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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a25img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4"><b>BOT&Acirc;NICA</b></font></p>     <p><font size="4"><b>D<small>ESCOBRINDO OS SIGNIFICADOS DE ESTRUTURAS VEGETAIS</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A biologia representa, muitas vezes, uma enorme dificuldade    para os que tentam entender e estudar as in&uacute;meras e variadas estruturas    e fun&ccedil;&otilde;es que formam os seres vivos. Quantos nomes de estruturas    conseguimos nos lembrar ao descrever uma simples flor? Antera, estame, s&eacute;pala,    estilete, estigma, p&eacute;tala? Qual &eacute; o significado de sapopema, rup&iacute;cola,    cauliflor, giba?</font></p>     <p><font size="3">Embora esse desafio de memoriza&ccedil;&atilde;o seja colocado,    principalmente, para estudantes, qualquer amante da bot&acirc;nica ou interessados    no assunto poder&aacute; usufruir do livro <i>Morfologia vegetal: organografia    e dicion&aacute;rio ilustrado de morfologia das plantas vasculares</i> de diferentes    maneiras e olhares: buscando a origem dos termos usados para descrever as diferentes    partes das plantas, o significado desses termos, ou simplesmente admirando e    procurando detalhes curiosos da morfologia vegetal – &aacute;rea das ci&ecirc;ncias    biol&oacute;gicas que lida com a forma e a estrutura das plantas. Publicado    em 2007, o dicion&aacute;rio tem autoria de Eduardo G. Gon&ccedil;alves, da    Universidade Cat&oacute;lica de Bras&iacute;lia, e de Harri Lorenzi, do Instituto    Plantarum de Estudos da Flora, em Nova Odessa, S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="3">Trata-se de uma obra com dois m&oacute;dulos. O primeiro &eacute;    uma vis&atilde;o geral da evolu&ccedil;&atilde;o das plantas terrestres e de    como se deu o desenvolvimento de ra&iacute;zes, caules, folhas, flores, entre    outros. "Ainda nesse m&oacute;dulo, todos os &oacute;rg&atilde;os vegetais s&atilde;o    divididos organograficamente em sistemas: axial &#91;caule&#93;, absortivo-fixador    &#91;ra&iacute;zes&#93;, fotossint&eacute;tico &#91;folhas&#93; e reprodutivo,    todos ilustrados e dissecados quanto &agrave; estrutura b&aacute;sica e diversidade    adaptativa", destaca Gon&ccedil;alves.</font></p>     <p><font size="3">J&aacute; o segundo m&oacute;dulo, parte mais laboriosa do processo    de produ&ccedil;&atilde;o do livro, &eacute; um dicion&aacute;rio ilustrado    com mil verbetes em morfologia vegetal, cada um apresentado quanto &agrave;    sua etimologia e defini&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, cada um dos mil    verbetes foi ilustrado com tr&ecirc;s fotos coloridas, preferencialmente de    esp&eacute;cies diferentes, e tamb&eacute;m com um desenho a nanquim, todos    feitos pelo pr&oacute;prio Gon&ccedil;alves. A id&eacute;ia de associar os desenhos    com fotografias de plantas reais foi para melhor ilustrar o verbete e tamb&eacute;m    mostrar eventuais varia&ccedil;&otilde;es que o termo possa apresentar entre    diferentes esp&eacute;cies. Os autores destacam, na apresenta&ccedil;&atilde;o    do livro, que o princ&iacute;pio adotado foi "apresentar a terminologia bot&acirc;nica    fortemente associada a recursos visuais apropriados e decomposta em unidades    b&aacute;sicas".