&eacute;ia-for&ccedil;a que marcou sua fala: n&atilde;o era hora de comemora&ccedil;&atilde;o,    mas de uma auto-cr&iacute;tica que, como cidad&atilde;os-pesquisadores, cabia    &agrave; comunidade de pesquisa ali reunida fazer.</font></P>     <p><font size="3">De fato, ele prosseguiu dizendo: "...na medida em que n&oacute;s    n&atilde;o fizemos as li&ccedil;&otilde;es que outros &#91;pa&iacute;ses&#93; fizeram    &#91;alfabetiza&ccedil;&atilde;o, reforma agr&aacute;ria, distribui&ccedil;&atilde;o    de renda&#93; n&oacute;s somos um pa&iacute;s dividido entre gente que participa    do Brasil de ponta, do Brasil tecnol&oacute;gico, do Brasil avan&ccedil;ado,    como todos voc&ecirc;s participam, e, ao mesmo tempo, n&oacute;s temos um pa&iacute;s    em que o estoque de pessoas que ficaram marginalizadas come&ccedil;a a causar    preocupa&ccedil;&atilde;o e come&ccedil;a a causar incertezas na sociedade brasileira."    E, completou: "O desafio que est&aacute; colocado para n&oacute;s, agora,    depois de visitar o Inpe &eacute; provar que n&oacute;s somos capazes de fazer    isso...". </font></P>     <p><font size="3">Lan&ccedil;ado perante aquela plat&eacute;ia, o desafio parece    significar que "agora", depois de ter usufru&iacute;do &#91;desde o regime    militar&#93; de um tratamento privilegiado – seja em rela&ccedil;&atilde;o ao plano    internacional, seja em compara&ccedil;&atilde;o a outros segmentos sociais –,    a comunidade de pesquisa deve contribuir, com o conhecimento que a sociedade    lhe permitiu adquirir, para "fazer as li&ccedil;&otilde;es" da "alfabetiza&ccedil;&atilde;o,    reforma agr&aacute;ria, distribui&ccedil;&atilde;o de renda".</font></P>     <p><font size="3">Com a autoridade que a democracia confere a um presidente para    orientar as pol&iacute;ticas de seu governo, mas que at&eacute; agora nunca    havia sido empregada no &acirc;mbito da PCT, ele seguiu aludindo ao que provavelmente    tinha lido no discurso que n&atilde;o fez: "O resultado que n&oacute;s    temos hoje, de coisas extraordin&aacute;rias que eu tenho visitado no Brasil,    &eacute; uma conquista de todos n&oacute;s. Mas, &agrave;s vezes, as coisas    que n&atilde;o d&atilde;o certo de pronto, n&oacute;s carimbamos um respons&aacute;vel,    tiramos o corpo fora e fica por conta de algu&eacute;m que n&oacute;s queremos    responsabilizar."</font></P>     <p><font size="3">Interpreto essa declara&ccedil;&atilde;o como uma censura &agrave;    postura recorrente da comunidade de pesquisa de atribuir a outrem &#91;&agrave;    gan&acirc;ncia das elites, ao "imperialismo", aos pol&iacute;ticos    corruptos, quando n&atilde;o ao que considera uma falta de consci&ecirc;ncia    da sociedade acerca da import&acirc;ncia da C&amp;T que impede que mais recursos    sejam alocados para a realiza&ccedil;&atilde;o de sua atividade&#93; a responsabilidade    pela calamidade social que nos cerca. </font></P>     <p><font size="3">Ao tentar "tirar o corpo fora", a comunidade de pesquisa    estaria se eximindo da responsabilidade de seguir pesquisando, divulgando e    ensinando um conhecimento cuja finalidade &eacute; alavancar um processo de    acumula&ccedil;&atilde;o de riqueza concentrador e excludente. E por n&atilde;o    reorientar sua agenda de pesquisa para atacar os problemas da maioria da popula&ccedil;&atilde;o.    E, ainda, por n&atilde;o ser capaz de reconhecer que n&atilde;o sabe como enfrentar    as complexas quest&otilde;es tecnol&oacute;gicas, cient&iacute;ficas e ambientais    associadas &agrave; duplica&ccedil;&atilde;o do Brasil necess&aacute;ria para    abrigar os n&atilde;o-cidad&atilde;os de hoje. