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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/expanima.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>CI&Ecirc;NCIA EM ANIMAIS DE LABORAT&Oacute;RIO</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Marcel Frajblat    <br>   Vera L. L&acirc;ngaro Amaral    <br>   Ekaterina A.B. Rivera</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><font size=5><b>H</b></font>&aacute; s&eacute;culos o homem    utiliza animais em experimentos na busca do conhecimento cient&iacute;fico e    benef&iacute;cio para a sa&uacute;de de ambos. Por&eacute;m, durante muito tempo    os animais utilizados foram relegados a um segundo plano dentro do contexto    cient&iacute;fico. Apenas recentemente, percebeu-se a import&acirc;ncia do modelo    animal e seu bem-estar para os resultados de um experimento. Desta forma surgiu    a ci&ecirc;ncia em animais de laborat&oacute;rio, onde o tema principal de estudo    &eacute; o pr&oacute;prio animal que ser&aacute; utilizado na pesquisa e como    este deve ser criado e manipulado. A ci&ecirc;ncia em animais de laborat&oacute;rio    engloba uma s&eacute;rie de &aacute;reas que servem de base para todas as outras    ci&ecirc;ncias que utilizam animais em seus trabalhos. Estas &aacute;reas incluem:    sanidade, gen&eacute;tica, manejo, bem-estar, e educa&ccedil;&atilde;o. O objetivo    deste texto e abordar todas as &aacute;reas com &ecirc;nfase no bem-estar.</font></p>     <p><font size="3">Em uma excelente revis&atilde;o, Baker mostrou como os pat&oacute;genos    comumente presentes em animais de laborat&oacute;rio podem afetar os resultados    de uma pesquisa (1). Esta situa&ccedil;&atilde;o foi exemplificada da seguinte    forma: no in&iacute;cio do s&eacute;culo passado o pesquisador diria que n&atilde;o    pode realizar seu experimento, pois todos os animais est&atilde;o mortos. No    meio do s&eacute;culo passado o pesquisador diria que n&atilde;o pode realizar    seu experimento, pois os animais est&atilde;o doentes. Hoje o pesquisador pode    dizer que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel realizar o experimento porque    seus animais s&atilde;o soropositivos. A produ&ccedil;&atilde;o de animais livres    de pat&oacute;genos espec&iacute;ficos &eacute; uma das metas da ci&ecirc;ncia    em animais de laborat&oacute;rio</font></p>     <p><font size="3">A gen&eacute;tica tem papel fundamental no futuro do uso de    animais de laborat&oacute;rio, pois est&aacute; diretamente ligada a uma produ&ccedil;&atilde;o    cada vez maior de animais geneticamente modificados. Atualmente existem cerca    de 10 mil linhagens de camundongos utilizadas como modelo para estudo das mais    diversas doen&ccedil;as humanas (2). A import&acirc;ncia desta produ&ccedil;&atilde;o    foi reconhecida em 2007, pela concess&atilde;o do Pr&ecirc;mio Nobel de medicina    para os autores que desenvolveram a t&eacute;cnica de altera&ccedil;&atilde;o    do genoma murino. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Novas tecnologias em instala&ccedil;&otilde;es e alojamentos,    como barreiras sanit&aacute;rias, estantes ventiladas e caixas com ventila&ccedil;&atilde;o    individual, s&atilde;o modifica&ccedil;&otilde;es que foram desenvolvidas com    o objetivo de melhorar o manejo e cria&ccedil;&atilde;o dos animais. &Eacute;    importante salientar que o bem-estar animal foi considerado para o desenvolvimento    dessas inova&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="3"><B>BEM-ESTAR ANIMAL </b>A evolu&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia    e os constantes questionamentos sobre o uso de animais em experimenta&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica alteraram as rela&ccedil;&otilde;es entre o ser humano e os    animais, transformando o bem-estar animal em uma importante &aacute;rea de estudo.    A ci&ecirc;ncia de animais de laborat&oacute;rio considera o bem-estar animal    como um dos principais fatores que podem influenciar o resultado de um experimento    e valoriza o uso &eacute;tico dos animais retomando o principio dos tr&ecirc;s    R's desenvolvido por Russell e Burch: refinamento, redu&ccedil;&atilde;o e substitui&ccedil;&atilde;o    (3).