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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p align="center"><font size=5><b>ALGUMAS REFLEX&Otilde;ES SOBRE ENERGIA, AMBIENTE    E SOCIEDADE</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b>Sinclair Mallet Guy Guerra</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <b><font size=5>Q</font></b>uest&atilde;o vital em qualquer    sociedade, seja em que tempo for, a energia est&aacute; sempre em evid&ecirc;ncia,    mesmo que n&atilde;o se atente para isso. Modernamente, a energia atingiu o    <i>status</i> de ci&ecirc;ncia, levando estudiosos das mais diversas e diferentes    modalidades do conhecimento a se dedicarem a ela. Junte-se a essa busca por    conhecimento, o fato de a energia ter um car&aacute;ter interdisciplinar, o    que a fragiliza em sua complexidade. Tal vis&atilde;o faz com que v&aacute;rios    aspectos que a comp&otilde;em devam ser abordados. </font></p>     <p><font size="3"> No caso brasileiro, muito do que deveria ser feito pelos estudos    sobre energia &eacute; dificultado pela interpreta&ccedil;&atilde;o desse car&aacute;ter    interdisciplinar como sendo uma falta de profundidade cient&iacute;fica. Pode-se    citar como exemplo maior de tal afirma&ccedil;&atilde;o a posi&ccedil;&atilde;o    da principal ag&ecirc;ncia brasileira de fomento &agrave; pesquisa. Tal ag&ecirc;ncia,    sem estudos e consultas aos cientistas envolvidos e &agrave;s sociedades que    os representam, mant&eacute;m uma divis&atilde;o em suas sub&aacute;reas de    conhecimento que n&atilde;o reflete as reais necessidades de atendimento a esse    car&aacute;ter interdisciplinar.</font></p>     <p><font size="3"> Os artigos que formam este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico da    <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> procuram, exatamente, demonstrar, cada um    deles, sua especificidade e as caracter&iacute;sticas sobre as quais foram tecidos    os coment&aacute;rios acima. Os trabalhos desenvolvidos visam a apresentar aspectos    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que delimitam os estudos sobre energia e    representam partes ou parcelas de opini&otilde;es e conclus&otilde;es de alguns    de seus grupos de pesquisa. Para tal, foi dada aos seus autores toda a liberdade    de manifesta&ccedil;&atilde;o criativa poss&iacute;vel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>OS ARTIGOS</b> O artigo "Crise ambiental e as energias    renov&aacute;veis" de autoria de C&eacute;lio Bermann situa o contexto    internacional do atual debate ambiental e energ&eacute;tico, e examina a inser&ccedil;&atilde;o    das energias renov&aacute;veis no nosso pa&iacute;s como biocombust&iacute;veis    e como fontes de gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade. No que se refere aos    biocombust&iacute;veis, os problemas e benef&iacute;cios ambientais do etanol    a partir da cana-de-a&ccedil;&uacute;car e do biodiesel s&atilde;o apresentados    de forma cr&iacute;tica, permitindo o balizamento dos pr&oacute;s e contras    que os envolvem. Quanto &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade, o Proinfa    (Programa de Incentivo &agrave;s Fontes Alternativas de Energia El&eacute;trica)    &eacute; apresentado com &ecirc;nfase nas quest&otilde;es ambientais que cada    uma das fontes apresenta, ressaltando os cuidados a serem considerados na implanta&ccedil;&atilde;o    dos projetos. Por fim, o autor prop&otilde;e para a reflex&atilde;o uma quest&atilde;o    de fundo: a impossibilidade de se falar em energias renov&aacute;veis sem se    considerar o atual modelo de produ&ccedil;&atilde;o e de consumo, cuja redefini&ccedil;&atilde;o    &eacute; absolutamente necess&aacute;ria para se evitar a crise ambiental marcada    pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="3"> O artigo "Combust&iacute;veis f&oacute;sseis e insustentabilidade",    de Joaquim Francisco de Carvalho, explica como as radia&ccedil;&otilde;es solares    que incidiram sobre a Terra desde as eras paleoz&oacute;ica e mesoz&oacute;ica,    criaram condi&ccedil;&otilde;es para que surgissem e se desenvolvessem determinados    organismos que, ao longo do tempo, converteram-se nos materiais f&oacute;sseis    que deram origem a combust&iacute;veis tais como turfa, carv&atilde;o, petr&oacute;leo    e g&aacute;s natural, os quais, portanto, representam energia solar acumulada    por fotoss&iacute;ntese naqueles organismos, durante centenas de milh&otilde;es    de anos.