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Entendo a pergunta que o presidente formula "...n&atilde;o    est&aacute; na hora da nossa consci&ecirc;ncia assumir um compromisso, com este    pa&iacute;s, um pouco mais al&eacute;m da nossa pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia    enquanto seres humanos e enquanto pesquisadores" como um chamamento &agrave;    comunidade de pesquisa de esquerda. &Agrave;queles que, sentados naquela sala,    t&ecirc;m consci&ecirc;ncia de que &eacute; necess&aacute;rio mudar, mas que    seguem iludidos pelos mitos da neutralidade da ci&ecirc;ncia e do determinismo    tecnol&oacute;gico, ou que n&atilde;o t&ecirc;m ainda a coragem de assumir que    pertencer ao <i>main stream</i> ou figurar no <i>science citation index</i>    n&atilde;o &eacute; suficiente para construir um pa&iacute;s decente.</font></P>     <p><font size="3">O presidente deu mais um recado a ser levado em conta quando    se reflete sobre as perspectivas da PCT:– "...durante muitas d&eacute;cadas    o Brasil n&atilde;o combinou as oportunidades que teve de aproveitar o crescimento    para permitir que houvesse uma certa igualdade de oportunidades no conjunto    da sociedade." A julgar pelo tom do seu discurso, ele parecia sinalizar    para uma inflex&atilde;o na PCT, t&atilde;o desejada pela comunidade de pesquisa    de esquerda, que abra espa&ccedil;o para seu engajamento na constru&ccedil;&atilde;o    de um Brasil mais justo e democr&aacute;tico.</font></P>     <p><font size="3"><b>O discurso da comunidade de pesquisa</b> O recado contido    no discurso do presidente parece ter sido bem entendido por influentes <i>policy    makers</i> pertencentes &agrave; comunidade de pesquisa que participaram no    semin&aacute;rio "O Brasil no s&eacute;culo 21" realizado em 28 de    mar&ccedil;o, na Faculdade de Economia e Administra&ccedil;&atilde;o da USP,    sob a coordena&ccedil;&atilde;o de Delfim Netto.</font></P>     <p><font size="3">Suas opini&otilde;es, que apareceram no <i>Boletim da Fapesp</i>    sob o sugestivo, ainda que desgastado, t&iacute;tulo de "Motores do desenvolvimento,    <i>si non &eacute; vero, &eacute; bene trovatto</i>", respondem negativamente    &agrave; pergunta que fez o presidente: "...n&atilde;o est&aacute; na hora    da nossa consci&ecirc;ncia assumir um compromisso, com este pa&iacute;s, um    pouco mais al&eacute;m da nossa pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia enquanto    seres humanos e enquanto pesquisadores?" </font></P>     <p><font size="3">Escolhi e cito seis delas que expressam as duas agendas dominantes    da PCT. A agenda da ci&ecirc;ncia, defendida pelos que querem manter a orienta&ccedil;&atilde;o    hegem&ocirc;nica at&eacute; dez anos atr&aacute;s e a da empresa, dos que tamb&eacute;m    no &acirc;mbito da comunidade de pesquisa v&ecirc;m tentando legitimar-se por    essa via. De fato, embora sejam conflitantes, elas se t&ecirc;m mostrado negoci&aacute;veis.    E antag&ocirc;nicas &agrave; <i>d&eacute;mod&eacute;</i> agenda do governo (que    se mostrou compat&iacute;vel com a agenda da ci&ecirc;ncia no per&iacute;odo    militar) e &agrave; latente agenda dos movimentos sociais (que ganha for&ccedil;a    com o discurso do presidente).</font></P>     <p><font size="3">A primeira, &eacute; a de que a "publica&ccedil;&atilde;o    de trabalhos em revistas de circula&ccedil;&atilde;o internacional &eacute;    um grande impulso para o desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico"(8).    