<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252007000400027</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Carlos Canela: ficção científica à mineira]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Suppia]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alfredo de Oliveira]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<volume>59</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>60</fpage>
<lpage>61</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252007000400027&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252007000400027&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252007000400027&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a27img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="4"><b>CINEMA</b></font></P>     <P><font size="4"><b>C<small>ARLOS</small> C<small>ANELA: FIC&Ccedil;&Atilde;O    CIENT&Iacute;FICA &Agrave; MINEIRA</small></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Cinema de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica no Brasil j&aacute;    n&atilde;o &eacute; corriqueiro, que dir&aacute; um cinema de fic&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica mineiro. &Eacute; a&iacute; que se destaca os trabalhos em    curta-metragem do cineasta Carlos Canela, diretor de pelo menos tr&ecirc;s filmes    fant&aacute;sticos ou de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica realizados pela    Carabina Produtora de Imagens, de Minas Gerais, com apoio de leis de incentivo    estaduais e federais. </font></P>     <p><font size="3">Nascido no munic&iacute;pio mineiro de Erv&aacute;lia, Canela    envolveu-se com teatro desde muito jovem. Ele conta que come&ccedil;ou a escrever    roteiros que "sempre passavam pela est&eacute;tica do teatro do absurdo,    buscando romper os limites que a realidade nos impunha. Finalmente, em 1999,    ap&oacute;s fazer um curso de v&iacute;deo descobri as possibilidades do cinema.    E n&atilde;o parei mais". O diretor foi seduzido pelo potencial imaginativo    do cinema. Um dos primeiros filmes a impression&aacute;-lo <i>The wall (Pink    Floyd The wall</i>, 1982), de Alan Parker que assistiu aos 16 anos num cinema    de Barbacena, interior de Minas. "Sem querer romantizar a coisa, devo dizer    que a partir daquele momento eu decidi fazer fic&ccedil;&atilde;o. <i>The wall</i>    era um filme que ia a um extremo ficcional, misturando fic&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica com anima&ccedil;&atilde;o, com o ritmo e montagens de videoclipes    e com abordagens que beiravam a loucura de filmes cl&aacute;ssicos de suspense.    E eu me lembro exatamente de minha rea&ccedil;&atilde;o na &eacute;poca: ‘caramba,    isso &eacute; que &eacute; cinema?’", recorda Canela. </font></P>     <p><font size="3"><b>POTENCIAL</b> O cineasta mineiro demonstra ceticismo em rela&ccedil;&atilde;o    a um "cinema-realidade", acreditando mais no potencial comunicativo    de "uma est&oacute;ria em cima de uma realidade que n&atilde;o &eacute;    a nossa". Isso explica o recurso &agrave; met&aacute;fora em boa parte    de seus filmes. "Eu nunca havia pensado nisso, mas acho que, nesse meu    percurso contra a corrente, a met&aacute;fora parece ter sido a melhor forma    de sair da onda de um cinema-realidade-intelectualizado-de-experimenta&ccedil;&atilde;o-t&eacute;cnica    que estamos vivendo atualmente. N&atilde;o &eacute; a met&aacute;fora pela met&aacute;fora,    mas &eacute; a busca de um novo olhar sobre o j&aacute; dito", conclui    o cineasta.</font></P>     <p><font size="3">O primeiro filme de Carlos Canela &eacute; <i>Bailarina</i>    (2001), sobre um futuro pr&oacute;ximo no qual um Estado altamente burocr&aacute;tico    regula a arte de forma rigorosa. Mas uma bailarina rebelde, que se apresenta    publicamente sem autoriza&ccedil;&atilde;o, provoca uma confus&atilde;o no sistema.    