<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252008000100005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Lelé, um construtor de idéias geniais em baixo custo, rapidez e conforto ambiental]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Botin]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lívia]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<volume>60</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>10</fpage>
<lpage>11</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252008000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252008000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252008000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/a05img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">ARQUITETURA</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n1/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Lel&eacute;, um construtor de id&eacute;ias geniais em baixo    custo, rapidez e conforto ambiental</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Uma constru&ccedil;&atilde;o com estruturas de concreto armado,    argamassa e ferro, a partir de t&eacute;cnicas de pr&eacute;-moldagem, que preze    por conforto ambiental. O lugar em quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; um mero    conjunto de pr&eacute;dios de Bras&iacute;lia, mas sim os edif&iacute;cios da    rede Sarah Kubitschek, todos pensados pelo arquiteto Jo&atilde;o Filgueiras    Lima, mais conhecido como Lel&eacute;. A semelhan&ccedil;a com o trabalho de    Niemeyer ou Lucio Costa n&atilde;o &eacute; acidental. Todos eles trabalharam    juntos na constru&ccedil;&atilde;o da nova capital. O diferencial de Lel&eacute;,    por&eacute;m, &eacute; o baixo custo e curto prazo. Seus projetos para a constru&ccedil;&atilde;o    de edif&iacute;cios – em particular hospitais – s&atilde;o todos com custos    muitos reduzidos, aspecto relevante apenas para um raro grupo de arquitetos    que, al&eacute;m de dominarem o of&iacute;cio de criar e construir, valoriza    o lado social das obras.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Seu tra&ccedil;o definido e objetivo nos leva a pensar que tem    habilidades inatas para a arquitetura, mas ele pr&oacute;prio j&aacute; declarou    em entrevistas: "coisas inesperadas me levaram a fazer o curso". Nascido    de uma fam&iacute;lia pobre do Rio do Janeiro, Lel&eacute; trabalhava como assistente    datil&oacute;grafo da Marinha quando foi incentivado a fazer arquitetura. Formou-se    na Escola Nacional de Belas Artes e logo foi chamado para fazer parte do grupo    que construiu Bras&iacute;lia. Na &eacute;poca, viajou por pa&iacute;ses do    Leste Europeu para pesquisar a tecnologia de racionaliza&ccedil;&atilde;o do    concreto armado (argamassa, ferro e cimento), depois de projetar, juntamente    com Niemeyer e sua equipe, o Instituto Central de Ci&ecirc;ncias da Universidade    de Bras&iacute;lia (UnB). Esses primeiros contatos com materiais pr&eacute;-fabricados    foram importantes para obras seguintes, como o Hospital de Taguatinga (1968)    e as Secretarias do Centro Administrativo da Bahia (1973). </font></P>     <p><font size="3">Depois do concreto pr&eacute;-moldado, a partir de 1979 Lel&eacute;    passa a trabalhar com argamassa armada, ou ferro-cimento na urbaniza&ccedil;&atilde;o    e melhoria de algumas &aacute;reas de ocupa&ccedil;&atilde;o irregular nas encostas    de Salvador. Assim, usando placas de argamassa armada (nata de cimento e malha    de ferro) para desenvolver pe&ccedil;as mais leves e flex&iacute;veis, que fossem    f&aacute;ceis de transportar e instalar, ele conseguiu elaborar obras p&uacute;blicas    menos invasivas. Afastado dos projetos p&uacute;blicos nos anos 1970, Lel&eacute;    voltou a fazer interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas com o projeto da F&aacute;brica    de Equipamentos Comunit&aacute;rios (Faec) na d&eacute;cada seguinte: desde    bancos e conten&ccedil;&otilde;es de jardim, passando pelas passarelas de pedestres    at&eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de escolas e creches. Dentro da Faec,    o arquiteto colaborou com o projeto de revitaliza&ccedil;&atilde;o do Centro    Hist&oacute;rico de Salvador, comandado por Lina Bo Bardi, e produziu obras    de interven&ccedil;&atilde;o na Casa do Benin e na Ladeira da Miseric&oacute;rdia,    tamb&eacute;m na capital baiana. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/a05img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A diversidade e complexidade dos elementos produzidos nas Faecs    a transformaram numa f&aacute;brica completa. Al&eacute;m do n&uacute;cleo produtor    das pe&ccedil;as de argamassa armada,tem o setor de metalurgia respons&aacute;vel    n&atilde;o s&oacute; pelas f&ocirc;rmas dos elementos de cimento e ferro, mas    tamb&eacute;m pela estrutura de alguns edif&iacute;cios e passarelas, tornando    este um experimento pioneiro no uso conjunto de a&ccedil;o e argamassa armada.</font></P>     <p><font size="3">Sua atua&ccedil;&atilde;o na arquitetura hospitalar come&ccedil;ou    em 1964, depois de sofrer um acidente de carro. Conheceu, ent&atilde;o, o m&eacute;dico    e colega Aloysio Campos da Paz e pensou em projetar hospitais que dessem maior    autonomia ao paciente. Essa id&eacute;ia evoluiu at&eacute;, em 1980, ser inaugurado    em Bras&iacute;lia o primeiro hospital da rede Sarah, especializado na reabilita&ccedil;&atilde;o    de pessoas com problemas f&iacute;sico-motores. A integra&ccedil;&atilde;o entre    arquitetura e medicina &eacute; especialmente potencializada nesse tipo de obra,    que permite criar espa&ccedil;os alternativos de terapia e cura. </font></P>     <p><font size="3">Lel&eacute; trabalhou por muito tempo em projetos p&uacute;blicos    arquitet&ocirc;nicos, por&eacute;m, como seu m&eacute;todo construtivo &eacute;    r&aacute;pido e de baixo custo, passou a sofrer boicotes. Hoje, o arquiteto    s&oacute; trabalha nos hospitais da rede Sarah, afirma a pesquisadora An&aacute;lia    Amorin, professora da Faculdade de Urbanismo e Arquitetura Escola da Cidade.    Ela j&aacute; fez v&aacute;rios cursos com o arquiteto e o considera um dos    mais importantes e significativos pensadores do espa&ccedil;o na atualidade.    "Sua principal qualidade &eacute; aliar a constru&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;dios    &agrave; formaliza&ccedil;&atilde;o do elemento que comp&otilde;e o pr&oacute;prio    edif&iacute;cio. Ele pensa, desde a maca que ser&aacute; utilizada pelo paciente    no hospital at&eacute; na espessura da viga que sustenta o pr&eacute;dio. E    ainda produz os materiais envolvidos nos dois processos", conclui. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>L&iacute;via Botin</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>
</article>
