<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252008000100024</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Memória do carnaval paulistano em livro]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Valente]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luciano]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<volume>60</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>57</fpage>
<lpage>59</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252008000100024&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252008000100024&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252008000100024&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/a24img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="4"><b>HIST&Oacute;RIA</b> </font></P>     <P><font size="4"><b>M<SMALL>EM&Oacute;RIA DO CARNAVAL PAULISTANO EM LIVRO</small></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Farto em fotos e depoimentos, o livro <i>Carnaval em branco    e negro</i> re&uacute;ne a mem&oacute;ria do carnaval paulistano no s&eacute;culo    XX e mostra como a folia constr&oacute;i e &eacute; constru&iacute;da pela cidade.    "A fotografia &eacute; a prova da verdade". A m&aacute;xima do sambista    "seo" Zezinho, fundador do cord&atilde;o Camisa Verde e hoje falecido,    foi ouvida pela pesquisadora Olga Rodrigues de Moraes von Simson quando colhia    depoimentos para construir um panorama hist&oacute;rico do carnaval paulistano    para sua tese de doutorado. Esse material, publicado quase quinze anos depois,    em 2007, serviu para compor uma hist&oacute;ria muito fragmentada, quase que    restrita &agrave;s lembran&ccedil;as dos velhos patriarcas do samba paulista.    </font></P>     <p><font size="3">A publica&ccedil;&atilde;o apresenta um estudo rico em detalhes    sobre o carnaval paulistano entre 1914 e 1988, em que a vida da cidade, a forma&ccedil;&atilde;o    de seus bairros e o seu crescimento s&atilde;o refletidos e se refletem na folia.    Inclui, tamb&eacute;m, um &aacute;lbum com quase cem fotografias, grande parte    proveniente do acervo pessoal dos que foram ouvidos pela autora. Inicialmente    Olga n&atilde;o pretendia trabalhar com fotos, mas como se mostraram importantes    para ativar a lembran&ccedil;a dos sambistas e dos fundadores de escolas de    samba e, a partir da frase ouvida de "seo" Zezinho, ela reconsiderou    a decis&atilde;o inicial e passou a pedir que todos trouxessem fotografias.    A pesquisadora se viu com um acervo muito rico, que se tornou parte fundamental    do trabalho. Um &aacute;lbum de fotos nas p&aacute;ginas finais do livro permite    ao leitor consultar as refer&ecirc;ncias contidas no texto. O trabalho de restaura&ccedil;&atilde;o    das fotos foi realizado com o Museu da Imagem e do Som (MIS) de S&atilde;o Paulo.    </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/a24img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>HIST&Oacute;RIA ORAL</b> O projeto de Olga, tamb&eacute;m diretora do Centro    de Mem&oacute;ria da Universidade Estadual da Campinas (Unicamp), foi feito    com a metodologia conhecida como hist&oacute;ria oral, que busca recolher o    fato hist&oacute;rico por meio de informa&ccedil;&otilde;es obtidas nas entrevistas.    Para ela, essa era a &uacute;nica forma de construir a mem&oacute;ria do carnaval    paulistano, pois quase n&atilde;o existiam publica&ccedil;&otilde;es sobre ele.    O resultado final mostra a evolu&ccedil;&atilde;o de uma festa popular atrelada    ao panorama socioecon&ocirc;mico da cidade. </font></P>     <p><font size="3">Em textos e fotos, o livro mostra o carnaval "branco"    do in&iacute;cio do s&eacute;culo, que seguia os moldes dos bailes de m&aacute;scaras    venezianos. Ele acontecia principalmente nos bairros do Br&aacute;s, Lapa e    &Aacute;gua Branca, organizado pelos comerciantes imigrantes que ali residiam    e imprimiam um cunho muito familiar &agrave;s festas. "Este carnaval morreu    ap&oacute;s a Segunda Guerra. Os bairros cresceram, as pessoas se mudaram e    as comunidades se desfizeram", conta Olga. </font></P>     <p><font size="3">Paralelamente &agrave; esse, havia o carnaval "negro",    com cunho de "afirma&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica", considera a    pesquisadora. Ele ocorria quase que escondido, nos bairros ent&atilde;o perif&eacute;ricos    da cidade, como Barra Funda e Bexiga, criado por associa&ccedil;&otilde;es de    amigos/vizinhos, formando pequenos desfiles, conhecidos como cord&otilde;es,    onde se misturava elementos do carnaval dos "brancos" com as influ&ecirc;ncias    da umbanda e tradi&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o negra. </font></P>     <p><font size="3">Por n&atilde;o contar com muitos recursos, o carnaval "negro"    enfatizava a dan&ccedil;a e a m&uacute;sica, deixando o aspecto visual (caracter&iacute;stica    do "branco") um pouco em segundo plano. Essa caracter&iacute;stica    mais criativa do carnaval popular &eacute; um dos pontos ressaltados pelo livro.    Com o passar do tempo, os grupos perceberam que o carnaval era uma oportunidade    de afirmar-se na sociedade urbana. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/a24img03.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>A COR DO CARNAVAL</b> O livro mostra a evolu&ccedil;&atilde;o    desse cen&aacute;rio e como os cord&otilde;es passaram de, relegados a segundo    plano, a figura central do carnaval oficial de S&atilde;o Paulo. Como soci&oacute;loga,    Olga considera o carnaval paulista interessante. "Por n&atilde;o ter sido    valorizado pelo turismo, ele foi muito isolado e se conservou negro, mantido    pelas comunidades originais at&eacute; o fim da d&eacute;cada de 1980".    </font> </P>     <p><font size="3">Segundo ela, os patriarcas do carnaval tinham consci&ecirc;ncia    dessa fun&ccedil;&atilde;o de afirma&ccedil;&atilde;o social. Dion&iacute;zio    Barbosa, fundador do primeiro cord&atilde;o em 1914, chamado "Grupo Carnavalesco    da Barra Funda", contou em sua entrevista: "Eu plantei para eles colherem,    eu fui um ‘palha&ccedil;o de rua’, mas hoje meus filhos, netos e sobrinhos est&atilde;o    todos encaminhados: uns no banco, outros na prefeitura, outros nos escrit&oacute;rios".    </font></P>     <p><font size="3">Da reflex&atilde;o do sambista, que entrevistou meses antes    de sua morte, Olga conclui que "ele tinha consci&ecirc;ncia de que o carnaval    foi importante na afirma&ccedil;&atilde;o dos negros naquela cidade t&atilde;o    discriminadora". Al&eacute;m da criatividade, contribuiu para que o carnaval    negro se firmasse como predominante justamente sua vertente &eacute;tnica, o    que os soci&oacute;logos chamam de resist&ecirc;ncia inteligente. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os negros perceberam que podiam usar o espa&ccedil;o da cultura    para se opor &agrave; domina&ccedil;&atilde;o branca e buscar espa&ccedil;o    na sociedade brasileira. Assim como as escolas de samba atuais, os cord&otilde;es    organizavam as atividades de lazer para a comunidade durante o ano, que serviam    para gerar recursos para os desfiles e, tamb&eacute;m, de espa&ccedil;o para    celebrar a cultura negra. Se confundindo com a pr&oacute;pria identidade do    brasileiro, o livro mostra que o ritmo e a festa do carnaval surgem e evoluem    juntamente com o cotidiano e a sociedade tupiniquim. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Luciano Valente</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n1/a24img04.jpg"></P>      ]]></body>

</article>
