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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">ENGENHARIA</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n3/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Faltam projetos governamentais de incentivo &agrave; forma&ccedil;&atilde;o    de profissionais</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Nos anos 1980, inspirando-se no filme de Jo&atilde;o Batista    de Andrade, <i>O homem que virou suco</i>, um engenheiro formado pela Universidade    de S&atilde;o Paulo que n&atilde;o conseguia emprego em sua &aacute;rea de forma&ccedil;&atilde;o    abriu uma lanchonete com o nome "O engenheiro que virou suco". Essa    atitude ilustra a crise econ&ocirc;mica dessa d&eacute;cada e a mudan&ccedil;a    que ocorria no mercado de trabalho: os indiv&iacute;duos passavam a ser "empreendedores    de si mesmos". Na recente retomada econ&ocirc;mica, a esperan&ccedil;a    de ampliar a participa&ccedil;&atilde;o brasileira em novos projetos se v&ecirc;    amea&ccedil;ada pela concorr&ecirc;ncia estrangeira e pela falta de m&atilde;o-de-obra    especializada para tocar, inclusive, o t&atilde;o alardeado Plano de Acelera&ccedil;&atilde;o    do Crescimento (PAC).</font></P>     <P><font size="3">Marcos T&uacute;lio de Melo, ent&atilde;o presidente da Conselho    Federal  de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea),    alertou em 2007 sobre o desinteresse do pa&iacute;s em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s engenharias. "O pr&oacute;ximo apag&atilde;o ser&aacute; o da    engenharia e dos profissionais especializados", profetizou durante o V    Semin&aacute;rio Tecnologias Estrat&eacute;gicas Brasil e It&aacute;lia. Segundo    ele, o Brasil forma 20 mil engenheiros por ano, enquanto na Cor&eacute;ia do    Sul e China esse n&uacute;mero salta para 80 mil e 300 mil, respectivamente.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a04img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Esse d&eacute;ficit estaria refletido no cont&iacute;nuo aumento    da demanda por profissionais no exterior. Dados do Confea indicam um crescimento    de 132% na importa&ccedil;&atilde;o de profissionais estrangeiros em rela&ccedil;&atilde;o    a 2006. No ano passado, foram concedidas 1590 autoriza&ccedil;&otilde;es de    trabalho a engenheiros estrangeiros pelo Minist&eacute;rio do Trabalho, a maioria    para especializa&ccedil;&otilde;es do setor automotivo, industrial e de energia    nuclear.</font></P>     <P><font size="3">Dentre essas autoriza&ccedil;&otilde;es estavam 48 destinadas    a chineses que foram contratados para trabalhar na implanta&ccedil;&atilde;o    da coqueria da Companhia Sider&uacute;rgica do Atl&acirc;ntico (CSA), em Santa    Cruz (RJ). A libera&ccedil;&atilde;o feita pelo ministro do Trabalho, Carlos    Lupi gerou protestos do Clube dos Engenheiros e do Conselho Regional de Engenharia,    Arquitetura e Agronomia (Crea) do Rio de Janeiro, que alegaram ser o Brasil    dotado de m&atilde;o-de-obra qualificada para realizar a montagem de coqueria,    tecnologia desenvolvida no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX.</font></P>     <P><font size="3"><b>DEMANDA PLANEJADA</b> Esse quadro tomou forma nos anos 1980,    quando a crise econ&ocirc;mica mundial, resultado da crise do petr&oacute;leo    na d&eacute;cada anterior, repercutiu num Brasil em processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o.    Gildo Magalh&atilde;es, historiador da ci&ecirc;ncia da USP, aponta que a constru&ccedil;&atilde;o    de uma forte engenharia nacional come&ccedil;ou na &eacute;poca do "milagre    econ&ocirc;mico brasileiro", de meados da d&eacute;cada de 1950 at&eacute;    meados da d&eacute;cada de 1980. "Essa m&atilde;o-de-obra entrou para as    estatais, que criaram uma infra-estrutura de transporte rodovi&aacute;rio, energia    el&eacute;trica e telecomunica&ccedil;&otilde;es, etc, o que possibilitou o    crescimento da ind&uacute;stria qu&iacute;mica, sider&uacute;rgica e mec&acirc;nica",    afirma. De acordo com Magalh&atilde;es, essa vis&atilde;o desenvolvimentista    exigia um &iacute;ndice cada vez maior de nacionaliza&ccedil;&atilde;o nos produtos    brasileiros at&eacute; que, nos anos 1980, os engenheiros brasileiros passaram    a concorrer com multinacionais de engenharia. No per&iacute;odo p&oacute;s-redemocratiza&ccedil;&atilde;o,    as principais estatais formadoras e absorvedoras da engenharia nacional come&ccedil;aram    a ser privatizadas e desnacionalizadas. "Nesse momento, as empresas ligadas    ao capital financeiro e especulativo passaram a pagar melhores sal&aacute;rios    e atrair os melhores engenheiros para atividades completamente desligadas da    cadeia produtiva", lamenta o historiador.