</font></p>     <p><font size="3"> O termo bem-estar pode ter diversas interpreta&ccedil;&otilde;es    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua defini&ccedil;&atilde;o de acordo com    situa&ccedil;&otilde;es e caracter&iacute;sticas individuais das esp&eacute;cies.    O bem-estar de um indiv&iacute;duo &eacute; o seu estado em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s suas tentativas de adaptar-se ao seu ambiente (4), por&eacute;m &eacute;    importante salientar que este conceito est&aacute; relacionado a um dado momento    ou fase da vida pelo qual aquele ser est&aacute; passando. O bem-estar deve    ser definido de forma que permita rela&ccedil;&atilde;o com outros conceitos,    tais como: necessidades, liberdade, adapta&ccedil;&atilde;o, felicidade, capacidade    de previs&atilde;o, sofrimento, dor, ansiedade, medo, t&eacute;dio, estresse    e sa&uacute;de (5).</font></p>     <p><font size="3">Para mensurar o bem-estar animal &eacute; fundamental entender    o universo artificial onde este est&aacute; contido e compreender aspectos da    anatomia, fisiologia, etologia e manejo das esp&eacute;cies em quest&atilde;o.    A partir desse conhecimento &eacute; gerada uma s&eacute;rie de obriga&ccedil;&otilde;es    &eacute;ticas que certamente favorecer&atilde;o o bem-estar dos animais de laborat&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="3"><B>FATORES QUE AFETAM O BEM-ESTAR DOS ANIMAIS </b>Uma s&eacute;rie    de fatores, f&iacute;sicos, qu&iacute;micos ou microbiol&oacute;gicos (<a href="#fig01">figura    1</a>) pode iniciar um desequil&iacute;brio fisiol&oacute;gico nos animais e    conseq&uuml;entemente aumentar ou diminuir o bem-estar, principalmente pela    situa&ccedil;&atilde;o de confinamento e impossibilidade de resolver situa&ccedil;&otilde;es    indesej&aacute;veis. Um ambiente adequado para manuten&ccedil;&atilde;o de animais    de laborat&oacute;rio &eacute; necess&aacute;rio, pois essas esp&eacute;cies    s&atilde;o sistemas biol&oacute;gicos sens&iacute;veis a fatores internos e    externos.</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a19fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A &aacute;rea destinada ao alojamento &eacute; um exemplo, pois    deve levar em conta as necessidades b&aacute;sicas do animal. Um dos requisitos    principais &eacute; o espa&ccedil;o suficiente para a realiza&ccedil;&atilde;o    de movimentos corporais normais e livre acesso &agrave; &aacute;gua e alimento.    O estresse causado por excesso de animais confinados ou o isolamento pode causar    altera&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas e comportamentais que certamente    influenciar&atilde;o na resposta ao experimento. Ambientes mais est&aacute;veis,    livres de odores indesej&aacute;veis, limpos, com luminosidade e temperatura    ideais e isentos de microorganismos patog&ecirc;nicos, s&atilde;o cientificamente    mais aceitos e favorecem o bem-estar animal (6). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O manejo di&aacute;rio, mais que os procedimentos experimentais,    pode interferir de forma acentuada no favorecimento ou diminui&ccedil;&atilde;o    do bem-estar dos animais. Portanto, &eacute; fundamental que as pessoas que    est&atilde;o diariamente envolvidos nas atividades di&aacute;rias do manejo    dos animais tenham conhecimento e treinamento para suas atividades.</font></p>     <p><font size="3">Apesar de d&eacute;cadas de pesquisa nesta &aacute;rea, o conceito    de estresse animal ainda continua indefinido. Moberg, observou que a capacidade    de definir e medir o estresse imposto aos animais proporcionou uma ferramenta    para entender e prevenir as causas que alteram o bem-estar geral (7). O fen&ocirc;meno    &eacute; usualmente vinculado a uma profunda altera&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica    associada a um processo de doen&ccedil;a ou altera&ccedil;&atilde;o ambiental.    