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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/mundo.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A<small>RTE-CI&Ecirc;NCIA</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n2/line_bk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Simp&oacute;sio na Inglaterra coloca pesquisas de sa&uacute;de    e medicina como campo de possibilidades nas artes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Arte-ci&ecirc;ncia n&atilde;o precisam ser campos distintos    e rigidamente separados, pois possuem hist&oacute;rias em comum, bastando recorrer    &agrave; figura de Leonardo da Vinci para nos lembrar sobre essa proximidade.    N&atilde;o s&oacute; da Vinci, mas os artistas renascentistas contribuiram,    em muito, com a ci&ecirc;ncia e a medicina da &eacute;poca. Durante os &uacute;ltimos    s&eacute;culos, por&eacute;m, um lento processo distanciou os pontos de converg&ecirc;ncia    dessas grandes &aacute;reas do conhecimento. Agora, gra&ccedil;as a diversos    "agitadores culturais", as rela&ccedil;&otilde;es e di&aacute;logos entre essas    duas &aacute;reas t&ecirc;m se tornado cada vez mais comuns. </font></p>     <p><font size="3">Anna Dumitriu, artista pl&aacute;stica inglesa, &eacute; uma    dessas agitadoras. Junto com o grupo Hybrid, ela promove na Inglaterra, em maio,    o simp&oacute;sio "New sensations – art, science and healthcare" (Novas sensa&ccedil;&otilde;es    – arte, ci&ecirc;ncia e sa&uacute;de), no qual a discuss&atilde;o sobre o tema    &eacute; recortado introduzindo-se novas pr&aacute;ticas na medicina e em sa&uacute;de    que incluem artistas, cientistas e sociedade.</font></p>     <p><font size="3"><b>ARTE, CI&Ecirc;NCIA E SOCIEDADE</b> Anna trabalha junto ao    Centro de Neuroci&ecirc;ncia e Rob&oacute;tica Computacional (CCNR, na sigla    em ingl&ecirc;s) em uma fun&ccedil;&atilde;o que j&aacute; foi ocupada pelo    artista pl&aacute;stico Stelarc e, assim como seu famoso predecessor, ela se    envereda pela discuss&atilde;o sobre tecnologia e bio&eacute;tica, tentando    trazer para o centro dos debates vis&otilde;es distintas que podem contruibuir,    mesmo que informalmente, para um movimento que parece ser global. "Acho que    artistas s&atilde;o inovadores, ent&atilde;o, se uma nova tecnologia ou m&iacute;dia    se torna dispon&iacute;vel, eles tendem a test&aacute;-la, experiment&aacute;-la    e ver quais s&atilde;o seus limites. Isso tamb&eacute;m faz com que esses artistas,    teoricamente, tragam considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas e morais sobre    os avan&ccedil;os da ci&ecirc;ncia, comuniquem suas id&eacute;ias e ampliem    o debate com a sociedade" afirma. Anna &eacute; uma das artistas que contribui    com o grupo Hybrid, fundado h&aacute; nove anos por Mandee Gage, que tenta conciliar    pesquisas atuais em tecnologia, medicina e ci&ecirc;ncias naturais, al&eacute;m    de trabalhar colaborativamente com cientistas em busca de inova&ccedil;&otilde;es    que sejam traduzidas em artes visuais, instala&ccedil;&otilde;es, performances    ou outras formas art&iacute;sticas. Uma das caracter&iacute;sticas do grupo    &eacute; transformar essas exibi&ccedil;&otilde;es e colabora&ccedil;&otilde;es    em discuss&otilde;es com a sociedade, atrav&eacute;s de f&oacute;runs e simp&oacute;sios,    como o atual "New sensations". "Isso cria uma oportunidade para os praticantes    da arte e da ci&ecirc;ncia expandirem seus horizontes e compartilharem id&eacute;ias,    influ&ecirc;ncias e descobertas", afirma a artista pl&aacute;stica. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a10img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a10img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>O HOSPITAL COMO CAMPO DE APROXIMA&Ccedil;&Atilde;O</b> O    terceiro piv&ocirc; da discuss&atilde;o arte-ci&ecirc;ncia indicado no t&iacute;tulo    do simp&oacute;sio, que acontece na galeria TactileBosh em Cardiff, &eacute;    carregado de significados. Falar de sa&uacute;de &eacute; falar do ponto onde    ci&ecirc;ncia e corpo (o indiv&iacute;duo) se encontram. De acordo com Anna,    a fascina&ccedil;&atilde;o pelo tema "corpo" &eacute; tema recorrente na arte    desde a idade das pedras, e com os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos estamos    agora mais aptos a entender essa quest&atilde;o sob nova &oacute;tica. O ponto    de partida, ou o de encontro entre ci&ecirc;ncia e corpo, ser&aacute; o ambiente    m&eacute;dico-hospitalar. </font></p>     <p><font size="3">O trabalho de Heather Barnett aborda diretamente o tema. Onde    estaria o ideal de beleza na representa&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea m&eacute;dica    e por que algumas representa&ccedil;&otilde;es das formas naturais seriam universalmente    aceitas e esteticamente mais "belas", enquanto outras s&atilde;o consideradas    feias e pouco agrad&aacute;veis? A quest&atilde;o de Heather &eacute; se a arte    presente em um hospital &eacute; apenas uma distra&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica    ou se &eacute; poss&iacute;vel us&aacute;-la para que dialogue e se aproprie    da medicina para derrubar barreiras que o aparato m&eacute;dico pode causar,    transformando o espa&ccedil;o da medicina em um espa&ccedil;o que contemple    a criatividade e o pensamento cr&iacute;tico. </font></p>     <p><font size="3">O espa&ccedil;o tamb&eacute;m &eacute; o tema que Anna vai discutir    em "The normal flora project". Esta sua s&eacute;rie de obras rev&ecirc; o senso    comum que diz que as bact&eacute;rias devem ser eliminadas do nosso entorno,    associando isso &agrave; limpeza e sa&uacute;de. Ao contr&aacute;rio, como ela    mesma descobriu ao conversar com microbiologistas do Eastbourne District General    Hospital, essas bact&eacute;rias compartilham de nosso ecossistema, al&eacute;m    de conviver harmonicamente conosco em nosso pr&oacute;prio organismo; e viver    em um espa&ccedil;o totalmente ass&eacute;ptico &eacute; que poderia trazer    s&eacute;rias complica&ccedil;&otilde;es. Mais do que limpeza, a total assepsia    estaria mais ligada a um ideal de sublime, talvez o mesmo sublime associado    ao branco reluzente dos aventais m&eacute;dicos, por exemplo.</font></p>     <p><font size="3">Outros trabalhos partem de premissas diferentes. A artista Luciana    Haill, por exemplo, transforma sinais de seu c&eacute;rebro, captados por um    eletroencefalograma, em sons amplificados e performances, tentando se comunicar    com o p&uacute;blico por via de sensores que, geralmente, s&oacute; fazem sentido    com explica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">E as rela&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico com a ci&ecirc;ncia    e a medicina se modificam ap&oacute;s o contato com a arte? De acordo com Anna,    sim. Dentro desse hibridismo proposto pelo grupo, "abre-se um debate e cria-se    um espa&ccedil;o onde pessoas de todas as esferas do conhecimento podem expressar    suas id&eacute;ias abertamente". Atrav&eacute;s do trabalho colaborativo, a    barreira entre a obra de arte e o p&uacute;blico s&atilde;o normalmente quebradas,    acredita. A artista recorre &agrave; te&oacute;rica Suzi Gablick, para ilustrar    seu ponto de vista: "existe uma mudan&ccedil;a que distingue o local da criatividade    do indiv&iacute;duo aut&ocirc;nomo, auto-contido para um novo modelo dial&oacute;gico    e que n&atilde;o &eacute; mais produto de uma &uacute;nica pessoa, mas resultado    de um processo colaborativo e interdependente".</font></p>     <p><font size="3">Talvez por isso Anna fa&ccedil;a quest&atilde;o de suprimir    o uso da conjun&ccedil;&atilde;o "e", apelando para o termo arte-ci&ecirc;ncia,    o que pode ser interpretado como indicativo de aproxima&ccedil;&atilde;o dos    dois campos sem uma rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Enio Rodrigo Barbosa</i></font></p>      ]]></body>

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