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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/expanimn.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">P<small>ESQUISA CIENT&Iacute;FICA</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n2/line_bk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>M&eacute;todos alternativos ainda s&atilde;o poucos e n&atilde;o    substituem totalmente o uso de animais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Embora v&aacute;rios m&eacute;todos alternativos ao uso de animais    j&aacute; estejam sendo utilizados com sucesso em diversos centros de ensino,    eles ainda est&atilde;o em estudo e t&ecirc;m sido pouco aplicados em pesquisa    cient&iacute;fica. Em geral, quando se fala de m&eacute;todos alternativos,    pensa-se simplesmente na substitui&ccedil;&atilde;o de animais vivos. Entretanto,    al&eacute;m da substitui&ccedil;&atilde;o, a redu&ccedil;&atilde;o e o refinamento    (diminui&ccedil;&atilde;o no grau de dor ou de sofrimento provocado aos animais)    tamb&eacute;m s&atilde;o considerados como alternativas, de acordo com princ&iacute;pio    dos 3Rs (<i>replacement, reduction and refinement</i>) desenvolvido por Russel    e Burch em 1959. </font></p>     <p><font size="3">Os m&eacute;todos alternativos apresentam vantagens como o custo    menor. Segundo Oct&aacute;vio Presgrave, pesquisador da Funda&ccedil;&atilde;o    Oswaldo Cruz e coordenador da Comiss&atilde;o de Alternativas do Col&eacute;gio    Brasileiro de Experimenta&ccedil;&atilde;o Animal (Cobea), estima-se que o m&eacute;todo    alternativo, em m&eacute;dia, custe cerca de 30% do valor da pesquisa em animais.    Outra vantagem &eacute; a economia de espa&ccedil;o. "Para se criar e manter    animais, &eacute; necess&aacute;ria toda uma estrutura de biot&eacute;rio, como    estantes, caixas, alimenta&ccedil;&atilde;o, controle de ambiente etc", explica    o pesquisador. As desvantagens s&atilde;o poucas, mas especialistas apontam    que, em alguns casos, a falta de intera&ccedil;&atilde;o de uma subst&acirc;ncia    teste com um organismo vivo pode atrapalhar os resultados. "Mas, neste caso,    o avan&ccedil;o do conhecimento cient&iacute;fico vai acabar eliminando esse    fator", diz Presgrave. </font></p>     <p><font size="3">Alguns m&eacute;todos alternativos, embora ainda n&atilde;o    validados, est&atilde;o sendo desenvolvidos. Pesquisadores do Laborat&oacute;rio    de Imunologia Aplicada (LIA) da Universidade Federal de Santa Catarina t&ecirc;m    adaptado v&aacute;rias t&eacute;cnicas para diminui&ccedil;&atilde;o e at&eacute;    substitui&ccedil;&atilde;o de roedores, comumente utilizados em laborat&oacute;rios    de diagn&oacute;stico de raiva. "Na realidade n&atilde;o criamos nada novo,    apenas temos tentado chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a exist&ecirc;ncia    de in&uacute;meras metodologias j&aacute; dispon&iacute;veis e que poderiam    substituir a utiliza&ccedil;&atilde;o de animais em pesquisa", explica Carlos    Roberto Zanetti, coordenador do laborat&oacute;rio. "Os testes alternativos    podem ser mais vantajosos para os pesquisadores, pois podem fornecer resultados    com menor variabilidade, em menor tempo e mais baratos", defende. </font></p>     <p><font size="3">Dentre os m&eacute;todos alternativos propostos est&aacute;    a utiliza&ccedil;&atilde;o de linhagens de c&eacute;lulas para isolamento do    v&iacute;rus da raiva. "M&eacute;todos semelhantes est&atilde;o dispon&iacute;veis    na Europa e EUA h&aacute; d&eacute;cadas, mas n&atilde;o tiveram muita aceita&ccedil;&atilde;o    por aqui, pois muitas vezes a estrutura de biot&eacute;rio j&aacute; est&aacute;    em funcionamento e, aparentemente, &eacute; mais simples utiliz&aacute;-los    do que montar uma nova estrutura para cultivo de linhagens celulares. O Instituto    Pasteur de S&atilde;o Paulo, no entanto, que &eacute; um laborat&oacute;rio    de refer&ecirc;ncia nacional, tem se mostrado aberto a essas id&eacute;ias e    tem tentado implementar tais t&eacute;cnicas na sua rotina", afirma o coordenador    do LIA.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Atualmente, todos os projetos de pesquisa que Zanetti coordena    t&ecirc;m como objetivo principal a padroniza&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos    substitutivos, sem uso de animais. "Tenho a esperan&ccedil;a que, atuando em    um laborat&oacute;rio ligado a um programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    em biotecnologia, e que, portanto, forma mestres e doutores, possamos ser uma    refer&ecirc;ncia, um contraponto ao sistema, dando possibilidade aos alunos    de refletirem e tomarem suas pr&oacute;prias decis&otilde;es sobre o assunto",    planeja.</font></p>     <p><font size="3">Outro m&eacute;todo alternativo ao uso de animais em pesquisa,    ainda n&atilde;o realizado no Brasil, &eacute; o uso da miografia <i>in vitro</i>    em substitui&ccedil;&atilde;o aos testes de letalidade (DL50) com toxina botul&iacute;nica    (botox) realizados em animais vivos. Trata-se de uma t&eacute;cnica onde s&atilde;o    usados m&uacute;sculos isolados de animais para testar subst&acirc;ncias que    podem, por exemplo, ter efeito paralisante ou que aumentam a for&ccedil;a muscular.    