Ela cont&eacute;m duas id&eacute;ias crescentemente questionadas, mas que continuam    a ser olimpicamente repetidos pelos partid&aacute;rios da agenda da ci&ecirc;ncia.    Na realidade, a publica&ccedil;&atilde;o de trabalhos &eacute; resultado e n&atilde;o    impulso (ou causa) para o desenvolvimento cient&iacute;fico. E o desenvolvimento    tecnol&oacute;gico, tal como t&ecirc;m mostrado v&aacute;rios pa&iacute;ses,    tem muito pouco a ver com a publica&ccedil;&atilde;o de trabalhos cient&iacute;ficos;    especialmente em pa&iacute;ses perif&eacute;ricos.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a17img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A segunda opini&atilde;o &eacute; de que "na origem hist&oacute;rica    da universidade est&aacute; a necessidade de solucionar problemas da sociedade    e de inserir novos produtos no mercado...". Novamente, dois equ&iacute;vocos.    Quem trabalha na universidade deveria saber que nem na origem, nem na miss&atilde;o    atual da universidade consta "inserir novos produtos no mercado".    Esta id&eacute;ia tem sido vendida pelos partid&aacute;rios da agenda da empresa    que tentam orientar a PCT para o mercado usando a fal&aacute;cia neoliberal    de que isso contribuiria para "solucionar problemas da sociedade".</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ligada a essa, uma terceira imputa a culpa pela "falta    de intera&ccedil;&atilde;o com o setor produtivo" (por eufemismo, a empresa    privada) dizendo que ela "... se tornou uma l&oacute;gica pr&oacute;pria    das institui&ccedil;&otilde;es de ensino no pa&iacute;s" que "...n&atilde;o    favorece a difus&atilde;o do conhecimento para solucionar problemas econ&ocirc;micos    ou sociais". Como se o nosso capitalismo perif&eacute;rico, dependente e imitativo,    que combina suas faces prim&aacute;rio-exportadora e substituidora de importa&ccedil;&otilde;es    com uma brutal concentra&ccedil;&atilde;o de renda, n&atilde;o se caracterizasse    por uma, economicamente racional, avers&atilde;o &agrave; inova&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica. E como se "solucionar problemas econ&ocirc;micos"    fosse preocupa&ccedil;&atilde;o da empresa. E mais, como se os "sociais"    pudessem ser resolvidos mediante aquela "intera&ccedil;&atilde;o".</font></P>     <p><font size="3">A quarta opini&atilde;o alega que "a universidade tem papel    fundamental para a cria&ccedil;&atilde;o do conhecimento, mas, para que um produto    ou processo inovador sejam aceitos pelo mercado, a pesquisa deve ser ... um    assunto dominado primordialmente pelas empresas". De novo aparece o equ&iacute;voco    de limitar o papel da universidade p&uacute;blica (pois disto se trata) &agrave;    cria&ccedil;&atilde;o de conhecimento para satisfazer &agrave; agenda da empresa.    Como se n&atilde;o existissem outras agendas de atores que contribuem mais para    a sua exist&ecirc;ncia, que demandam solu&ccedil;&otilde;es cientificamente    mais originais e complexas e com maior impacto social e econ&ocirc;mico para    o pa&iacute;s. </font></P>     <p><font size="3">Associada a essa, uma quinta salienta que "precisar&iacute;amos    de pelo menos 150 mil cientistas nas empresas para transformar nosso conhecimento    em desenvolvimento econ&ocirc;mico". Ela reitera a solu&ccedil;&atilde;o    de compromisso entre as duas agendas hoje dominantes: precisamos oferecer mais    mestres e doutores para satisfazer essa demanda do mercado, de 150 mil. Entende-se    mal o que seja oferta e demanda: trabalham em atividades de P&amp;D nas empresas    p&uacute;blicas