Canela comenta que a id&eacute;ia surgiu quando ele e sua mulher, a produtora    Suzana Markus, faziam seu primeiro curso de v&iacute;deo. Para o exerc&iacute;cio    de fazer um roteiro, Canela pensou na imagem de uma bailarina dan&ccedil;ando    em plena pra&ccedil;a central da cidade. A id&eacute;ia acabou n&atilde;o sendo    aproveitada no curso, mas ficou na sua cabe&ccedil;a. "Resolvi escrever    o roteiro e, sem que fosse intencional, ele acabou se transformando em fic&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica – bem mais no roteiro, ali&aacute;s, do que no filme final",    conta. Mas o mote principal da est&oacute;ria s&oacute; surgiria mesmo depois    de Canela ter integrado uma comiss&atilde;o de or&ccedil;amento participativo    da prefeitura de Belo Horizonte. </font></P>     <p><font size="3"><b>SEGUNDO FILME</b> <i>Dois lados</i> (2003), escrito e dirigido    por Canela, &eacute; um filme-met&aacute;fora sobre o embate entre os lados    direito e esquerdo do c&eacute;rebro de um homem comum. O filme constr&oacute;i    uma met&aacute;fora criativa sobre o confronto entre a raz&atilde;o e a emo&ccedil;&atilde;o.    Embora tenha sido finalizado s&oacute; em junho de 2007, foi filmado em abril    de 2003. Carlos Canela explica que a inspira&ccedil;&atilde;o veio do filme    <i>A cela (The cell</i>, 2000), de Tarsem Singh, thriller de fic&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica <i>cyberpunk</i> em que uma mulher penetra no c&eacute;rebro    de pessoas que est&atilde;o numa esp&eacute;cie de coma e tenta ajud&aacute;-las    a sair desse estado. "Fiquei com aquela imagem na cabe&ccedil;a. O que    aconteceria se um homem acordasse, um dia, dentro de seu pr&oacute;prio c&eacute;rebro?    Como ele conviveria com o seu lado obscuro, com tudo que &eacute; processado    l&aacute; dentro e ele jamais teve coragem de enfrentar?", comenta Canela.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>CURTA IN&Eacute;DITO</b> O terceiro filme do cineasta mineiro    na chave da fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; um curta ainda in&eacute;dito,    <i>O homem da cabe&ccedil;a de papel&atilde;o</i> (2007), que conta a hist&oacute;ria    de Antenor (Odilon Esteves), um jovem honesto, sincero e revoltado com a corrup&ccedil;&atilde;o    e a injusti&ccedil;a num "pa&iacute;s do sol" onde sempre chove, as    pessoas falam por rimas, celebram a desfa&ccedil;atez e condenam a moralidade    e os sentimentos aut&ecirc;nticos. Canela explica que o projeto desse filme    surgiu de uma pe&ccedil;a de teatro montada por um grupo de Belo Horizonte,    sobre o conto hom&ocirc;nimo de Jo&atilde;o do Rio. A abordagem da pe&ccedil;a    passava pelo teatro do absurdo e Suzana Markus sugeriu a Canela que fizessem    uma adapta&ccedil;&atilde;o para o cinema. "Li o roteiro da pe&ccedil;a    e o conto que lhe deu origem e o que mais me impressionou foi a atualidade de    seu tema, embora tenha sido escrito no in&iacute;cio do s&eacute;culo passado.    Imaginei, ent&atilde;o, como seria essa hist&oacute;ria se ela se passasse num    futuro n&atilde;o muito distante. Como sobreviveriam as pessoas em uma sociedade    em que todos mentem e a corrup&ccedil;&atilde;o &eacute; sua principal forma    de organiza&ccedil;&atilde;o?".</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/a27img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Embora reconhe&ccedil;a dificuldades financeiras e infra-estruturais    como fatores restritivos ao cinema de fantasia no Brasil, Carlos Canela n&atilde;o    se inibe em assumir projetos do g&ecirc;nero:"a fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    est&aacute; a&iacute; para quem quiser usar". </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Alfredo de Oliveira Suppia</i></font></P>      ]]></body>
</article>
