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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/noticias.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/a18img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">RESENHA</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n1/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Prever o futuro como guia para coloniz&aacute;-lo</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Computadores qu&acirc;nticos e moleculares, implantes de mem&oacute;ria,    escaneamento do c&eacute;rebro, nano rob&ocirc;s, auto-replica&ccedil;&atilde;o    de m&aacute;quinas, fus&atilde;o entre corpo e m&aacute;quina. A lista de temas    tratados por Ray Kurzweil em <i>A era das m&aacute;quinas espirituais</i> bem    pode ser entendida como uma seq&uuml;&ecirc;ncia de temas de fic&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica. Mas n&atilde;o para esse autor que parte do &acirc;ngulo    de algu&eacute;m conectado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de tecnologia de    ponta e imerso nas pesquisas de intelig&ecirc;ncia artificial para olhar o mundo    e calcular tend&ecirc;ncias para o futuro.</font></P>     <p><font size="3">Kurzweil (1948) &eacute; uma esp&eacute;cie de Craig Venter    da intelig&ecirc;ncia artificial e da computa&ccedil;&atilde;o, mas esse cientista-empreendedor    ganhou notoriedade pela sua genialidade, destacada por figuras como Bill Gates,    e pelas suas pesquisas e inven&ccedil;&otilde;es, que come&ccedil;aram cedo    (aos 17 anos) com a constru&ccedil;&atilde;o, para um projeto do col&eacute;gio,    de um computador programado para analisar padr&otilde;es nas m&uacute;sicas    de v&aacute;rios compositores famosos, que podia, a partir desses padr&otilde;es,    compor novas melodias originais no mesmo estilo. Desde ent&atilde;o, focalizando    em especial a &aacute;rea de reconhecimento de padr&otilde;es, suas inven&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o pararam. Elas v&atilde;o da primeira m&aacute;quina de leitura para    cegos, em 1976, passam pelo primeiro sintetizador musical, em 1984, e continuam    numa s&eacute;rie de outros equipamentos que s&atilde;o sempre os primeiros    de alguma lista, e na maioria das vezes est&atilde;o ligados a alguma patente    e a uma nova empresa de propriedade de Kurzweil.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os livros, lan&ccedil;ados desde a d&eacute;cada de 1990, tamb&eacute;m    t&ecirc;m colaborado para dar visibilidade a Kurzweil – como <i>The age of intelligent    machines (1990), The 10% solution for a healthy life (1994), The age of spiritual    machines: when computers exceed human intelligence (1999), Fantastic voyage:    live long enough to live forever (2004), The singularity is near: when humans    transcend biology</i> (2005) – e v&ecirc;m provocando pol&ecirc;mica, dentro    de um debate mais amplo acerca da tecnologia. N&atilde;o se pode desconsiderar,    ainda, o fato de algumas de suas previs&otilde;es terem se concretizado, como    foi o caso do <i>boom</i> da internet.</font></P>     <p><font size="3">Apenas dois de seus livros t&ecirc;m tradu&ccedil;&atilde;o    no Brasil. <i>A medicina da imortalidade</i>, publicado aqui em 2006, e o rec&eacute;m-lan&ccedil;ado    <i>A era das m&aacute;quinas espirituais</i>, escrito em 1999.</font></P>     <p><font size="3">Esse livro de Kurzweil re&uacute;ne em 509 p&aacute;ginas mais    do que alguns leitores admiram ou recha&ccedil;am. Ali&aacute;s, essa &eacute;    a divis&atilde;o de opini&atilde;o de algumas pessoas que conhecem as previs&otilde;es    desse cientista-empreendedor-vision&aacute;rio: os oriundos das ci&ecirc;ncias    humanas – que n&atilde;o est&atilde;o familiarizados com os temas e produ&ccedil;&otilde;es    da tecnologia – riem de Kurzweil e ridicularizam suas "profecias";    os das ci&ecirc;ncias "duras", sorriem e afirmam que n&atilde;o &eacute;    nada imposs&iacute;vel que as previs&otilde;es de Kurzweil se realizem. Em ambos    os casos, os leitores apegam-se &agrave;s novidades que a tecnologia pode oferecer    sem focalizar alguns elementos do livro que o fazem ir al&eacute;m de admira&ccedil;&atilde;o    ou desprezo.</font></P>     <p><font size="3">No livro, o autor conecta a evolu&ccedil;&atilde;o das m&aacute;quinas    com a humana, e argumenta que as tecnologias criadas pelo homem, e em especial    a tecnologia computacional, est&atilde;o sendo potencializadas de forma cada    vez mais acelerada. O autor afirma que apesar dos computadores mais avan&ccedil;ados    de hoje serem cerca de um milh&atilde;o de vezes mais simples que o c&eacute;rebro    humano, essa disparidade n&atilde;o far&aacute; parte do s&eacute;culo XXI.    "Os computadores atingir&atilde;o a capacidade de mem&oacute;ria e velocidade    de computa&ccedil;&atilde;o do c&eacute;rebro humano por volta de 2020".    