Nessa t&eacute;cnica, o animal, geralmente camundongo ou ave, &eacute; sacrificado    com anest&eacute;sico e tem um m&uacute;sculo retirado e submetido a testes.    De acordo com Caroline Borja, pesquisadora colaboradora do Departamento de Farmacologia    da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a miografia    <i>in vitro</i> n&atilde;o elimina o sacrif&iacute;cio dos animais, mas reduz    seu sofrimento, utiliza menor quantidade de animais e tem menor custo. "J&aacute;    &eacute; uma grande vantagem em rela&ccedil;&atilde;o aos testes <i>in vivo</i>,    em que os animais sofrem por horas e horas at&eacute; morrer. Se os testes <i>in    vitro</i> substitu&iacute;ssem pelo menos esses testes <i>in vivo</i> da botox    seria uma grande evolu&ccedil;&atilde;o, at&eacute; que outras alternativas    sem animais surgissem", diz Borja.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a21img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Al&eacute;m de m&eacute;todos <i>in vitro</i> de cultura de    c&eacute;lulas e tecidos, existem outros m&eacute;todos alternativos ao uso    de animais. Segundo St&eacute;lio Luna, professor da Faculdade de Medicina Veterin&aacute;ria    e Zootecnia da Unesp de Botucatu e membro da Comiss&atilde;o de &Eacute;tica,    Bio&eacute;tica e Bem-estar Animal do Conselho Federal de Medicina Veterin&aacute;ria,    t&eacute;cnicas de imagem n&atilde;o invasivas, como a tomografia computadorizada,    a resson&acirc;ncia magn&eacute;tica e avradiografia, tamb&eacute;m podem ser    usadas em pesquisa. Estudos epidemiol&oacute;gicos e cl&iacute;nicos, aut&oacute;psias    e estudos p&oacute;s-mortem, al&eacute;m de simula&ccedil;&otilde;es em computador    e do uso de modelos matem&aacute;ticos tamb&eacute;m s&atilde;o alternativas    citadas por Luna. Apesar de todos esses m&eacute;todos poss&iacute;veis, os    animais ainda s&atilde;o necess&aacute;rios em pesquisas de algumas &aacute;reas.    "O que n&atilde;o se justifica &eacute; o sofrimento em nenhuma situa&ccedil;&atilde;o,    mesmo que seja pelo ‘bem’ da ci&ecirc;ncia", enfatiza o professor. </font></p>     <p><font size="3"><b>PERSPECTIVAS AO USO DE ANIMAIS EM PESQUISA</b> Ekaterina    Rivera, coordenadora do Biot&eacute;rio Central da Universidade Federal de Goi&aacute;s    e vice-presidente do Cobea, acredita que, para que a comunidade cient&iacute;fica    e a sociedade em geral possam aceitar e confiar em testes alternativos que n&atilde;o    utilizem animais, deve-se exigir e saber que esses testes possuem boa qualidade    cient&iacute;fica, que foram testados preliminarmente com sucesso e validados    por &oacute;rg&atilde;os creditados para tal fim. "&Eacute; importante que os    par&acirc;metros avaliados reproduzam com fidelidade os mesmos resultados que    os testes que usam animais", afirma Rivera. "Os m&eacute;todos alternativos    exigem muito tempo, muito dinheiro e muita paci&ecirc;ncia para serem desenvolvidos.    Ainda n&atilde;o h&aacute; metodologias ou conceitos v&aacute;lidos para o desenvolvimento    de tais m&eacute;todos e tampouco podem ser implementados por meio de um decreto    lei", diz. E acrescenta, "n&atilde;o vislumbramos em um futuro pr&oacute;ximo    a aboli&ccedil;&atilde;o total da experimenta&ccedil;&atilde;o com animais.    Podemos dizer que a evolu&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia busca novos conhecimentos    e o aperfei&ccedil;oamento de nossos trabalhos atuais. A busca por alternativas    ao uso de animais em experimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre vantajosa,    pois deixaremos de infringir sofrimento e dor aos animais n&atilde;o-humanos,    j&aacute; que somos respons&aacute;veis e temos o dever de proteg&ecirc;-los".</font></p>     <p><font size="3">Para Marcel Frajblat, pesquisador do Laborat&oacute;rio de Biotecnologia    da Reprodu&ccedil;&atilde;o/Biot&eacute;rio da Universidade do Vale do Itaja&iacute;    e presidente do Cobea, o uso de alternativas vi&aacute;veis promover&aacute;    o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia da mesma forma que o uso de animais. "Mas    &eacute; importante deixar claro que existem poucas alternativas validadas que    substituem completamente o uso de animais", lembra. Para ele, ser&aacute; muito    dif&iacute;cil conseguir produzir um m&eacute;todo alternativo que reproduza    precisamente o funcionamento do corpo humano ou animal. "Algumas etapas do processo    cient&iacute;fico poder&atilde;o ser substitu&iacute;das, mas, provavelmente,    haver&aacute; a necessidade do teste em animais. A aboli&ccedil;&atilde;o do    uso dos animais deve vir junto com a aboli&ccedil;&atilde;o da necessidade de    seu uso. N&atilde;o podemos abolir o uso de animais enquanto houver esta necessidade",    acredita.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Nereide Cerqueira</i></font></p>     ]]></body>
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