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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/brasil.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">D<SMALL>IVERSIDADE CULTURAL</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n3/line_bk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Patrim&ocirc;nio ling&uuml;&iacute;stico ganha apoio in&eacute;dito    na hist&oacute;ria do pa&iacute;s</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">No final de 2007, a Comiss&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o    e Cultura da C&acirc;mara dos Deputados, em parceria com o Instituto de Investiga&ccedil;&atilde;o    e Desenvolvimento em Pol&iacute;tica Lingu&iacute;stica (Ipol) e o Instituto    do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional (Iphan), realizaram    audi&ecirc;ncia p&uacute;blica na qual se prop&ocirc;s a cria&ccedil;&atilde;o    de um Invent&aacute;rio Nacional da Diversidade Ling&uuml;&iacute;stica. Em    2008, projetos-pilotos que contribuir&atilde;o para esse invent&aacute;rio j&aacute;    come&ccedil;am a ser contemplados por investimentos de um amplo fundo do Minist&eacute;rio    da Justi&ccedil;a que abrange desde quest&otilde;es ligadas ao direito do consumidor    at&eacute; as de prote&ccedil;&atilde;o do meio ambiente e, pela primeira vez,    inclui a defesa da diversidade ling&uuml;&iacute;stica.</font></P>     <p><font size="3">O Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), criado h&aacute;    mais de duas d&eacute;cadas, mas s&oacute; regulamentado em 1994, t&ecirc;m    sua arrecada&ccedil;&atilde;o nas multas aplicadas pelo Conselho Administrativo    de Defesa Econ&ocirc;mica (Cade). Segundo Diego Faleck, presidente do Conselho    Federal Gestor do FDD, o fundo est&aacute; vivendo um momento hist&oacute;rico    importante, com uma arrecada&ccedil;&atilde;o que pode chegar a R$ 73 milh&otilde;es,    at&eacute; o final de 2008. Fora os R$ 41,7 milh&otilde;es que est&atilde;o    contingenciados, R$ 6,89 milh&otilde;es ser&atilde;o aplicados em projetos selecionados    entre as 3.661 cartas-consultas enviadas ao conselho, um n&uacute;mero recorde    desde a sua cria&ccedil;&atilde;o, em 1995. O conselho j&aacute; aprovou 56    projetos priorit&aacute;rios.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a05img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>VALORIZA&Ccedil;&Atilde;O</b> Neste ano, o fundo pode destinar    at&eacute; R$ 300 mil a cada projeto de defesa do patrim&ocirc;nio cultural    brasileiro que, de forma in&eacute;dita, passa a incluir o patrim&ocirc;nio    ling&uuml;&iacute;stico do pa&iacute;s. "No caso do invent&aacute;rio ling&uuml;&iacute;stico,    o grande m&eacute;rito da sua inclus&atilde;o na Resolu&ccedil;&atilde;o nº    20 &#91;uma esp&eacute;cie de edital&#93; &eacute; do Iphan, que abriu os nossos olhos    para a identifica&ccedil;&atilde;o do problema e o risco de extin&ccedil;&atilde;o    das l&iacute;nguas", conta Faleck.</font></P>     <p><font size="3">"Evidentemente &eacute; um avan&ccedil;o para o pa&iacute;s    e, como pol&iacute;tica ling&uuml;&iacute;stica, significa um reconhecimento    e apoio &agrave; diversidade ling&uuml;&iacute;stica e cultural do Brasil. &Eacute;    o contraponto de tantas pol&iacute;ticas ling&uuml;&iacute;sticas que tivemos    no passado, e que tentaram eliminar as outras l&iacute;nguas faladas pelos brasileiros",    afirma Gilvan M&uuml;ller de Oliveira, do Ipol e da Universidade Federal de    Santa Catarina (UFSC). Quando se fala em diversidade ling&uuml;&iacute;stica    no Brasil e em risco de extin&ccedil;&atilde;o, lembra-se logo das in&uacute;meras    l&iacute;nguas ind&iacute;genas que ainda sobrevivem ap&oacute;s cinco s&eacute;culos    de coloniza&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o cerca de 180. Mas al&eacute;m delas,    o apoio do FDD para o invent&aacute;rio envolve ainda l&iacute;nguas de imigra&ccedil;&atilde;o,    afro-brasileiras, crioulas e de sinais.</font></P>     <p><font size="3">"N&atilde;o surpreende o papel de libras &#91;l&iacute;ngua    brasileira de sinais&#93; nesse contexto, considerando que &eacute; l&iacute;ngua    oficial, ao lado do portugu&ecirc;s, gra&ccedil;as ao intenso trabalho pol&iacute;tico    realizado pelos usu&aacute;rios surdos do pa&iacute;s. Libras disp&otilde;e    hoje de uma comunidade falante politicamente organizada, e &eacute; exemplo    para outras comunidades ling&uuml;&iacute;sticas que come&ccedil;aram a se organizar    mais tarde", ressalta Oliveira. A UFSC, onde o representante do Ipol leciona,    inaugurou em 2006 o primeiro curso do mundo de licenciatura em uma l&iacute;ngua    de sinais, o de letras-libras.</font></P>     <p><font size="3">As comunidades que, por serem dispersas e muito variadas, ainda    n&atilde;o est&atilde;o suficientemente organizadas do ponto de vista da defesa    de seus direitos ling&uuml;&iacute;sticos, s&atilde;o as de imigrantes que vivem    no pa&iacute;s. Al&eacute;m das conhecidas comunidades alem&atilde;s, italianas    e japonesas, h&aacute; um n&uacute;mero crescente de sul-americanos legais ou    clandestinos que chegam ao pa&iacute;s, a cada ano, em busca de uma oportunidade    de trabalho em uma das principais economias emergentes da atualidade. De 2004    a 2007, a Pol&iacute;cia Federal registrou um aumento de 51% no total de novos    estrangeiros no Brasil, dos quais a maioria &eacute; formada por argentinos,    bolivianos, uruguaios e paraguaios.</font></P>     <p><font size="3"><b>RECONHECIMENTO </b>"As l&iacute;nguas de imigra&ccedil;&atilde;o    est&atilde;o na categoria das que mais podem ganhar com o Invent&aacute;rio    Nacional da Diversidade Ling&uuml;&iacute;stica, j&aacute; que seus falantes    s&atilde;o aqueles que n&atilde;o t&ecirc;m, at&eacute; o momento, nenhum tipo    de direito ling&uuml;&iacute;stico, ao contr&aacute;rio do que ocorre tanto    no caso dos ind&iacute;genas, que t&ecirc;m alguns direitos ling&uuml;&iacute;sticos    reconhecidos &#91;como o de um ensino bil&iacute;ngue&#93; e dos surdos", diz Oliveira.    Segundo ele, o financiamento de projetos-pilotos pelo FDD &eacute; diferente    daquele destinado tradicionalmente a estudos de l&iacute;nguas. "&Eacute;    um ato de pol&iacute;tica patrimonial, de reconhecimento de l&iacute;nguas como    refer&ecirc;ncia cultural. N&atilde;o substitui uma s&eacute;rie de outras pesquisas    que t&ecirc;m objetivos diferentes, como aquelas que realizam as universidades",    conclui.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Rodrigo Cunha</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
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