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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/mundo.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a08img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">P<small>RESERVA&Ccedil;&Atilde;O</small> C<small>ULTURAL</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n2/line_bk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Arca dos tesouros gastron&ocirc;micos amea&ccedil;ados de    extin&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">De acordo com uma funda&ccedil;&atilde;o italiana ligada &agrave;    biodiversidade alimentar, a Europa perdeu 75% de sua diversidade de alimentos    desde 1900 e o continente americano perdeu mais de 90% nesse mesmo per&iacute;odo.    Para defender a heran&ccedil;a da biodiversidade agr&iacute;cola e das tradi&ccedil;&otilde;es    gastron&ocirc;micas ainda existentes no mundo, surgiu a id&eacute;ia da Arca    do Gosto, um recipiente metaf&oacute;rico de duplo sentido: por um lado, lembra    a embarca&ccedil;&atilde;o de No&eacute;, ao se propor a salvar os gostos amea&ccedil;ados    pelo dil&uacute;vio representado pela padroniza&ccedil;&atilde;o industrial,    pelas leis de higiene, pelas regula&ccedil;&otilde;es de distribui&ccedil;&atilde;o    em larga escala e pelos danos ambientais; e por outro, simboliza os antigos    ba&uacute;s que guardam tesouros esquecidos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O projeto dessa Arca surgiu no primeiro Sal&atilde;o do Gosto,    em 1996, na cidade italiana de Turim. O evento, que acontece a cada dois anos,    re&uacute;ne mais de 150 mil pessoas, entre chefes de cozinha, especialistas    em vinhos e pequenos produtores de alimentos de todo o mundo. Esse &eacute;    um dos encontros organizados pelo movimento Slow Food, que surgiu na It&aacute;lia    em 1989 e j&aacute; se espalhou por dezenas de pa&iacute;ses, incluindo o Brasil.    O nome do movimento faz parecer que se trata de uma mera contraposi&ccedil;&atilde;o    &agrave; pressa da alimenta&ccedil;&atilde;o nos <i>fast food</i>, que se espalharam    por todas as grandes cidades do mundo globalizado, mas seus projetos envolvem    desde preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais at&eacute; a compensa&ccedil;&atilde;o    do trabalho dos produtores de alimentos. E, no caso da Arca do Gosto, o tesouro    gastron&ocirc;mico mundial.</font></p>     <p><font size="3">A Arca &eacute; um cat&aacute;logo que identifica, localiza,    descreve e divulga sabores de produtos previamente definidos por uma comiss&atilde;o    cient&iacute;fica. J&aacute; s&atilde;o 750 produtos de todo o mundo catalogados,    incluindo 11 do Brasil, todos dispon&iacute;veis no site da Slow Food Foundation    for Biodiversity (<i><a href="http://www.slowfoodfoundation.org" target="_blank">www.slowfoodfoundation.org</a></i>),    criada em 2003 para dar suporte aos projetos do movimento em defesa da biodiversidade    agr&iacute;cola e das tradi&ccedil;&otilde;es gastron&ocirc;micas. Al&eacute;m    das qualidades gastron&ocirc;micas, como cheiro, sabor e textura, os crit&eacute;rios    para selecionar os produtos para a Arca incluem a sua liga&ccedil;&atilde;o    &agrave; mem&oacute;ria e identidade de um grupo, a sua produ&ccedil;&atilde;o    por pequenos grupos familiares ou sua transforma&ccedil;&atilde;o artesanal    de pequeno porte, e o seu risco real ou potencial de extin&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">No Brasil, a comiss&atilde;o cient&iacute;fica da Arca do Gosto    &eacute; formada por agr&ocirc;nomos, nutricionistas, chefes de cozinha, entre    outros profissionais ligados &agrave; &aacute;rea. Entre os produtos brasileiros    que esses especialistas elegeram para compor a Arca e que j&aacute; foram catalogados    est&atilde;o o pirarucu e o baba&ccedil;u. O primeiro &eacute; afetado pela    desestabiliza&ccedil;&atilde;o do balan&ccedil;o do ecossistema de lagos da    bacia hidrogr&aacute;fica amaz&ocirc;nica causada pelo processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o    acelerado, que diminuiu os estoques naturais deste, que &eacute; um dos maiores    peixes de escamas do mundo. E o segundo, pela apropria&ccedil;&atilde;o ilegal    da terra por grandes empresas e pelo aumento de cultivo de soja em grandes monoculturas    industriais, que amea&ccedil;am a produ&ccedil;&atilde;o do coco de baba&ccedil;u.    Mas a cataloga&ccedil;&atilde;o, por si s&oacute;, n&atilde;o pode reverter    essa situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a08img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">"N&atilde;o podemos superestimar o papel da Arca do Gosto. Os    problemas s&atilde;o extremamente complexos e seria necess&aacute;rio a mobiliza&ccedil;&atilde;o    de toda a sociedade civil e dos governantes para resolv&ecirc;-los", diz a cientista    de alimentos Roberta Marins de S&aacute;, do Minist&eacute;rio do Desenvolvimento    Agr&aacute;rio, presidente da comiss&atilde;o brasileira da Arca do Gosto e    coordenadora dos projetos do Slow Food no Brasil. No caso do baba&ccedil;u,    ela conta que h&aacute; um trabalho hist&oacute;rico de valoriza&ccedil;&atilde;o    do produto e das comunidades, envolvendo milhares de mulheres quebradeiras de    coco de baba&ccedil;u na luta pelos direitos de acesso aos recursos naturais,    conserva&ccedil;&atilde;o e uso sustent&aacute;vel dos baba&ccedil;uais e pela    Lei do Baba&ccedil;u Livre. Trata-se do PL 231/2007, proposto pelo deputado    Domingos Dutra (PT-MA) – que &eacute; filho de uma quebradeira de coco do Maranh&atilde;o    –, que pro&iacute;be a derrubada da palmeira de baba&ccedil;u em seis estados    e cria regras para a explora&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie. O PL foi aprovado    pela Comiss&atilde;o de Meio Ambiente da C&acirc;mara dos Deputados em agosto    do ano passado, mas ainda precisa passar pelo plen&aacute;rio da C&acirc;mara    e do Senado e ser sancionado pelo presidente Lula.</font></p>     <p><font size="3">"O Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Baba&ccedil;u    e a Associa&ccedil;&atilde;o em &Aacute;reas de Assentamento no estado do Maranh&atilde;o    s&atilde;o os maiores respons&aacute;veis pelos avan&ccedil;os j&aacute; obtidos    nessa &aacute;rea", afirma Roberta. "A Arca se soma a muitas outras a&ccedil;&otilde;es,    principalmente as que j&aacute; est&atilde;o sendo desenvolvidas pelas comunidades    envolvidas com o produto, e o seu objetivo principal &eacute; divulgar que esses    produtos existem, que t&ecirc;m valores gastron&ocirc;micos, culturais, sociais    e ambientais envolvidos com a sua produ&ccedil;&atilde;o e consumo e que est&atilde;o    sendo negligenciados em detrimento de um suposto progresso e desenvolvimento",    completa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Rodrigo Cunha</i></font></p>     ]]></body>
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