</font></p>     <p><font size="3"> Esses combust&iacute;veis, particularmente o petr&oacute;leo    e o g&aacute;s, estimularam a cria&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento das modernas    tecnologias industriais e agr&iacute;colas, gra&ccedil;as &agrave;s quais, no    decorrer da chamada "idade do petr&oacute;leo", isto &eacute;, nos &uacute;ltimos    120 anos, boa parte da humanidade progrediu mais do que tinha progredido desde    o in&iacute;cio da era crist&atilde;; consumindo, nesse curto lapso de tempo,    energia solar acumulada ao longo de centenas de milh&otilde;es de anos. </font><font size="3">Agora,    os mais respeitados ge&oacute;logos do mundo – com raras diverg&ecirc;ncias    – colocam o pico da produ&ccedil;&atilde;o mundial de petr&oacute;leo e g&aacute;s    em torno dos pr&oacute;ximos 15 a 20 anos, o que significa que a "idade do petr&oacute;leo"    est&aacute; chegando ao fim. Ocorre que, sem petr&oacute;leo e g&aacute;s, ser&atilde;o    in&uacute;teis as modernas tecnologias agr&iacute;colas, industriais e de transportes    e, neste contexto, o Brasil n&atilde;o constituir&aacute; exce&ccedil;&atilde;o,    de modo que a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e industrial n&atilde;o    ser&aacute; suficiente para sustentar os mais de 220 milh&otilde;es de habitantes    que o pa&iacute;s dever&aacute; ter, quando a oferta daqueles combust&iacute;veis    estiver escasseando. N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil prever a gravidade da    revolu&ccedil;&atilde;o social que ent&atilde;o se deflagraria e, diante dessa    real possibilidade, o princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o sugere que    se comece desde j&aacute; a estudar linhas de a&ccedil;&atilde;o a serem adotadas    pelo Estado, para que este, em sua fun&ccedil;&atilde;o de disciplinador das    atividades econ&ocirc;micas, adote medidas destinadas a modificar substancialmente    a maneira como a energia &eacute; hoje consumida. Concluindo o seu artigo, Joaquim    de Carvalho apresenta um c&aacute;lculo indicativo do prazo de dura&ccedil;&atilde;o    das reservas brasileiras de g&aacute;s natural e pondera que o governo j&aacute;    deveria ter come&ccedil;ado a estudar seriamente o assunto.</font></p>     <p><font size="3"> O artigo "Aspectos t&eacute;cnicos, econ&ocirc;micos    e sociais do uso pac&iacute;fico da energia nuclear", de Jo&atilde;o Manoel    Louzada Moreira e Pedro Carajilescov, apresenta a evolu&ccedil;&atilde;o da    energia nuclear no mundo, seu estado tecnol&oacute;gico atual e analisa as raz&otilde;es    para o renovado interesse por essa fonte de energia limpa. Esse interesse surge    a partir de proje&ccedil;&otilde;es levando em considera&ccedil;&atilde;o o    crescimento populacional que aponta a necessidade de se quintuplicar o fornecimento    de energia no mundo at&eacute; 2050, principalmente na &Aacute;sia, &Aacute;frica    e Am&eacute;rica do Sul. Tal cen&aacute;rio, conjugado com as poss&iacute;veis    mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e a escalada de pre&ccedil;os para a gera&ccedil;&atilde;o    de energia, provocou o ressurgimento de usinas nucleares para gera&ccedil;&atilde;o    de pot&ecirc;ncia. Atualmente, existem no mundo 443 usinas nucleares representando    17% da pot&ecirc;ncia instalada mundial e espera-se um crescimento de import&acirc;ncia    dessa forma de gera&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos anos.</font></p>     <p><font size="3"> A gera&ccedil;&atilde;o n&uacute;cleo-el&eacute;trica est&aacute;    passando por um momento de grande inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica.    H&aacute;, atualmente, estudos para o desenvolvimento de novos tipos de reatores    em v&aacute;rios pa&iacute;ses com interesses diversos, quanto &agrave; finalidade    do reator, seja para a produ&ccedil;&atilde;o de eletricidade, hidrog&ecirc;nio,    gerenciamento de res&iacute;duos radioativos, ou para utiliza&ccedil;&atilde;o    em pequenas malhas de eletricidade. As novas propostas envolvem pot&ecirc;ncia    variando entre 150 e 1500 MW(e), reatores r&aacute;pidos (operam com n&ecirc;utrons    com energia mais elevada), reatores t&eacute;rmicos (n&ecirc;utrons com energia    em equil&iacute;brio t&eacute;rmico com o meio) e um com energia dos n&eacute;utrons    numa faixa intermedi&aacute;ria. Todos consideram a utiliza&ccedil;&atilde;o    de ciclo de combust&iacute;vel fechado, isto &eacute;, com o combust&iacute;vel    irradiado sendo reciclado e todos operam a temperaturas acima das temperaturas    dos reatores atuais para aumentar a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica.</font></p>     <p><font size="3"> Do ponto de vista ambiental, os reatores nucleares s&atilde;o    interessantes por n&atilde;o emitirem gases do efeito estufa durante sua opera&ccedil;&atilde;o.    Desta forma, a gera&ccedil;&atilde;o n&uacute;cleo-el&eacute;trica n&atilde;o    contribui para o aquecimento global. Em rela&ccedil;&atilde;o aos rejeitos radioativos,    intensas pesquisas levaram a propostas de novas tecnologias que reduzem o tempo    necess&aacute;rio de estocagem desses rejeitos para algumas centenas de anos.    