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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/expanima.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>ANIMAIS TRANSG&Ecirc;NICOS – NOVA FRONTEIRA DO SABER</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Lygia da Veiga Pereira</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><font size=5><b>A</b></font>nimais transg&ecirc;nicos (ou    geneticamente modificados) s&atilde;o poderosas ferramentas de pesquisa para    a descoberta e o desenvolvimento de novos tratamentos para v&aacute;rias doen&ccedil;as    humanas. Al&eacute;m disso, a transgenia em animais de grande porte representa    uma importante aplica&ccedil;&atilde;o biotecnol&oacute;gica no sentido de se    produzir em grande escala prote&iacute;nas de interesse comercial. Neste artigo    ser&atilde;o discutidos as bases da tecnologia e seu uso em pesquisas b&aacute;sica    e aplicada.</font></p>     <p><font size="3"><B>O QUE &Eacute; UM ANIMAL TRANSG&Ecirc;NICO? </b>Uma defini&ccedil;&atilde;o    de animal transg&ecirc;nico &eacute; aquele com mol&eacute;culas de DNA recombinante    ex&oacute;genas introduzidas em seu genoma por interven&ccedil;&atilde;o humana.    A t&eacute;cnica foi desenvolvida no final da d&eacute;cada de 1970 em camundongos,    o mam&iacute;fero cujo genoma &eacute;, at&eacute; hoje, o mais facilmente manipul&aacute;vel.    Atualmente, a transgenia permite tanto a transfer&ecirc;ncia de DNA ex&oacute;geno    para o animal, atrav&eacute;s da t&eacute;cnica de microinje&ccedil;&atilde;o    pronuclear, quanto a altera&ccedil;&atilde;o de DNA j&aacute; existente no animal,    atrav&eacute;s da recombina&ccedil;&atilde;o hom&oacute;loga em c&eacute;lulas-tronco    embrion&aacute;rias (c&eacute;lulas ES – do ingl&ecirc;s <I>embryonic stem</I>).</font></p>     <p><font size="3">Como o nome sugere, a microinje&ccedil;&atilde;o pronuclear    consiste na inje&ccedil;&atilde;o de uma solu&ccedil;&atilde;o de DNA, contendo    o transgene de interesse, no pron&uacute;cleo de um &oacute;vulo rec&eacute;m-fertilizado.    Esta metodologia faz com que v&aacute;rias c&oacute;pias do transgene injetado    se integrem em tandem em um s&iacute;tio aleat&oacute;rio no genoma e sejam    transmitidas de forma mendeliana. O transgene deve conter todos os elementos    de um gene (promotor, regi&atilde;o codificante, s&iacute;tio de adi&ccedil;&atilde;o    de cauda poli-A), por&eacute;m, deve ser constru&iacute;do por t&eacute;cnicas    de DNA recombinante de forma a responder alguma pergunta biol&oacute;gica. Assim,    o transgene pode ser utilizado para super-expressar um gene de interesse em    tecidos espec&iacute;ficos do camundongo – ao avaliarmos as consequ&ecirc;ncias    desta super-express&atilde;o, poderemos inferir a fun&ccedil;&atilde;o daquele    gene. Por outro lado, o transgene pode ser utilizado para estudarmos regi&otilde;es    promotoras, atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o de um transgene com a    regi&atilde;o em quest&atilde;o dirigindo a express&atilde;o de um gene rep&oacute;rter    (lacZ ou GFP, por exemplo). Al&eacute;m disso, a microinje&ccedil;&atilde;o    pronuclear tem sido utilizada para a gera&ccedil;&atilde;o de modelos animais    para v&aacute;rias doen&ccedil;as gen&eacute;ticas dominantes, incluindo osteogenesis    imperfecta, atrav&eacute;s da inser&ccedil;&atilde;o de um alelo mutado, o transgene,    no genoma do camundongo.