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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">FONOAUDIOLOGIA</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n1/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Af&aacute;sicos: preconceito e falta de informa&ccedil;&atilde;o    sobre o dist&uacute;rbio</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Dizer uma coisa no lugar da outra, n&atilde;o se lembrar o nome    de um objeto e ter que identific&aacute;-lo por sua forma ou sua fun&ccedil;&atilde;o,    ficar com uma palavra "na ponta da l&iacute;ngua", sem conseguir lembrar    dela ou, enfim, perder o "fio da meada" bem no meio de uma hist&oacute;ria.    Situa&ccedil;&otilde;es como essas s&atilde;o bastante corriqueiras para qualquer    um, mas em pessoas acometidas por uma doen&ccedil;a chamada afasia, desconhecida    por grande parte da popula&ccedil;&atilde;o, a falta de um diagn&oacute;stico    acaba impondo barreiras para um tratamento mais eficiente.</font></P>     <p><font size="3">A constata&ccedil;&atilde;o desse desconhecimento motivou o    grupo de pesquisa do Projeto Integrado em Neuroling&uuml;&iacute;stica (PIN),    da Unicamp, a organizar o livro <i>Neuroling&uuml;&iacute;stica discursiva:    teoriza&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica cl&iacute;nica</i>, a ser lan&ccedil;ado    neste primeiro semestre pela editora da universidade. "A id&eacute;ia &eacute;    retirar esse trabalho, que o grupo, realiza do ambiente exclusivo de teses e    disserta&ccedil;&otilde;es e coloc&aacute;-lo em um ve&iacute;culo a que mais    pessoas tenham acesso", explica Maria Irma Hadler Coudry, professora livre-docente    do Departamento de Ling&uuml;&iacute;stica da Unicamp, coordenadora do grupo    de pesquisa e uma das fundadoras do Centro de Conviv&ecirc;ncia de Af&aacute;sicos    (CCA), vinculado ao Instituto de Estudos da Linguagem da universidade. </font></P>     <p><font size="3">A publica&ccedil;&atilde;o re&uacute;ne algumas pesquisas importantes    que servem de reflex&atilde;o n&atilde;o apenas sobre afasia, mas tamb&eacute;m    sobre a rela&ccedil;&atilde;o do c&eacute;rebro, da linguagem, e do corpo. "O    trabalho traz uma nova vis&atilde;o sobre esse problema, apontando uma maneira    de lidar com a afasia e com as pessoas af&aacute;sicas diferente da tradicional",    diz a docente. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>NEUROLINGU&Iacute;STICA</b> O sujeito est&aacute; ausente    da cl&iacute;nica tradicional. Essa nova vis&atilde;o neurolingu&iacute;stica    o traz de volta, enfatizando o sujeito, e n&atilde;o sua patologia. "O    objetivo &eacute; colocar em pauta a discuss&atilde;o sobre linguagem e patologia    na m&iacute;dia e na ci&ecirc;ncia", acrescenta. Esse &eacute; o primeiro    livro do grupo, que tem pesquisadores em ling&uuml;&iacute;stica, letras e fonoaudiologia.    </font></P>     <p><font size="3">Afasia &eacute; um dist&uacute;rbio de linguagem causado por    uma les&atilde;o cerebral. A pesquisadora explica que essas les&otilde;es v&atilde;o    afetar o dom&iacute;nio da linguagem no c&eacute;rebro, na forma como ela &eacute;    usada – isto &eacute;, o indiv&iacute;duo ainda possui a linguagem, mas tem    dificuldades em acess&aacute;-la e articul&aacute;-la. "A afasia quebra    o fluxo da fala. Tudo o que a pessoa quer dizer, ela n&atilde;o consegue",    afirma. Conforme a extens&atilde;o e localiza&ccedil;&atilde;o da les&atilde;o    cerebral, o paciente pode apresentar a perda total ou parcial da capacidade    de articula&ccedil;&atilde;o das palavras. Ent&atilde;o, tarefas simples como    preencher um cheque, falar ao telefone, escrever uma lista de compras ou at&eacute;    mesmo contar uma hist&oacute;ria que acabou de presenciar se tornam extremamente    dif&iacute;ceis. </font></P>     <p><font size="3">Devido ao pouco conhecimento da doen&ccedil;a, n&atilde;o &eacute;    poss&iacute;vel saber o n&uacute;mero exato das pessoas acometidas por ela.    "As pessoas n&atilde;o sabem o que &eacute; afasia portanto muitos nem    sabem que s&atilde;o portadores", explica Tatiana Melo Gomes, ling&uuml;ista    e pesquisadora do PIN. "Se voc&ecirc; pegar o n&uacute;mero de pessoas    que sofreram um derrame ou um traumatismo craniano, que s&atilde;o as maiores    causas da afasia, d&aacute; pra ter uma id&eacute;ia de quantas pessoas s&atilde;o    af&aacute;sicas, pois a maioria fica com essa sequela", continua a pesquisadora.</font></P>     <p><font size="3">Com o desconhecimento, surge uma das faces mais tristes da doen&ccedil;a:    o preconceito. "As pessoas n&atilde;o t&ecirc;m paci&ecirc;ncia, n&atilde;o    param para ouvir, n&atilde;o tentam entender. Se o sujeito vai a um restaurante,    por exemplo, &eacute; visto como b&ecirc;bado ou drogado", declara Ana    Paula Villa Labigalini, fonoaudi&oacute;loga e tamb&eacute;m pesquisadora do    PIN. "Sem saber o que &eacute; afasia, muita gente fala que a pessoa, depois    que sofreu um derrame ou um traumatismo, ficou bobo ou louco. N&atilde;o entendem    que a pessoa ficou af&aacute;sica e precisa de atendimento adequado", termina.    </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/a08img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Conhecer a natureza e a heterogeneidade da afasia pode ajudar    no acompanhamento cl&iacute;nico dessas pessoas e na sua conviv&ecirc;ncia social,    especialmente, junto aos seus familiares", explica a fonoaudi&oacute;loga    Fernanda Maria Pereira Freire, pesquisadora do N&uacute;cleo de Inform&aacute;tica    Aplicada &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o (Nied) da Unicamp. Fernanda ressalta    que "&eacute; muito importante conhecer o funcionamento da linguagem para    saber como interagir com essas pessoas de modo que elas possam, de fato, reconstruir    a linguagem e, conseq&uuml;entemente, suas rela&ccedil;&otilde;es afetivas e    sociais". Sem o conhecimento sobre o funcionamento da linguagem, muitas    vezes af&aacute;sicos n&atilde;o s&atilde;o encaminhados para o tratamento adequado.    "O que acontece &eacute; que muitos m&eacute;dicos acabam ‘desenganando’    o paciente, como se depois do derrame ou do traumatismo n&atilde;o houvesse    mais nada a se fazer. &Eacute; isso: teve o derrame e acabou. A impress&atilde;o    &eacute; que sua vida tamb&eacute;m acabou", acrescenta Ana Paula. </font></P>     <p><font size="3">Mesmo pessoas com conhecimento da doen&ccedil;a e recebendo    tratamento adequado encontram muitas dificuldades para retomar sua vida normal.    Muitos tentam voltar ao trabalhar, mas n&atilde;o conseguem vaga ou se manter    no emprego. Como a afasia ainda n&atilde;o &eacute; enquadrada como uma necessidade    especial, a maioria dos af&aacute;sicos se v&ecirc; for&ccedil;ada a se aposentar    por invalidez. Por outro lado, os que precisam realmente de aposentadoria enfrentam    barreiras: os crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o para a aposentadoria    por invalidez deixam de fora muitos dos sintomas da doen&ccedil;a, e o af&aacute;sico    corre o risco de n&atilde;o ser enquadrado no benef&iacute;cio. </font></P>     <p><font size="3"><b>RECUPERA&Ccedil;&Atilde;O</b> Mesmo com tantas dificuldades,    af&aacute;sicos que recebem um tratamento adequado conseguem vit&oacute;rias    significativas. &Eacute; o caso de Rodrigo, que participa do CCA h&aacute; tr&ecirc;s    anos e recentemente conseguiu voltar ao trabalho. O paciente sofreu um grave    traumatismo cr&acirc;nio-encef&aacute;lico que resultou em afasia. A les&atilde;o    acarretou uma mudan&ccedil;a dr&aacute;stica em sua vida (antes ele pretendia    cursar engenharia, fazia cursinho pr&eacute;-vestibular, praticava esportes    e tinha uma vida social intensa): ele teve que abrir m&atilde;o de muitos sonhos    e acabou entrando em depress&atilde;o. Mas n&atilde;o desistiu. Com o acompanhamento    no CCA, conseguiu superar muitas dificuldades que tinha em sua linguagem, voltou    ao cursinho e conseguiu um emprego. "Ele estava muito deprimido no come&ccedil;o.    Essa depress&atilde;o era causada pela falta de rotina, de conv&iacute;vio social",    explica Tatiana Melo, que acompanha Rodrigo no CCA. "Tanto o cursinho como    o trabalho o ajudaram a melhorar muito, pois s&atilde;o atividades que o colocam    em constante contato com as pr&aacute;ticas discursivas, com a escrita e com    a leitura". A pesquisadora ressalta que o fator social &eacute; muito importante,    e que poder voltar a uma vida ativa &eacute; essencial tanto para a linguagem    quanto para o psicol&oacute;gico/emocional do af&aacute;sico.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Existem v&aacute;rios tipos da doen&ccedil;a e de pacientes.    H&aacute; af&aacute;sicos que enfrentam a afasia e af&aacute;sicos que n&atilde;o    a enfrentam", ressalta Maria Irma Coudry. Para a professora, manter-se    ativo &eacute; fator fundamental. N&atilde;o existe cura no sentido cl&aacute;ssico    de erradica&ccedil;&atilde;o da enfermidade, mas h&aacute; diversos meios de    se melhorar a qualidade de vida dos af&aacute;sicos. </font></P>     <p><font size="3">Se n&atilde;o se chega a recuperar totalmente a linguagem no    padr&atilde;o anterior &agrave; les&atilde;o, pode-se chegar muito pr&oacute;ximo,    por meio da terapia em que se trabalhe as dificuldades e se estimule a conviv&ecirc;ncia    entre pessoas com e sem problemas de afasia.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Chris Bueno</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/a08img02.gif"></P>      ]]></body>
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