e privadas o equivalente a 3 mil mestres e doutores. Se esse    estoque aumentar – magicamente – 10% ao longo deste ano, haver&aacute; uma demanda    adicional de 300; quando ent&atilde;o a oferta de mestres e doutores em ci&ecirc;ncias    e engenharias (que cresce 10% ao ano) ser&aacute; de 30 mil. Essa rela&ccedil;&atilde;o    de 1:100 mostra o absurdo a que a desconex&atilde;o entre as agendas de nossa    PCT nos t&ecirc;m levado. E o equ&iacute;voco que seria tentar equilibrar esse    desajuste acionando apenas aquelas duas agendas.</font></P>     <p><font size="3">Sobretudo num pa&iacute;s que, como ressaltou o presidente,    "n&atilde;o fez as li&ccedil;&otilde;es da alfabetiza&ccedil;&atilde;o,    reforma agr&aacute;ria, distribui&ccedil;&atilde;o de renda" e que, por    isso, possui agendas latentes (do governo e dos movimentos sociais) a serem    incorporadas &agrave; PCT. Para que, entre tantas outras coisas, a sociedade    possa aproveitar o investimento que realizou na forma&ccedil;&atilde;o dos seus    mestres e doutores.</font></P>     <p><font size="3">Mas para que isso ocorra, &eacute; necess&aacute;rio que a comunidade    de pesquisa de esquerda se oponha &agrave; solu&ccedil;&atilde;o de compromisso    entre as duas agendas hoje dominantes (da ci&ecirc;ncia e da empresa) que a    sexta opini&atilde;o alude: "...quando empresas estrangeiras t&ecirc;m    interesse em parcerias com universidades brasileiras, al&eacute;m de seus dirigentes    procurarem entidades que mais formam mestres e doutores, a lista de publica&ccedil;&otilde;es    dos pesquisadores &eacute; um dos requisitos b&aacute;sicos". E que se    engaje na constru&ccedil;&atilde;o de uma PCT em que as "empresas estrangeiras"    n&atilde;o sejam o ator a ser beneficiado &agrave; custa de uma competi&ccedil;&atilde;o    sem sentido entre as universidades p&uacute;blicas e seus professores.</font></P>     <p><font size="3"><b>O discurso do empresariado</b> A terceira pe&ccedil;a desta    an&aacute;lise tamb&eacute;m apareceu no <i>Boletim da Fapesp</i>, em 26 de    abril. Sob o t&iacute;tulo "Do consenso &agrave; a&ccedil;&atilde;o"    a mat&eacute;ria comenta os resultados do 2º Congresso Brasileiro de Inova&ccedil;&atilde;o    na Ind&uacute;stria, organizado por tr&ecirc;s das institui&ccedil;&otilde;es    mais representativas do mundo empresarial – a Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional    da Ind&uacute;stria, o Instituto Euvaldo Lodi e o Servi&ccedil;o Nacional de    Aprendizagem Industrial – encerrada no dia anterior, "com a presen&ccedil;a    de 700 empres&aacute;rios, acad&ecirc;micos e representantes do governo".</font></P>     <p><font size="3">O consenso que, segundo o <i>Boletim da Fapesp</i>, "predomina    entre os atores envolvidos com o desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico    no Brasil, &eacute; que a ind&uacute;stria brasileira precisa de mais inova&ccedil;&atilde;o".    O que, tendo em vista o que ela, de modo restritivo, considera "atores    envolvidos" e "desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico",    n&atilde;o chega a surpreender. </font></P>     <p><font size="3">Outra mat&eacute;ria disponibilizada no s&iacute;tio da CNI    repete o mantra de que "os investimentos em P&amp;D s&atilde;o imprescind&iacute;veis    para ampliar a participa&ccedil;&atilde;o do Brasil no mercado internacional    e acelerar o ritmo de crescimento da economia" e aponta as cinco "condi&ccedil;&otilde;es"    para o aumento da inova&ccedil;&atilde;o na empresa. Todas referem-se a medidas    de pol&iacute;tica