<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252007000400026</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Citação poética pode ser plágio?]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Meyer]]></surname>
<given-names><![CDATA[João F.]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<volume>59</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>60</fpage>
<lpage>60</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252007000400026&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252007000400026&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252007000400026&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>DEBATE</b></font></P>     <P><font size="4"><b>C<small>ITA&Ccedil;&Atilde;O PO&Eacute;TICA PODE SER PL&Aacute;GIO?</small></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Estimulado pelo artigo publicado na se&ccedil;&atilde;o de "Tend&ecirc;ncias"    desta revista, em julho passado, onde a pesquisadora Sonia M. R. Vasconcelos    discute a quest&atilde;o do pl&aacute;gio na academia, decidi transformar minha    reflex&atilde;o sobre o assunto num artigo. A pesquisadora aponta a necessidade    de seriedade, postura &eacute;tica e respeito acad&ecirc;mico,de forma muito    bem apresentada e que tem minha plena concord&acirc;ncia. </font></P>     <p><font size="3">O que gostaria de apresentar, por&eacute;m, &eacute; que a quest&atilde;o    da propriedade nem sempre &eacute; t&atilde;o clara – pelo menos para um leigo.    Penso na quest&atilde;o do pl&aacute;gio por outro vi&eacute;s, o da refer&ecirc;ncia    po&eacute;tica de uma obra liter&aacute;ria.</font></P>     <p><font size="3">Cito – de mem&oacute;ria e, portanto, sujeito &agrave;s naturais    falhas humanas, ainda mais porque minha &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o    &eacute; a matem&aacute;tica e n&atilde;o a literatura – o filme <i>O carteiro    e o poeta</i>. O primeiro de dois pontos que levanto &eacute; com base na hist&oacute;ria    do carteiro, que usa um dos versos do poeta (Pablo Neruda) numa carta &agrave;    sua amada. Quando o poeta, para ajudar o carteiro, descobre a&iacute; o seu    pr&oacute;prio verso e confronta o carteiro com essa apropria&ccedil;&atilde;o,    este declara, a um Neruda bastante surpreso, que a poesia n&atilde;o pertence    ao seu autor e sim &agrave;queles que dela precisam. Certamente um caso de pl&aacute;gio,    pelas defini&ccedil;&otilde;es dos dicion&aacute;rios citados pela professora    Sonia. No entanto, o argumento foi aceito de modo natural pelo poeta, pelo menos    naquilo que o filme relata...</font></P>     <p><font size="3">Uma segunda inst&acirc;ncia &eacute; referente a uma parte do    conto <i>Sargento Get&uacute;lio</i>, de Jo&atilde;o Ubaldo Ribeiro. H&aacute;    muitos anos eu assistia ao filme de mesmo nome, quando o protagonista Lima Duarte    p&otilde;e-se a declamar um mon&oacute;logo que me chamou imediatamente a aten&ccedil;&atilde;o.    Chegando em casa, comparei o texto do filme com o mon&oacute;logo escrito por    Shakespeare, em Hamlet, quando, diante da d&uacute;vida sobre viver ou morrer    se seguem as conhecidas palavras "... wether ‘tis nobler in the mind to    suffer the slings and arrows of outrageous fortune, or to take arms against    a sea of troubles and, by opposing end them..."</font></P>     <p><font size="3">Claro que com as adapta&ccedil;&otilde;es culturais necess&aacute;rias,    lembro-me bem do Lima Duarte reproduzindo em um caracter&iacute;stico linguajar    regional, o mesmo texto, e confesso que n&atilde;o sou capaz de dizer onde &eacute;    que, para mim, ele fica melhor, se em Hamlet, ou na boca do sargento que, com    seu prisioneiro pol&iacute;tico, tentava entender uma ordem superior para "sumir    por uns tempos".</font></P>     <p><font size="3">Novamente, pelos dicion&aacute;rios citados, parece que sim...    Mas literatura de qualidade – certamente – em ambos casos! N&atilde;o tenho    a pretens&atilde;o de querer ou de sequer poder julgar, &agrave; luz do artigo    que t&atilde;o bem descreve o pl&aacute;gio, este caso, mas ser&aacute; que    aquilo que vale para n&oacute;s, na academia, dever&aacute; valer de modo id&ecirc;ntico    para a arte? Creio que a propriedade existe na literatura, &eacute; evidente,    mas o assunto pode ser a&iacute; muito mais pol&ecirc;mico e nebuloso.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Jo&atilde;o F. Meyer</i></font></P>      ]]></body>
</article>