Para alguns pesquisadores o estresse &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o extrema    e indesej&aacute;vel enquanto outros consideram um par&acirc;metro normal, transit&oacute;rio    e desej&aacute;vel, j&aacute; que representa uma rea&ccedil;&atilde;o de adapta&ccedil;&atilde;o    do organismo frente a uma nova situa&ccedil;&atilde;o. Este estresse agudo pode    ser considerado bom e necess&aacute;rio para a evolu&ccedil;&atilde;o e aprendizado,    sem provocar danos maiores e desencadear um estresse cr&ocirc;nico. Assim, &eacute;    importante salientar que isso depender&aacute; do grau de estresse sofrido para    ent&atilde;o relacionar com diminui&ccedil;&atilde;o do bem-estar. </font></p>     <p><font size="3">Poole considera um animal de laborat&oacute;rio feliz, aquele    que consegue superar o agente estressor, embora, seja aceito que nenhum animal    possa viver inteiramente livre de estresse (6). O animal infeliz &eacute; aquele    que n&atilde;o consegue lidar com situa&ccedil;&otilde;es angustiantes que fogem    ao seu controle, resultando em altera&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas    e comportamentais. Animais estressados poder&atilde;o ter seu sistema imunol&oacute;gico    comprometido e ser&atilde;o impr&oacute;prios para utiliza&ccedil;&atilde;o    em pesquisas. Esses fatos tornam obrigat&oacute;rio para os pesquisadores, fazer    o poss&iacute;vel para que os animais possuam condi&ccedil;&otilde;es que favore&ccedil;am    seu bem-estar. </font></p>     <p><font size="3">Um dos principais estressores para os animais &eacute; a dor.    Poucos pesquisadores ignoram intencionalmente a dor do animal; na verdade n&atilde;o    h&aacute; um reconhecimento do comportamento que sinaliza a dor. &Eacute; importante    saber reconhecer quando os animais est&atilde;o sofrendo como conseq&uuml;&ecirc;ncia    de um procedimento e tamb&eacute;m qual o grau desse sofrimento (8).</font></p>     <p><font size="3"> Parece intuitivo e f&aacute;cil o reconhecimento da dor. Infelizmente,    isso n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil e nem sempre intuitivo. A dor &eacute;    uma experi&ecirc;ncia individual, e o quanto essa experi&ecirc;ncia se traduz    em um comportamento observ&aacute;vel e mensur&aacute;vel depende de v&aacute;rios    fatores como a esp&eacute;cie, a gen&eacute;tica, o sexo, o peso corp&oacute;reo,    o condicionamento pr&eacute;vio, a domin&acirc;ncia social do animal, a sa&uacute;de    em geral e as condi&ccedil;&otilde;es do meio ambiente no momento da observa&ccedil;&atilde;o    (9).</font></p>     <p><font size="3">As preocupa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se limitam &agrave;    simples no&ccedil;&atilde;o de dor, ou seja, n&atilde;o &eacute; somente a presen&ccedil;a    ou aus&ecirc;ncia de dor que indicar&aacute; o bem-estar dos animais. Independentemente    da dor, o grau de bem-estar est&aacute; ligado &agrave; situa&ccedil;&atilde;o    em que se encontra o animal e poder&aacute; ser reduzido ou elevado. </font></p>     <p><font size="3"><B>COMO CONTRIBUIR COM O BEM-ESTAR? </b>Qualquer altera&ccedil;&atilde;o    nos procedimentos ou protocolos experimentais para minimizar a dor e o estresse    deve ser considerada para aumentar o bem-estar animal. O simples uso de analg&eacute;sicos,    por exemplo, deve ser levado em considera&ccedil;&atilde;o sempre, quando os    procedimentos provocarem dor injustificada. A utiliza&ccedil;&atilde;o de agulhas    hipod&eacute;rmicas de calibre apropriado ao tamanho do animal e a realiza&ccedil;&atilde;o    de conten&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica adequada reduzem, acentuadamente, o    desconforto f&iacute;sico causado pelo procedimento. Basicamente, o aprimoramento    das t&eacute;cnicas utilizadas em animais de laborat&oacute;rio reduzir&aacute;    o estresse associado a ela.</font></p>     <p><font size="3">Em estudos no qual o animal necessariamente &eacute; exposto    a algum fator estressante ou doloroso &eacute; muito importante estabelecer    o momento de encerrar o experimento e da eutan&aacute;sia do animal. Somente    em situa&ccedil;&otilde;es muito especiais pode se aguardar a deteriora&ccedil;&atilde;o    do estado do animal at&eacute; sua morte. </font></p>     <p><font size="3">Outra forma de contribui&ccedil;&atilde;o para aumento do bem-estar    &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o de enriquecimento ambiental, pois os animais    vivem em ambientes nus e mon&oacute;tonos. Este enriquecimento consiste na exposi&ccedil;&atilde;o    de animais a ambientes ricos em estimula&ccedil;&atilde;o sensorial, gerada    por objetos inanimados, como rodas de atividades, canos e brinquedos, e/ou caixas    com infra-estruturas mais complexas, contendo tocas, galerias de t&uacute;neis    e/ou plataformas com diferentes n&iacute;veis de acesso (11, 12, 13). </font></p>     <p><font size="3">O objetivo principal do enriquecimento &eacute; dar ao animal    em cativeiro condi&ccedil;&otilde;es que estimulem seu comportamento natural.    