Ele alia a esse universo a produ&ccedil;&atilde;o mais ampla de nanom&aacute;quinas,    implantes de mem&oacute;ria, computadores moleculares e qu&acirc;nticos, e o    desenvolvimento de redes neurais para conectar homens e m&aacute;quinas, transform&aacute;-los    e afirmar que enfim, no processo evolutivo, h&aacute; um futuro p&oacute;s-biol&oacute;gico    e uma outra esp&eacute;cie, composta de mat&eacute;ria org&acirc;nica e inorg&acirc;nica.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/a18img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Em 2000, o artigo da revista <i>Wired</i> intitulado "Por    que o futuro n&atilde;o precisa de n&oacute;s" trouxe um pouco do impacto    disso que emerge com Kurzweil. O autor &eacute; outra dessas figuras que circulam    em meio &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de tecnologia de ponta: Bill Joy, um    dos inventores do sistema Unix e do programa Java, fundador da Sun Microsystems    e um dos coordenadores do comit&ecirc; sobre tecnologia que informava e assessorava    o ex-presidente norte-americano Bill Clinton.</font></P>     <p><font size="3">Joy relata em seu artigo o encontro com Kurzweil durante uma    confer&ecirc;ncia que ocorreu no outono de 1998, e a "tomada de consci&ecirc;ncia"    que isso provocou. O artigo desdobra os riscos do desenvolvimento irrefletido    da tecnologia, aborda a aceita&ccedil;&atilde;o instant&acirc;nea de produtos    tecnol&oacute;gicos em nosso cotidiano, a necessidade de regula&ccedil;&atilde;o    disso e de aten&ccedil;&atilde;o para interesses envolvidos. O texto da <i>Wired</i>    recebeu uma resposta incorporada a um amplo relat&oacute;rio da National Science    Foundation, em 2001, para informar o presidente Bush sobre as implica&ccedil;&otilde;es    sociais da nanoci&ecirc;ncia e da nanotecnologia. </font></P>     <p><font size="3">Publicado tamb&eacute;m pela <i>Wired</i>, com o t&iacute;tulo    sugestivo "Ideas to feed your business: re-engineering the future",    John Seely Brown e Paul Duguid procuram desmerecer o momento cat&aacute;rtico    de Joy, comparando-o ao escritor de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica H.    G. Wells e acusando-o de incorrer em algo perto de um determinismo tecnol&oacute;gico    que desconsidera a exist&ecirc;ncia social. Discuss&otilde;es pontuais &agrave;    parte, vale observar o que Kurzweil tem a capacidade de fazer vir &agrave; tona.    Acima de tudo porque ele fala a partir de um lugar que pode ter a "pretens&atilde;o"    de desenhar, pautar e criar (mais do que prever) o futuro.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O essencial de <i>A era das m&aacute;quinas</i> &eacute;, portanto,    notar como um modo de pensamento – profundamente imbricado na atualidade – opera.    Um <i>modus operandi</i> que n&atilde;o &eacute; restrito (para aqueles que    ainda conseguem ver esferas ou campos separados) &agrave; ci&ecirc;ncia e a    tecnologia, mas que se relaciona com o modo de produ&ccedil;&atilde;o, com o    capitalismo atual, com a pol&iacute;tica. O interessante da obra de Kurzweil    &eacute; nos fazer pensar, por exemplo, na frase da p&aacute;gina 60: "Atrav&eacute;s    do Projeto Genoma Humano, estamos no processo de escrever o c&oacute;digo de    6 bilh&otilde;es de bits para o c&oacute;digo gen&eacute;tico humano, e estamos    capturando o c&oacute;digo de milhares de outras esp&eacute;cies. Mas a engenharia    reversa para obten&ccedil;&atilde;o do c&oacute;digo de genoma – compreender    como ele funciona – &eacute; um processo lento e laborioso que estamos apenas    iniciando. Enquanto fazemos isso, entretanto, estamos aprendendo a base do processamento    de informa&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, do amadurecimento, do envelhecimento,    e estamos ganhando meios de corrigir e refinar a inven&ccedil;&atilde;o inacabada    da evolu&ccedil;&atilde;o".</font></P>     <p><font size="3">Este livro permite pensar na acelera&ccedil;&atilde;o como parte    de uma l&oacute;gica de funcionamento que desde j&aacute; est&aacute; transformando    o humano. O pr&oacute;prio autor j&aacute; indica que a defini&ccedil;&atilde;o    do que &eacute; humano e do que somos ser&aacute; a principal quest&atilde;o    pol&iacute;tica e filos&oacute;fica do s&eacute;culo XXI. Kurzweil pode errar    em suas previs&otilde;es, mas o que seu livro espelha n&atilde;o &eacute; uma    imagem solit&aacute;ria ou uma voz no meio do vazio. O que vem &agrave; tona    &eacute; uma s&eacute;rie de projetistas como Irving John Good, Marvin Minsky,    Vernor Vinge, Hans Moravec, e at&eacute; Craig Venter, todas as suas empresas,    patentes, financiamentos, debates, disputas e apostas no futuro a ser colonizado.    </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Marta Kanashiro</i></font></P>      ]]></body>
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