p&uacute;blica e compreendem a amplia&ccedil;&atilde;o dos    recursos disponibilizados pelas ag&ecirc;ncias e pela ren&uacute;ncia fiscal,    a moderniza&ccedil;&atilde;o do Instituto Nacional de Propriedade Industrial,    o aumento da intera&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os voltados ao apoio    da inova&ccedil;&atilde;o com aqueles de controle do or&ccedil;amento, e a utiliza&ccedil;&atilde;o    do poder de compra do Estado para estimular a P&amp;D. O que tampouco chega    a surpreender. Sobretudo tendo em vista a maneira como os empres&aacute;rios    brasileiros costumam se pronunciar a respeito de temas importantes para o pa&iacute;s:    listando as reivindica&ccedil;&otilde;es que querem ver atendidas pelo governo    sem no entanto comprometerem-se com nada mais do que uma alus&atilde;o difusa    ao seu papel como promotores do crescimento econ&ocirc;mico e do bem-estar social;    e, ultimamente, da competitividade... </font></P>     <p><font size="3">Voltando &agrave; mat&eacute;ria divulgada pela Fapesp, v&ecirc;-se    que ela destaca a opini&atilde;o de quatro pessoas que tiveram uma participa&ccedil;&atilde;o    de relevo no Congresso; o que atesta o prest&iacute;gio que gozam no meio empresarial.    A sess&atilde;o em que participaram – Agenda Empresarial e Prospectiva Tecnol&oacute;gica    e Industrial – a julgar pelo seu t&iacute;tulo, indicaria os balizamentos estrat&eacute;gicos    que o empresariado deveria adotar para, no futuro prospectado, aproveitando    as "condi&ccedil;&otilde;es" que enunciaram, cumprir o seu papel.</font></P>     <p><font size="3">Mais do que analisar o discurso dessas pessoas, mesmo porque    isso n&atilde;o adicionaria nada ao j&aacute; comentado, interessa aqui refletir    sobre quem s&atilde;o elas, j&aacute; que isso pode servir como algo parecido    com uma evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica do que tenho dito a respeito de qual    &eacute; o ator que est&aacute; tentando introduzir a agenda da empresa na PCT.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O que pode espantar alguns (mas que n&atilde;o surpreende os    que me acompanham nesta an&aacute;lise) &eacute; que apesar do car&aacute;ter    da sess&atilde;o e do Congresso, nenhum deles &eacute; empres&aacute;rio!</font></P>     <p><font size="3">Para encerrar este ponto, agrego que eles, &agrave; semelhan&ccedil;a    dos que proferiram o discurso analisado no item anterior, por serem personagens    influentes do processo decis&oacute;rio da PCT, s&atilde;o parte importante    da correia de transmiss&atilde;o atrav&eacute;s da qual chegam ao aparelho de    Estado as demandas dos atores, no caso, os empres&aacute;rios, que pretendem    dela se beneficiar. E por onde saem os recursos que ir&atilde;o diretamente    benefici&aacute;-los(9).</font></P>     <p><font size="3"><b>&Agrave; GUISA DE CONCLUS&Atilde;O</b> Concluindo, ressalto    a dist&acirc;ncia existente entre o que sinalizou o presidente e a vis&atilde;o    daqueles membros da comunidade de pesquisa que, apesar de sua f&eacute; na empresa    e no mercado, do seu alinhamento ideol&oacute;gico-pol&iacute;tico com for&ccedil;as    conservadoras, de sua participa&ccedil;&atilde;o destacada no governo FHC e    da diverg&ecirc;ncia que t&ecirc;m com a agenda dos movimentos sociais, continuam    influenciando uma pol&iacute;tica p&uacute;blica chave para a consecu&ccedil;&atilde;o    das metas do atual governo. A manuten&ccedil;&atilde;o dessa tend&ecirc;ncia    &eacute; uma das perspectivas da PCT. </font></P>     <p><font size="3">Uma