</font></p>     <p><font size="3"><b>G&Ecirc;NESE</b> Gon&ccedil;alves e Lorenzi trabalharam juntos    pela primeira vez no momento em que Lorenzi escrevia o livro <i>Plantas tropicais    de Burle Marx</i> (2001). O paisagista, dono de uma enorme cole&ccedil;&atilde;o    de plantas ornamentais coletadas em diferentes partes do mundo, dizia que "n&atilde;o    existe jardim sem Araceae", fam&iacute;lia de plantas como os ant&uacute;rios    e copos-de-leite. Gon&ccedil;alves, especialista na classifica&ccedil;&atilde;o    de Araceae, ajudou Lorenzi a identificar os representantes dessa fam&iacute;lia    na cole&ccedil;&atilde;o do s&iacute;tio Burle Marx, no Rio de Janeiro. Em uma    das viagens que fizeram juntos, no final de 2005, surgiu a id&eacute;ia de escrever    um dicion&aacute;rio com tais caracter&iacute;sticas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Gon&ccedil;alves destaca que existem excelentes livros de morfologia    vegetal. Dentre os brasileiros, ele aponta <i>Bot&acirc;nica – organografia</i>    (Vidal e Vidal, 1984) e <i>Gloss&aacute;rio ilustrado de bot&acirc;nica</i>    (Ferri et al., 1992) como importantes por conta do pioneirismo e abrang&ecirc;ncia.    A inova&ccedil;&atilde;o de Gon&ccedil;alves e Lorenzi se deveu &agrave; uni&atilde;o    entre fotografia, desenho, etimologia e descri&ccedil;&atilde;o do termo. Vale    destacar que a &ecirc;nfase do dicion&aacute;rio foi na morfologia de plantas    vasculares (angiospermas, principalmente; gimnospermas e pterid&oacute;fitas),    plantas com tecidos especializados que conduzem &aacute;gua e nutrientes ao    longo de toda a sua extens&atilde;o, em contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s    plantas avasculares, como por exemplo, os musgos, que n&atilde;o apresentam    esses tecidos condutores especializados.</font></p>     <p><font size="3">Escolher os termos a serem definidos no dicion&aacute;rio n&atilde;o    foi tarefa f&aacute;cil. Eduardo Gon&ccedil;alves conta que montou uma longa    planilha, consultando teses, artigos taxon&ocirc;micos, revis&otilde;es recentes,    al&eacute;m dos termos bot&acirc;nicos que constam no <i>Dicion&aacute;rio Aur&eacute;lio</i>,    sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia em taxonomia e longas conversas com especialistas    de diferentes &aacute;reas. Os autores optaram por colocar termos espec&iacute;ficos    e tamb&eacute;m gerais, e decidiram por excluir termos em desuso. Ap&oacute;s    a escolha dos mil verbetes, a maior dificuldade foi fotografar tr&ecirc;s esp&eacute;cies    diferentes de plantas para representar cada um desses termos.</font></p>     <p><font size="3">E por que &eacute; importante dar nomes a tantas estruturas    diferentes? Ec&oacute;logos que estudam intera&ccedil;&atilde;o entre plantas    e animais precisam dizer, por exemplo, de qual estrutura da planta um animal    se alimenta. Os fisiologistas tamb&eacute;m utilizam denomina&ccedil;&otilde;es    das estruturas para explicar os processos que estudam. Al&eacute;m disso, a    morfologia vegetal cruza agora a fronteira da biologia evolutiva do desenvolvimento,    explicam os autores. Mas ainda &eacute; preciso entender quais genes determinam    se as folhas ter&atilde;o margens denteadas ou crespas ou se ter&atilde;o forma    ovalada ou delt&oacute;ide, por exemplo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a25img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a25img03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n2/a25img04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Mas talvez a aplica&ccedil;&atilde;o mais evidente da morfologia    ainda seja mesmo na taxonomia, ci&ecirc;ncia que lida com a descri&ccedil;&atilde;o,    identifica&ccedil;&atilde;o e classifica&ccedil;&atilde;o dos organismos. E    por que classificar? O bi&oacute;logo Stephen Jay Gould, que era professor de    geologia e de zoologia na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, resume:    "taxonomias s&atilde;o reflexos do pensamento humano; elas expressam nossos    mais fundamentais conceitos sobre os objetos do nosso universo". Classifica&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o &eacute; apenas uma mera cole&ccedil;&atilde;o, mas uma maneira de    estudar a hist&oacute;ria natural da vida na Terra. "&Eacute; o car&aacute;ter    atemporal da morfologia", resume Gon&ccedil;alves.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Cristina Caldas</i></font></p>      ]]></body>
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