</font></p>     <p><font size="3">Apesar de ser uma importante ferramenta de pesquisa, esse m&eacute;todo    apresenta algumas limita&ccedil;&otilde;es. Por causa do s&iacute;tio aleat&oacute;rio    de integra&ccedil;&atilde;o do transgene, este poder&aacute; n&atilde;o estar    sob o controle de todos os elementos em cis (no mesmo cromossomo) que controlam    a express&atilde;o do gene end&oacute;geno. Assim, a express&atilde;o temporal    e espacial do transgene n&atilde;o seguir&aacute; o padr&atilde;o de express&atilde;o    do gene end&oacute;geno. Al&eacute;m disso, no que diz respeito a modelos de    doen&ccedil;as gen&eacute;ticas, a introdu&ccedil;&atilde;o de um terceiro alelo,    o transgene mutante, cria uma situa&ccedil;&atilde;o artificial no que diz respeito    &agrave; propor&ccedil;&atilde;o entre os transcritos normais e mutantes. Enquanto    uma pessoa com uma doen&ccedil;a gen&eacute;tica dominante possui um alelo normal    e um mutado, o camundongo transg&ecirc;nico possuir&aacute; os dois alelos end&oacute;genos    normais e diversas c&oacute;pias do alelo mutante (transgene). Esta propor&ccedil;&atilde;o    pode ser cr&iacute;tica em doen&ccedil;as suscet&iacute;veis a efeitos de dosagem    g&ecirc;nica.</font></p>     <p><font size="3"><b>MANIPULA&Ccedil;&Atilde;O DO GENOMA DO CAMUNDONGO ATRAV&Eacute;S    DE C&Eacute;LULAS ES </b>Recentemente, a combina&ccedil;&atilde;o do cultivo    de c&eacute;lulas ES e da recombina&ccedil;&atilde;o hom&oacute;loga resultou    na cria&ccedil;&atilde;o de um m&eacute;todo alternativo e mais preciso para    manipular o genoma do camundongo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Linhagens de c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias s&atilde;o    c&eacute;lulas n&atilde;o diferenciadas, derivadas do bot&atilde;o embrion&aacute;rio    de blastocistos, que t&ecirc;m como caracter&iacute;stica principal a pluripot&ecirc;ncia.    Ou seja, quando reintroduzidas em um blastocisto, as c&eacute;lulas ES possuem    capacidade de retomar o desenvolvimento normal, colonizando diferentes tecidos    do embri&atilde;o, inclu&iacute;da a linhagem germinativa. As c&eacute;lulas    ES podem ser modificadas geneticamente em cultura atrav&eacute;s da recombina&ccedil;&atilde;o    hom&oacute;loga, processo que promove a substitui&ccedil;&atilde;o do alelo    normal de um gene espec&iacute;fico pela vers&atilde;o mutada do mesmo, constru&iacute;da    no laborat&oacute;rio. Dessa forma, s&atilde;o obtidas linhagens de c&eacute;lulas    ES geneticamente modificadas. Estas s&atilde;o agregadas a m&oacute;rulas de    camundongos <I>in vitro </i>e, assim, incorporadas ao embri&atilde;o. Os camundongos    resultantes ser&atilde;o quimeras formadas de c&eacute;lulas do embri&atilde;o    recipiente e das c&eacute;lulas ES recombinantes. Se estas &uacute;ltimas colonizarem    a linhagem germinativa dos animais quim&eacute;ricos, a muta&ccedil;&atilde;o    ser&aacute; ent&atilde;o transmitida &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es    de camundongos, criando uma linhagem de camundongos "nocaute" (onde aquele gene    foi nocauteado).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a17img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A capacidade de modificar regi&otilde;es espec&iacute;ficas    do genoma do camundongo por recombina&ccedil;&atilde;o hom&oacute;loga permite    a cria&ccedil;&atilde;o em potencial de camundongos com qualquer gen&oacute;tipo    desejado. Estes animais s&atilde;o uma ferramenta importante para o estudo de    fun&ccedil;&atilde;o g&ecirc;nica atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o    das conseq&uuml;&ecirc;ncias fenot&iacute;picas da altera&ccedil;&atilde;o do    gene em quest&atilde;o. De fato, com a recente disponibiliza&ccedil;&atilde;o    da seq&uuml;&ecirc;ncia completa do genoma humano, o grande desafio em pesquisas    biom&eacute;dicas passou da identifica&ccedil;&atilde;o de genes para a determina&ccedil;&atilde;o    da fun&ccedil;&atilde;o dos 20 mil a 25 mil genes do nosso genoma. Neste contexto,    a possibilidade de se alterar genes espec&iacute;ficos no genoma do camundongo    permite a investiga&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&atilde;o g&ecirc;nica <I>in    vivo</I>.