Esse tempo, embora ainda longo, &eacute; compar&aacute;vel a v&aacute;rios res&iacute;duos    industriais que requerem tempos semelhantes para voltar ao estado natural como,    por exemplo, latas de alum&iacute;nio, materiais pl&aacute;sticos, pilhas e    baterias, etc. </font></p>     <p><font size="3"> O artigo "Biocombust&iacute;veis, uma pol&ecirc;mica    do desenvolvimento socioecon&ocirc;mico", de Marcelo Micke Doti e Sinclair    Mallet-Guy Guerra, procura tra&ccedil;ar a problem&aacute;tica existente em    torno do tema cada vez mais mundial de uma fonte renov&aacute;vel e em evid&ecirc;ncia.    A grande m&iacute;dia tem colocado quase sempre a quest&atilde;o em torno do    eixo <i>crise energ&eacute;tica</i>, busca de recurso renov&aacute;vel e o programa    nacional de biocombust&iacute;veis (PNPB) como solu&ccedil;&atilde;o social,    econ&ocirc;mica e, acima de qualquer coisa, nacional.</font></p>     <p><font size="3"> Mas a quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples    assim e o artigo procura delinear esse quadro mais problem&aacute;tico a partir    da an&aacute;lise do pr&oacute;prio documento elaborado pelo governo, ou seja,    o Relat&oacute;rio Final do Grupo de Trabalho Interministerial. Este tencionou    mostrar a viabilidade de implantar o programa de biodiesel. No entanto, tal    artigo deixa em evid&ecirc;ncia a potencialidade que o programa pode ter sobre    as condi&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento. Especialmente sendo esta palavra    n&atilde;o apenas uma ideologia que se marcou fortemente no p&oacute;s-guerra    no mundo e com for&ccedil;a enorme e de destaque no Brasil, mas tamb&eacute;m    porque a palavra induz a muitos erros e qualquer pol&iacute;tica p&uacute;blica    (governamental) que se queira justificar utiliza a mesma procurando mostrar    a import&acirc;ncia do referido programa para a sociedade.</font></p>     <p><font size="3"> Colocando sua &ecirc;nfase no relat&oacute;rio governamental,    o artigo vai mostrando o que fica obscuro no que se refere aos impactos ambientais,    concentra&ccedil;&atilde;o de terras, controle dos recursos energ&eacute;ticos,    entre outros temas. Dessa forma &eacute; que se pode considerar: ser&atilde;o    os biocombust&iacute;veis – no caso exemplificado pelo biodiesel –    uma potencialidade de desenvolvimento?</font></p>     <p><font size="3"> O artigo "Estranhas catedrais. Notas sobre o capital    hidrel&eacute;trico, a natureza e a sociedade", de Oswaldo Sev&aacute;,    analisa as hidrel&eacute;tricas do ponto de vista da economia pol&iacute;tica,    da geografia e das ci&ecirc;ncias sociais. Tais usinas s&atilde;o resultados    t&iacute;picos da a&ccedil;&atilde;o de uma ind&uacute;stria barrageira (<i>dam    industry</i>) e pe&ccedil;as-chave de um processo hist&oacute;rico-social, o    de eletrifica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. A rela&ccedil;&atilde;o com a    natureza &eacute; definida a partir da no&ccedil;&atilde;o de represa como fato    f&iacute;sico-territorial in&eacute;dito, objeto de uma articula&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos t&eacute;cnicos e cient&iacute;ficos, aqui tratado como "ci&ecirc;ncia    barrageira", da qual se adota a vertente cr&iacute;tica. O seu funcionamento    como neg&oacute;cio, como unidade econ&ocirc;mica, &eacute;, na pr&aacute;tica,    constrangido por sua condi&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica intr&iacute;nseca,    pelo seu risco de integridade, j&aacute; que ocorrem acidentes; s&atilde;o registrados    tamb&eacute;m tremores de terra, fen&ocirc;meno conhecido como "sismicidade    induzida por barragens". Do ponto de vista social e econ&ocirc;mico, os    problemas s&atilde;o s&eacute;rios e n&atilde;o cabem no tratamento burocr&aacute;tico    de meros "impactos", devendo ser encarados como emblemas da expans&atilde;o    capitalista, na qual vigoram os mecanismos da acumula&ccedil;&atilde;o primitiva    e da mercantiliza&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que uma nova sociedade se define    a partir de sua constru&ccedil;&atilde;o, com destaque para as popula&ccedil;&otilde;es    humanas atingidas. Internacionalmente, esse marco pode tamb&eacute;m ser observado    nas avalia&ccedil;&otilde;es da Comiss&atilde;o Mundial de Barragens: a era    da constru&ccedil;&atilde;o incessante de grandes represas est&aacute; pr&oacute;xima    do fim.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Os trabalhos apresentados neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico,    como descrito, visam apresentar os aspectos de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    que delimitam os estudos sobre energia e representam partes ou parcelas de opini&otilde;es    e conclus&otilde;es de alguns de seus grupos de pesquisa. </font></p>      ]]></body>
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