</font></P>     <P><font size="3">A fraca oferta de emprego resultou em menos candidatos &agrave;    engenharia, diminuindo a oferta por cursos. Segundo dados do Minist&eacute;rio    da Educa&ccedil;&atilde;o, em 2003, a forma&ccedil;&atilde;o em cursos de engenharia    e tecnologia correspondeu a 10,8% do total das gradua&ccedil;&otilde;es reconhecidas,    enquanto as &aacute;reas humanas e sociais representaram 68,7%.</font></P>     <P><font size="3">A dificuldade em preencher requisitos de nacionaliza&ccedil;&atilde;o    de projetos de engenharia &eacute; um dos reflexos desse d&eacute;ficit. Exemplo    disso foi o edital, lan&ccedil;ado em 2003 pela Petrobras, com a exig&ecirc;ncia    de um percentual m&iacute;nimo obrigat&oacute;rio de 60% de encomendas nacionais,    que n&atilde;o foi atingido. Tr&ecirc;s anos depois, a empresa teve que encomendar    boa parte de suas obras no exterior por falta de capacidade da ind&uacute;stria    nacional de construir plataformas no tempo necess&aacute;rio.</font></P>     <P><font size="3"><b>RETOMADA</b> Eriksson Almendra, diretor da Escola Polit&eacute;cnica    da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no entanto, se mostra otimista    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; retomada do interesses pelas engenharias,    que come&ccedil;ou a ser indicada h&aacute; cinco anos, com a decis&atilde;o    governamental de fortalecer a ind&uacute;stria nacional, dando prefer&ecirc;ncia    a encomendas no pa&iacute;s. Outras indica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o os investimentos    em siderurgia e outros setores, como a inaugura&ccedil;&atilde;o, em 2009, da    Companhia Sider&uacute;rgica do Atl&acirc;ntico em Tagua&iacute; (SP), o projeto    da Votorantim para a regi&atilde;o de Resende (RJ), a amplia&ccedil;&atilde;o    da Vale de Tubar&atilde;o em Vit&oacute;ria (ES) e a Companhia Sider&uacute;rgica    Cear&aacute; Still em Fortaleza (CE). </font></P>     <P><font size="3">Almendra enfatiza a necessidade das universidades reagirem ao    mercado. "H&aacute; informa&ccedil;&atilde;o de que as empresas n&atilde;o    est&atilde;o conseguindo preencher seus quadros. Isso justifica a menor evas&atilde;o    dos alunos, j&aacute; que h&aacute; perspectivas concretas de emprego",    afirma. O resultado &eacute; que as vagas nos cursos de engenharia t&ecirc;m    se multiplicado.</font></P>     <P><font size="3"><b>FOR&Ccedil;A NACIONAL</b> Segundo Gildo Magalh&atilde;es,    em cinco anos poderemos ter engenheiros para suprir a demanda, caso n&atilde;o    haja um esfor&ccedil;o apenas conjuntural. O que falta, acredita, &eacute; uma    pol&iacute;tica de projetos e um esfor&ccedil;o de planejamento e constru&ccedil;&atilde;o    acelerado no pa&iacute;s, que envolva setores essenciais. Fruto disso seriam    os problemas com transporte de massa e o caos a&eacute;reo. Se o pa&iacute;s    n&atilde;o resolver o problema de d&eacute;ficit nas engenharias, o t&atilde;o    sonhado projeto do trem-bala, entre Rio e S&atilde;o Paulo, pode n&atilde;o    chegar aos trilhos. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Resta saber se o atual cen&aacute;rio mostra apenas um esfor&ccedil;o    conjuntural ou se est&aacute; havendo uma mudan&ccedil;a estrutural no pa&iacute;s    em termos de planejamento e pol&iacute;ticas de projeto. Magalh&atilde;es acredita    que muitos projetos que est&atilde;o sendo lan&ccedil;ados podem ser classificados    como "tapa-buracos", e n&atilde;o geram a retomada da engenharia.    Sem uma pol&iacute;tica de projetos, pondera, os engenheiros ainda n&atilde;o    podem ser muito otimistas.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Daniela Lot e Germana Barata</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a04img02.gif"></P>      ]]></body>
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