</font></p>     <p><font size="3"><b>COMO ANIMAIS TRANSG&Ecirc;NICOS CONTRIBUEM PARA NOSSO BEM-ESTAR?    </b>Os benef&iacute;cios do uso de animais transg&ecirc;nicos para o bem-estar    do ser humano s&atilde;o amplos, na medida que eles auxiliam pesquisas que geram    maior conhecimento de biologia humana. Esses conhecimentos, por sua vez, podem    se traduzir em melhora de qualidade de vida humana. Mas os benef&iacute;cios    mais diretos e biotecnol&oacute;gicos do uso de animais transg&ecirc;nicos podem    ser divididos em pelo menos tr&ecirc;s grupos: agricultura, medicina e ind&uacute;stria.    Na agricultura, a transgenia permite a cria&ccedil;&atilde;o de animais de grande    porte com caracter&iacute;sticas comercialmente interessantes, cuja produ&ccedil;&atilde;o    por t&eacute;cnicas cl&aacute;ssicas de cruzamentos e sele&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o extremamente demoradas. Assim, existem vacas transg&ecirc;nicas que    produzem mais leite, ou leite com menos lactose ou colesterol, porcos e gado    transg&ecirc;nicos com mais carne e ovelhas transg&ecirc;nicas que produzem    mais l&atilde;. Al&eacute;m disso, h&aacute; um grande esfor&ccedil;o no sentido    de se produzir animais resistentes a doen&ccedil;as, como a gripe su&iacute;na    ou a febre aftosa em bovinos. Por&eacute;m, isso depender&aacute; da identifica&ccedil;&atilde;o    de genes respons&aacute;veis pela resist&ecirc;ncia a essas doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="3">As aplica&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas s&atilde;o v&aacute;rias    e incluem o pol&ecirc;mico xenotransplante, ou seja, o transplante de &oacute;rg&atilde;os    animais para o ser humano. Estima-se que, a cada ano, s&atilde;o necess&aacute;rios    5 mil &oacute;rg&atilde;os para transplantes nos Estado Unidos, e essa demanda    n&atilde;o &eacute; atendida por doadores. A transgenia vem sendo utilizada    para a cria&ccedil;&atilde;o de porcos imuno-compat&iacute;veis com o ser humano    – atrav&eacute;s da t&eacute;cnica de nocaute, foi produzida uma linhagem de    porcos que n&atilde;o expressa uma prote&iacute;na imunog&ecirc;nica em seres    humanos, e, atualmente, est&aacute; sendo testado o transplante de cora&ccedil;&otilde;es    desses animais para macacos. No entanto, &eacute; importante ressaltar que,    se por um lado o xenotransplante resolveria a quest&atilde;o da disponibilidade    de &oacute;rg&atilde;os para transplantes, ele cria uma outra quest&atilde;o    s&eacute;ria de biosseguran&ccedil;a, criando o risco de transmiss&atilde;o    de pat&oacute;genos su&iacute;nos para o ser humano. Al&eacute;m disso, a transgenia    em animais de grande porte vem sendo utilizada para a produ&ccedil;&atilde;o    de f&aacute;rmacos. Produtos como insulina, horm&ocirc;nio de crescimento e    fator de coagula&ccedil;&atilde;o podem ser obtidos do leite de vacas, cabras    ou ovelhas transg&ecirc;nicas.</font></p>     <p><font size="3">Finalmente, a aplica&ccedil;&atilde;o da transgenia na ind&uacute;stria,    de forma equivalente &agrave; na medicina, visa &agrave; cria&ccedil;&atilde;o    de bio-reatores, animais transg&ecirc;nicos de grande porte produzindo uma prote&iacute;na    de interesse comercial em algum tecido de f&aacute;cil purifica&ccedil;&atilde;o.    