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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v59n4/prosa.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3">ROSANA PICCOLO</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>CABELEIREIROS DE A A Z</b></font></P>     <P><font size="3">No colo da rua, contei um milh&atilde;o de cabeleireiros. Onde    a novidade qu&iacute;mica desafia o espelho. E a novela das oito afia a navalha,    define franjas rivais.</font></P>     <P><font size="3">Contei pomares no colo da rua — grito carn&iacute;voro da ruivid&atilde;o.    Mulher-outono, mulher-fogo: h&aacute; tons de a&ccedil;a&iacute;, rubor de morangas    nesses pinc&eacute;is do poente. Mulher-p&aacute;ssaro: secadores assanham tuas    asas em blonder. </font></P>     <P><font size="3">No colo de outra rua, outro milh&atilde;o de cabeleireiros.    E outras caixas de alum&iacute;nio com escovas e tesouras — pingos do mesmo    poente. Pisei mais um quil&ocirc;metro de grampos fazendo frases, fazendo festa,    ferimento, fazendo toda a tua vida.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>SOB OS OLHOS</b></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">A noite &eacute; a nossa sereia. Tem no vestido de lata a ferida    de mais de um milh&atilde;o de rubis. Sobre o mundo, derrama o cabelo com fios    dardejantes. Usa piercing, a noite, irreconhec&iacute;vel ao suicida — a amada    &eacute; um anjo g&oacute;tico resvalando em po&ccedil;as de luz. Tem c&iacute;lios    de fa&iacute;scas e borr&otilde;es de sombra — dela agora foge o fantasma do    assassino, abrindo brechas negras pela rua iluminada. Tem a mente povoada de    seq&uuml;estros, guaritas pulverizando vielas e um latido a menos — a capa do    vampiro se faz nuvem de mosquitos. Tem computadores analisando a urdidura das    estrelas, torneiras de clar&atilde;o desatadas ensopando o ch&atilde;o de meias    brancas. Tem nas camas plenas de sil&ecirc;ncio breus macios amontoados. E esses    poemas que escrevemos, do come&ccedil;o ao fim, e de que jamais esqueceremos    — at&eacute; chegar o dia e nos afogar.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Rosana Piccolo</b> &eacute; paulistana, formada em filosofia    pela USP e em jornalismo pela Funda&ccedil;&atilde;o C&aacute;sper L&iacute;bero.    Trabalhos publicados:</i> Ruelas profanas <i>(Nankin, 1999) e</i> Meio-fio<i>    (Iluminuras,2003).</i></font></P>      ]]></body>
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