outra poder&aacute; se fortalecer caso o segmento de esquerda    da comunidade de pesquisa, que se identifica com os interesses (pol&iacute;ticos,    econ&ocirc;micos) e valores (ambientais, morais, &eacute;tnicos, de g&ecirc;nero)    dos movimentos sociais partid&aacute;rios de um estilo alternativo de desenvolvimento    for capaz de incorpor&aacute;-los &agrave;s suas agendas de pesquisa e doc&ecirc;ncia    e ao processo decis&oacute;rio da PCT. Dessas alian&ccedil;as, emergir&atilde;o    linhas de atua&ccedil;&atilde;o custeadas pelo governo em condi&ccedil;&otilde;es    pelo menos an&aacute;logas &agrave;s que disp&otilde;em a empresa privada, a    serem implementadas em institutos p&uacute;blicos de ensino e de pesquisa. Um    conjunto alternativo de crit&eacute;rios, vari&aacute;veis, procedimentos e    estrat&eacute;gias, que ao inv&eacute;s do hoje dominante, seja capaz de construir    a base cognitiva necess&aacute;ria &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o daquele    estilo alternativo de desenvolvimento, ir&aacute; sendo consolidado.</font></P>     <p><font size="3">Viabilizar essa outra perspectiva demanda um movimento distinto    do que estamos assistindo, em que as agendas da ci&ecirc;ncia e da empresa se    est&atilde;o compactuando. A agenda dos movimentos sociais, pela sua natureza,    ter&aacute; que ser adotada com principalidade pelo governo, subordinando o    simulacro de agenda da empresa que anda em busca de um ator – a "burguesia    nacional" – em si mesmo artificial e anacr&ocirc;nico. Ao "reprojetar"    radicalmente a agenda da ci&ecirc;ncia (hoje um espectro perif&eacute;rico do    que o capitalismo global engendra para combinar de forma suicida o consumismo    exacerbado e a obsolesc&ecirc;ncia planejada) ela ser&aacute; capaz de contribuir    para alavancar o cen&aacute;rio da democratiza&ccedil;&atilde;o que a sociedade    busca construir.</font></P>     <p><font size="3">Em minha opini&atilde;o, o primeiro passo – que &eacute; conseguir    que os conflitos latentes impl&iacute;citos na agenda dos movimentos sociais    se explicitem como conflitos abertos no processo decis&oacute;rio da PCT – demanda    da comunidade de pesquisa de esquerda uma politiza&ccedil;&atilde;o dessa pol&iacute;tica.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Renato Dagnino</b> &eacute; professor titular do Departamento    de Pol&iacute;tica Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica do Instituto de Geoci&ecirc;ncias    da Unicamp. </i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <p><font size="3">1. A revista <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>, cuja miss&atilde;o    &eacute; tratar o "... cen&aacute;rio das grandes quest&otilde;es culturais    de nossa &eacute;poca, identificando tend&ecirc;ncias e abordando temas pr&oacute;prios    do conhecimento e da din&acirc;mica de suas transforma&ccedil;&otilde;es culturais,    cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas" me parece um canal especialmente    apropriado para o debate.</font></P>     <p><font size="3">2.  Velho, L.; Velho, P.; Davyt, A. "Las pol&iacute;ticas    e instrumentos de vinculaci&oacute;n universidad-empresa en los pa&iacute;ses    del Mercosur". <i>Educaci&oacute;n Superior y Sociedad</i>, v.9, n-º 1,    p. 51-76, 1998. </font></P>     <p><font size="3">3.  Velho, L.; Velho, P.; Saenz, T., "P&amp;D nos setores    p&uacute;blico e privado no Brasil: complementares ou substitutos?", <i>Parcerias    Estrat&eacute;gicas</i>, n-º 19: 87-127, 2004. </font></P>     <p><font size="3">4.  