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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/noticias.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">BIOLOGIA SINT&Eacute;TICA</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n1/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Patentear o m&aacute;ximo do m&iacute;nimo da vida</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">No final de junho de 2007, aconteceu em Zurique (Su&iacute;&ccedil;a)    o Synthetic Biology 3.0, um congresso cient&iacute;fico internacional que discutiu    os &uacute;ltimos avan&ccedil;os em biologia sint&eacute;tica. Trata-se de uma    &aacute;rea recente de pesquisas ligadas &agrave; engenharia gen&eacute;tica,    que busca construir formas sint&eacute;ticas de vida, partes biol&oacute;gicas    novas ou redefinir sistemas biol&oacute;gicos existentes para a execu&ccedil;&atilde;o    de tarefas espec&iacute;ficas. O evento ocorreu alguns meses ap&oacute;s o cientista    e empres&aacute;rio Craig Venter, fundador e CEO do Craig Venter Institute nos    EUA, entrar com um pedido de patente sobre o m&iacute;nimo de genes necess&aacute;rios    para a cria&ccedil;&atilde;o de um ser vivo sint&eacute;tico. <i>Minimal bacterial    genome</i> &eacute; o nome da patente pedida por Venter sobre o conjunto dos    381 genes da bact&eacute;ria <i>Mycoplasma</i>, considerado por sua equipe o    tamanho m&iacute;nimo de um genoma para se construir um organismo sint&eacute;tico.    Apesar do pedido de patente n&atilde;o deixar claro se um organismo sint&eacute;tico    como esse j&aacute; existe, ele j&aacute; recebeu o apelido de Synthia.</font></P>     <P><font size="3">Diante desse panorama, o <i>ETC Group</i>, uma organiza&ccedil;&atilde;o    da sociedade civil com sede no Canad&aacute;, alerta para a falta de discuss&atilde;o    acerca dessas novas tecnologias. </font></P>     <P><font size="3"> Synthia est&aacute; sendo patenteada pelo que n&atilde;o &eacute;,    pois a patente tamb&eacute;m reivindica todo organismo sint&eacute;tico constru&iacute;do,    faltando, pelo menos, 55 dos 101 genes que o grupo de Venter determinou como    "n&atilde;o essenciais". Ou seja, para n&atilde;o se enquadrar nessa    patente, o organismo constru&iacute;do tem de ter, no m&iacute;nimo, 47 genes    considerados desnecess&aacute;rios. Essa quest&atilde;o faz Kathy Jo Wetter,    membro do ETC Group perguntar se, no caso de algu&eacute;m criar um organismo    sint&eacute;tico em que faltem alguns dos genes que faltam em Synthia, este    tamb&eacute;m poder&aacute; ser processado por Venter.</font></P>     <P><font size="3">Quase ironicamente, Venter negou as especula&ccedil;&otilde;es    de que j&aacute; houvesse produzido uma bact&eacute;ria sint&eacute;tica, dizendo    que esse feito ainda levaria "semanas ou meses". Tal pronunciamento    se deu em uma entrevista coletiva ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o de    um artigo na <i>Science</i> onde Venter e sua equipe anunciou o transplante    do genoma da bact&eacute;ria <i>Mycoplasma mycoides</i> para a <i>Mycoplasma    capricolum</i>, resultando em c&eacute;lulas id&ecirc;nticas &agrave; doadora,    passo importante para criar um organismo a partir do zero.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">O <i>ETC Group</i> defende o envolvimento de toda a sociedade    na discuss&atilde;o e condena a tentativa dos cientistas e industriais de elaborar    um c&oacute;digo de conduta para auto-regular o seu trabalho . </font></P>     <P><font size="3"><b>MUDAN&Ccedil;A NA TEORIA DO GENE</b> Outro acontecimento    recente e importante no mundo da biotecnologia, relatado no <i>The New York    Times</i>, de 1 de julho, por Denise Caruso, &eacute; a divulga&ccedil;&atilde;o    das descobertas de um cons&oacute;rcio de cientistas, num esfor&ccedil;o de    35 grupos de 80 organiza&ccedil;&otilde;es em torno do mundo, nas quais contestam    o entendimento de que o genoma humano seja uma cole&ccedil;&atilde;o de genes    independentes. Dessa forma cairia por terra algo institucionalizado em 1976,    ano de funda&ccedil;&atilde;o da primeira companhia de biotecnologia. </font></P>     <P><font size="3">Al&eacute;m disso, o pr&oacute;prio Venter publicou, em setembro    &uacute;ltimo, um artigo revelando ter seq&uuml;enciado seu pr&oacute;prio DNA,    estudo que revelou que a varia&ccedil;&atilde;o nos genes de um indiv&iacute;duo    &eacute; maior do que se previa. Em pelo menos 44% dos genes do cientista as    c&oacute;pias herdadas de seu pai e de sua m&atilde;e diferem entre si. </font></P>     <P><font size="3">O que pode significar, no momento em que se patenteia Synthia,    a publica&ccedil;&atilde;o de tal trabalho? </font></P>     <P><font size="3">Diante dessas novas descobertas na &aacute;rea da biotecnologia,    lembro-me que, quando crian&ccedil;a, brincava de colocar &aacute;gua de uma    lagoa em frascos, esperar crescer larvas e dizer aos adultos que eram "alguns    bichos que eu estava criando". Com as novidades na "arte do patenteamento",    penso nas indica&ccedil;&otilde;es do cientista Buckminster Fuller – que utilizou    o sistema de patentes de uma maneira muito peculiar, visando proteger suas inven&ccedil;&otilde;es    para que se tornassem p&uacute;blicas – de que &eacute; preciso ter os melhores    advogados, e que a patente se sustenta pela forma como &eacute; escrita. Pena    n&atilde;o ter um bom advogado na &eacute;poca que "fabricava" minhas    larvas. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Rafael Alves da Silva</i></font></P>      ]]></body>
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