Por exemplo, ratos e camundongos t&ecirc;m h&aacute;bitos noturnos, por&eacute;m    no laborat&oacute;rio eles passam o dia expostos &agrave; luz sem condi&ccedil;&otilde;es    de proteger-se. Qualquer modifica&ccedil;&atilde;o que altere de forma ben&eacute;fica    o ambiente ou a rotina do animal pode ser considerada um enriquecimento ambiental.    Materiais simples como canos de PVC, caixas de papel&atilde;o, fundo de garrafas    de pl&aacute;stico, bolas de papel, caixa de ovos, podem e devem ser utilizados    como enriquecimento ambiental. Deve-se levar em considera&ccedil;&atilde;o que    o enriquecimento ambiental n&atilde;o pode interferir com o experimento sendo    que alguns podem introduzir patologias indesej&aacute;veis ou problemas no manejo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em rela&ccedil;&atilde;o aos animais de laborat&oacute;rio,    uma s&eacute;rie de par&acirc;metros podem ser alterados com o enriquecimento    ambiental (14), por exemplo: a) diminui&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de    excitabilidade dos animais diante dos procedimentos de manipula&ccedil;&atilde;o    no laborat&oacute;rio; b) melhora nas condi&ccedil;&otilde;es gerais de sa&uacute;de;    c) diminui&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de agress&atilde;o intra-espec&iacute;fica;    d) diminui&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis circulantes de horm&ocirc;nios    supra-renais associados ao estresse; d) diminui&ccedil;&atilde;o da freq&uuml;&ecirc;ncia    de comportamentos estereotipados; e) menor incid&ecirc;ncia de perda de filhotes    por infantic&iacute;dio, canibalismo e neglig&ecirc;ncia; f) maior taxa de sucesso    de acasalamento; e g) melhora no comportamento social com o grupo. </font></p>     <p><font size="3"> Valores &eacute;ticos est&atilde;o envolvidos em todo o processo    experimental, desde a justificativa para a realiza&ccedil;&atilde;o do experimento,    a escolha do modelo adequado para a pesquisa, o n&uacute;mero de animais e como    estes ser&atilde;o alojados, a utiliza&ccedil;&atilde;o de anest&eacute;sicos    e analg&eacute;sicos quando necess&aacute;rios, entre outros. Todos estes pontos    exigem considera&ccedil;&otilde;es e postura &eacute;tica do pesquisador. Estas    quest&otilde;es s&atilde;o atualmente avaliadas pelas comiss&otilde;es de &eacute;tica    no uso de animais onde o car&aacute;ter &eacute;tico do experimento proposto    e da utiliza&ccedil;&atilde;o de animais &eacute; questionado. Apesar de sua    grande contribui&ccedil;&atilde;o no refinamento dos experimentos realizados    com animais estas comiss&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m como fiscalizar se o    que foi descrito no projeto est&aacute; realmente sendo realizado na pr&aacute;tica.    Enquanto n&atilde;o tivermos um sistema de fiscaliza&ccedil;&atilde;o, o bem-estar    dos animais depender&aacute; unicamente da conduta &eacute;tica dos pesquisadores.</font></p>     <p><font size="3">O primeiro passo para alcan&ccedil;ar um grau elevado de bem-estar    para os animais &eacute; atrav&eacute;s da educa&ccedil;&atilde;o e treinamento    das pessoas que trabalhar&atilde;o com eles. O conhecimento da biologia, fisiologia,    comportamento e necessidades das esp&eacute;cies fazem com que saibamos como    trat&aacute;-los de forma correta e que tenhamos atitudes de respeito para com    os animais, diminuindo o estresse causado por um manejo inadequado e proporcionando-lhes    maior bem-estar (15). A conscientiza&ccedil;&atilde;o da necessidade de tratar    os animais com dignidade e respeito deve ser realizada atrav&eacute;s de palestras    e cursos que discutam temas como, &eacute;tica, bem-estar, m&eacute;todos alternativos,    aprimoramento de t&eacute;cnicas.