Um exemplo &eacute; a cabra transg&ecirc;nica que produz em seu leite uma prote&iacute;na    da teia de aranha. A purifica&ccedil;&atilde;o em grande escala desses pol&iacute;meros    a partir do leite permite a cria&ccedil;&atilde;o de um material leve e flex&iacute;vel    com enorme resist&ecirc;ncia, que poder&aacute; ser usado em aplica&ccedil;&otilde;es    militares (coletes e uniformes a prova de bala) e m&eacute;dicas (fio de sutura),    entre outras.</font></p>     <p><font size="3"><B>NOBEL DE MEDICINA E FISIOLOGIA DE 2007 </b>O Pr&ecirc;mio    Nobel de medicina de 2007 foi dado aos tr&ecirc;s cientistas que em conjunto    criaram a t&eacute;cnica de produzir camundongos nocaute: Oliver Smith, Martin    Evans e Mario Capecchi. O primeiro camundongo nocaute foi anunciado em 1989,    um modelo animal para a doen&ccedil;a de Lesh-Nyham, doen&ccedil;a neurol&oacute;gica    rara que, entre outros sintomas, gera crises de auto-flagela&ccedil;&atilde;o    nas crian&ccedil;as afetadas. Desde ent&atilde;o, essa t&eacute;cnica foi incorporada    por in&uacute;meros grupos de pesquisa no mundo inteiro, que a utilizam para    gerar animais mutantes que auxiliem em suas pesquisas. Hoje, existem camundongos    nocaute para mais de 500 doen&ccedil;as como c&acirc;ncer, diabetes e doen&ccedil;as    neurodegenerativas, que s&atilde;o utilizados para se entender melhor cada uma    dessas doen&ccedil;as, desenvolver e testar novas terapias. Al&eacute;m disso,    um esfor&ccedil;o internacional em andamento pretende mutar cada um dos 20 mil    genes do genoma do camundongo, criando uma cole&ccedil;&atilde;o de animais    nocaute, cada um com um gene diferente alterado. Esses animais mutantes nos    ajudar&atilde;o a entender melhor a biologia do camundongo e, logo, a do ser    humano tamb&eacute;m.</font></p>     <p><font size="3">Em 1994, com o financiamento da Fapesp e do CNPq, montei na    USP um laborat&oacute;rio para criar camundongos nocaute. Al&eacute;m da verba,    tive o privil&eacute;gio de conseguir reunir uma equipe extremamente competente    e dedicada. Em 1999, estabelecemos as primeiras linhagens de c&eacute;lulas-tronco    embrion&aacute;rias de camundongo no pa&iacute;s, e, em 2001, os primeiros camundongos    nocaute completamente<i> made in Brazil </i>– modelos animais para a s&iacute;ndrome    de Marfan, doen&ccedil;a que pode levar &agrave; morte por ruptura da aorta.    Em modelos como os nossos foi desenvolvida uma nova terapia para essa s&iacute;ndrome    que agora est&aacute; sendo testada em pacientes, ilustrando a import&acirc;ncia    desses animais para a sa&uacute;de humana.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Por que demoramos 12 anos para estabelecer essas t&eacute;cnicas    no Brasil, e estamos correndo atr&aacute;s de outros 7 anos de atraso das pesquisas    com c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias humanas? N&atilde;o sei, talvez    por falta de uma pol&iacute;tica de metas mais claras de desenvolvimento cient&iacute;fico    que incentive o estabelecimento de novas linhas de pesquisa no pa&iacute;s.    Sei que o que n&atilde;o falta no Brasil s&atilde;o pesquisadores competentes    e entusiasmados. Precisamos que o governo se entusiasme tamb&eacute;m com a    ci&ecirc;ncia brasileira, e que esse entusiasmo se reflita em financiamento    consistente &agrave; pesquisa, e na legaliza&ccedil;&atilde;o do uso de animais    em experimenta&ccedil;&atilde;o – sem eles a nossa capacidade de fazer ci&ecirc;ncia    ficar&aacute; absolutamente limitada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i>Lygia da Veiga Pereira &eacute; professora associada e chefe    do Laborat&oacute;rio de Gen&eacute;tica Molecular do Departamento de Gen&eacute;tica    e Biologia Evolutiva do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da USP. Email: <a href="mailto:lpereira@usp.br">lpereira@usp.br</a></i></font></p>      ]]></body>
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