Pereira, N. M. "Fundos Setoriais: Avalia&ccedil;&atilde;o    das estrat&eacute;gias de implementa&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o".    Texto para discuss&atilde;o (Ipea), v. 1, p. 01-40, 2005. </font></P>     <p><font size="3">5.  Pereira, N. M. ; Hasewaga, M. ; Azevedo, A. M. M. "Avalia&ccedil;&atilde;o    de ader&ecirc;ncia de Fundos Setoriais" (contrato CGEE 124/2006). 2006.    (Relat&oacute;rio de pesquisa)</font></P>     <p><font size="3">6.  IBGE- Pesquisa Industrial de Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica.    Rio de Janeiro: IBGE.2005.</font></P>     <p><font size="3">7.  Pesquisando uma amostra das 84 mil empresas com 10 ou    mais pessoas ocupadas (das cerca de 5 milh&otilde;es que, segundo o Sebrae,    existem no pa&iacute;s), se evidenciou que 28 mil introduziram no mercado alguma    inova&ccedil;&atilde;o de produto ou processo nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s    anos. E que, destas que provavelmente constituem o universo das empresas inovadoras    brasileiras, apenas cerca de 200 inovaram, de fato, em termos mundiais! Esse    desempenho &eacute; coerente com sua baixa propens&atilde;o a gastar em P&amp;D    (de cerca de 0,3% do PIB, enquanto que no Jap&atilde;o ou na Su&eacute;cia este    indicador chega pr&oacute;ximo a 3 e 4%, respectivamente). De fato, 80% dos    empres&aacute;rios consultados declarou que a import&acirc;ncia da aquisi&ccedil;&atilde;o    de m&aacute;quinas e equipamentos para sua estrat&eacute;gia de inova&ccedil;&atilde;o    era alta ou m&eacute;dia, e somente 20% declarou ser a P&amp;D (&agrave; qual    alocam cerca de 20% das despesas com inova&ccedil;&atilde;o).</font></P>     <p><font size="3">8.  O diagn&oacute;stico benevolente a respeito da qualidade    da nossa ci&ecirc;ncia tem sido questionado, entre outros, por Schwartzman e,    mais recentemente, por Nicolski. Segundo a informa&ccedil;&atilde;o apresentada    por este &uacute;ltimo &eacute; poss&iacute;vel argumentar que a defasagem muitas    vezes comentada entre o Brasil e a Cor&eacute;ia em termos do indicador de desenvolvimento    tecnol&oacute;gico (patentes) &eacute; da mesma ordem de grandeza de um outro    que se pode obter combinando indicadores de artigos publicados, cita&ccedil;&atilde;o    de artigos e qualidade dos artigos. E que, segundo ele, essa baixa qualidade    poderia ser melhorada aumentando o v&iacute;nculo da pesquisa com a "demanda    real".    <br>   - Schwartzman, S. "A pesquisa cient&iacute;fica e o interesse p&uacute;blico",    <i>Revista Brasileira de Inova&ccedil;&atilde;o</i> (Rio de Janeiro), vol. 1,    n-º 2, p. 361-395, 2002.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   - Nicolsky, R. "Tecnologia e acelera&ccedil;&atilde;o do crescimento".    <i>JC e-mail</i> 3349, de 14 de setembro de 2007.</font></P>     <p><font size="3">9. Vega-Jurado e outros, analisando o caso boliviano afirmam    que se "ha creado un circulo vicioso: las universidades no producen conocimiento    novedoso que puedan ofrecer a las empresas, pero al mismo tiempo las empresas    no lo demandan, de tal manera que la relaci&oacute;n universidad-empresa est&aacute;    orientando la universidad hacia una "universidad consultora".    <br>   - Vega-Jurado, J., Fern&aacute;ndez-de-Lucio, I. e Huanca-L&oacute;pez, R. "¿La    relaci&oacute;n universidad-empresa en Am&eacute;rica Latina: apropiaci&oacute;n    incorrecta de modelos for&aacute;neos?". <i>J. Technol. Manag. Innov</i>.    Volume 2, Issue 2. 2007.</font></P>      ]]></body>
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