</font></p>     <p><font size="3">O desenvolvimento da ci&ecirc;ncia a favor do homem n&atilde;o    pode nem deve servir de alicerce para o uso indiscriminado e o desrespeito com    os animais. &Eacute; necess&aacute;ria uma postura &eacute;tica frente &agrave;    necessidade do desenvolvimento da ci&ecirc;ncia e a ado&ccedil;&atilde;o de    medidas que diminuam o sofrimento dos animais e favore&ccedil;am seu bem-estar.    &Eacute; importante lembrar sempre que a credibilidade do resultado da pesquisa    depende do bem-estar vivenciado pelo animal durante sua realiza&ccedil;&atilde;o,    da sensibilidade do pesquisador para o entendimento de seus sofrimentos e necessidades    e do bom senso nas tomadas de decis&atilde;o e atitudes. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Baker, D.G. "Natural pathogens of laboratory mice, rats,    and rabbits and their effects on research". <i>Clin Microbiol Rev</i>. Apr;11(2):231-66.    1998.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Davisson, M.T. and Taft, R.A. "Strategies for managing an    ever increasing mutant mouse repository". <i>Brain Res. May</i> 26;1091(1):255-7.    2006.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Russell, W.M.S. and Burch, R.L. <i>The principles of humane    experimental technique.</i> Methuen, London, 1959.</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Broom, D.M. "Indicators of poor welfare". <i>British Veterinary    Journal</i>, London, v.142, p.524-526, 1986.</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Broom, D. M. e Molento, C.F.M. "Bem-estar animal: conceitos    e quest&otilde;es relacionadas – Revis&atilde;o". <i>Archives of Veterinary    Science</i>, v. 9, n. 2, p. 1-11, 2004.</font><!-- ref --><p><font size="3">6. Poole, T. "Happy animals make good science". <i>Laboratory    Animals</i>, v.31, 116-124, 1997.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Moberg, G.P. "A model for assessing the impact of behavior    stress on domestic animals".<i> J. Anim.Sci</i>.,v.65,p.1228-1235, 1987.</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Mezadri, T.J.; Tom&aacute;z, V.A.; Amaral,V.L.L. <i>Animais    de laborat&oacute;rio: cuidados na inicia&ccedil;&atilde;o experimental.</i>    Florian&oacute;polis: Ed.UFSC,2004.</font><!-- ref --><p><font size="3">9. Hardie, E.M. "Reconhecimento do comportamento doloroso em    animais". <i>In</i>: Hellebrekers J.L. <i>Dor em Animais</i>.1ª Ed., Barueri,    SP:Manoele, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">10. Hessler, J.R. and Leary, L.L. "Design and management of    animal facilities". <i>In:</i> Fox, J.G.; Anderson, L.C.; Loew, F.M.; Quimby,    F.W. <i>Laboratory Animal Medicine</i>. 2°Edition. Academic Press. 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">11. Chamove, A. S. "Cage design reduces emotionality in mice".    <i>Laboratory Animals,</i> v. 23, p. 215-219, 1989.</font><!-- ref --><p><font size="3">12. Zimmermann, A.; Stauffacher, M.; Langhans, W.; W&uuml;rbel,    H. "Enrichment-dependent differences in novelty exploration in rats can be explained    by habituation". <i>Behavioural Brain Research</i>, v. 121, p. 11-20, 2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">13. Mellen, J. and Macphee, M.S. "Philosophy of environmental    enrichment: past, present, and future".<i> Zoo Biology</i>, v. 20, p. 211-226,    2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">14. Reinhardt, V. and Reinhardt, A. <i>Variables, refinement    and environmental enrichment for rodents and rabbits kept in research institutions    – making life easier for animals in laboratories</i>. Animal Welfare Institute:    Washington, DC. 2006.</font><!-- ref --><p><font size="3">15. Rivera, E.A.B. "&Eacute;tica na experimenta&ccedil;&atilde;o    animal e alternativas ao uso de animais". <i>In:</i> Rivera, E. A.B.; Amaral,    M.H.; Pinheiro, V.(Org.). <i>&Eacute;tica e Bio&eacute;tica Aplicadas &agrave;    Medicina Veterin&aacute;ria</i>.1 Ed. Goi&acirc;nia: Ed/orgs.v.1, p.159-186,    2006. </font> ]]></body><back>
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